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Crítica | Liga da Justiça da América #42 a 50 (1966)

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Este compilado de críticas traz abordagens para as edições #42 a 50 da revista Justice League of America Vol.1, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1966. Você também pode conferir as críticas para as edições dos anos anteriores da equipe, como indicado na lista abaixo.

  • O Bravo e o Audaz #28 a 30 + LJA #1 (1960), LJA #2 a 8 (1961), LJA #9 a 16 (1962), LJA #17 a 24 (1963), LJA #25 a 32 (1964) e LJA #33 a 41 (1965).

NOTA: Os títulos traduzidos das edições são os mesmos utilizados pela Ebal, na revista Os Justiceiros, que a partir da edição #5 (janeiro de 1968) passou a publicar as aventuras desta fase da Liga, em forma descontinuada, como se pode perceber. Também são utilizados os títulos da revista Crise Nas Múltiplas Terras n°1 (Panini, 2008).

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LJA #42: Metamorfo Diz… Não!

Metamorpho Says — NO! — (Fevereiro de 1966)

Mais um GADO DEMAIS para a nossa coleção de “personagens gado da DC”, da qual nem o coelhinho da Família Marvel escapa… Oh, céus. Pois bem, aqui temos o Metamorpho (Rex Mason) que está indo a um encontro marcado com sua amada Sapphire Stagg e que, no meio do caminho, recebe o convite de alistamento da Liga da Justiça. E claro que a primeira desculpa que o homem elemental dá é a de que ele “não iria porque tinha um encontro marcado com o seu broto”. Durmam com essa.

O roteiro de Gardner Fox até tenta dar uma disfarçada, contornando a situação para um outro tipo de problemática, com Metamorpho dizendo que não aceitaria de verdade o convite da Liga porque não queria ficar daquele jeito para sempre e que, se ele aceitasse, estaria assumindo definitivamente sua condição atual… ou seja, bobagem pura e simples. Nem uma das duas desculpas aqui realmente funciona, e o resultado é um verdadeiro doce do herói para, no final, dizer que “seria apenas um membro eventual” do grupo. Claro, até porque a condição causada por um banho de luzes de um meteoro dentro de uma pirâmide egípcia vai passar logo logo, pode esperar sim, Sr. Metamorpho…

Nessa trama temos a primeira aparição do vilão Inimaginável, um Ser solitário que procura entrar para a Liga e fica bravo quando é rejeitado. Em certa medida, me pareceu até a história de um dos jovens malucos que se candidatavam para entrar na Legião dos Super-Heróis, com a diferença de que, mesmo com o doce do Metamorpho a trama realmente funciona bem, com boas resoluções da arte de Mike Sekowsky na forma de mostrar os ataques do Unimaginable, na diagramação das páginas e no uso visual do Metamorpho em todas as batalhas. Uma introdução não muito introdutória de mais um membro (?) da Liga da Justiça nos anos 60.

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LJA #43: As Cartas do Crime da Gangue de Espadas

The Card Crimes of the Royal Flush Gang! — (Março de 1966)

Tendo inventado um dispositivo chamado Stellaration — máquina que usa o poder astrológico das estrelas para carregar objetos com “poder estelar” e causar efeitos diferentes nas pessoas — Amos Fortune reúne seus velhos amigos de infância e cria a risível, mas inicialmente poderosa Royal Flush Gang. Assumindo o disfarce do Ás, Fortune atribui diferentes tipos de cartas aos seus companheiros e com essas cartas de baralho carregadas da tal energia Stellaration, os membros da Royal Flush Gang são capazes de desencadear inúmeros crimes e derrotar Gavião Negro, Mulher-Gavião, Flash e Mulher-Maravilha sozinhos, isso só na primeira parte da história!

