Star Wars – Marvel 2015

Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi (Marvel Comics)

Espaço: D’Qar (base da Resistência), D’Qar (órbita), Ahch-to, Cantonica (Canto Bight), Crait, Frota Imperial, Frota da Resistência
Tempo: 34 d.B.Y.

Todos os longas-metragens da franquia Star Wars já ganharam adaptações em quadrinhos. Isso é tradição desde 1977, quando a Marvel Comics inaugurou a extremamente bem sucedida publicação mensal com uma bela versão em quadrinhos de Uma Nova Esperança em seis edições que foi seguida de dezenas de outros números que oficialmente começaram o tão querido Universo Estendido. No entanto, com o tempo e com o sucesso da Trilogia Original, essas adaptações tornaram-se cada vez mais escravas de suas respectivas versões cinematográficas, sem espaço para que os autores inserissem seu toques pessoais.

Com isso, as transposições dos filmes para os quadrinhos perderam muito de sua força original durante a Era Dark Horse Comics, com o mesmo valendo para a volta da franquia para a Marvel. Mesmo assim, em linhas gerais, os trabalhos de adaptação nessa galáxia muito, muito distante são acima da média, demonstrando um cuidado bem maior do que outras adaptações modernas de obras cinematográficas. O Despertar da Força ganhou uma minissérie correta por Chuck Wendig e Rogue One uma adaptação bem acima da média por Jody Houser. Depois do lançamento do polêmico e divisivo Os Últimos Jedi, foi a vez de Gary Whitta, que já roteirizara alguns episódios de Star Wars Rebels, tentar sua versão.

O resultado é mais um trabalho que não arrisca desvios do material fonte, permanecendo substancialmente confinado ao que é possível verificarmos no filme, sem tentar ir além ou aproveitar a oportunidade para mergulhar com mais profundidade na mente dos personagens que aborda. Claro que isso não é culpa de Whitta, já que tenho certeza que todo adaptador dos filmes segue um manual ditado pela produção do filme, sem poder desviar-se sem autorização prévia. Mas isso nem de longe é mortal para a narrativa, mas ela, claro, passa a depender mais fortemente da qualidade da obra original em si. Como sou um dos que fortemente defende Os Últimos Jedi, mesmo reconhecendo a existência de alguns problemas de ordem técnica (fiz comentários em forma de crônica, aqui), tenho para mim que a transposição para os quadrinhos funcionou bem, ficando, em termos qualitativos, entre as HQs O Despertar da Força e Rogue One só para fins de comparação.

A narrativa é fluida e Whitta consegue resumir bem os diálogos e eventos do roteiro de Rian Johnson nas seis edições que compõem a minissérie, consistentemente mantendo a voz dos personagens conforme o diretor e roteirista imaginou. Há alguns poucos diálogos e frases que vão além do filme, mas que nada realmente acrescentam à narrativa. Além disso, um dos problemas de Os Últimos Jedi – a montagem falha que torna a temporalidade dos eventos em Ach-to e na órbita de Crait, com a aventura em Canto Bight no meio – é suavizado na minissérie, permitindo transições menos bruscas e menos solavancos nas ações paralelas.

O que desaponta um pouco é a arte de Michael Walsh (Josh Hixson apenas trabalhou com Walsh na última edição) já que seu estilo normalmente mais “rabiscado” e que funciona bem em outras HQs que li, aqui parece corrido, quase um rascunho que foi aproveitado como obra final por falta de tempo para caprichar mais aqui e ali. As feições são muito duras, pouco emotivos e ele perde oportunidade para trabalhar imagens maiores e mais detalhadas de alguns dos momentos mais épicos. Nas sequências de pura ação, por outro lado, ele consegue manejar bem a movimentação dos personagens, algo que pode ser visto especialmente na luta de Rey e Kylo contra a guarda de Snoke depois que o Supremo Líder é morto. As cores de Mike Spicer, por sua vez, são bem escolhidas e aplicadas, mantendo a exata paleta do filme, mas emprestando um toque mais pessoal do artista.

