The Flash

Crítica | The Flash – 6X13: Grodd Friended Me

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Difícil começar qualquer comentário sobre o episódio desta semana de The Flash sem aludir ao cliffhanger duplo que o encerra. Qualquer um dos ganchos deixados poderia tranquilamente servir como encerramento de respeito ao capítulo: tanto a revelação a respeito da ligação entre Eva McCulloch (Efrat Dor) e a versão refletida de Iris (Candice Patton) quanto aquela entre o arquivilão Flash Reverso e os fantasmas dos múltiplos Wells que assombram Nash (Tom Cavanagh) são momentos dramáticos marcantes pelos quais as temporadas anteriores teriam que sacrificar horas de chororô inútil para conquistar às duras penas. No entanto, estão empilhados aqui, um sobre o outro. Será que tem coisa demais acontecendo ao mesmo tempo?

Em outros carnavais, poderia dizer que sim. No entanto, para uma série que sofreu tanto com a insistência em um ritmo monotônico de desenvolvimento de tramas, acho que o estilo mais descentrado da narrativa atual tem servido como um remédio bem-vindo contra o marasmo de sempre. Ao invés de ficarmos nos arrastando por horas no jogo chatíssimo de construção do vilão de temporada da vez, as ameaças tem sido construídas de forma orgânica a partir de narrativas bem dosadas focadas em personagem. E isso é muito bom!

Nessa semana essa nova abordagem passou por uma prova de fogo significativa: fazê-la funcionar com nosso protagonista (que, ironicamente, tem mais dificuldade em protagonizar bons arcos de personagem do que o elenco de apoio) em nada menos que um episódio de Gorila Grodd, que historicamente não entregou as tramas mais shakespearianas de The Flash. E não é que funcionou!?

Gostei particularmente do ponto de partida da subtrama, com Barry (Grant Gustin) procurando uma maneira de se informar sobre todas as mudanças efetuadas pela Crise. Afinal de contas, além de um velocista heroico que peleja para dar conta tanto dos supervilões quanto de seus contratempos emocionais, Barry é um cientista! Esse aspecto é raramente explorado pelos roteiros, dada a concentração recorde de QI por metro quadrado do S.T.A.R. Labs, mas temos aqui um exemplo de como esses traços facilitam embasar histórias de forma mais orgânica do que o velho “A grande ameaça profetizada está chegando, e as emoções da equipe se encontram à flor da pele!”. É a mesma coisa que ocorreu com Iris: bastou centralizar a personagem em sua veia jornalística investigativa que voilá, premissas interessantes começaram a aparecer!

Tenho a impressão de que trazer o Gorila Grodd é sempre uma desculpinha para esbanjar um CG maroto em sequências de porradaria nonsense (objetivo sempre respeitável, na minha opinião). Assim sendo, situar o retorno do gorilão em um espaço mental foi uma excelente saída para realizar uma premissa absolutamente tosca — o Gorila Velocista — de forma convicente e divertida. Não apenas a luta final é uma galhofa divertidíssima e quadrinhesca, como todo o caminho até lá é repleto de coisas legais — os diálogos bem escritos com Grodd assumindo as formas familiares de outros personagens, por exemplo, foram outro twist bacana para a ideia, fazendo o tipo de coisa que sempre cai bem em televisão, que é explorar outras facetas do elenco recorrente sem muito compromisso com o enredo em si.

Já a subtrama da insegurança do recém-chegado Chester (Brandon McKnight) já representa um pouco mais do “arroz com feijão” dos arcos de personagem da série. Mesmo assim, funciona melhor que o habitual, com um tempo de tela bem comedido e diálogos bem escritos pontuando o posicionamento do personagem. Na verdade, a única bola fora nessa frente para mim foi a própria atuação do Gustin, que soou um tanto blasé demais em relação ao cara, mesmo após o sucesso na operação telepática…

Por sua vez, as outras histórias paralelas envolvendo as desventuras de Allegra (Kayla Compton) com seu stalker interdimensional Nash e as aventuras espelhadas de Iris com a tresloucada McCulloch continuaram a garantir um bom compasso para a trama geral da temporada, apostando em elementos interessantes e sem cair no vício de reduzir tudo a um grande teaser do que está por vir.

Durante a Crise, temi que o papel de Nash na história fosse ser encerrado por ali mesmo, e felizmente não parece ser esse o caso. Cavanagh é um dos corações da série e, felizmente, ao que tudo indica teremos não apenas seu retorno como Thawne como também uma exploração interessante sobre os efeitos da Crise sobre o Conselho dos Wells. Tenho curtido bastante a construção desse mistério, e espero que possamos ter um bom protagonismo para o cara mesmo mediante um possível retorno de Harry Wells (você também torce por isso, vai, pode assumir!).

E quanto à McCulloch, minha esperança é a de que a vilã continue a ser bem construída como o que vimos até agora. Poderes diferentes e imprevisíveis e motivações que não envolvem viagens no tempo ou a obtenção de MacGuffins de matéria negra a serem coletados até o finale são tudo o que eu espero de um vilão de temporada da série no presente momento, e se formos seguir o modelo do que foi feito com Ramsey na primeira metade da temporada, acho que dá pra permanecer otimista.

