Michael Morris

Crítica | Better Call Saul – 5X06: Wexler v. Goodman

  • Há spoilers da série. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

O título do episódio diz tudo: esse parece ser o momento de ruptura que tanto esperamos. Por outro lado, a última fala de Kim – “ou nós nos casamos” – parece ter o condão de nos dar uma rasteira dramática, que deixa todas as portas abertas para o futuro, ou a inexistência de futuro, para o casal Wexler-McGill.

Aliás, escrevi McGill acima mais por uma licença poética, pois Goodman e McGill parecem ser “personagens” cada vez mais indistinguíveis, com o primeiro mantendo-se preponderante por muito mais tempo, como uma segunda personalidade que toma controle de alguém sofrendo de transtorno dissociativo de identidade. São como as formigas comendo o sorvete nas belíssimas sequências de abertura e encerramento de The Guy for This. Isso fica evidente aqui, com toda a lógica por trás do golpe que Goodman aplica não apenas contra o banco Mesa Verde, mas sim contra ninguém menos do que sua companheira Kim Wexler que, antes, resolvera voltar atrás e fechar um acordo financeiro para a saída do último proprietário no terreno destinado ao call center.

O raciocínio faz mesmo muito sentido. Um dos objetivos era apagar qualquer dúvida sobre a idoneidade e ética de Kim e pegá-la de surpresa, com uma reação genuína de raiva e desapontamento, parece, na superfície, uma solução perfeita, talvez a única possível. Mas Jimmy/Saul simplesmente não enxerga que, com isso, ele terminou de quebrar a confiança que Kim tinha nele. Aliás, ao ser confrontado, ele nem mesmo consegue prometer que isso não acontecerá novamente, tamanha é a importância desses golpes para ele. Porque sim, Saul fez o que fez muito mais porque seu plano era bom demais para desperdiçar com a mudança de ideia de Kim do que por qualquer outro sentimento dele em relação a ela. Os hilários anúncios – aquele pessoal que ele sempre contrata ainda está na faculdade??? – que ele produz, assim como a acusação de violação de direitos autorais (essa uma ideia de Kim), realmente pareciam apetitosos demais para Saul deixar de lado e foi absolutamente impagável ver Kevin gradativamente enfurecendo-se como um personagem do Looney Tunes cuja cabeça começa a sair fumaça para depois explodir, algo com que Saul simplesmente contava que aconteceria.

Portanto, nem passa pela cabeça de Saul que Kim tornou-se alvo de seu golpe ou, se passa, ele não consegue entender o que exatamente isso significa para ela. Ah, mas Kim também sente prazer em pequenos golpes e foi ela que começou a arquitetar o ataque ao seu próprio cliente. Sim, sei muito bem disso. Não é segredo algum que ela tem esse conflito interno inconciliável desde o começo da série, mas a questão, aqui, é de confiança mútua com alguém com quem ela vive. Isso fica ainda mais evidente a partir do flashback de abertura para sua adolescência, em que vemos sua mãe, embrigada, chegar tarde para pegá-la em sua escola em Red Cloud, Omaha (lembrando: o mesmo estado onde Gene tem seu Cinnabon…). Confiança é a chave para qualquer relacionamento e não há futuro para Kim e Jimmy sem esse pilar.

Mas e o pedido em casamento? – alguns podem perguntar. Sabem quando estamos tão conectados com alguém ou até mesmo alguma coisa e, na iminência de perder essa pessoa ou coisa acabamos fazendo de tudo para manter o status quo? Pois bem, é assim que eu vejo essa alternativa que Kim dá a Saul (ou seria Jimmy?) no último segundo do episódio. Em poucas palavras, trata-se de desespero, um momento impensado em que uma parte da personagem acha que uma união formal resolverá tudo magicamente. Sabemos que não é assim que a banda toca, especialmente em uma situação em que sequer entendemos exatamente se Kim tem consciência sobre para quem ela fez a proposta, Jimmy ou Saul ou, como já disse, a amálgama indistinguível dos dois. É como se um casamento resolvesse tudo magicamente, algo que ela não acha de verdade, pois ela é adulta e inteligente, mas que, no calor do momento, talvez signifique algo para a Kim esperançosa.