A minissérie Os Últimos Jedi consegue cumprir bem sua função de colocar em quadrinhos todos os eventos do longa-metragem mesmo que Gary Whitta tenha que ter ficado preso ao que vimos nas telonas. Não é uma adaptação que maravilhará o leitor, mas é eficiente o suficiente para justificar sua leitura por aqueles que apreciam HQs baseadas em filmes.

Star Wars: O Despertar da Força (EUA, 2018)
Contendo:
 Star Wars: The Last Jedi #1 a #6
Roteiro: Gary Whitta (com base em roteiro de Rian Johnson)
Arte: Michael Walsh, Josh Hixson (#6)
Cores: Mike Spicer
Letras: Travis Lanham
Editoria: Heather Antos, Tom Groneman, Emily Newcomen, Jordan D. White, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio a setembro de 2018
Páginas: 148

Crítica | Star Wars: Cidadela dos Gritos

Espaço: Horox III (base rebelde provisória), Cidadela de Ktath’atn (Cidadela dos Gritos)
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin

Cidadela dos Gritos é o segundo crossover do universo em quadrinhos de Star Wars a partir do completo reboot feito pela Marvel Comics quando readquiriu a propriedade em 2015. Ao passo que A Queda de Vader, era composto por seis edições, este é composto por apenas cinco, uma dedicada que leva o nome do arco e que dá o pontapé inicial para a história e quatro outras edições dos títulos mensais, aqui no caso Star Wars (logo em seguida ao arco A Guerra Secreta de Yoda) e Doutora Aphra (logo em seguida ao arco Aphra). Em outras palavras, a editora segue seu interessante padrão (na linha editorial Star Wars, que fique claro!) de arcos específicos por vezes intercalados de crossovers bem estabelecidos e fáceis de acompanhar.

A Doutora Aphra, depois de furtar um cristal contendo a consciência de um Jedi milenar chamado Rur, conforme visto em seu primeiro arco, procura a ajuda de Luke Skywalker para destravar seu conteúdo. O objetivo é oferecer Luke como uma curiosidade biológica para uma misteriosa rainha que, uma vez por ano, recebe candidatos de toda a galáxia, escolhendo apenas um e, em troca, oferecendo literalmente qualquer desejo. É, convenhamos, uma premissa um tanto quanto exagerada e mística demais por parte de Kieron Gillen e Jason Aaron, fazendo da tal rainha um ser deveras superpoderoso, capaz de atender desejos e realizar sonhos dos mais aleatórios. Mas, se o leitor aceitar esse pulo de lógica, a história que segue sem dúvida diverte, já que, claro, a tal rainha e todos os seus súditos não são o que parece, escondendo um terrível e mortal segredo na Cidadela dos Gritos.

(1) Krrsantan sendo Krrsantan e (2) Luke “dançando” com a rainha.

O crossover funciona como uma fusão de Drácula, de Bram Stoker, com Alien, o Oitavo Passageiro, salpicada de pitadas de Indiana Jones (notadamente de O Templo da Perdição) graças à presença da sempre ótima – e mais do que trapaceira – Aphra e seus adoráveis androides assassinos, além do delicado Wookie de pelagem preta Krrsantan. Correndo atrás do que é percebido como o sequestro de Luke, Han Solo, Leia Organa e Sana Starros partem para Ktath’atn para salvar o ex-fazendeiro e aspirante a Jedi e acabam envolvendo-se profundamente nos terrores escondidos pela rainha maléfica e sua entourage de soldados de elite com design belíssimo. Em muitos aspectos, a história é uma grande correria repleta de reviravoltas que acaba trazendo a mente a estrutura dos clássicos desenhos do Scooby-Doo, mas, claro, sem a pegada franca de humor, ainda que o texto seja bem leve mesmo diante dos acontecimentos que se desenrolam em deixar a narrativa perder ritmo ou tornar-se morosa.

A arte varia bastante. A melhor delas fica logo no one-shot dedicado que abre o arco, já que o desenho ficou por conta de Marco Checcheto, que, depois, não retorna para a história a não ser nas capas. Seus traços são muito bonitos e fluidos, com todos os personagens muito bem recriados, além de ele ter um enorme cuidado com os panos de fundo e com a tecnologia empregada. Salvador Larroca, que desenha as duas edições de Star Wars, também é um destaque em seu trabalho, com traços talvez menos imponentes e um pouco mais joviais, mas que acrescentam energia à ação. Finalmente, Andrea Broccardo, que ficou responsável pelos dois números de Doutora Aphra, peca por forçar um fotorrealismo feio e completamente desnecessário aos rostos dos personagens e que ele, ainda por cima, faz questão de destacar com uma série de close-ups que assustam mais do que as ações da rainha maléfica.

