Neal McDonough

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X06: Mr. Parker’s Cul-De-Sac

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Fazendo uma bela e hilária paródia de Mister Rogers’ Neighborhood, este episódio de Legends of Tomorrow é daqueles que conseguem muita coisa simplesmente porque não tem vergonha de adentrar ao território das deliciosas coisas ridículas que esta série vem trabalhado majoritariamente tão bem nas últimas temporadas.

Aqui em Mr. Parker’s Cul-De-Sac, Ray planeja uma noite romântica para ele e Nora, sendo ajudado por Nate e B no processo. Um pedido de casamento está para acontecer. Mas o roteiro de Keto Shimizu e James Eagan torna essa jornada um pouco mais difícil do que deveria (no bom sentido da afirmação), fazendo desse capítulo um bom ponto de divisão, pensamento e enfrentamento de situações difíceis para todo mundo, direta ou indiretamente. Claro que alguns arcos se saem melhor que outros (para ser sincero, o menos interessante é o de Mick bolado com as críticas negativas de alguém que, convenientemente, acaba sendo sua filha) mas todos são, no mínimo, solidamente bons.

Estabelecido o primeiro passo de colocação dos personagens em cena (o drama de Gary desaparecendo ficou meio “sem resposta ou sentido” para vocês também?) e dos problemas que precisam resolver, os obstáculos vêm à tona e então temos mais um recém-saído do Inferno tratado e “finalizado” de modo diferente dos demais, o que dá, no processo, a oportunidade de maior desenvolvimento para as Lendas ao mesmo tempo que uma das linhas mais interessantes desse meio de temporada (quem diria, não é mesmo Charlie?) ganhe um novo capítulo, agora com Cloto aceitando ajudar Constantine a encontrar o fuso do fio da vida.

O entrelaçamento entre a trama do casamento de Ray e Nora, a volta de Damien, as bobagens com Gary, o dilema entre Sara e Ava e o arco de Zari e Mick… tudo parece perfeitamente bem mesclado, sem uma história atropelar a outra e tendo algo realmente importante para contar, não apenas aparecendo aqui para preencher tempo. O máximo de diferença que temos é a qualidade interna de cada bloco, mas não são tão díspares a ponto de tirar a tag de “excelente” da aventura desta semana.

Fazendo também uma referência a Thomas e seus Amigos (o Abominável Gary como trem — após quase ter sido esmagado por um trem, o que é hilário) e relembrando o insano Legends of To-Meow-Meow, este episódio também traz mais um elemento para o público pensar a respeito, que é a formação desse time das Lendas. Notem que Sara, Mick e Ray flertam ou se deparam com coisas que possivelmente podem levá-los a uma aposentaria (o emprego em outra cidade, a descoberta de uma filha, as obrigações de um casamento), e não é de agora que a série vem explorando essa possibilidade. Talvez pela ameaça de Damien, Ray possivelmente seja o primeiro a sair (o que é uma pena… deveria ser Mick, o primeiro). Seja como for, contanto que o show mantenha o nível de divertimento que tem hoje, por mim, podem renovar a equipe inteira… não, calma, menos Behrad. Não mexam no meu Behrad!

Legends of Tomorrow – 5X06: Mr. Parker’s Cul-De-Sac (EUA, 10 de março de 2020)
Direção: Ben Hernandez Bray
Roteiro: Keto Shimizu, James Eagan
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Neal McDonough, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Mina Sundwall, Madeline Hirvonen, Lisa Marie DiGiacinto, Erik Gow
Duração: 42 min.

Crítica | Altered Carbon – 2ª Temporada

Quando acabei de assistir a 2ª temporada de Altered Carbon, custosa aposta cyberpunk da Netflix baseada na série de romances de Richard Morgan, tive finalmente certeza absoluta de uma coisa que havia começado a se formar em minha mente já na temporada inaugural: estou diante do meu mais novo guilty pleasure que eu defenderei com unhas e dentes até a morte, mesmo tentando manter-me distante o suficiente para trazer uma crítica menos apaixonada. A série tem todos os predicados de uma obra que pode ser classificada dessa forma, a começar por aquele visual sci-fi que parece apuradíssimo se você assistir sem óculos, mas que, na verdade, fica na linha fronteiriça entre o básico e o marginalmente acima do mediano. Os personagens são recortados em cartolina em sua grande maioria e a trama até arrisca digressões filosóficas aqui e ali, mas sem nunca realmente mergulhar de cabeça em nada. Há romances bregas – inclusive um irresistível entre construtos de inteligência artificial que merecia uma série spin-off própria – e, principalmente, pancadaria explícita e incessante do começo ao fim, com direito a uma contagem de corpos bem alta. Ah, claro, não podemos esquecer dos dois vilões que são tão cartunescos que eles inadvertidamente são hilários.