Entrei temendo outro show de horrores e saí empolgado com duas subtramas muito boas e, de quebra, enriquecido com a memória de um supergorila velocista usando o poder da amizade para se fundir com Barry Allen e derrotar seus maiores medos em busca da liberdade. Ou seja, Grodd Friended Me foi outra boa surpresa de uma temporada divertida em bem dosada em quase todos os aspectos. Difícil não ficar empolgado assim!

Peraí, semana que vem é o retorno de quem? Ah, não…

The Flash – 6×13: Grodd Friended Me — EUA, 25 de fevereiro de 2020
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Kristen Kim, Joshua V. Gilbert
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Efrat Dor, Andy Mientus, Victoria Park, Kayla Compton, Brandon McKnight, David Sobolov, Keith David
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X12: A Girl Named Sue

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

The Flash segue consistente em sua fase renovada, provando novamente a precisão das mudanças que o time de produção atual tem feito em relação ao modelo da série, especialmente desgastado ao longo das temporadas anteriores. Nosso episódio da vez, A Girl Named Sue, mostra que a nova ordem na casa é capaz até mesmo de entregar a apresentação de uma subtrama há muito tempo anunciada de forma justa, envolvente e — sempre bom — surpreendente!

O leitor que acompanha nossa cobertura da série já deve saber que Ralph Dibny (Hartley Sawyer) é um dos meus personagens favoritos de todo o extenso elenco da série, a versão da CW surpreendentemente tendo conseguido fazer jus ao Homem Elástico dos quadrinhos, mesmo levando em conta as ocasionais derrapadas. Assim, não tem como não admitir que a introdução de Sue Dearbon (Natalie Dreyfuss) não trazia uma carga de expectativa e de justificada apreensão da minha parte, em especial com a recente jogada para escanteio que o personagem de Ralph recebeu ultimamente.

Felizmente, o episódio não desperdiça a ocasião e prova que a estratégia de colocar o núcleo no banco de reservas é sempre válida quando significa explorar de forma legitimamente interessante as narrativas potenciais dos personagens, quando sua vez chegar. Muito mais vale um episódio bom desses do que meia dúzia de aparições reduzindo o Homem Elástico a alívio cômico e/ou contraponto em uma nova DR no Team Flash, não é?

Em termos de roteiro, não consigo pensar em forma mais eficiente de introduzir Sue do que a que tivemos aqui. Ao mesmo tempo em que se presta homenagem às origens da personagem e da relação com Dibny nos quadrinhos originais, temos também uma série de ajustes que a colocam em boa sintonia com essa versão do personagem, resultando em uma química interessante e instantânea. Enquanto, assim como no original, temos o Homem Elástico perseguindo a moça em um comportamento levemente stalker, no twist final  descobrimos que a persecutoriedade não apenas era recíproca e, pior ainda, resultou em uma traição fria e calculista! Esse encaminhamento tornou a personagem instantaneamente mais interessante, introduzindo conflito na subtrama romântica de uma forma que cai perfeitamente bem com o personagem. A dinâmica de Lupin III e Fujiko Mine cai perfeitamente bem para a dupla, e espero que possa ser trabalhada com o ritmo que merece. Não temos pressa em ver o casal “feliz para sempre”, eu quero ver é drama e desgraça (desculpa, Ralph)!

Fora isso, a dinâmica pessoal da dupla também funciona muito bem desde o inicio, valendo-se de diálogos bem escritos, boa atuação e a benção de algo que costumeiramente falta para a série: sutileza. Não é difícil imaginar (e ainda pode muito bem acontecer) uma versão desse episódio recheada de diálogos toscos em que Ralph explica ao espectador o paralelo e as semelhanças entre ele e Sue, roubando a coisa toda de qualquer organicidade. Mesmo o momento breve em que Cecile (Danielle Nicolet) dá as caras para fazer um pouco dessas honras, a coisa funciona bem pois serve de base para um momento comédico bem atuado que entrega o mesmo ponto (a compatibilidade e identificação de Ralph e Sue, mesmo que já suspeitemos dela nesse momento) sem precisar soletrar para nós de forma maçante.

A aventura lupinesca do (ainda não) casal — não bastassem as máscaras, temos até o macacão de couro a la Fujiko da Sue! — acaba em um combate muito bacana contra Ultraviolet (Alexa Barajas), onde ambos conseguem brilhar e, no final das contas, segue até uma pontinha para nosso Velocista Escarlate salvar o dia na hora H. Gostei de absolutamente tudo nessa subtrama, que de quebra conseguiu se encaixar perfeitamente com o restante do arco maior da temporada, que tem conseguido deixar de lado a afobação e o teasing característicos em favor de uma narrativa que, no melhor dos sentidos, parece uma excelente série em quadrinhos se desenvolvendo.

Não dá um belo fôlego renovado acompanhar as ocorrências metahumanas em Central City sem fazer com que tudo gire em torno de alguma ameaça futura pré-determinada com ligações profundas com o passado/futuro de Barry, a Força de Aceleração e os ensinamentos que seus pais deixaram para ele? Com um elenco tão extenso e forte de personagens, é uma injustiça que a série faça menos do que isso, e felizmente estamos tendo um ótimo aproveitamento de personagens que antes acabavam totalmente esmagados pela ladainha narrativa de sempre.

A subtrama de Iris (Candice Patton) e sua duplicata espelhada (podemos combinar de chamar ela de Siri?) continua forte, aproveitando o espaço de tempo alocado para o plot-B para algo muito mais interessante do que o habitual. Construindo uma potencial nova versão do Mestre dos Espelhos, a náufraga especular Eva McCulloch (Efrat Dor), esse núcleo evoca muito bem a aparição anterior do vilão, tomando o tempo para mostrar o truque anterior de se resfriar o espelho não funcionando aqui — provavelmente devido aos poderes que McCulloch adquiriu sem saber. Mais uma vez: não dá pra imaginar a mesma coisa sendo tratada na base do esculacho, com Cisco apenas comentando algo como: “Putz, não dá para congelar o espelho dessa vez porque as leituras de matéria escura ultrapassaram o eixo negativo!”? O quão mais interessante é trazer a continuidade passada de forma orgânica e tomar o tempo para mostrar nossos personagens tentando se virar com o que sabem, ao invés de rechear o caminho do “ponto A” ao “ponto B” da história com um tratado de diálogo expositivo?

A Girl Named Sue é tudo que eu espero de um bom episódio de The Flash: elenco bem explorado de personagens, diálogo afiado, momentos cômicos, sequências de ação, suspense, ausência de plots repetidos de forma canalha e dramalhões desnecessários. Sei que temos que tomar cuidado ao animar com essa série, mas estou cada vez mais caindo nesse novo truque da CW! Sério mesmo, o que poderia acontecer de errado, agora?

Peraí, semana que vem vai ter o quê!? Ah não…

The Flash – 6×12: A Girl Named Sue — EUA, 18 de fevereiro de 2020
Direção: Chris Peppe
Roteiro: Thomas Pound, Lauren Certo
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Hartley Sawyer, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Danielle Nicolet, Efrat Dor, Natalie Dreyfuss, Alexa Barajas
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X11: Love is a Battlefield

The Flash Love Is A Battlefield

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

O episódio desta semana de The Flash continua a corajosa (e nada invejável) missão, iniciada pelo capítulo anterior, de consertar Iris (Candice Patton). Antes um dos centros dramáticos mais importantes da produção, a personagem foi sendo arrastada por um lamaçal de narrativas desinteressantes, clichês preguiçosos e forçações de barra que acabaram a tornando, para muitos, um verdadeiro fardo para a série. O que surpreende é que o negócio funciona muito bem! O espanto não é devido a uma falta de fé na produção, “haterismo” barato ou algo do tipo: é que não é a primeira vez que tentam fazer isso e, normalmente, a emenda saiu pior que o soneto…

Love is a Battlefield abraça a ideia de reexaminar a personagem de tal forma que consegue abordar uma auto-crítica desses fatores sem apelar para a comédia. Uma coisa é a série brincando consigo mesma a respeito da dependência preocupante do Team Flash em relação aos discursos motivacionais. É divertidinho, é engraçado, mas ao final das risadas nada muda e continuamos atropelados pelos mesmos vícios narrativos de sempre. A opção aqui é mais arriscada, já que aborda a situação por uma veia dramática: a crise do relacionamento entre Barry (Grant Gustin) e Iris reflete, de certa forma, a própria “crise” entre o público e a personagem, não? Com o recém encontrado protagonismo da personagem, as dúvidas encaradas por Barry têm muito em comum com aquilo que podemos perguntar sobre a Sra. West-Allen. Quando foi que tudo mudou? Desde quando as coisa estão assim? Qual é, afinal de contas, o melhor papel dela na dinâmica do Team Flash?

Dada a inclinação da série para elementos românticos, não é de se surpreender que o Valentine’s Day sirva de pano de fundo para um episódio focado na vida cotidiana dos personagens e suas relações interpessoais. A oportunidade não é desperdiçada, pareando a crise pessoal de Barry com a DR supervilanesca entre Amunet Black (Katee Sackhoff) e Goldface (Damion Poitier), que traz um bem-vindo contraponto comédico ao dramalhão do núcleo principal. No campo de batalha do casal Flash, achei especialmente bacana a forma como Iris questiona os papéis que assumiu ao longo da série, contrastando com o seu recém-encontrado protagonismo à frente do “Team Citizen”.

Uma execução menos cuidadosa seria capaz de tornar a coisa toda mais um dos choramingos maçantes que ela estrelou ao longo desses seis anos. Felizmente, a construção da evolução da personagem tem tomado seu tempo para se dar da forma mais orgânica possível, resultando em algo totalmente diferente do que se costuma ver na série. São duas coisas muito diferentes:

  1. “Olha gente, não sei muito bem o que eu vim fazer aqui, mas não estou gostando de nada disso e, no fundo, eu sou o Flash tanto quanto meu marido, então vocês por favor me respeitem e vejam como eu sou uma personagem interessante, importante e essencial. Se eu não fosse, não estaria tendo que explicar isso pra vocês assim, mastigadinho, certo? Certo…?”
  2. “Barry, você literalmente viajou para a China para investigar uma manchinha de lama na máscara que ganhou de herança do Arqueiro, enquanto um grupo de assassinos perseguia a galera do meu jornal. Não tô falando que você não deveria ter ido, mas sim te mostrando que eu também mereço algum crédito e sei me cuidar melhor do que você pensa!”

Nem precisa dizer qual dos dois é mais interessante narrativamente, né? No primeiro caso, é o velho “falar ao invés de mostrar”, tentar convencer o público de que a personagem tem profundidade e conflito sendo que nada do que está sendo aludido na fala foi mostrado de forma convincente anteriormente na série. No segundo caso, um conflito orgânico entre dois pontos de vista plenamente justificáveis, discutindo eventos que nós acompanhamos acontecer na semana passada. Essa nova direção mostra que é possível, afinal de contas, nos fazer nos importar com a vida pessoal de nosso casal titular!

Deixando de lado a perspectiva externa do crítico chato para falar dos pormenores da história em si, a trama entre Amunet e Goldface, embora esteja longe de ser algo memorável, acerta bem na tonalidade comédica e com uma exploração juvenil do tema dos relacionamentos sem cair nos clichês de sempre. Apesar de gostar de Amunet, não era uma das personagens que eu tinha em mente para voltar tão cedo, enquanto Goldface estrelou um dos piores episódios da série, na minha opinião. Ou seja, que eu tenha me divertido com a dupla é um sinal de que foram elencados muito bem! Gostei bastante da subtrama envolvendo a flor especial, que deu um recheio metafórico bem bacana para o conflito entre os dois. A decisão de coroar tudo com uma cena ultra-galhofa funcionou bem, coroando com uma lição de moral jovial um filler leve, divertido e que, ainda assim, não deixa de servir bem à narrativa maior da temporada.

Parece que estou esquecendo de alguma coisa… Ah é! Um detalhezinho crucial nessa história toda, o qual pode acabar revelando ser essa apenas mais uma das tentativas frustradas de reabilitar a graça da Sra. West-Allen: o tempo todo estávamos lidando com a “Iris Espelhada” e não com a verdadeira! Embora essa revelação coloque em risco a legitimidade de todo o desenvolvimento de personagem feito aqui, a revelação do final não deixou de ser uma bela surpresa. Colocando sob perspectiva as ações dela ao longo de todo o episódio, o plot twist funciona justamente pela construção alongada e bem feita entre o episódio anterior e esse. É uma jogada simples de roteiro, mas que funciona bem justamente por isso. Veremos o que os próximos capítulos nos reservam!

Mas se tivermos que escolher entre a Iris antiga e essa nova versão, será que podemos ficar com a número 2?

The Flash – 6×11: Love is a Battlefield — EUA, 11 de fevereiro de 2020
Direção: Sudz Sutherland
Roteiro: Kelly Wheeler, Jeff Hersh
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Jesse L. Martin, Kayla Compton, Tom Cavanagh, Katee Sackhoff, Damion Poitier
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X10: Marathon

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Embora eu não tenha checado mais de perto, tenho a impressão de que essas “premieres” de meio de temporada de The Flash normalmente falham em dar continuidade aos ganchos interessantes deixados pelo episódio anterior ao hiato. Foi assim no ano passado com The Flash and the Furious, que conseguiu desperdiçar, numa tacada só, os ganchos deixados pelo encarreiramento entre um episódio comemorativo e um crossover! Nesse sentido, Marathon consegue romper um pouco com a tradição, ao menos no que diz respeito ao formato e ritmo de desenvolvimento da temporada.

Não que o episódio seja em princípio muito diferente do que costuma rezar o manual: temos aqui uma típica “faxina pós-evento”, temperada por teasers ocasionais das subtramas que irão nos decepcionar divertir ao longo das próximas semanas. Porém, uma coisa que funciona melhor aqui se compararmos ao passado da série é justamente a estruturação da trama maior da temporada.

Continuando a boa pegada do novo time de showrunners, a história aqui tem mais cara de “começo de temporada” do que de “retorno do hiato” propriamente dito. E isso é muito bom, já que parece colocar em prática uma proposta de duas sub-temporadas mais curtas como alternativa à longuíssima “história sem fim” usual. Com a ameaça de Bloodwork/Hemoglobina devidamente contida (ao menos por hora) e poucas pontas soltas para adereçar, a produção consegue ter fôlego narrativo para se dar ao luxo de explorar o inconfundível terreno de filler sem soar tão prolixa e desorientada quanto costuma ser o caso.

Nossa faxina pós-Crise tem seus altos e baixos, e na verdade não faz muito mais do que nos informar a respeito das consequências da reestruturação geral do Multiverso da CW, agora concentrado em uma Terra-Primordial. Difícil escapar da impressão de que essa reintegração vai acabar se dando de forma um tanto desajeitada, em especial no que diz respeito a aproveitar a ocasião para efetivar uma renovação profunda na série — o que, no final das contas, imagino que se aproximaria mais de um reboot do que de qualquer outra coisa. Por outro lado, também não tenho como negar o charme dessa continuidade integrada entre as séries, que tem melhorado a cada ano e, especialmente nesse epílogo, lida de forma totalmente quadrinhesca com os efeitos da morte de Oliver Queen.

Temos aqui um Diggle (David Ramsey) em um momento intermediário entre o final da Crise e o finale de Arrow, trazendo para Barry (Grant Gustin) um presente especial deixado por Oliver, que coloca os dois em uma busca um tanto sem pé nem cabeça e que tem como propósito amarrar tematicamente a subtrama de nosso protagonista com a do episódio em si, ao mesmo tempo em que nos detemos um pouco mais sobre sua reação ao sacrifício do Arqueiro. Dada a relação dos dois e o papel do herói veterano em inspirar o heroísmo de Barry, a investida é mais do que justa e, exemplificando bem a temática do episódio, mostra os ganhos que uma desacelerada necessária pode conceder no momento certo.

Na prática, a simplicidade dessa linha narrativa faz do episódio um raro capítulo “Flash-lite” (ou seja, com pouca presença de nosso velocista titular), muito provavelmente devido à necessidade prática de se filmar tudo isso simultaneamente aos episódios da Crise. E tudo bem com isso! Muito mais vale ver pouco do nosso herói, em cenas mais alongadas que se servem de um drama concreto e sincero do que desgastar o personagem no típico gato e rato emocional sonífero de sempre, não? Ironicamente, quem sai melhor servida pela situação é ninguém menos que Iris West-Allen (Candice Patton), personagem praguejada por tanto tempo por subtramas preguiçosas e esculachadas e que finalmente tem tido a chance de se rehabilitar sob a batuta de Eric Wallace.

O grande feito do novo time produtivo foi realizar um bom episódio no qual o núcleo de Iris ocupa o protagonismo. Dado o estado em que a temporada passada nos entregou a personagem, é um feito e tanto. O núcleo do The Citizen continua cativante e aproveita a construção feita na primeira metade da temporada para mostrar que agora é capaz de sustentar suas próprias subtramas de forma legítima. Como bom fã das histórias focadas no Planeta Diário (e da clássica série Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman), eu acabo sempre sendo parcial a uma boa história de super-herói focada na investigação jornalística, e posso dizer que esse foi o melhor episódio para Iris desde… provavelmente sempre? A personagem consegue puxar seu núcleo narrativo sem cair nas fracas retratações usuais — o diálogo com Joe (Jesse L. Martin), em especial, mostra os personagens em uma boa forma que é rara de se ver em um bom tempo!

Paralelamente à revelação bem compassada da Black Hole e ao teaser do que parece ser uma nova iteração do Mestre dos Espelhos (num cliffhanger alongado sensacional), temos tempo ainda para um conflito tenso entre Nevasca (Danielle Panabaker) e uma nova Doutora Luz (Emmie Nagata) — com um traje ofensivamente ruim ao ponto de me lembrar dos Movellans de Doctor Who. Os armamentos alienígenas e a conspiração armadas pelo episódio são um passo na direção certa, no sentido de que eu penso que a série teria muito a ganhar em deixar de lado as tramas mais mirabolantes em favor de um super-heroismo básico, ao menos para explorar melhor nosso novo status quo.

Por falar nisso, Cisco (Carlos Valdes) confirma que Harry e Jessie aparentemente não conseguiram escapar do cataclisma da Terra-2, o que, se confirmado seria uma verdadeira lástima. Minha esperança é que o sumiço do (novamente ex-)Vibro esteja ligado a uma futura volta à forma, quem sabe encontrando o Conselho dos Wells em um algum “abrigo anti-Crise”? Eles não iam acabar com uma das melhores coisas da série, que é a tradição dos “infinitos Wells”, né? Né…?

No total, Marathon consegue explorar de forma interessante um formato que tradicionalmente não funcionou na série. Ironicamente, consegue isso ao fazer o mínimo e continuar se apoiando nos acertos dessa nova fase. O mérito pela temática de “a vida é uma maratona, não uma corrida” funcionar bem, por exemplo, aponta mais pelo fato de que é um “tema motivacional” que surge de forma orgânica, dados os eventos da primeira metade da temporada, ao invés de vir com a mão pesada de sempre para ocupar a cota de draminhas baratos, provando nossa teoria de que é tudo uma questão de jeito. Mas será possível que é preciso que o ator do Flash esteja ocupado gravando outra coisa para termos mais protagonismo por parte de Iris? Ou será que a produção finalmente pegou o jeito e fará jus à personagem? Veremos!

The Flash – 6×10: Marathon — EUA, 4 de fevereiro de 2020
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Sam Chalsen, Lauren Barnett
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Danielle Nicolet, Jesse L. Martin, David Ramsey, Victoria Park, Kayla Compton, Eric Nenninger, Emmie Nagata
Duração: 43 min.

Crítica | Liga da Justiça da América #42 a 50 (1966)

plano critico liga da justiça da amética gangue

Este compilado de críticas traz abordagens para as edições #42 a 50 da revista Justice League of America Vol.1, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1966. Você também pode conferir as críticas para as edições dos anos anteriores da equipe, como indicado na lista abaixo.

  • O Bravo e o Audaz #28 a 30 + LJA #1 (1960), LJA #2 a 8 (1961), LJA #9 a 16 (1962), LJA #17 a 24 (1963), LJA #25 a 32 (1964) e LJA #33 a 41 (1965).

NOTA: Os títulos traduzidos das edições são os mesmos utilizados pela Ebal, na revista Os Justiceiros, que a partir da edição #5 (janeiro de 1968) passou a publicar as aventuras desta fase da Liga, em forma descontinuada, como se pode perceber. Também são utilizados os títulos da revista Crise Nas Múltiplas Terras n°1 (Panini, 2008).

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LJA #42: Metamorfo Diz… Não!

Metamorpho Says — NO! — (Fevereiro de 1966)

Mais um GADO DEMAIS para a nossa coleção de “personagens gado da DC”, da qual nem o coelhinho da Família Marvel escapa… Oh, céus. Pois bem, aqui temos o Metamorpho (Rex Mason) que está indo a um encontro marcado com sua amada Sapphire Stagg e que, no meio do caminho, recebe o convite de alistamento da Liga da Justiça. E claro que a primeira desculpa que o homem elemental dá é a de que ele “não iria porque tinha um encontro marcado com o seu broto”. Durmam com essa.

O roteiro de Gardner Fox até tenta dar uma disfarçada, contornando a situação para um outro tipo de problemática, com Metamorpho dizendo que não aceitaria de verdade o convite da Liga porque não queria ficar daquele jeito para sempre e que, se ele aceitasse, estaria assumindo definitivamente sua condição atual… ou seja, bobagem pura e simples. Nem uma das duas desculpas aqui realmente funciona, e o resultado é um verdadeiro doce do herói para, no final, dizer que “seria apenas um membro eventual” do grupo. Claro, até porque a condição causada por um banho de luzes de um meteoro dentro de uma pirâmide egípcia vai passar logo logo, pode esperar sim, Sr. Metamorpho…

Nessa trama temos a primeira aparição do vilão Inimaginável, um Ser solitário que procura entrar para a Liga e fica bravo quando é rejeitado. Em certa medida, me pareceu até a história de um dos jovens malucos que se candidatavam para entrar na Legião dos Super-Heróis, com a diferença de que, mesmo com o doce do Metamorpho a trama realmente funciona bem, com boas resoluções da arte de Mike Sekowsky na forma de mostrar os ataques do Unimaginable, na diagramação das páginas e no uso visual do Metamorpho em todas as batalhas. Uma introdução não muito introdutória de mais um membro (?) da Liga da Justiça nos anos 60.

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LJA #43: As Cartas do Crime da Gangue de Espadas

The Card Crimes of the Royal Flush Gang! — (Março de 1966)

Tendo inventado um dispositivo chamado Stellaration — máquina que usa o poder astrológico das estrelas para carregar objetos com “poder estelar” e causar efeitos diferentes nas pessoas — Amos Fortune reúne seus velhos amigos de infância e cria a risível, mas inicialmente poderosa Royal Flush Gang. Assumindo o disfarce do Ás, Fortune atribui diferentes tipos de cartas aos seus companheiros e com essas cartas de baralho carregadas da tal energia Stellaration, os membros da Royal Flush Gang são capazes de desencadear inúmeros crimes e derrotar Gavião Negro, Mulher-Gavião, Flash e Mulher-Maravilha sozinhos, isso só na primeira parte da história!

Por se tratar de um personagem que a gente já conhece de outras aventuras, a saber, de A Roda do InfortúnioA Ameaça da Bomba Eléktron, a trama ganha um pouco mais de valor geral na jornada da Liga, mas só pela premissa dessa história já dá para ver que ela não se enquadra no tipo de “Tramas A” do grupo. E só o fato de Snapper ter um papel importante já diz muito sobre a qualidade do roteiro, não é mesmo? (só esperando a edição em que eu vou pagar a língua, mas tudo bem…). A ideia mística de colocar valores emocionais/comportamentais nas cartas é bem legal, mas o texto não vai verdadeiramente por esse lado, em vez disso, tenta misturar o conceito com ciência e aí embola tudo, gerando aquele tipo de revista que a gente pode até gostar de uma parte ou outra, mas no todo, é só uma trama medíocre mesmo.

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LJA #44: A Praga que Atingiu a Liga da Justiça

The Plague That Struck the Justice League! — (Maio de 1966)

A ameaça dessa história já começa de forma interessante, com Batman, Flash, Lanterna Verde e Eléktron em tamanho gigantesco, com uma tal “praga” que pode colocar todos no caminho da morte. Em dado momento eles são contatados por um alienígena chamado Dr. Benderoin, que lhes diz que foram infectados por um vírus que mata em 10 horas e que qualquer pessoa eles tiveram contato também foram infectados. Benderoin diz aos heróis que é devido à sua exposição ao Inimaginável. A Liga até pede ajuda ao Metamorpho (numa cena curta, que começa no nada e termina em lugar nenhum), mas Benderoin insiste que ele não pode curar os outros heróis dessa vez, pois seus átomos exauriram o valor terapêutico quando curaram o próprio Metamorpho.

