Superman

Crítica | Superman: Red Son (Entre a Foice e o Martelo)

Bem… esta animação não é exatamente uma adaptação. É uma versão aproximada da excelente minissérie Entre a Foice e o Martelo (2003), um elseworld da DC que gerou muita expectativa quando foi anunciada a sua transposição para as telas, mas que nos trouxe, como base narrativa, a recriação da birra política típica do início da Guerra Fria. E pra começar, vai a pergunta nevrálgica de tudo isso: por que diabos os produtores convidaram J.M. DeMatteis para escrever o roteiro de uma animação com esse tema?

A linha central do texto, claro, apega-se ao original, embora sem muitos detalhes de origem. A cápsula de Krypton cai na União Soviética e é lá que cresce Somishka, o garoto que se tornaria o Superman. Acompanhamos a trama a partir de 1946, numa cena que em moral e sentimento, serve para introduzir alguns conceitos curiosos para o protagonista, ideias retomadas pelo roteirista na parte final da história, quando ele é confrontado com seus métodos políticos dentro do espectro ditatorial.

Sim, a abordagem de DeMatteis é cultural e politicamente esperada, mas é curioso o quanto ele ensaia algumas saídas da dicotomia comunismo X capitalismo, o quanto reflete alguns interessantes problemas atuais na forma como explora certos momentos (a construção do Muro de Berlim, a revelação de Diana sobre sua sexualidade e toda a ideia de “alien”, claramente refletindo sobre a xenofobia), mas a essência do roteiro nega muita coisa do original — que também tem suas falhas, mas funciona muito bem no todo –, especialmente na forma de amarrar as questões políticas com as questões super-heroicas. E é aí que o negócio de “mocinhos individualistas e bandidos coletivistas” termina por minar a força da história, reduzindo-a à um briguinha anacrônica dos tempos pré-1991.

O ato que tem uma melhor exposição dos temas políticos aliado ao desenvolvimento dos personagens (Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Luthor, Lanternas Verdades) é o que mostra a estabilização das grandes conquistas do Império Soviético nessa realidade alternativa e a discussão sobre os métodos que o Super-Comunista utilizou para chegar aí. Como discute-se posteriormente, seu caminho é diferente do de Stálin, mas o peso de sua mão e a forma como lida com as dissidências políticas termina no mesmo balaio, só que com um resultado não letal — o que acaba sendo relativo, já que lavagem cerebral é também um tipo de morte, visto que se tira a liberdade de escolha, pensamento e ação livre do indivíduo. Vejam o tanto de premissa interessante para o roteiro fincar os pés e criar um poderoso conflito, não só político, mas também heroico, com o aproveitamento máximo dos principais personagens em cena. Infelizmente, isso acontece bem pouco na história.

O confronto com o Batman foi o mais frustrante de todos. Os diálogos, a luta, o caminho para o desfecho, tudo isso é ruim nessa sequência. Para não dizer que não sobra nada, salvam-se o uso de cores para o covil (o que não é lá um grande elogio, já que tudo é mergulhado em vermelho e a arte ali precisava ser simples, porque estamos falando de um esconderijo) e a dublagem, que é decente em toda animação, especialmente de Jason Isaacs, como Superman, mas ainda assim não há nada memorável. A mesma coisa se repete no derradeiro bloco, com um pouquinho mais de ânimo da direção (é, Sam Liu…) na oposição entre Brainiac, Super e Luthor, mas no fim parece que falta alguma coisa. O espectador espera uma continuação mais fluída para a batalha, um complemento mais impactante de uma sequência de diálogos ou mesmo uma ponte interessante (até emotiva, por que não?) entre o momento de crise e a partida do Superman com a nave do Coluano, mas não temos nada disso. O diretor nos dá de “presente” uma memória afetiva narrada em off, fazendo o Super-Vermelho lembrar-se de seus valores… Mais anticlimático impossível.

Argumentos de que adaptar obras de cunho político é difícil, especialmente nesse mundo dos super-heróis, são válidos, mas isso não significa que o roteiro não poderia ser bom, não poderia criar o conflito com uma base forte de desenvolvimento nos dois lados da moeda em vez de reafirmar o velho ping pong da Grande América, mãe da liberdade, justiça e da glória financeiras. Especialmente porque isso fica parecendo discussão de samambaia em rede social, transportada para a tela, começando no fanboyzismo e não chegando a lugar nenhum além de sua própria ideia. É o tipo de exposição narcísica de uma temática que torna tudo chato, já que o espectador se dá conta de que até os conflitos que pareciam legais no começo servem à logica nós X eles e não à lógica do “isso vai ser usado para contar uma boa história de oposição de forças“…

Bem, é o que temos para hoje, infelizmente. E para os que gostam de dizer isso, já podem acrescentar mais uma chacotinha em sua lista pessoal: “o comunismo não funcionou nem na animação do Superman!“.

