Peter Ackerman

Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X03: Dynoman and the Volt!!

O revival de Amazing Stories – ou Histórias Maravilhosas, como ficou conhecida por aqui – tem exatamente a mesma missão de sua predecessora: trazer histórias de fantasia simples e descompromissadas para um público que não quer mais do que uma dose semanal de algo na linha da boa e velha Sessão da Tarde. E, se lembrarmos de The Cellar e The Heat, os dois primeiros episódios da antologia, esse objetivo tem sido alcançado.

Dynoman and the Volt!! apenas reitera o bom caminho que a série vem seguindo, desta vez usando o clichê de uma história de super-heróis para abordar o clichê de uma história sobre envelhecimento e conexão entre gerações. E, quando uso o termo clichê, não o faço em seu sentido negativo que muitos conectam a ele. Clichê é, ao contrário, apenas um artifício narrativo muito repetido e o que determina se ele será bom ou não é o roteiro como um todo e não seu mero emprego. E, mesmo que as pretensões do episódio não sejam lá estratosféricas, os clichês que vemos em utilização ampla funcionam bem e resultam em uma simpatia de história que, como as demais, deixará o espectador com um sorriso no rosto ao seu final.

Nela, o rabugento e grosseirão Joe Harris (o saudoso Robert Forster em seu penúltimo papel), um homem de terceira idade que sofrera um acidente, muda-se para a casa de seu filho Michael (Kyle Bornheimer) e acaba estabelecendo contato mais estreito com seu neto mais novo Dylan (Tyler Crumley), fã de quadrinhos e que adora criar suas próprias fantasias para sair atrás de gostosuras no Halloween. Os laços entre avô e neto são estabelecidos ao redor de um anel de brinquedo do super-herói Dynoman que chega misteriosamente pelo correio para Joe 60 anos depois de ele o ter encomendado. Obviamente, o anel dá poderes ao ancião e a história parte daí para trabalhar três gerações da família Harris em um conto de aquecer corações.

O roteiro de Peter Ackerman é simples talvez até demais, já que telegrafa cada movimento futuro, além de explicar o que vemos por meio de diálogos que somente existem para serem redundantes. Com isso, a direção de Susanna Fogel não consegue fugir muito do básico e, como não há muita história para realmente ser desenvolvida, acaba valendo-se de elipses que por vezes mostram-se atabalhoadas e perdidas, quebrando um pouco a lógica narrativa. Isso é particularmente sensível na ação do clímax que não faz exatamente muito sentido e parece extremamente corrida, ainda que “bonitinha”.

O que realmente funciona no episódio é a sempre agradável presença de Forster e a imediata conexão do ator com o jovem Crumley, de maneira que os dois acabam formando uma dupla improvável, mas que funciona do começo ao fim. Mais do que isso, o episódio consegue evitar ser muito meloso, mas sem deixar de entregar belos momentos de ternura capitaneados pelos dois e, por vezes, também contando com o Harris “do meio” também bem interpretado pelo simpático Bornheimer.

Na seara dos efeitos especiais, apesar de uso muito esparso de CGI e alguns efeitos práticos, eles são bem empregados e não detraem do resultado final, lembrando que eles não têm um fim e sim mesmo e, portanto, não pesam na narrativa. O objetivo é fazer os efeitos ficarem em segundo, talvez até terceiro plano, só aparecendo quando realmente essenciais para justificar a premissa do episódio.

Dynoman and the Volt!! é um adorável conto de conflito de gerações que tem o pano de fundo “da moda” dos super-heróis, mas que realmente cativa pela marcante presença de Robert Forster em tela. Com mais um acerto, Amazing Stories vem se firmando com um porto seguro para escapismo televisivo de qualidade, o que pode parecer uma contradição em termos, mas que, lá no fundo, não é não.

Amazing Stories – 1X03: Dynoman and the Volt!! (EUA, 20 de março de 2020)
Direção: Susanna Fogel
Roteiro: Peter Ackerman
Elenco: Robert Forster, Tyler Crumley, Kyle Bornheimer, Alison Bell, Toby Nichols, Morgan Gao
Duração: 47 min.