Muito sinceramente, Cidadela dos Gritos não exatamente justifica a formalidade de crossover desse tipo que, mal ou bem, é sempre um evento de razoável importância ou, pelo menos, deveria ser. Enquanto A Queda de Vader trouxe uma história realmente relevante, aqui o que temos é, apenas, uma aventura divertida que, apesar de acabar em aberto, prometendo um segundo round, não empolga tanto quanto deveria.

Star Wars: Cidadela dos Gritos (Star Wars: Screaming Citadel – EUA, 2017)
Contendo (na ordem de leitura):
 Screaming Citadel #1, Star Wars #31, Doctor Aphra #7, Star Wars #32, Doctor Aphra #8
História: Kieron Gillen, Jason Aaron
Roteiro: Kieron Gillen (Screaming Citadel #1, Doctor Aphra #7 e 8), Jason Aaron (Star Wars #31 e 32)
Arte: Marco Checcheto (Screaming Citadel #1), Salvador Larroca (Star Wars #31 e 32), Andrea Broccardo (Doctor Aphra #7 e 8)
Cores: Andres Mossa (Screaming Citadel #1), Edgar Delgado (Star Wars #31 e 32), Antonio Fabela (Doctor Aphra #7 e 8)
Letras: Joe Caramagna (Screaming Citdadel #1 e Doctor Aphra #7 e 8), Clayton Cowles (Star Wars #31 e 32)
Editoria: Heather Antos, Jordan D. White
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de publicação original: julho a agosto de 2017
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: agosto de 2019 (encadernado)
Páginas: 112

Crítica | Star Wars: Alvo Vader

Espaço: Ficari, Coruscant, Yuw, cinturão de asteroides Fellio, Arvina, Heva, Frota Imperial, Lowik (base rebelde secreta), Ryarten (flashback), Fuacha (flashback), Mytar (flasback), Chorin (flashback), Academia Carida (flashback), Qhulosk (flashback), Mimban (flashback)
Tempo: A Rebelião – entre os eventos de Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca

Valance, o caçador de recompensa ciborgue, apareceu pela primeira bem cedo no Universo Expandido de Star Wars, mais precisamente na edição #16 da primeira HQ mensal da franquia, em meados de 1978, repetindo suas aparições outras diversas vezes. O personagem, ex-Stormtrooper que teve seu corpo destroçado em combate e, depois, reconstruído muita na linha do que aconteceu com Darth Vader, sempre odiou não só o Lorde Sith como também todo e qualquer androide ou robô, fazendo questão de destruí-los sempre que tem oportunidade.

Somente muitos anos depois é que o personagem ganhou seu primeiro nome – Beilert – graças à expansão The Hunt Within: Valance’s Tale, do jogo Star Wars Miniatures, fabricado pela Wizards of the Coast e escrito por Jason Fry. E, como todo bom personagem, ele foi “ressuscitado” no novo cânone de Star Wars pela Marvel Comics, aparecendo como cadete imperial amigo de Han Solo na minissérie Han Solo: Cadete Imperial, escrito por Robbie Thompson como uma espécie de mini-expansão de sua própria adaptação em quadrinhos de Han Solo: Uma História Star Wars. E é o mesmo Thompson que coloca Beilert Valance em destaque na minissérie em seis edições Alvo Vader, em que ele e um grupo de caçadores de recompensa são contratados pela organização criminosa A Mão Escondida para assassinar Darth Vader.

