Sarah Strange

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X07: Romeo V. Juliet: Dawn of Justness

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Eu simplesmente me recuso a acreditar que uma nave como a Waverider só tenha UM banheiro! Como é possível uma coisa dessas, minha gente? Bom, pelo menos no quesito cômico esse tipo de absurdo gerou duas sequências divertidas, embora forçadas diante da tal questão ‘inacreditável’. A primeira dessas cenas — que abre este episódio maravilhosamente intitulado Romeo V. Juliet: Dawn of Justness — estabelece que estamos realmente diante da partida de Ray Palmer, o Eléktron. O fechamento de mais uma antiga porta para as Lendas.

E que ótima oportunidade para uma saída, fazendo-a como uma “última missão” dramática, hilária e ao mesmo tempo essencial para Ray, não? A presença de Shakespeare aqui traz alguns momentos vergonhosos de caracterização no início, mas isso é tão rápido e tão pequeno diante do restante do episódio que se torna até um pequeno charme. Na primeira parte do episódio o time se divide em duas partes: Charlie e os meminos vão até a taverna onde está o Bardo e Sara e as meninas estão em uma reunião do Book Club na nave, dando as boas-vindas à novata Zari. Pois digam o que disserem, mas a festa do Book Club estava pelo menos umas 156 vezes melhor que a festinha na taverna.

E o mais legal é que a direção de Alexandra La Roche também acompanha essa mudança de espaço e atmosfera, colocando bons momentos de ação em cada uma das “saidinhas”, mas em sequências diferentes, de modo que a montagem mostra sequências sérias e de pura diversão contrastadas com o que acontece no núcleo vizinho. E encaixado no meio dessa duplicidade narrativa — que não trata de assuntos diferentes: é que apenas uma parte da equipe sai para campo na primeira metade do episódio, já que a missão parecia ser inicialmente fácil demais e não havia necessidade de todos fora da nave —  temos Astra novamente em um dilema, o que talvez a faça mudar de ideia em relação à parceria que fechou com Constantine… embora ainda não saibamos quais serão as consequências após ela saber o que é que o mago está procurando.

O que me deixa imensamente feliz em um episódio como esse é como a simplicidade do enredo se junta a algo necessário e importante para a série (realizar logo a saída de alguém que já tinha confirmado a saída) e ao mesmo tempo criar uma partida emocionante e criativa com isso, seguindo a história da temporada. A briga entre Nate e Ray me pareceu um estranho exagero em meio a tudo isso (afinal, estamos falando de dois amigos adultos, um deles recém-casado!), mas ao mesmo tempo compreendi o uso desse exagero pelo roteiro, porque de certa forma combina com a postura bem criançona dos dois melhores amigos aqui.

A primeira peça do ‘Loom of Fate’ foi então encontrada (disfarçada em anel), o adeus de Ray foi oficializado e mais um passo foi dado no misterioso drama entre Constantine e Astra. Quando a coisa é escrita com qualidade, não precisa ser nada complexa e nem épica, não é mesmo? Basta ser um bom drama e que nos traga diversão, como essa lindeza aqui (mista de melancolia) nos trouxe.

Legends of Tomorrow – 5X07: Romeo V. Juliet: Dawn of Justness (EUA, 17 de março de 2020)
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Ray Utarnachitt, Matthew Maala
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Ramona Young, Shayan Sobhian, Sarah Strange, Rowan Schlosberg, Art Kitching, Liam Howe, Riley Orr, Jesse Inocalla, Brett Harris
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X04: A Head of Her Time

plano crítico Legends of Tomorrow – 5X04 A Head of Her Time

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

O que não faz um pequeno festival de cabeças decepadas para animar uma série, não é mesmo? Depois de temer um pouco pelo que poderia aparecer em Legends of Tomorrow, eu me deparo feliz com A Head of Her Time, um capítulo que estabelece muitíssimo bem todos os personagens e sofre apenas de desajeitada sequência no núcleo de Constantine (e que tem a ver com a montagem e o conteúdo dramático de parte delas, não com os personagens em si).

Não sei se estão ensaiando a saída da Sara Lance, mas foi realmente interessante ver Ava no comando, passando pelos conhecidos testes de autoridade que normalmente novos capitães passam. A abordagem para isso, no roteiro de Morgan Faust, tem uma excelente ramificação, sendo uma das melhores coisas do episódio porque faz com que todos pareçam naturais em seus diálogos e núcleos, principal três personagens que vinham pastando em roteiros anteriores e que me espantaram o quanto foram bem inseridos na história aqui: Gary, Zari e Charlie.

Vocês já sabem o quanto eu sempre falei bem dos figurinos dessa série, mesmo quando era um lixo, lá em 2016. O que eu mais gosto nesse caso não é apenas a boa representação histórica do guarda roupa das Ledas (e cada semana temos um período ou situação diferente, fazendo do show um dos mais criativos e intensos em termos de renovação de figurinos), mas como a equipe tem a sensibilidade de dar peças de época que fazem sentido para cada personagem ou para o tipo de entrelinha que o roteiro está tentando sugerir (veja como o figurino de Ava aqui é representativo de sua visão deslocada — e vista por ela mesma como inferior — frente à equipe: ela, o posto mais alto na hierarquia da nave, é a que está vestida como camponesa, a mais humilde dentre os que visitam Versalhes).

O bloco inteiro da França foi diversão do começo ao fim. Há algumas referências visuais emprestadas de Maria Antonieta que funcionaram perfeitamente bem aqui e, melhor ainda, mais uma alma fora do Inferno que teve uma caçada e um fim diferente, me fazendo mais uma vez pagar a língua diante da criatividade dos roteiristas em reavivar um tema já batido na série, mas de modo inovador. Isso é que é reciclar com classe!

No outro ponto do episódio temos o drama de Constantine, que agora ganhou fôlego de verdade e parece seguir uma linha independente da trama principal. Isso, via de regra, é um convite a complicações de roteiro (já tivemos isso com Vixen no passado, lembram-se?) mas se os episódios futuros seguirem a boa qualidade que essa camada foi tratada aqui, não temos nada a temer. Tanto as cenas no Inferno quanto a jornada para John falar a verdade foram bem moduladas no desenvolvimento e no final, tropeçando um pouco apenas no início. A temporada continua divertida e em constante melhora. Tudo o que eu mais queria!

Legends of Tomorrow – 5X04: A Head of Her Time (EUA, 18 de fevereiro de 2020)
Direção: Avi Youabian
Roteiro: Morgan Faust
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Maisie Richardson-Sellers, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Alice Hunter, Sarah Strange, Thea Highwarden, Kasimir Leskard, Ryan Bell, Knox Hamilton, Bombyx Du Murier, Shayn Walker, Ali Seifi, Johnny Wu
Duração: 42 min.