Superman: Red Son (EUA, 25 de fevereiro de 2020)
Direção: Sam Liu
Roteiro: J.M. DeMatteis (baseado na obra de Mark Millar, Dave Johnson e Kilian Plunkett)
Elenco: Jason Isaacs, Amy Acker, Diedrich Bader, Vanessa Marshall, Phil Morris, Paul Williams, Greg Chun, Phil LaMarr, Jim Meskimen, Sasha Roiz, William Salyers, Roger Craig Smith, Jason Spisak, Tara Strong, Anna Vocino, Jim Ward, Travis Willingham, Winter Ave Zoli
Duração: 84 min.

Crítica | Liga da Justiça da América #42 a 50 (1966)

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Este compilado de críticas traz abordagens para as edições #42 a 50 da revista Justice League of America Vol.1, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1966. Você também pode conferir as críticas para as edições dos anos anteriores da equipe, como indicado na lista abaixo.

  • O Bravo e o Audaz #28 a 30 + LJA #1 (1960), LJA #2 a 8 (1961), LJA #9 a 16 (1962), LJA #17 a 24 (1963), LJA #25 a 32 (1964) e LJA #33 a 41 (1965).

NOTA: Os títulos traduzidos das edições são os mesmos utilizados pela Ebal, na revista Os Justiceiros, que a partir da edição #5 (janeiro de 1968) passou a publicar as aventuras desta fase da Liga, em forma descontinuada, como se pode perceber. Também são utilizados os títulos da revista Crise Nas Múltiplas Terras n°1 (Panini, 2008).

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LJA #42: Metamorfo Diz… Não!

Metamorpho Says — NO! — (Fevereiro de 1966)

Mais um GADO DEMAIS para a nossa coleção de “personagens gado da DC”, da qual nem o coelhinho da Família Marvel escapa… Oh, céus. Pois bem, aqui temos o Metamorpho (Rex Mason) que está indo a um encontro marcado com sua amada Sapphire Stagg e que, no meio do caminho, recebe o convite de alistamento da Liga da Justiça. E claro que a primeira desculpa que o homem elemental dá é a de que ele “não iria porque tinha um encontro marcado com o seu broto”. Durmam com essa.

O roteiro de Gardner Fox até tenta dar uma disfarçada, contornando a situação para um outro tipo de problemática, com Metamorpho dizendo que não aceitaria de verdade o convite da Liga porque não queria ficar daquele jeito para sempre e que, se ele aceitasse, estaria assumindo definitivamente sua condição atual… ou seja, bobagem pura e simples. Nem uma das duas desculpas aqui realmente funciona, e o resultado é um verdadeiro doce do herói para, no final, dizer que “seria apenas um membro eventual” do grupo. Claro, até porque a condição causada por um banho de luzes de um meteoro dentro de uma pirâmide egípcia vai passar logo logo, pode esperar sim, Sr. Metamorpho…

Nessa trama temos a primeira aparição do vilão Inimaginável, um Ser solitário que procura entrar para a Liga e fica bravo quando é rejeitado. Em certa medida, me pareceu até a história de um dos jovens malucos que se candidatavam para entrar na Legião dos Super-Heróis, com a diferença de que, mesmo com o doce do Metamorpho a trama realmente funciona bem, com boas resoluções da arte de Mike Sekowsky na forma de mostrar os ataques do Unimaginable, na diagramação das páginas e no uso visual do Metamorpho em todas as batalhas. Uma introdução não muito introdutória de mais um membro (?) da Liga da Justiça nos anos 60.

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LJA #43: As Cartas do Crime da Gangue de Espadas

The Card Crimes of the Royal Flush Gang! — (Março de 1966)

Tendo inventado um dispositivo chamado Stellaration — máquina que usa o poder astrológico das estrelas para carregar objetos com “poder estelar” e causar efeitos diferentes nas pessoas — Amos Fortune reúne seus velhos amigos de infância e cria a risível, mas inicialmente poderosa Royal Flush Gang. Assumindo o disfarce do Ás, Fortune atribui diferentes tipos de cartas aos seus companheiros e com essas cartas de baralho carregadas da tal energia Stellaration, os membros da Royal Flush Gang são capazes de desencadear inúmeros crimes e derrotar Gavião Negro, Mulher-Gavião, Flash e Mulher-Maravilha sozinhos, isso só na primeira parte da história!