E como resultado desse sensacional conflito, ganhamos sequências memoráveis como a da produção dos anúncios, a da espalhafatosa e hilária apresentação de Saul para Kevin e seus advogados e, lógico, o do sensacional diálogo entre Kim e Jimmy ao final de tudo, que mais uma vez serve de palco para que Rhea Seehorn e Bob Odenkirk deem um show de atuação. Tudo funciona muito bem e, apesar da variedade de assuntos sendo tratados, a montagem mantém o fluxo narrativo tinindo, com a fotografia mais uma vez despontando com o cuidado com cada tomada.

Na “outra história” do episódio, vemos o início do plano de Mike para eliminar Lalo da jogada. Mas, antes disso, deixe-me rebobinar e abordar algo que me incomodou. Tudo bem que Dedicado a Max foi um episódio milimetricamente preparado para reunir Mike a Gus novamente. Mais do que entendo – e na verdade, acho essencial para a unicidade narrativa da temporada – que isso precisa acontecer, mas a “queda de Mike”, por assim dizer, não me pareceu profunda o suficiente ou trabalhada adequadamente para justificar de maneira inequívoca seu retorno para debaixo das asas de Gus. Parece que os traumas de Mike foram varridos para debaixo do tapete muito rapidamente, algo pouquíssimo característico em Better Call Saul, como se os showrunners tivessem decididos, de uma hora para a outra, que a separação já deu o que tinha que dar.

Mas, se aceitarmos esse retorno (e eu tirei meia estrela justamente por causa disso, já que, como disse, não gostei), o que resulta daí é mais um bom trabalho da produção em reinserir Mike significativamente na história, com um plano cheio de partes móveis e que retorna à Winner, o episódio 4X10 da série, para resgatar o assassinato do atendente da agência de transferência de dinheiro e o subsequente incêndio criminoso do local por Lalo em um arroubo de raiva incontida. Toda a forma lenta e enviesada que as maquinações de Mike vão tomando forma é um deleite, com o personagem assumindo sua usual identidade de Dave Clark e usando de muita cara-de-pau e poder de persuasão para levar Lalo à cadeia, retirando-o do jogo das drogas da região. Resta saber se ele agora é mesmo carta fora do baralho e o que isso significa para Nacho, em tese o herdeiro natural das operações dos Salamancas.

Wexler v. Goodman pode ser um episódio de virada na série, mas é muito difícil apostar em alguma coisa quando temos Vince Gilligan e Peter Gould como os marionetistas de uma série. Se Kim não pode nem de longe confiar em Jimmy, nós certamente podemos confiar de olhos fechados na capacidade de contar histórias desses espetaculares showrunners.

Better Call Saul – 5X06: Wexler v. Goodman (EUA, 23 de março de 2020)
Criação: Vince Gilligan, Peter Gould
Showrunner: Vince Gilligan, Peter Gould
Direção: Michael Morris
Roteiro: Thomas Schnauz
Elenco: Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando, Tony Dalton, Giancarlo Esposito, Lavell Crawford, Max Arciniega, Javier Grajeda, Josh Fadem, Hayley Holmes, Peter Diseth, Don Harvey
Duração: 51 min.

Crítica | Better Call Saul – 5X03: The Guy for This

  • Há spoilers da série. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Sei muito bem que esse foi o tão aguardado episódio de Better Call Saul em que mais dois queridos personagens de Breaking Bad foram reintroduzidos, mas a grande verdade é que a volta de Hank Schrader (Dean Norris) e Steven Gomez (Steven Michael Quezada), por mais divertida e nostálgica que possa ter sido, foi apenas os confeitos em cima de um bolo já muito saboroso. Em outras palavras, é legal e tal ter os dois ampliando a conexão com a série original, mas eles são apenas detalhes em The Guy for This.