Passada 30 anos depois dos eventos da 1ª temporada, a nova história parece, em seu primeiro episódio, um reboot narrativo completo. Takeshi Kovacs, agora, habita uma nova e altamente militarizada capa (Anthony Mackie substituindo Joel Kinnaman) que faz parte do pacote oferecido pelo matusa Horace Axley (Michael Shanks) – e que inclui a revelação de onde estaria Quellcrist Falconer (Renée Elise Goldsberry) – para que o Último Enviado faça as vezes de guarda-costas para ele. Claro que tudo dá imediatamente errado e, em meio à confusão, o mistério sobre o paradeiro de Falconer (aliás, um parênteses: esses nomes são sensacionais, não?) e o que está acontecendo com os matusas fundadores do Mundo de Harlan, planeta onde nasceu Kovacs e onde toda a ação se passa, que aparecem violentamente mortos de verdade. Com a I.A. Poe (Chris Conner, disparado o melhor ator da série) ainda à tira-colo, mas agora cheio de bugs e temendo perder sua memória se fizer a reinicialização que precisa fazer e unindo-se à caçadora de recompensas com implantes biônicos Trepp (Simone Missick, que tem uma presença em tela invejável e magnética), Kovacs passa a correr contra o tempo para entender o que está acontecendo, ao mesmo tempo que foge da caçada que o Coronel Ivan Carrera (Torben Liebrecht, o primeiro vilão cartunesco e muito divertido em com sua constante cara de mal que muda sutilmente para cara de enfezado) empreende a ele, sob o comando relutante da governadora Danica Harlan (Lela Loren, a segunda vilã cartunesca, que só falta soltar aquelas risadas maquiavélicas enquanto esfrega as mãos), filha de Konrad Harlan (Neal McDonough em uma ponta), fundador da colônia planetária e que está desaparecido.

A trama é repleta de reviravoltas, revelações e de situações que ampliam ainda mais a mitologia da série, especialmente no que diz respeito à raça misteriosa de alienígenas que legou aos humanos o metal que torna possível a criação dos HDs onde a mente humana pode ser gravada, permitindo imortalidade. Discussões sobre o imperialismo, genocídio, corrupção, papel das forças armadas e, claro, do que significa a vida em um universo onde a morte mesmo só existe para poucos, pontilham toda a narrativa, mas nunca avançam a ponto de tornar Altered Carbon uma série contemplativa. Muito longe disso, aliás, o comando da obra por Laeta Kalogridis mira na ação, com muito investimento em sequências de tirar o fôlego e de belíssimas e variadas coreografias de luta das mais diversas naturezas, todas embaladas por uma direção e montagem que privilegiam a visceralidade e a violência explícita.

Eu disse acima que a história “parece” ser um reboot narrativo completo em relação à 1ª temporada, o que, se fosse verdade, seria um desserviço ao que foi estabelecido antes. Na verdade, na medida em que os episódios avançam (são apenas oito no lugar dos 10 anteriores, o que garantem um passo acelerado), o espectador vai percebendo que, muito ao contrário, apesar da troca da capa do protagonista – artifício narrativo estupendo justamente para permitir a troca de atores a cada temporada -, a história alimenta-se sem pudores de tudo o que veio antes, com os roteiros fazendo malabarismos por vezes até desnecessários para trazer todo o elenco anterior de volta de diversas maneiras diferentes. Portanto, a 2ª temporada é uma legítima e lógica continuação da saga de Takeshi Kovacs que tem o mérito de entregar uma história potencialmente ainda mais interessante e que realmente valoriza o protagonista.

Falando nele, muita gente pode querer saber o que achei de Mackie no lugar de Kinnaman e, ainda que o segundo seja, em linhas gerais, um ator muito melhor do que o primeiro, as exigências do papel não são tão grandes assim e Mackie consegue abraçar bem o personagem, acrescentando, talvez, um ar (bem) levemente mais cômico e bonachão que acaba combinando bem com o que a narrativa pede. Claro que as presenças de Chris Conner e de Simone Missick, além de Dina Shihabi como a I.A. Dig 301, ajudam a elevar o sarrafo dramático, retirando um pouco do foco nas caras e bocas de dor e frustração de Mackie, além da quase que ausência completa de emoção da Falconer de Goldsberry, algo que, justiça seja feita, faz parte da personagem. Em outras palavras, não estamos diante do elenco mais inspirado na face da Terra (ou do Mundo de Harlan), mas ele mais do que dá conta do recado com uma boa química entre eles e por vezes até mesmo lampejos de um trabalho acima do esperado como quando Kovacs é torturado por Carrera ou quando a conexão entre Conner e Dig é estreitada.

Do lado visual, é perceptível a economia da produção na computação gráfica. O mundo legitimamente cyberpunk da temporada inaugural não existe mais com tanta força aqui – planetas diferentes, afinal de contas -, pelo que as sequência dessa natureza abrem espaço para cenários mais confinados e, portanto, mais baratos, com o CGI utilizado de maneira mais cirúrgica e nem sempre tão eficientemente, como é o caso das demonstrações do Fogo de Anjo. Aliás, até mesmo os cenários práticos – notadamente em Stronghold, com suas rochas de isopor – sofrem com a redução orçamentária. Mas esses são detalhes desimportantes que ficam em segundo plano diante da história bem cadenciada e pelo maravilhamento que a própria base narrativa – as capas, os HDs nas colunas cervicais, os clones e assim por diante – gera no espectador e que, aqui, ganha uma contextualização maior e mais relevante.

Como todo bom guilty pleasure, quando acabei a 2ª temporada deu vontade não só de assistir tudo novamente – o que obviamente não fiz e provavelmente não farei, pois o dia ainda tem só 24 horas – como de que a Netflix dê um jeito de soltar a 3ª temporada mais rapidamente do que os mais de dois anos que precisou entre a 1ª e a 2ª. Talvez a leitura dos dois outros romances de Morgan que ainda faltam supram minha carência nesse tempo ou, claro, assistir alguns de seus primos mais velhos como Comando para Matar e Stallone Cobra

Altered Carbon – 2ª Temporada (EUA, 27 de fevereiro de 2020)
Desenvolvimento:  Laeta Kalogridis (baseado em romances de Richard Morgan)
Direção: Ciaran Donnelly, M. J. Bassett, Jeremy Webb, Salli Richardson-Whitfield
Roteiro: Laeta Kalogridis, Sarah Nicole Jones, Michael R. Perry, Sang Kyu Kim, Cortney Norris, Adam Lash, Cori Uchida, Nevin Densham, Alison Schapker, Elizabeth Padden
Elenco: Anthony Mackie, Chris Conner, Renée Elise Goldsberry, Simone Missick, Lela Loren, Dina Shihabi, Torben Liebrecht, Will Yun Lee, Michael Shanks, Sen Mitsuji, James Saito, Neal McDonough, Dichen Lachman, Ato Essandoh, Martha Higareda
Duração: 393 min. (8 episódios no total)

Crítica | Sonic – O Filme

A chegada do espinhoso Sonic em sua versão cinematográfica foi esperada por muitos fãs desde que os rumores ganharam forma e se transformaram em projeto sólido com agendamento para 2020. Os anéis e seus sons peculiares, os passeios velozes do nosso herói azulado por Green Hill, os embates com Robotinik e outros momentos das aventuras que algumas gerações acompanharam desde a década de 1990, nos jogos da SEGA, agora já podem ser conferidos em sua tradução intersemiótica assinada por Jeff Fowler. Nada contra os efeitos visuais, a construção live-action de Sonic, tampouco ao filme em si, adequado para a proposta na qual está inserido. O grande problema é a nossa expectativa, nostálgica demais, pois se você espera ver uma “adaptação” do videogame que esteja focada em detalhes vivenciados pela nossa relação passada com o joystick nas mãos, adianto que você, caro leitor, vai se arrepender profundamente.  E se arrepender por culpa exclusivamente sua.

Ao longo dos 99 minutos da aventura, acompanhamos os personagens criados por Naoto Ohshima, Hirokazu Yasuhara e Yuji Naka, adaptados dos games para a linguagem cinematográfica pelo roteiro da dupla formada por Patrick Casey e Josh Miller. Eles nos mostram a chegada de Sonic (voz de bem Schwartz), o porco-espinho veloz que chegou ao nosso mundo através do anel que lhe serve como portal. Aqui na Terra, habita a interiorana cidade de Green Hill, um local pacato que logo mais será o cenário para as loucas ações do Dr. Ivo Robotinik (Jim Carrey), personagem envolto numa roupagem do seu ator no modo anos 1990, isto é, muitas caras e bocas, histrionismo que chega na linha de ultrapassagem dos limites do que é engraçado. Sonic, com hábitos e visões diferentes do mundo ao seu redor, torna-se amigo de Tom Wachowski (James Marsden), carismático policial da região que está prestes a mudar de vida.

Com projeto para sair de Green Hill e comandar situações em que as pessoas de fato necessitem de sua ajuda, o personagem possui como necessidade dramática o interesse de imprimir mais significados na ficha de sua vida. Ele é casado com a doce e gentil Maddie Wachowski (Tika Sumpter), veterinária que lhe apoia nos projetos delineados para logo mais, planos que se modificam quando conhece o porco-espinho e decide se aliar em prol da defesa do mundo contra os planos maléficos do cientista louco que em alguns momentos, nos remete a Hitler, até mesmo numa breve referência musical. Assim, a dupla entrará num combate de tirar o fôlego, com direito aos já esperados diálogos cheios de piadas, cenas de ação frenéticas e efeitos visuais para deixar a plateia animada com a produção. Isso se você não for exigente demais.