Por se tratar de um personagem que a gente já conhece de outras aventuras, a saber, de A Roda do InfortúnioA Ameaça da Bomba Eléktron, a trama ganha um pouco mais de valor geral na jornada da Liga, mas só pela premissa dessa história já dá para ver que ela não se enquadra no tipo de “Tramas A” do grupo. E só o fato de Snapper ter um papel importante já diz muito sobre a qualidade do roteiro, não é mesmo? (só esperando a edição em que eu vou pagar a língua, mas tudo bem…). A ideia mística de colocar valores emocionais/comportamentais nas cartas é bem legal, mas o texto não vai verdadeiramente por esse lado, em vez disso, tenta misturar o conceito com ciência e aí embola tudo, gerando aquele tipo de revista que a gente pode até gostar de uma parte ou outra, mas no todo, é só uma trama medíocre mesmo.

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LJA #44: A Praga que Atingiu a Liga da Justiça

The Plague That Struck the Justice League! — (Maio de 1966)

A ameaça dessa história já começa de forma interessante, com Batman, Flash, Lanterna Verde e Eléktron em tamanho gigantesco, com uma tal “praga” que pode colocar todos no caminho da morte. Em dado momento eles são contatados por um alienígena chamado Dr. Benderoin, que lhes diz que foram infectados por um vírus que mata em 10 horas e que qualquer pessoa eles tiveram contato também foram infectados. Benderoin diz aos heróis que é devido à sua exposição ao Inimaginável. A Liga até pede ajuda ao Metamorpho (numa cena curta, que começa no nada e termina em lugar nenhum), mas Benderoin insiste que ele não pode curar os outros heróis dessa vez, pois seus átomos exauriram o valor terapêutico quando curaram o próprio Metamorpho.

O plano geral do vilão aqui é o que de melhor essa revista tem. Claro que o leitor está diante de uma linha de eventos que pode ser chatinha no começo, mas à medida que o enredo avança, começamos a ficar mais interessados pelo que acontece, e o texto sabe aproveitar bem dois grupos diferentes de heróis agindo com diferentes intenções sem saber que estão sendo manipulados. Uma das “histórias de subterfúgio” que cresce bastante em valor na parte final. Mas uma coisa precisa ser dita: eu dei a maior gargalhada quando o alien diz que todos os membros da Liga infectados vão causar a morte de quem eles tocaram, e todo mundo se lembra de seu par romântico e o Batman lembra do Robin… É realmente engraçado. O que não é tão engraçado assim é que pela segunda edição seguida, a Mulher-Maravilha é colocada para costurar e literalmente fazer roupa…

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LJA #45: A Grande Luta Contra Shaggy Man

The Super-Struggle Against Shaggy Man! — (Junho de 1966)

O ponto de partida dessa história já é torto, com diversas cartas endereçadas à Liga da Justiça e que foram perdidas após um acidente de avião. Aqui vemos essas missivas serem entregues — estavam numa caixa resistente! — a Snapper, que as leva aos os membros da JLA (Batman, Flash, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Eléktron e Gavião Negro). O tema de duas cartas serve como ponto de partida para o drama da edição, que coloca os heróis investigando (depois de dois anos!) os pedidos de ajuda. Pois é. Eu disse que começava torto… O pior de tudo é a absurda conveniência das duas cartas abertas serem para “emergências” que os envolvidos são homens da ciência e que, ora ora ora, conseguiram lidar, a seu modo, com o problema em questão. Tendo essa situação desde o início, fica difícil se apegar à história a partir daí.

A Liga se divide em dois times (Lanterna e Superman estão em missões fora) e pelo menos nessa dinâmica o roteiro consegue um bom resultado, especialmente com o Flash indo de um lado para o outro e buscando interessantes soluções para o problema dos dois times. Bom… ao menos em teoria. Porque essa resolução termina com o tal Shaggy Man (que nome horrível, meu Deus) lutando contra um bicho que seria parte de uma “segunda Lua da Terra“. Uma pequena confusão que não é impossível de se entender a lógica, mas seria melhor se o problema de fato se resolvesse. E não é o que ocorre aqui. A “solução” que a Liga encontra abre as portas para os vilões saírem de sua prisão na ocorrência de qualquer coisinha um pouco fora do comum, como sempre acontece nesse Universo…

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LJA #46 e 47: Crise entre a Terra-1 e a Terra-2 / Ponte Entre as Duas Terras

Crisis Between Earth-One and Earth-Two / The Bridge Between Earths — (Agosto/Setembro)