Não me levem a mal: são detalhes bem inseridos, que não parecem forçados dentro da estrutura do prelúdio e que ganham tempo de tela justo, que não detrai do que realmente importa, mas, mesmo assim, são detalhes. Afinal, mesmo que a conversão de Krazy-8 em informante do DEA – explicando algo revelado por Hank a Walter White depois do fim do traficante em Breaking Bad – seja bem engendrada, com uma justificativa inteligente que transforma o personagem em um peão de Lalo em seu plano para derrubar Gus Fring, o foco do episódio fica mesmo em Jimmy e especialmente em Kim, cada um deles “o cara certo” do título em sua luta contra o determinismo.

Para começar, notem o medo de Jimmy ao ser levado por Nacho para um encontro com Lalo. Aquele ali é Jimmy ainda (a magnificamente bem filmada metáfora das formigas e do sorvete deixa isso evidente), alguém que escolheu ser Saul para desbravar um nicho de advocacia em que ele poderia ser bem-sucedido, mas que está prestes a ser devorado pela voracidade de traficantes pesados, muito diferente dos pequenos marginais responsáveis por crimes, digamos, menores, que são seus alvos efetivos. Seu suor, sua hesitação, sua forma atabalhoada de lidar com a situação na garagem para onde é levado mostra, como mencionei em minha crítica anterior, que Saul é mesmo apenas uma identidade assumida, mas que ainda não tomou conta da de Jimmy, mesmo que, novamente me socorrendo das formigas, esteja prestes a ser dominante. Ele luta contra aquilo, mas sabe que não pode evitar o destino e é obrigado a dobrar-se e fazer o que lhe é comandado.

Kim, por seu turno, está feliz por ter um dia inteiro só de casos pro bono que é o que ela realmente ama fazer. Mas seu grande cliente pagante, Mesa Verde, exige sua presença imediata e ela também não tem como fugir daquilo. A conexão com o drama de Jimmy é evidente, mas a diferença é que Kim não tem duas personalidades, mesmo considerando que, por vezes, ela sinta prazer em dar pequenos golpes aqui e ali. Portanto, o drama, para ela, é mais dilacerante e inconciliável, sem que ela enxergue uma válvula de escape que não seja, por enquanto, arremessar garrafas de cerveja pela varanda de seu apartamento.

Rhea Seehorn há tempos vinha demonstrando sua profundidade dramática que ainda, criminosamente, não foi reconhecida nas grande premiações e, aqui, ela tem vários de seus melhores momentos. Seja no tribunal defendendo não exatamente seus clientes, mas sim sua vontade inamovível de permanecer ali, descartando Mesa Verdade, seja na expulsão de um senhor de sua propriedade para a construção de um call center (Up – Altas Aventuras feelings!), a atriz demonstra não dever absolutamente nada a mais ninguém do elenco, batendo de frente muito facilmente com o alarido colorido de Bob Odenkirk. Sua capacidade de fazer uma Kim sempre impecável, sisuda mesmo, mas que demonstra por todos os poros sua vontade de fazer o que considera nobre, dá gosto de ver, além de deixar o coração quebrado quando tudo conspira para ela não alcançar seus objetivos.

Esse conflito entre livre arbítrio e determinismo ganha cores e contexto também com o drama familiar de Nacho, aqui ilustrado por seu desejo de salvar seu pai dessa vida que ele também foi forçado a mergulhar de cabeça. A ironia é que ele quer tirar o pai dali a força, usando de subterfúgios para comprar o negócio da família por intermédio de um laranja. Michael Mando é outro que merece ser reconhecido pela forma como consegue desenvolver seu personagem de um simples bandidinho a um homem conflitado, repleto de dilemas insolúveis. Apenas as sequências com Mike é que realmente pareceram deslocadas no episódio não só por não rimar completamente com o restante da narrativa (ok, há um certo determinismo no caso dele também, mas existe uma distância maior), como também por não acrescentar nada que os eventos em 50% Off não tivessem já deixado sobejamente claros.