É sempre complicado contar uma história cujo final conhecemos. Afinal, considerando que a aventura se passa antes dos eventos de O Império Contra-Ataca, não há nenhuma chance de Valance e companhia conseguirem matar o Lorde Sith. O que resta, portanto, é a forma como a história é contada, com Thompson aproveitando para dar mais estofo a Valance e também a cada um de seus companheiros: Honnah, uma rastreadora gamorreana, Urrr’k, uma sniper tusken, Chio Fain, um hacker ardenniano e R9-19, um androide que não demora cinco segundos e é eliminado pelo ciborgue. Além disso, o próprio Vader caça A Mão Escondida em razão da relação da organização com a Aliança Rebelde, algo que também é costurado na narrativa e que nos permite ver um lado mais sombrio, por assim dizer, daqueles que conhecemos com sendo do lado do bem.

Mas o grande objetivo do roteirista é mesmo destacar Valance como o grande estrategista invencível e durão que não economiza na loucura de seus planos para se aproximar de Vader e eliminá-lo. É, portanto, diversão descompromissada de alta octanagem para reposicionar o caçador de recompensas como mais um importante personagem do novo cânone e, ao mesmo tempo, servir de teaser para a já anunciada mensal Star Wars: Caçadores de Recompensa, que terá o ciborgue como líder e começará em março de 2019. Portanto, nesse aspecto o texto de Thompson é bem-sucedido, já que ele não se preocupa muito em complicar, mas sim, apenas, explodir e atirar.

Quando o autor arrisca-se a ir um pouco além, porém, ele se complica e entrega um resultado errático. A impressão que temos é que Valance odeia Vader, mas nenhuma razão muito específica é dada mesmo quando seu passado remoto é abordado. E o mesmo vale para a suposta origem da organização criminosa que ele caça, que recebe uma contextualização no mínimo muito estranha com a minissérie já bem avançada. Não é, de forma alguma, porém, algo mortal para a compreensão da linha bem simplista da narrativa, mas sem dúvida incomoda o leitor mais atento, até porque não eram elementos realmente necessários para o bom desenvolvimento de Valance.

No lado da arte, Alvo Vader é uma mixórdia. São nada menos do que seis desenhistas e uma penca de outros coloristas se revezando nas seis edições, cada um com seu estilo próprio, que acaba retirando qualquer traço de unicidade visual. Não são artes individualmente ruins, longe disso, com destaque para o trabalho de Marc Laming na primeira edição e para Georges Duarte na última, mas essa proliferação de artistas em uma minissérie tão curta depõe contra o resultado final e dá a impressão que tudo foi feito de qualquer jeito só para encerrar logo a história.

Como uma forma de introduzir Beilert Valance de uma vez por todas no novo Universo Estendido de Star Wars, Alvo Vader cumpre sua função e diverte de maneira rasa. Tomara que a mensal que terá o personagem em destaque, porém, tenha mais a oferecer do que apenas isso.

Star Wars: Alvo Vader (Star Wars: Target Vader, EUA – 2019)
Contendo: Star Wars: Target Vader #1 a 6
Roteiro: Robbie Thompson
Arte: Marc Laming (#1), Chris Bolson (#1 e 5), Stefano Landini (#2 a 4 e 6), Roberto Di Salvo (#5 e 6), Marco Failla (#5), Georges Duarte (#6)
Cores: Neeraj Menon (#1 a 4 e 6), Jordan Boyd (#1), Andres Mossa (#1), Federico Blee (#1 e 4), Erick Arciniega (#1), Giada Marchisio (#4), Rachelle Rosenberg (#5 e 6)
Letras: Clayton Cowles (#1 a 3), Joe Caramagna (#4 a 6)
Capas: Nic Klein
Editoria: Tom Groneman, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 03 de julho a 11 de dezembro de 2019
Páginas: 141

Crítica | Star Wars: Allegiance (Jornada para Star Wars: A Ascensão Skywalker)

O “selo” Jornada para Star Wars da Marvel Comics funciona como prelúdios em forma de minisséries para os filmes principais da franquia lançados pela Lucasfilm depois de sua aquisição pela Disney. O Despertar da Força ganhou uma história repleta de enigmas batizada de Império Despedaçado, Os Últimos Jedi foi agraciado com uma história focada na subaproveitada Capitã Phasma e, agora, A Ascensão Skywalker recebe um prelúdio que coloca a General Leia e o piloto Poe Dameron em missões separadas para tentar reconstruir a Resistência.

Diferente dos prelúdios em quadrinhos dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel que, normalmente, parecem histórias feitas às pressas e de qualquer jeito só para cumprir tabela, os de Star Wars trazem elementos interessantes que, mesmo que não acrescentem informações essenciais para a compreensão dos filmes que antecedem (e nem poderiam, não é mesmo?), funcionam bem dentro do conceito de Universo Expandido, algo que a própria Marvel Comics fez com muito sucesso ainda em 1977. Allegiance não é uma história com grandes pretensões e não tem sequer o objetivo de fazer uma ponte muito clara entre filmes, sendo muito mais apenas uma aventura simpática que parte da quase eliminação da Resistência que vimos em O Último Jedi e coloca os heróis em histórias paralelas que, apesar de nunca sequer tangenciarem, caminham na mesma direção.

Quando a minissérie em quatro edições começa, a Primeira Ordem é apresentada como uma força que não tem a menor dó em eliminar todos os planetas que tiveram alguma conexão com a Resistência. Por seu turno, o pequeno grupo rebelde liderado por Leia Organa precisa de mais armas e mais naves para começar a reerguer-se e contra-atacar. Poe Dameron, Finn e BB-8 estão em uma missão na lua de Avedot para recuperar armas da Nova República e Leia, Rey, Rose, C-3P0 e Chewbacca partem para Mon Cala, lar dos Mon Calamari e dos Quarren, para convencer seu monarca a ceder-lhes as naves que eles tão desesperadamente precisam.

De um lado, Poe e Finn têm que enfrentar os caçadores de recompensa originalmente introduzidos no Universo Star Wars na minissérie Galaxy’s Edge, tie-in da nova “terra” dedicada à criação de George Lucas nos parques americanos da Disney. Trata-se de uma história pouco inspirada, básica mesmo, que não traz nem surpresas e nem um pingo sequer de tensão. Claro que jamais esperaria que os heróis sequer sofressem arranhões na história, mas falta senso de urgência e algo que tenha no mínimo relevância narrativa maior do que só preencher páginas. Por outro lado, a história de Leia lutando contra a oposição dos Quarren isolacionistas ao seu pedido encontra ressonância maior dentro desse universo, já que coloca um planeta inteiro na berlinda, planeta esse, claro, lar do inesquecível Almirante Ackbar, falecido em Os Últimos Jedi, mas que deixou um filho, Aftab, que respeita Leia e o legado do pai. Não só a narrativa é substancialmente mais interessante nessa trama carregada de política e salpicada por bons momentos de ação, como ela reposiciona os Mon Calamari mais uma vez como um dos mais importantes povos militarísticos do lado do bem na saga, algo visto originalmente em O Retorno de Jedi, depois (ou antes, dependendo do ponto de vista) em Rogue One e, finalmente, em Os Últimos Jedi, com possível repetição em A Ascensão Skywalker se o mínimo da HQ for utilizado no filme.

Apesar do desequilíbrio na qualidade das histórias paralelas, a leitura é fluida e prazerosa já que o roteiro de Ethan Sacks consegue capturar bem as vozes dos personagens em um texto simples, mas bem amarrado. E, completando a sensação de unicidade, a arte de Luke Ross trabalha bem os visuais dos mais conhecidos personagens sem ficar completamente escravo às suas versões live-action, além de dar vida pujante e diversificada aos planetas que povoam a narrativa, mesmo que ele, no final das contas, não se arrisque muito e mantenha uma cadência básica, quase burocrática.

Star Wars: Allegiance não mudará a vida de ninguém e, em termos comparativos, é a mais fraca minissérie do selo Jornada para Star Wars, ainda que não seja uma obra daquelas desavergonhadamente dentro da categoria caça-níquel. Mesmo assim, os fãs da franquia terão o que apreciar nas aventuras dos personagens como um tira-gosto do que está por vir.

Star Wars: Allegiance (Idem, EUA – 2019)
Contendo: Star Wars: Allegiance #1 a 4
Roteiro: Ethan Sacks
Arte: Luke Ross
Cores: Lee Loughridge
Letras: Clayton Cowles
Capas: Marco Checchetto
Editoria: Tom Groneman, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 09 a 30 de outubro de 2019
Páginas: 103