Tem histórias em que realmente não dá para entender a cabeça de Gardner Fox. Neste arco que traz o já tradicional encontro anual entre os heróis da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça (ou seja, o crossover entre Terra-1 e Terra-2), temos um começo de história fantástico, cheio de bos acontecimentos — até as bizarrices que o autor coloca são charmosas, fazem parte daquilo que esperamos de uma história da Liga nos anos 60. É estabelecido que uma força estranha está fazendo com que pessoas na Terra-1 e Terra-2 troquem de lugar. Enquanto Dr. Meia-Noite e Canário Negro são transportados para a Terra-1, Batman se vê transportado para a Terra-2. Para piorar a situação, o Espectro é atraído pelo Homem de Anti-Matéria, responsável por um dos grandes perigos da trama, e Solomon Grundy é libertado de sua prisão mística e transportado para a Terra-1… enquanto Arrasa-Quarteirão se liberta da Fundação Alfred e se vê transportado para a Terra-2. É definitivamente muita coisa acontecendo. Mas a história no começo é divertida e vale a pena essa grande quantidade de acontecimentos ao mesmo tempo.

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Ao longo de toda a primeira edição estamos realmente diante de um drama de investigação e porradaria entre heróis e vilões. Mesmo com diversos outros perigos cercando os heróis, a ideia de pessoas indo de uma Terra para outra é bem executada, tanto pela arte quanto pelo roteiro, que nos apresenta bons momentos de passagem dimensional. O problema é que talvez na ânsia de colocar mais e mais coisas relacionadas à ciência, Fox começa a piorar o roteiro, que decai imensamente quando dá atenção demais para os brutamontes (Grundy e Blockbuster).

Depois de um tempo impossibilitado de “ver além dos olhos”, o Senhor Destino acaba sendo avisado de que tem algo errado acontecendo (o alien de antimatéria) e transporta os membros da JLA e da JSA para o espaço entre dois mundos, onde a principal e mais absurda batalha do arco acontece. Tem resoluções nessa sequência que simplesmente não dá para aceitar. E enquanto a gente vê a Canário Negro enrolando seus cabelos (que cresceram assustadoramente) nas pernas do alien — e isso feito como se fosse uma resolução imensamente inteligente, acreditem — Eléktron entra na jogada de fato, recobrando seus poderes e vendo que o dispositivo de varredura cósmica de seu laboratório foi o catalisador que levou o Homem Anti-Matéria a tentar viajar para o Universo da matéria positiva — basicamente a semente de Crise nas Infinitas Terras. Até aqui eu ainda tinha alguma esperança de que as porradas fossem o foco e decisões divertidas fizessem parte do plano dos heróis, mas… não é isso que acontece (mais uma vez).

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Viajando para a fenda cósmica, Eléktron usa de seu conhecimento científico em conjunto com a magia do Espectro para romper a dobra do espaço, desviando o Homem Anti-Matéria de volta ao seu próprio Universo e restaurando a ordem nos dois da Terra. Só que nada disso é feito totalmente sem tropeços. A cada dois quadros com diálogos e narrações bem legais, temos seis com coisas absurdas e inaceitáveis, tornando a história extremamente irritante no final, uma diferença bem grande pra o que percebemos dela no divertido começo. Já no encerramento, o Lanterna Verde transporta Solomon Grundy e Blockbuster para a mesma Terra, onde eles ficam lutando entre si. E então o grupo de heróis chega a tempo de ver os dois pararem de brigar e se tornarem amigos (pois é…), decidindo retornar pacificamente à sua própria Terra e à custódia. A única coisa que a gente precisava aqui era do alien de antimatéria trazendo preocupações, mas como adição tivemos dois vilões que, no cômputo geral, só serviram mesmo para atrapalhar a história.

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Sobre a Edição #48

A edição #48 deste título, com data de capa de outubro de 1966, não foi uma história inédita e sim um compilado de três revistas anteriores da Liga, a saber, The Brave and the Bold #29, Justice League of America #2 e Justice League of America #3. A próxima história inédita da equipe viria na edição #49, intitulada A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo.

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LJA #49: A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo

Threat of the True-Or-False Sorcerer! — (Novembro de 1966)

Quem é vivo sempre aparece, não é não? Lançando um feitiço para tentar se libertar na prisão, Félix Fausto (que a Liga conhece desde Os Dedos Fantásticos de Félix Fausto) consegue algo, mas não exatamente o que queria. Em vez de uma saída para se libertar da prisão, ele cria duas duplicatas de si mesmo. E quando nenhum dos dois pode concordar com quem é o verdadeiro Fausto (nenhum dos dois é!), conjuram um demônio que revela que, se não determinarem qual é o falso mago, quando o falso Fausto desaparecer, sua destruição também destruirá o Universo.