The Guy for This começa com um fan service divertido e bem colocado, mas ele – ainda bem! – logo abre espaço para uma discussão muito mais profunda e de viés sombrio. Parece que não há mesmo mais saída para Jimmy e para Kim. O futuro (aquele lá do Cinnabon) está posto. O único detalhe é que Vince Gilligan e Peter Gould já demonstraram que não ligam muito para isso não… e ainda bem!

Better Call Saul – 5X03: The Guy for This (EUA, 02 de março de 2020)
Criação: Vince Gilligan, Peter Gould
Showrunner: Vince Gilligan, Peter Gould
Direção: Michael Morris
Roteiro: Ann Cherkis
Elenco: Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando, Tony Dalton, Giancarlo Esposito, Lavell Crawford, Max Arciniega, Javier Grajeda, Josh Fadem, Hayley Holmes, Peter Diseth, Don Harvey, Dean Norris, Steven Michael Quezada
Produtoras: High Bridge Productions, Crystal Diner Productions, Gran Via Productions, Sony Pictures Television
Canal original: AMC
Distribuição no Brasil: Netflix
Duração: 54 min.

Crítica | Locke & Key – 1ª Temporada

Baseada em excelente HQ homônima criada por Joe Hill e Gabriel Rodriguez (que, aliás, fazem brevíssimas pontas como paramédicos no último episódio), Locke & Key, desenvolvida por Carlton Cuse, Meredith Averill e Aron Eli Coleite para o Netflix, parte de uma ideia fascinante sobre chaves mágicas espalhadas em uma antiga mansão que são descobertas por três irmãos para desenvolver uma mitologia interessante em uma temporada que, porém, nem sempre acerta no alvo. Mesmo assim, considerando a estrutura de apenas 10 episódios com tamanho padrão e os ótimos efeitos especiais, a série consegue manter-se ágil por praticamente toda sua duração, com a introdução de mistérios de toda a ordem que, por incrível que pareça, são quase todos eles resolvidos ao longo da narrativa, por muito pouco não tornando a história totalmente auto-contida.

Essa qualidade – solucionar problemas que introduz – é sem dúvida um dos trunfos da temporada. Mesmo iniciando a narrativa com uma história “já começada” sobre uma família que se muda para a cidade de Matheson (Lovecraft nos quadrinhos) depois que o patriarca é assassinado por um jovem perturbado, a estrutura não rígida de flashbacks dá conta do recado ao costurar passado e presente primeiro a conta-gotas e, depois, de maneira mais ampla, inclusive com voltas breves no tempo para explicar situações estranhas. Há também um cuidado dos roteiros em manter o foco nos três irmãos da família Locke – Tyler (Connor Jessup), o mais velho; Kinsey (Emilia Jones), a do meio; e Bode (Jackson Robert Scott), o mais novo -, mas sem transformá-los nos únicos personagens da história, o que permite a abertura da narrativa para coadjuvantes como Joe Ridgeway (o veterano Steven Williams), o diretor da 11ª série da escola dos jovens, Ellie (Sherri Shaum) e Rufus Whedon (Coby Bird), respectivamente mãe e professora de educação física e seu filho autista que é o faz-tudo da mansão dos Lockes, a Keyhouse, o Esquadrão Savini, nerds viciados em filmes de horror que fazem amizade com Kinsey e assim por diante.

Por outro lado, alguns personagens em tese importantes só aparecem quando conveniente. Duncan Locke (Aaron Ashmore), tio dos adolescentes e guardião da mansão, é um desperdício de tempo de tela. Apesar de gostar de Ashmore, seu papel não tem muita razão de ser depois que ele apresenta a casa para sua cunhada e sobrinhos, já que ele fica mais tempo em Boston, completamente offscreen e, quando aparece em Matheson, fica restrito a um ou duas linhas de diálogo com apenas uma honrosa exceção mais para a frente. No entanto, o crime maior fica mesmo com Nina Locke (Darby Stanchfield), a matriarca. Ela é como um papel de parede bonito: dá vida ao ambiente, mas não tem qualquer outro objetivo do que ser apenas isso. Até mesmo quando seu vício é abordado, os roteiros tratam como “problema da semana”, ou seja, torna-se o tema de um episódio que, já no seguinte – puft! – desapareceu, o que é até um desserviço à doença em si, passando uma mensagem no mínimo equivocada, para não dizer completamente errada.