Por se tratar de um personagem que a gente já conhece de outras aventuras, a saber, de A Roda do InfortúnioA Ameaça da Bomba Eléktron, a trama ganha um pouco mais de valor geral na jornada da Liga, mas só pela premissa dessa história já dá para ver que ela não se enquadra no tipo de “Tramas A” do grupo. E só o fato de Snapper ter um papel importante já diz muito sobre a qualidade do roteiro, não é mesmo? (só esperando a edição em que eu vou pagar a língua, mas tudo bem…). A ideia mística de colocar valores emocionais/comportamentais nas cartas é bem legal, mas o texto não vai verdadeiramente por esse lado, em vez disso, tenta misturar o conceito com ciência e aí embola tudo, gerando aquele tipo de revista que a gente pode até gostar de uma parte ou outra, mas no todo, é só uma trama medíocre mesmo.

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LJA #44: A Praga que Atingiu a Liga da Justiça

The Plague That Struck the Justice League! — (Maio de 1966)

A ameaça dessa história já começa de forma interessante, com Batman, Flash, Lanterna Verde e Eléktron em tamanho gigantesco, com uma tal “praga” que pode colocar todos no caminho da morte. Em dado momento eles são contatados por um alienígena chamado Dr. Benderoin, que lhes diz que foram infectados por um vírus que mata em 10 horas e que qualquer pessoa eles tiveram contato também foram infectados. Benderoin diz aos heróis que é devido à sua exposição ao Inimaginável. A Liga até pede ajuda ao Metamorpho (numa cena curta, que começa no nada e termina em lugar nenhum), mas Benderoin insiste que ele não pode curar os outros heróis dessa vez, pois seus átomos exauriram o valor terapêutico quando curaram o próprio Metamorpho.

O plano geral do vilão aqui é o que de melhor essa revista tem. Claro que o leitor está diante de uma linha de eventos que pode ser chatinha no começo, mas à medida que o enredo avança, começamos a ficar mais interessados pelo que acontece, e o texto sabe aproveitar bem dois grupos diferentes de heróis agindo com diferentes intenções sem saber que estão sendo manipulados. Uma das “histórias de subterfúgio” que cresce bastante em valor na parte final. Mas uma coisa precisa ser dita: eu dei a maior gargalhada quando o alien diz que todos os membros da Liga infectados vão causar a morte de quem eles tocaram, e todo mundo se lembra de seu par romântico e o Batman lembra do Robin… É realmente engraçado. O que não é tão engraçado assim é que pela segunda edição seguida, a Mulher-Maravilha é colocada para costurar e literalmente fazer roupa…

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LJA #45: A Grande Luta Contra Shaggy Man

The Super-Struggle Against Shaggy Man! — (Junho de 1966)

O ponto de partida dessa história já é torto, com diversas cartas endereçadas à Liga da Justiça e que foram perdidas após um acidente de avião. Aqui vemos essas missivas serem entregues — estavam numa caixa resistente! — a Snapper, que as leva aos os membros da JLA (Batman, Flash, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Eléktron e Gavião Negro). O tema de duas cartas serve como ponto de partida para o drama da edição, que coloca os heróis investigando (depois de dois anos!) os pedidos de ajuda. Pois é. Eu disse que começava torto… O pior de tudo é a absurda conveniência das duas cartas abertas serem para “emergências” que os envolvidos são homens da ciência e que, ora ora ora, conseguiram lidar, a seu modo, com o problema em questão. Tendo essa situação desde o início, fica difícil se apegar à história a partir daí.

A Liga se divide em dois times (Lanterna e Superman estão em missões fora) e pelo menos nessa dinâmica o roteiro consegue um bom resultado, especialmente com o Flash indo de um lado para o outro e buscando interessantes soluções para o problema dos dois times. Bom… ao menos em teoria. Porque essa resolução termina com o tal Shaggy Man (que nome horrível, meu Deus) lutando contra um bicho que seria parte de uma “segunda Lua da Terra“. Uma pequena confusão que não é impossível de se entender a lógica, mas seria melhor se o problema de fato se resolvesse. E não é o que ocorre aqui. A “solução” que a Liga encontra abre as portas para os vilões saírem de sua prisão na ocorrência de qualquer coisinha um pouco fora do comum, como sempre acontece nesse Universo…

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LJA #46 e 47: Crise entre a Terra-1 e a Terra-2 / Ponte Entre as Duas Terras

Crisis Between Earth-One and Earth-Two / The Bridge Between Earths — (Agosto/Setembro)

Tem histórias em que realmente não dá para entender a cabeça de Gardner Fox. Neste arco que traz o já tradicional encontro anual entre os heróis da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça (ou seja, o crossover entre Terra-1 e Terra-2), temos um começo de história fantástico, cheio de bos acontecimentos — até as bizarrices que o autor coloca são charmosas, fazem parte daquilo que esperamos de uma história da Liga nos anos 60. É estabelecido que uma força estranha está fazendo com que pessoas na Terra-1 e Terra-2 troquem de lugar. Enquanto Dr. Meia-Noite e Canário Negro são transportados para a Terra-1, Batman se vê transportado para a Terra-2. Para piorar a situação, o Espectro é atraído pelo Homem de Anti-Matéria, responsável por um dos grandes perigos da trama, e Solomon Grundy é libertado de sua prisão mística e transportado para a Terra-1… enquanto Arrasa-Quarteirão se liberta da Fundação Alfred e se vê transportado para a Terra-2. É definitivamente muita coisa acontecendo. Mas a história no começo é divertida e vale a pena essa grande quantidade de acontecimentos ao mesmo tempo.

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Ao longo de toda a primeira edição estamos realmente diante de um drama de investigação e porradaria entre heróis e vilões. Mesmo com diversos outros perigos cercando os heróis, a ideia de pessoas indo de uma Terra para outra é bem executada, tanto pela arte quanto pelo roteiro, que nos apresenta bons momentos de passagem dimensional. O problema é que talvez na ânsia de colocar mais e mais coisas relacionadas à ciência, Fox começa a piorar o roteiro, que decai imensamente quando dá atenção demais para os brutamontes (Grundy e Blockbuster).

Depois de um tempo impossibilitado de “ver além dos olhos”, o Senhor Destino acaba sendo avisado de que tem algo errado acontecendo (o alien de antimatéria) e transporta os membros da JLA e da JSA para o espaço entre dois mundos, onde a principal e mais absurda batalha do arco acontece. Tem resoluções nessa sequência que simplesmente não dá para aceitar. E enquanto a gente vê a Canário Negro enrolando seus cabelos (que cresceram assustadoramente) nas pernas do alien — e isso feito como se fosse uma resolução imensamente inteligente, acreditem — Eléktron entra na jogada de fato, recobrando seus poderes e vendo que o dispositivo de varredura cósmica de seu laboratório foi o catalisador que levou o Homem Anti-Matéria a tentar viajar para o Universo da matéria positiva — basicamente a semente de Crise nas Infinitas Terras. Até aqui eu ainda tinha alguma esperança de que as porradas fossem o foco e decisões divertidas fizessem parte do plano dos heróis, mas… não é isso que acontece (mais uma vez).

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Viajando para a fenda cósmica, Eléktron usa de seu conhecimento científico em conjunto com a magia do Espectro para romper a dobra do espaço, desviando o Homem Anti-Matéria de volta ao seu próprio Universo e restaurando a ordem nos dois da Terra. Só que nada disso é feito totalmente sem tropeços. A cada dois quadros com diálogos e narrações bem legais, temos seis com coisas absurdas e inaceitáveis, tornando a história extremamente irritante no final, uma diferença bem grande pra o que percebemos dela no divertido começo. Já no encerramento, o Lanterna Verde transporta Solomon Grundy e Blockbuster para a mesma Terra, onde eles ficam lutando entre si. E então o grupo de heróis chega a tempo de ver os dois pararem de brigar e se tornarem amigos (pois é…), decidindo retornar pacificamente à sua própria Terra e à custódia. A única coisa que a gente precisava aqui era do alien de antimatéria trazendo preocupações, mas como adição tivemos dois vilões que, no cômputo geral, só serviram mesmo para atrapalhar a história.

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Sobre a Edição #48

A edição #48 deste título, com data de capa de outubro de 1966, não foi uma história inédita e sim um compilado de três revistas anteriores da Liga, a saber, The Brave and the Bold #29, Justice League of America #2 e Justice League of America #3. A próxima história inédita da equipe viria na edição #49, intitulada A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo.

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LJA #49: A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo

Threat of the True-Or-False Sorcerer! — (Novembro de 1966)

Quem é vivo sempre aparece, não é não? Lançando um feitiço para tentar se libertar na prisão, Félix Fausto (que a Liga conhece desde Os Dedos Fantásticos de Félix Fausto) consegue algo, mas não exatamente o que queria. Em vez de uma saída para se libertar da prisão, ele cria duas duplicatas de si mesmo. E quando nenhum dos dois pode concordar com quem é o verdadeiro Fausto (nenhum dos dois é!), conjuram um demônio que revela que, se não determinarem qual é o falso mago, quando o falso Fausto desaparecer, sua destruição também destruirá o Universo.

Esse é o tipo de trama que se você comprar a premissa e a apresentação dela, tudo funciona depois, pois o roteiro não fica andando em círculos, colocando justificativas intricadas ou personagens que mais atrapalham do que ajudam a história a crescer, como ocorreu na aventura com a SJA no arco anterior. Além disso, é até engraçado ver como a parceria do vilão com os heróis ocorre e como eles lidam com os problemas que aparecem pelo caminho. A dupla Flash-Superman é a minha favorita na investigação que se segue, tanto no plano de ataque quanto em relação ao tipo de problema que têm para vencer.

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LJA #50: O Senhor do Tempo Ataca o século XX

The Lord of Time Attacks the 20th Century! — (Dezembro de 1966)

Após uma passagem pelo Vietnã, o soldado Eddie Brent está voltando para casa (para Gotham City) como um herói, com um evento de condecoração pública o esperando e tudo. No entanto, quando ele enlouquece e pula do trem, sua atividade suspeita leva Bruce Wayne e Dick Grayson a investigá-lo como Batman e Robin. Seguindo Brent, eles descobrem que ele foi munido com super-armas que facilmente dominam a dupla dinâmica. Começa então uma linha de investigação que traz de volta o Lord of Time, lá de A Hora Final.

Como foi comum nas histórias desse ano, a boa arte de Mike Sekowsky e o bom trabalho de finalização de diversos artistas prendem a nossa atenção na sequência de lutas, no trabalho de movimentação dos heróis e na criação dos lugares visitados. Poucos são os momentos em que temos reais problemas com a arte nessas edições. A questão mesmo é o roteiro, que faz uma trajetória bem chatinha. É até paradoxal termos tantas boas passagens de ação embaladas em uma justificativa ou diálogos que dão vergonha. E aqui o incômodo é mais na relação entre plano do vilão com a reação dos heróis da Liga. A propósito, temos enfim uma participação efetiva do Aquaman no ano! Não é uma história ruim, mas vocês sabem, isso não significa muita coisa em termos de qualidade, não é?

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Justice League of America Vol.1 #42 a 50 (EUA, 1966)
Roteiro: Gardner Fox
Arte: Mike Sekowsky
Arte-final: Bernard Sachs, Frank Giacoia, Joe Giella, Sid Greene
Letras: Joe Letterese, Gaspar Saladino
Capas: Mike Sekowsky, Murphy Anderson, Joe Giella
Editoria: Julius Schwartz
24 a 26 páginas (cada edição)