Esse é o tipo de trama que se você comprar a premissa e a apresentação dela, tudo funciona depois, pois o roteiro não fica andando em círculos, colocando justificativas intricadas ou personagens que mais atrapalham do que ajudam a história a crescer, como ocorreu na aventura com a SJA no arco anterior. Além disso, é até engraçado ver como a parceria do vilão com os heróis ocorre e como eles lidam com os problemas que aparecem pelo caminho. A dupla Flash-Superman é a minha favorita na investigação que se segue, tanto no plano de ataque quanto em relação ao tipo de problema que têm para vencer.

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LJA #50: O Senhor do Tempo Ataca o século XX

The Lord of Time Attacks the 20th Century! — (Dezembro de 1966)

Após uma passagem pelo Vietnã, o soldado Eddie Brent está voltando para casa (para Gotham City) como um herói, com um evento de condecoração pública o esperando e tudo. No entanto, quando ele enlouquece e pula do trem, sua atividade suspeita leva Bruce Wayne e Dick Grayson a investigá-lo como Batman e Robin. Seguindo Brent, eles descobrem que ele foi munido com super-armas que facilmente dominam a dupla dinâmica. Começa então uma linha de investigação que traz de volta o Lord of Time, lá de A Hora Final.

Como foi comum nas histórias desse ano, a boa arte de Mike Sekowsky e o bom trabalho de finalização de diversos artistas prendem a nossa atenção na sequência de lutas, no trabalho de movimentação dos heróis e na criação dos lugares visitados. Poucos são os momentos em que temos reais problemas com a arte nessas edições. A questão mesmo é o roteiro, que faz uma trajetória bem chatinha. É até paradoxal termos tantas boas passagens de ação embaladas em uma justificativa ou diálogos que dão vergonha. E aqui o incômodo é mais na relação entre plano do vilão com a reação dos heróis da Liga. A propósito, temos enfim uma participação efetiva do Aquaman no ano! Não é uma história ruim, mas vocês sabem, isso não significa muita coisa em termos de qualidade, não é?

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Justice League of America Vol.1 #42 a 50 (EUA, 1966)
Roteiro: Gardner Fox
Arte: Mike Sekowsky
Arte-final: Bernard Sachs, Frank Giacoia, Joe Giella, Sid Greene
Letras: Joe Letterese, Gaspar Saladino
Capas: Mike Sekowsky, Murphy Anderson, Joe Giella
Editoria: Julius Schwartz
24 a 26 páginas (cada edição)

Crítica | Mulher-Maravilha, Batman e Superman: Trindade

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Muita gente morre de amores por esta minissérie escrita e desenhada por Matt Wagner em 2003, mostrando os primeiros encontros de Batman, Mulher-Maravilha e Superman na DC da Era Moderna; mas para mim, a saga não tem assim tantas gloriosas passagens não, apesar de ser divertida de se ler — que me desculpem os que a amam muito.

É claro que não dá para ignorar essa premissa que traz algo que sempre chama a atenção de qualquer um que gosta de quadrinhos: personagens importantes vistos num ponto inicial de suas carreiras ou, nesse caso, no ponto inicial da convivência entre eles mesmos. Este, na verdade, é um trampolim capaz de vender qualquer plot para leitores de quadrinhos e que promete um bom divertimento durante a leitura, o que de fato acontece aqui. Cronologicamente estamos após Ano Um (para o Morcego), Deuses e Mortais (para a Amazona) e Homem de Aço (para… o Homem de Aço), de modo que o roteiro não precisa, por coerência, alçar voos absurdos, apenas focar no relacionamento entre os protagonistas e colocá-los para enfrentar juntos, pela primeira vez, um grande inimigo. E eis aí o meu problema com essa Trindade.

Não, não me refiro ao encontro dos medalhões, isso é fantástico (como fantástico também é o cameo do Aquaman). Estou falando do tal inimigo. E vejam, mesmo que eu tenha pequenos problemas com a forma como Matt Wagner reforçou as picuinhas entre Bruce e Diana,  o que não desce de verdade nessa história é o fato de precisar dos três para vencer Ra’s Al Ghul, que consegue descongelar Bizarro e colocá-lo na jogada também. E com isso não quero subestimar o vilão. Mas é que o tempo inteiro a aventura me soa como algo mais ligado ao Batman, depois mais ligado ao Superman e daí tem a Mulher-Maravilha. Apesar da ação direta e importante dela na trama, não há de fato uma boa conexão com esse elemento vilanesco. Nem Ártemis ou a Ilha Paraíso (que é apenas uma consequência do plano e que aparece só na terceira edição) funcionam como ponte, de modo que a Amazona sobra em alguns momentos. Daí vocês já tiram a minha visão geral da obra. Apesar de gostar do todo, sempre tenho um pé atrás porque não gosto do vilão envolvido e nem do plano que une a Trindade em sua primeira luta.