O plano geral do vilão aqui é o que de melhor essa revista tem. Claro que o leitor está diante de uma linha de eventos que pode ser chatinha no começo, mas à medida que o enredo avança, começamos a ficar mais interessados pelo que acontece, e o texto sabe aproveitar bem dois grupos diferentes de heróis agindo com diferentes intenções sem saber que estão sendo manipulados. Uma das “histórias de subterfúgio” que cresce bastante em valor na parte final. Mas uma coisa precisa ser dita: eu dei a maior gargalhada quando o alien diz que todos os membros da Liga infectados vão causar a morte de quem eles tocaram, e todo mundo se lembra de seu par romântico e o Batman lembra do Robin… É realmente engraçado. O que não é tão engraçado assim é que pela segunda edição seguida, a Mulher-Maravilha é colocada para costurar e literalmente fazer roupa…

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LJA #45: A Grande Luta Contra Shaggy Man

The Super-Struggle Against Shaggy Man! — (Junho de 1966)

O ponto de partida dessa história já é torto, com diversas cartas endereçadas à Liga da Justiça e que foram perdidas após um acidente de avião. Aqui vemos essas missivas serem entregues — estavam numa caixa resistente! — a Snapper, que as leva aos os membros da JLA (Batman, Flash, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Eléktron e Gavião Negro). O tema de duas cartas serve como ponto de partida para o drama da edição, que coloca os heróis investigando (depois de dois anos!) os pedidos de ajuda. Pois é. Eu disse que começava torto… O pior de tudo é a absurda conveniência das duas cartas abertas serem para “emergências” que os envolvidos são homens da ciência e que, ora ora ora, conseguiram lidar, a seu modo, com o problema em questão. Tendo essa situação desde o início, fica difícil se apegar à história a partir daí.

A Liga se divide em dois times (Lanterna e Superman estão em missões fora) e pelo menos nessa dinâmica o roteiro consegue um bom resultado, especialmente com o Flash indo de um lado para o outro e buscando interessantes soluções para o problema dos dois times. Bom… ao menos em teoria. Porque essa resolução termina com o tal Shaggy Man (que nome horrível, meu Deus) lutando contra um bicho que seria parte de uma “segunda Lua da Terra“. Uma pequena confusão que não é impossível de se entender a lógica, mas seria melhor se o problema de fato se resolvesse. E não é o que ocorre aqui. A “solução” que a Liga encontra abre as portas para os vilões saírem de sua prisão na ocorrência de qualquer coisinha um pouco fora do comum, como sempre acontece nesse Universo…

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LJA #46 e 47: Crise entre a Terra-1 e a Terra-2 / Ponte Entre as Duas Terras

Crisis Between Earth-One and Earth-Two / The Bridge Between Earths — (Agosto/Setembro)

Tem histórias em que realmente não dá para entender a cabeça de Gardner Fox. Neste arco que traz o já tradicional encontro anual entre os heróis da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça (ou seja, o crossover entre Terra-1 e Terra-2), temos um começo de história fantástico, cheio de bos acontecimentos — até as bizarrices que o autor coloca são charmosas, fazem parte daquilo que esperamos de uma história da Liga nos anos 60. É estabelecido que uma força estranha está fazendo com que pessoas na Terra-1 e Terra-2 troquem de lugar. Enquanto Dr. Meia-Noite e Canário Negro são transportados para a Terra-1, Batman se vê transportado para a Terra-2. Para piorar a situação, o Espectro é atraído pelo Homem de Anti-Matéria, responsável por um dos grandes perigos da trama, e Solomon Grundy é libertado de sua prisão mística e transportado para a Terra-1… enquanto Arrasa-Quarteirão se liberta da Fundação Alfred e se vê transportado para a Terra-2. É definitivamente muita coisa acontecendo. Mas a história no começo é divertida e vale a pena essa grande quantidade de acontecimentos ao mesmo tempo.

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Ao longo de toda a primeira edição estamos realmente diante de um drama de investigação e porradaria entre heróis e vilões. Mesmo com diversos outros perigos cercando os heróis, a ideia de pessoas indo de uma Terra para outra é bem executada, tanto pela arte quanto pelo roteiro, que nos apresenta bons momentos de passagem dimensional. O problema é que talvez na ânsia de colocar mais e mais coisas relacionadas à ciência, Fox começa a piorar o roteiro, que decai imensamente quando dá atenção demais para os brutamontes (Grundy e Blockbuster).