Foi preciso menos de 30 minutos para me convencer de que Sonic – O Filme não é uma tradução digna do legado do game. Sabemos que o ponto de partida é apenas o personagem, pois um filme desse segmento não pode e nem deve ser uma cópia fiel do que lhe serve de material de base. No entanto, a música tema famosa é tocada num momento muito breve próximo ao final, os anéis, acredito, tornam-se a única referência direta dos games e apesar do carisma dos protagonistas, a narrativa carece de uma história que seja algo além do entretenimento para o público infantil ou experiência saudosista para marmanjos como eu, à beira dos 40 anos, nostálgicos em busca de memórias do passado onde os problemas reais eram transformados em alegorias para as nossas brincadeiras.

Ficamos à espera de um ritmo que não avança tão vertiginosamente como o próprio Sonic. E convenhamos, Jim Carrey está tão exagerado que em alguns trechos senti vergonha alheia de seu personagem farsesco demais. Para quem jogou Sonic, sabe que o vilão sempre foi a representação cabal da cultura do excesso. Exagerado, nada sutil, cheio de apetrechos para encher o caminho do porco-espinho de obstáculos. No filme, por sua vez, a caracterização beira ao excesso, numa busca por transformar o antagonista numa figura excessivamente idiota. De tão idiota, torna-se banal. Não fosse o já citado carisma dos protagonistas e os diálogos afiados de Sonic, cheio de referências aos ícones da cultura pop musical e cinematográfica, a narrativa iria naufragar vertiginosamente.

Ademais, o que encontramos em Sonic – O Filme é uma história genérica sobre um vilão destrutivo sendo combatido por uma dupla do bem. Parece a mesma produção de sempre no gênero aventura estadunidense, focado na salvação da humanidade e destruição do que é mal e vil. No desfecho, os créditos emulam inteligentemente algumas passagens das primeiras fases da versão em game, diurnas, com paisagens naturais como destaque. Como pesquisador e interessado nos tratados da tradução intersemiótica, sei que não devemos questionar qualquer filme pelo viés da “fidelidade”, pois nenhuma produção cinematográfica deve ou tem que ser a cópia da influência literária, musical, histórica, biográfica, etc. No entanto, esperamos alguma correspondência, algo que acontece de maneira tão diluída que não nos satisfaz enquanto pessoas em busca das memórias de uma era mágica, onde munidos do Mega Drive e do nosso desejo em jogar, adentrávamos no mundo de Sonic e viajávamos em sua trajetória lúdica.

Aos interessados apenas numa animação divertida sobre a luta entre o bem e o mal, o filme pode até funcionar, ou não, depende muito, principalmente do grau de exigência. Os efeitos visuais coordenados pela dupla Lindsay Adams e Caroline Adams, da Future Associate, não deixam a desejar em nenhum momento. A condução musical de Junkie XL também é eficiente, assim como a edição de Stacey Schroeder e Debra Neil-Fisher, um segmento importante para um filme repleto de cenas que pedem um ritmo mais frenético. Tudo isso, no entanto, pode não ser suficiente quando o espectador não tem a referência do personagem e acha tudo muito genérico, ou então, por conhecer a trajetória de Sonic, desejava maior relação com o universo de onde o porco-espinho foi adaptado. Não dá para saber. O que sei é que esperava ver alguma passagem pelo Cassino, um breve trecho ou referência ao âmbito das plataformas de petróleo, os obstáculos com magma, a metrópole ao estilo Fritz Lang das fases finais de Sonic 2, minha maior referência. Não teve, no entanto, não é o que diminui a qualidade do filme. É apenas o que não alimenta a minha faminta expectativa.

Sonic – O Filme (Sonic the Hedgehog) — Estados Unidos, 2020
Direção: Jeff Fowler
Roteiro: Patrick Casey e Josh Miller, Naoto Ohshima, Hirokazu Yasuhara, Yuji Naka
Elenco: Adam Pally, Bailey Skodje, Ben Schwartz, Breanna Watkins, Dean Petriw, Debs Howard, Elfina Luk, Frank C. Turner, James Marsden, Jeanie Cloutier, Jeff Sanca, Jim Carrey, Leanne Lapp, Lee Majdoub, Melody Nosipho Niemann, Natasha Rothwell, Neal McDonough, Nicholas Dohy, Shannon Chan-Kent, Tika Sumpter
Duração: 99 min.