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Já sobre a arte, devo dizer que gosto do trabalho de Matt Wagner e principalmente das cores de Dave Stewart para toda a aventura. O estilo do artista combina bastante com esse olhar para o passado, o que nos ajuda a comprar melhor o que está sendo narrado. E existem momentos muito bons aqui, especialmente os do Superman — tanto agindo em cenas de exercício de força, quanto de babá para Diana e Bruce não se pegarem (e não de um jeito legal). Dos três, inclusive, o que o roteiro melhor captura a essência de início de carreira é o Superman, seguido pelo Batman. Já a visão de Wagner para a MM não me agradou muito, com exceção de alguns poucos quadros e das cenas em Themyscira.

Trindade é uma história gostosa de se ler e uma forma interessante de se olhar para a relação dos três grandes da DC Comics num encontro onde ainda não sabiam muito bem o que esperar um do outro. Traz à memória um tempo diferente da editora e dos próprios personagens. Mas não é uma aventura perfeita. Se você ainda não leu, que fique preparado, então.

Batman/Superman/Wonder Woman: Trinity (EUA, agosto a outubro de 2003)
No Brasil:
Panini (2004), Eaglemoss (2016)
Roteiro: Matt Wagner
Arte: Matt Wagner
Cores: Dave Stewart
Letras: Sean Konot
Capas: Matt Wagner, Dave Stewart
Editoria: Bob Schreck, Michael Wright
228 páginas (encadernado Eaglemoss)

Crítica | Monstro do Pântano: Triângulos Infernais

Triângulos Infernais foi originalmente publicado aqui no Brasil pela Panini (2016), num encadernado chamado Regênese Vol.3. As revistas que de fato formam esse arco são as #77 a 81 da Monstro do Pântano Vol.2, e como adendo, tivemos no mesmo encadernado a inclusão do Anual #3 da mesma revista, uma história chamada Primos Distantes. Minha presente crítica e avaliação acima falam apenas das edições correntes do arco. O anual incluso é bem… peculiar, para não dizer bizarro (no sentido negativo), trazendo um roteiro vergonhoso de Rick Veitch, chamando toda a atenção para Grodd e diversos gorilas/aliados que são atraídos pelo primata mentalmente poderoso para destruir a cidade de Solovar. Não me pergunte o que uma história como essas está fazendo num Anual da revista do Monstro do Pântano, em vez da revista do Homem Animal. Isoladamente há alguns bons momentos e as cores de Adrienne Roy são lindas nessa edição, mas de resto, ela nada traz de realmente importante ou coerente para o Pantanoso.

Já o verdadeiro arco começa com a revista que lhe dá título, e nela existe uma DR entre o Monstro do Pântano e Abby, dias após o rito de concepção com a presença de Constantine. Sei que alguns leitores não curtem esse aspecto do enredo, mas vamos lá pessoal, já se passaram 77 edições dessa relação, é hora de se acostumar com o tipo de laço que o Elemental criou com Abby. É verdade que muitas vezes (nesse arco mesmo!) isso acaba saindo dos trilhos, tornando-se um melodrama proto-romântico besta, mas não é sempre não. E considerando que agora conseguiram implantar o Broto no útero de Abby, faz ainda mais sentido o teatrinho de casal que eles encenam. Quando bem trabalhado, como nesse roteiro de Jamie Delano, é algo interessante. E a briga aqui é legal porque afasta os pombinhos e coloca a Sra. Pântano dando um rolê com Constantine, numa noitada amigável e muito respeitosa por parte do personagem. Daí surge o link para a edição seguinte, Semeadura ao Vento (To Sow One’s Seed in the Wind) uma loucura sem limites escrita por Steve Bissette.

Eu não sei o que me impressiona mais aqui, se o fato de termos um cara que trabalhou com Martin Pasko e com Alan Moore à frente do Pantanoso escrevendo um troço desses ou a real ausência de propósito dessa edição. O curioso (e ainda mais bizarro) é que não é uma revista ruim. Tom Mandrake e Alfredo Alcala mandam muito bem na arte e a história tem a “cara das loucuras do pântano”, mas… para quê? Quando Moore resolvia chutar o balde e fazer uma coisa bem maluca, tinha um propósito ou, quando não, era uma incrível aventura autocontida que se sustentava perfeitamente pela alta qualidade. Bem… não é o caso aqui. A história só consegue não ser ruim, mas não acho um real motivo para ela existir. Será que o Pantanoso estava fazendo um exame de rotina (um pré-Natal-Elemental) para ver se o bebê estava bem? Mas precisava de tudo isso? De toda forma, a arte me garantiu estrondosas gargalhadas ao ver o Monstro refeito com forma de mulher, numa reação empática de sua natureza após sair do útero de Abby. Hummm… pensando bem, a proposta é bem bonita não é não?

plano crítico os avatares do verde sequestrado monstro do pantano

Vênus do Charco, São Columba, Fantasma Oculto nos Juncos e Demônio do Palude.

Já a edição seguinte, Esperando Deus (Waiting For God (Oh!)) com Rick Veitch de volta aos roteiros e à arte, não me interessou muito. Por mais que eu goste da ideia de elementos do passado serem retomados — como o ataque e morte do Monstro em Gotham, no arco De Terra a Terra, um ano antes — fiquei novamente pensando sobre o real propósito disso. O Pantanoso do nada resolver ir se vingar dos homens que o alvejaram e querer matar Lex Luthor é uma ação retardatária e estúpida. A trama vale mesmo pelos embates entre o protagonista e o Superman, além de mostrar o primeiro sequestro de um Ancião desprendido do Parlamento das Árvores, a Vênus do Charco, preparando-nos para as duas edições finais do volume, estas sim realmente muito boas: O Mais Longo dos Dias (The Longest Day) e Enlutada (Widowsweed), uma excelente forma de se fazer um crossover sem atrapalhar a história central e utilizando dessa necessidade editorial para tentar coisas novas.

À época, a DC Comics estava publicando a saga Invasão!, e a maneira como Veitch traz isso para as mensais do Pantanoso é admirável. Basicamente surge uma boa desculpa para tirar o Monstro do planeta Terra e ‘matá-lo’ mais uma vez, sendo que a preparação para isso é muito boa, mostrando quatro lendários Elementais transportados para planetas que os confunde e, pelo que entendi, neutraliza — tudo isso antes da chegada efetiva dos Dominadores, com o ataque ao Monstro acontecendo por último. Em Enlutada, vemos o fechamento de um ciclo aberto muitos anos antes, na maravilhosa O Visitante do Espaço. Infelizmente a presença de Guy “Lixo” Gardner na história estraga qualquer humor e beleza possível — principalmente depois do que ele faz –, mas há sentido para tudo isso dentro da história, completando de maneira muito triste o ciclo aberto no passado, além de fechar o arco com uma promessa e a dúvida sobre onde (e como) estaria o Monstro do Pântano agora.

Swamp Thing Vol.2 #77 a 81 + Annual #3: Infernal Triangles + Distant Cousins (EUA, outubro a dezembro de 1988 / Anual 1987)
No Brasil:
 Monstro do Pântano: Regênese n°3 (Panini, 2016)
Roteiro: Jamie Delano, Steve Bissette, Rick Veitch (mensais); Rick Veitch (anual)
Arte: Tom Mandrake, Rick Veitch (mensais); Rick Veitch, Shawn McManus, Jim Fern, Stan Woch (anual)
Arte-final: Alfredo Alcala, Rick Veitch (mensais); Tom Yeates (anual)
Cores: Tatjana Wood (mensais); Adrienne Roy (anual)
Letras: John Costanza (mensais); Augustin Mas (anual)
Capas: Dave McKean, Rick Veitch, Tom Yeates, John Totleben (mensais); Brian Bolland (anual)
Editoria: Karen Berger, Art Young
180 páginas

Crítica | Doomsday Clock #12: Desesperançado do Homem

plano crítico doomsday clock relógio do apocalipse dc comics

  • Há SPOILERS! Leia a crítica de Watchmen aqui. Leia as críticas de Antes de Watchmen aqui. E leia as críticas de todas as edições de Doomsday Clock aqui.
  • A nota acima é para esta última edição e para a série como um todo.

Toda criança vem com a mensagem de que Deus ainda não está desesperançado do homem.

Rabindranath Tagore

Esta 12ª e final edição de Doomsday Clock me trouxe um número bem grande de sentimentos e dificultou bastante a minha análise final da obra, olhando para toda a jornada que Geoff Johns e Gary Frank empreenderam. Inicialmente, a série “só” tinha a intenção de colocar o Universo Watchmen em contato com o Universo DC, formalizando as explicações sobre o fim dos Novos 52 e o início do Renascimento. Não, não era pouca coisa e mesmo assim nós já tínhamos a noção de que as consequências dessa saga respingariam em toda a DC, o que de fato acabou acontecendo… mas não sem uma boa dose de anticlímax.

Numa edição especial, bem maior que o normal (49 páginas), vemos o roteiro retomar a narrativa de onde parou em Um Erro Que Dure Toda a Vida, com os dois azulões se encontrando. A primeira coisa que nós esperamos — ou melhor, que foi prometida para nós, por isso queremos que aconteça… não só por fanboyzismo — é uma verdadeira briga entre os dois personagens, mas ela não acontece. E mesmo que isso seja imensamente frustrante, fica bem claro o por quê o autor resolveu seguir pelo caminho da “resolução no papo“. O foco da minissérie acabou indo para um plano maior do que o previsto e mesmo que a gente não tenha tido de verdade respostas para todas as perguntas aqui, a essência do projeto foi explicada… e uma Nova Era para o Dr. Manhattan se apresenta no final, inclusive dando piscadelas (em termos de possibilidade) para o que Damon Lindelof fez na série da HBO.

Nesse desfecho, em vez de brigas realmente importantes (porque vá lá, existem lutas acontecendo como pano de fundo, mas com um nível de empolgação não muito distante do zero), temos um convergir de ideias e uma exposição final de propósitos, ou seja, Doomsday Clock ganha mais status de “arrumadora de casa” e de “calendário de publicações futuras da DC” do que uma saga com enorme importância em si mesma capaz de, através de ações intricadas, sólidas e com um peso dramático real, mudar a vida de personagens e situações da editora. No fim das contas pode parecer a mesma coisa, mas não é. O que tivemos aqui terminou sendo a introdução de uma teoria com alguns poucos feitos práticos sobre a DC Comics. Isso faz com que a gente se sinta enganado em certa medida, já que não existiu uma real (fixa) ligação entre esta dimensão e a de Watchmen, havendo apenas a possibilidade de o garotinho Clark Osterman conseguir voltar para cá, como fez seu pai adotivo (que se dissipou no nada — morreu — para viver o sonho de uma vida com Janey Slater… pelo menos foi o que eu entendi).

PLANO CRÍTICO doomsday clock relógio do apocalipse

Dentre os grande eventos criados por Manhattan aqui, temos a explicação final sobre o estabelecimento dos Universos e o motivo deles existirem. Tudo gira em torno de uma visão de esperança, de possibilidade de melhora para a humanidade encarnada pelo Superman, e é justamente por causa dele que temos Terras, Crises e varações diferentes dos mesmos personagens pelo Universo afora. Demorou um pouco, mas foi apenas quando chamado a atenção para um “motivo pelo que lutar“, que um descontente com a humanidade como o Dr. Manhattan direcionou o olhar para outro ponto do horizonte. E desfez tudo o que havia feito “de ruim”… fazendo também outras coisas bem interessantes a seguir, como acabar com as armas nucleares de seu mundo no presente e passar os poderes para o menino Osterman, o “Dr. Manhattan Jr.” antes de desaparecer. Aqui ele planta uma semente de esperança e espera que esse garoto seja o Superman deste Universo sombrio.

Essa nova perspectiva do personagem é muito bonita, consideravelmente brega — ainda mais para uma série que se pretendeu épica — mas ainda assim, bonita. E o roteiro de Geoff Johns consegue passar muitíssimo bem esse sentimento, com painéis (viva a grandiosa arte de Gary Frank e as fantásticas cores de Brad Anderson!) que chegam a nos emocionar. O estabelecimento das Terras como as conhecemos em toda a História da editora, a realidade dos Novos 52 salva na Terra-52, a volta oficial da Sociedade da Justiça, a recolocação da antiga Legião dos Super-Heróis e do antigo Superboy, além de promessas para uma Crise dos Mestres do Tempo e uma Crise Secreta, para a volta dos Velhos Deuses, para o surgimento da Terra 5G e um possível crossover entre Marvel e DC, sendo citados aqui Thor e Hulk (este, como “green behemoth“) são pontos de destaque derivados de tudo o que aconteceu nestas doze edições.

Como disse no começo, foi um bom encerramento, mas eu não consigo deixar de amargar pontadas de anticlímax e até mesmo a sensação de ter sido parcialmente enganado. Mais uma vez, além do original, o plano de Ozymandias acaba sendo envolto em mistérios e quase morre na praia. A conclusão que a gente tira disso tudo é: pelo amor dos Deus, vamos parar de buscar algum sentido ou ordem na linha do tempo ou nos Universos da DC, porque a editora não vai parar de bagunçar e complicar tudo de novo. Esta é a moral da história.

Nos vamos na próxima Crise, onde tudo isso será apagado, esquecido, encapsulado, etc etc etc…

Doomsday Clock #12: Discouraged Man  — EUA, 18 de dezembro de 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Gary Frank
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Amedeo Turturro,  Brian Cunningham
49 páginas