Depois de um tempo impossibilitado de “ver além dos olhos”, o Senhor Destino acaba sendo avisado de que tem algo errado acontecendo (o alien de antimatéria) e transporta os membros da JLA e da JSA para o espaço entre dois mundos, onde a principal e mais absurda batalha do arco acontece. Tem resoluções nessa sequência que simplesmente não dá para aceitar. E enquanto a gente vê a Canário Negro enrolando seus cabelos (que cresceram assustadoramente) nas pernas do alien — e isso feito como se fosse uma resolução imensamente inteligente, acreditem — Eléktron entra na jogada de fato, recobrando seus poderes e vendo que o dispositivo de varredura cósmica de seu laboratório foi o catalisador que levou o Homem Anti-Matéria a tentar viajar para o Universo da matéria positiva — basicamente a semente de Crise nas Infinitas Terras. Até aqui eu ainda tinha alguma esperança de que as porradas fossem o foco e decisões divertidas fizessem parte do plano dos heróis, mas… não é isso que acontece (mais uma vez).

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Viajando para a fenda cósmica, Eléktron usa de seu conhecimento científico em conjunto com a magia do Espectro para romper a dobra do espaço, desviando o Homem Anti-Matéria de volta ao seu próprio Universo e restaurando a ordem nos dois da Terra. Só que nada disso é feito totalmente sem tropeços. A cada dois quadros com diálogos e narrações bem legais, temos seis com coisas absurdas e inaceitáveis, tornando a história extremamente irritante no final, uma diferença bem grande pra o que percebemos dela no divertido começo. Já no encerramento, o Lanterna Verde transporta Solomon Grundy e Blockbuster para a mesma Terra, onde eles ficam lutando entre si. E então o grupo de heróis chega a tempo de ver os dois pararem de brigar e se tornarem amigos (pois é…), decidindo retornar pacificamente à sua própria Terra e à custódia. A única coisa que a gente precisava aqui era do alien de antimatéria trazendo preocupações, mas como adição tivemos dois vilões que, no cômputo geral, só serviram mesmo para atrapalhar a história.

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Sobre a Edição #48

A edição #48 deste título, com data de capa de outubro de 1966, não foi uma história inédita e sim um compilado de três revistas anteriores da Liga, a saber, The Brave and the Bold #29, Justice League of America #2 e Justice League of America #3. A próxima história inédita da equipe viria na edição #49, intitulada A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo.

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LJA #49: A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo

Threat of the True-Or-False Sorcerer! — (Novembro de 1966)

Quem é vivo sempre aparece, não é não? Lançando um feitiço para tentar se libertar na prisão, Félix Fausto (que a Liga conhece desde Os Dedos Fantásticos de Félix Fausto) consegue algo, mas não exatamente o que queria. Em vez de uma saída para se libertar da prisão, ele cria duas duplicatas de si mesmo. E quando nenhum dos dois pode concordar com quem é o verdadeiro Fausto (nenhum dos dois é!), conjuram um demônio que revela que, se não determinarem qual é o falso mago, quando o falso Fausto desaparecer, sua destruição também destruirá o Universo.

Esse é o tipo de trama que se você comprar a premissa e a apresentação dela, tudo funciona depois, pois o roteiro não fica andando em círculos, colocando justificativas intricadas ou personagens que mais atrapalham do que ajudam a história a crescer, como ocorreu na aventura com a SJA no arco anterior. Além disso, é até engraçado ver como a parceria do vilão com os heróis ocorre e como eles lidam com os problemas que aparecem pelo caminho. A dupla Flash-Superman é a minha favorita na investigação que se segue, tanto no plano de ataque quanto em relação ao tipo de problema que têm para vencer.

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LJA #50: O Senhor do Tempo Ataca o século XX

The Lord of Time Attacks the 20th Century! — (Dezembro de 1966)

Após uma passagem pelo Vietnã, o soldado Eddie Brent está voltando para casa (para Gotham City) como um herói, com um evento de condecoração pública o esperando e tudo. No entanto, quando ele enlouquece e pula do trem, sua atividade suspeita leva Bruce Wayne e Dick Grayson a investigá-lo como Batman e Robin. Seguindo Brent, eles descobrem que ele foi munido com super-armas que facilmente dominam a dupla dinâmica. Começa então uma linha de investigação que traz de volta o Lord of Time, lá de A Hora Final.

Como foi comum nas histórias desse ano, a boa arte de Mike Sekowsky e o bom trabalho de finalização de diversos artistas prendem a nossa atenção na sequência de lutas, no trabalho de movimentação dos heróis e na criação dos lugares visitados. Poucos são os momentos em que temos reais problemas com a arte nessas edições. A questão mesmo é o roteiro, que faz uma trajetória bem chatinha. É até paradoxal termos tantas boas passagens de ação embaladas em uma justificativa ou diálogos que dão vergonha. E aqui o incômodo é mais na relação entre plano do vilão com a reação dos heróis da Liga. A propósito, temos enfim uma participação efetiva do Aquaman no ano! Não é uma história ruim, mas vocês sabem, isso não significa muita coisa em termos de qualidade, não é?

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Justice League of America Vol.1 #42 a 50 (EUA, 1966)
Roteiro: Gardner Fox
Arte: Mike Sekowsky
Arte-final: Bernard Sachs, Frank Giacoia, Joe Giella, Sid Greene
Letras: Joe Letterese, Gaspar Saladino
Capas: Mike Sekowsky, Murphy Anderson, Joe Giella
Editoria: Julius Schwartz
24 a 26 páginas (cada edição)