Pelo menos os irmãos Locke funcionam bem dentro do que se espera de uma série adolescente. Não há aquele tipo de conexão imediata que os garotos de Stranger Things evoca no público, mas a trinca de atores é suficientemente eficiente para trabalhar bem os papeis basicamente clichê que lhes foram entregues: o quase adulto perdido entre o que fazer da vida e a responsabilidade que precisa carregar, a bela adolescente rebelde e o inteligentíssimo garoto que, aliás, é o primeiro a encontrar as chaves. Considerando as limitações impostas, dentre elas uma espécie de simplificação do trauma sofrido com a morte de Rendell Locke (Bill Heck), provavelmente para tornar a série mais leve e palatável para um público maior (algo que a HQ simplesmente não é, ainda bem)

Mas o verdadeiro atrativo é mesmo a premissa fascinante da criação de Hill e Gonzalez. A existência de chaves misteriosas, cada uma capaz de algo incrível, desde abrir a cabeça das pessoas, passando por reconstrução de objetos, manipulação de sombras até alterações corporais, abre um leque grande de possibilidades que, fico feliz em atestar, o CGI maneja muito bem, diria até acima da média de séries semelhantes e sem aquele tipo de economia que o espectador percebe facilmente. Toda a mitologia por trás das chaves, das portas, da vilã Dodge (Laysla De Oliveira) e da Key House como um todo é abordada com cenários variados que mostram muito carinho pelo material fonte (a casa é magnífica por dentro e por fora) e com um encadeamento de eventos que mantém a lógica interna intacta.

Não gostei muito, no entanto, da simplicidade do clímax, pois ele subestima a inteligência dos Lockes e, por tabela do espectador. E gostei muito menos do gigantesco epílogo de mais de 20 minutos que só existe para armar uma segunda temporada, ainda que conte com reviravoltas bacanas, mesmo que previsíveis, pois ele quebra a cadência narrativa completamente e poderia ter sido encaixado de maneira mais orgânica nos últimos dois episódios, pelo que espero que essa escolha equivocada gere dividendos extras em possível futura temporada.

Quem não gosta de “séries de adolescente”, algo que o canal de streaming tem em profusão, pode até virar o nariz para Locke & Key, mas isso seria um erro. Não é ainda uma obra desafiadora como Dark (e provavelmente nunca será) e pode não ter a magia nostálgica de Stranger Things (ainda que com a mesma qualidade narrativa), mas a adaptação da HQ de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, mesmo com suas concessões para domá-la e torná-la mais universal, oferece diversão inteligente em um mundo mágico realmente fascinante.

Locke & Key – 1ª Temporada (EUA – 07 de fevereiro de 2020)
Desenvolvimento: Carlton Cuse, Meredith Averill, Aron Eli Coleite (baseado em HQ de Joe Hill e Gabriel Rodriguez)
Direção: Michael Morris, Tim Southam, Mark Tonderai-Hodges, Dawn Wilkinson, Vincenzo Natali
Roteiro: Joe Hill, Aron Eli Coleite, Liz Phang, Meredith Averill, Mackenzie Dohr, Andres Fischer-Centeno, Brett Treacy, Dan Woodward, Michael D. Fuller, Vanessa Rojas
Elenco: Darby Stanchfield, Connor Jessup, Emilia Jones, Jackson Robert Scott, Petrice Jones, Laysla De Oliveira, Griffin Gluck, Bill Heck, Aaron Ashmore, Sherri Saum, Thomas Mitchell Barnet, Kevin Alves, Genevieve Kang, Hallea Jones, Kolton Stewart, Asha Bromfield, Jesse Camacho, Eric Graise, Felix Mallard, Steven Williams, Coby Bird
Duração: