Matt Ryan

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X04: A Head of Her Time

plano crítico Legends of Tomorrow – 5X04 A Head of Her Time

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

O que não faz um pequeno festival de cabeças decepadas para animar uma série, não é mesmo? Depois de temer um pouco pelo que poderia aparecer em Legends of Tomorrow, eu me deparo feliz com A Head of Her Time, um capítulo que estabelece muitíssimo bem todos os personagens e sofre apenas de desajeitada sequência no núcleo de Constantine (e que tem a ver com a montagem e o conteúdo dramático de parte delas, não com os personagens em si).

Não sei se estão ensaiando a saída da Sara Lance, mas foi realmente interessante ver Ava no comando, passando pelos conhecidos testes de autoridade que normalmente novos capitães passam. A abordagem para isso, no roteiro de Morgan Faust, tem uma excelente ramificação, sendo uma das melhores coisas do episódio porque faz com que todos pareçam naturais em seus diálogos e núcleos, principal três personagens que vinham pastando em roteiros anteriores e que me espantaram o quanto foram bem inseridos na história aqui: Gary, Zari e Charlie.

Vocês já sabem o quanto eu sempre falei bem dos figurinos dessa série, mesmo quando era um lixo, lá em 2016. O que eu mais gosto nesse caso não é apenas a boa representação histórica do guarda roupa das Ledas (e cada semana temos um período ou situação diferente, fazendo do show um dos mais criativos e intensos em termos de renovação de figurinos), mas como a equipe tem a sensibilidade de dar peças de época que fazem sentido para cada personagem ou para o tipo de entrelinha que o roteiro está tentando sugerir (veja como o figurino de Ava aqui é representativo de sua visão deslocada — e vista por ela mesma como inferior — frente à equipe: ela, o posto mais alto na hierarquia da nave, é a que está vestida como camponesa, a mais humilde dentre os que visitam Versalhes).

O bloco inteiro da França foi diversão do começo ao fim. Há algumas referências visuais emprestadas de Maria Antonieta que funcionaram perfeitamente bem aqui e, melhor ainda, mais uma alma fora do Inferno que teve uma caçada e um fim diferente, me fazendo mais uma vez pagar a língua diante da criatividade dos roteiristas em reavivar um tema já batido na série, mas de modo inovador. Isso é que é reciclar com classe!

No outro ponto do episódio temos o drama de Constantine, que agora ganhou fôlego de verdade e parece seguir uma linha independente da trama principal. Isso, via de regra, é um convite a complicações de roteiro (já tivemos isso com Vixen no passado, lembram-se?) mas se os episódios futuros seguirem a boa qualidade que essa camada foi tratada aqui, não temos nada a temer. Tanto as cenas no Inferno quanto a jornada para John falar a verdade foram bem moduladas no desenvolvimento e no final, tropeçando um pouco apenas no início. A temporada continua divertida e em constante melhora. Tudo o que eu mais queria!

Legends of Tomorrow – 5X04: A Head of Her Time (EUA, 18 de fevereiro de 2020)
Direção: Avi Youabian
Roteiro: Morgan Faust
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Maisie Richardson-Sellers, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Alice Hunter, Sarah Strange, Thea Highwarden, Kasimir Leskard, Ryan Bell, Knox Hamilton, Bombyx Du Murier, Shayn Walker, Ali Seifi, Johnny Wu
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X03: Slay Anything

Crítica _ Legends of Tomorrow – 5X03_ Slay Anything plano crítico

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Rolou uma certa invejinha de AHS: 1984, não rolou? Rolou sim, Dona Legends of Tomorrow! Mas aquela inveja verde, boa, que nos trouxe mais um episódio divertido, interessante e que não apenas trabalhou com (muitas!) referências para o gênero, mas soube aplicá-las em favor do enredo. Porque hoje chegamos a um ponto em que roteiristas estão enfiando referências e easter eggs de tudo quanto é proveniência nos episódios e nos filmes, mas… sem quê nem porquê. Aí ficamos com aquela obra que pisca para um monte de coisa consagrada, mas deixa de lado a qualidade da própria história que deveria dar suporte a essas piscadelas. Para nossa sorte, isso não acontece em Slay Anything.

O episódio é uma continuação direta de Miss Me, Kiss Me, Love Me e nos mostra como a equipe lidou com Zari após a sua hilária chegada no fim do capítulo anterior. Diferente daquela ocasião, onde tudo em relação à personagem pareceu orgânico, tivemos alguns momentos meio fora de tom aqui, especialmente quando a vimos sozinha no “quarto-prisão” da Waverider. Essa percepção, porém, desaparece quando a personagem está acompanhada, o que traz um certo receio para o que teremos nos episódios seguintes envolvendo Zari. Espero fortemente que ele não se torne uma Charlie da vida.

O foco central do episódio, porém, foi um bom mergulho no slasher, referenciando obras como Halloween: A Noite do Terror (1978), Sexta-Feira 13 (1980), A Hora do Pesadelo (1984) e claro, fazendo a recriação da famosa cena de Carrie, a Estranha (1976), referência que já se tornou tão clássica quanto o próprio filme. Todo o elemento de terror aqui funciona muitíssimo bem e constitui a melhor coisa do episódio. O drama materno (um tanto edípico) alcança um nível curioso de “revisão” do gênero, mas dentro de uma perspectiva coerente para com o show, mesclando o sci-fi, a viagem no tempo e esse tipo de assassinato em série com a presença e missão das Lendas + todo o plot da temporada, que é a vinda das almas do inferno novamente para a Terra. E aqui isso aparece do modo menos óbvio possível, o que me fez gostar ainda mais dessa parte do enredo.

Meu problema está no bloco de Charlie, que acaba arrastando Constantine também. Ele está bem em cena, porque começa na Waverider e tem um caminho lógico para seguir; já a fujona simplesmente acontece de estar na casa do mago, como quem não quer nada. O show está bem divertido, mas eu não consigo segurar o medo que assoma no horizonte toda vez que penso em Zari influenciadora digital, em Charlie e em Gary, que definitivamente perdeu a graça. É aquele ponto de uma série que tem tudo para dar certo na temporada corrente, mas também traz as sementes do que pode dar errado. Tomara que consigam segurar bem as pontas aqui. Não podemos perder a nossa dose de humor super-heroico da semana!

Legends of Tomorrow – 5X03: Slay Anything (EUA, 20 de maio de 2019)
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Matthew Maala, Tyron B. Carter
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Maisie Richardson-Sellers, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Beth Riesgraf, Seth Meriwether, Lisa Marie DiGiacinto, Pascal Lamothe-Kipnes, Garrett Quirk, Veronika London, Jasmine Vega, Samuel Braun
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X02: Miss Me, Kiss Me, Love Me

plano crítico legends of tomorrow Miss Me, Kiss Me, Love Me (2020)

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Dando um bom pulo de qualidade e diversão de Meet the Legends para cá, LoT parece ter encontrado um bom caminho na perigosa premissa de reaproveitar a dinâmica de “caça aos vilões” que marcou a 4ª Temporada. Miss Me, Kiss Me, Love Me (título que brinca com a famosa canção Poison, do Bell Biv DeVoe) é um indicativo verdadeiro de que essa temática pode funcionar, agora que trabalha com uma alma condenada numa atmosfera bem diferente daquela em que apareceu Raputin e, ainda assim, logrou um baita resultado final.

Existem referências nos diálogos a Chinatown (1974), Tubarão (1975) e Os Simpsons, enquanto a trama se passa em Los Angeles, no ano de 1947, e no futuro. O clima de máfia em cores flerta com o noir, mas segue a escola cômica (no texto e na fotografia) de O Escorpião de Jade, o que me deixou preocupado no início, porque a quebra dramática no começo do episódio não flui bem, o que poderia colocar tudo a perder, já que a maior parte do tempo seria nesse cenário da “Era de Ouro”. É então que o texto de Ray Utarnachitt revela a sua verdadeira intenção e abraça a comédia sem abandonar o perigo da vez ou ignorar os esforços das Lendas para dar cabo de mais um infame liberado por Astra.

A estratégia utilizada pelo autor é perfeita: a parte cômica serve como costura do enredo, assim, vemos uma boa dose de cenas hilárias dentro e fora da nave, com destaque para Ava achando que cantava maravilhosamente bem e para o aniversário do pai de Behrad (o meu bloco favorito do capítulo). É através dessas pequenas distrações que a grande problemática do episódio se passa. Depois de estabelecida a proposta, todo o capítulo flui deliciosamente bem, de modo que é até possível perdoar a má desenvolvida colocação de Ray na Polícia, linha que só funciona no final, mas que mesmo assim não é algo assustadoramente ruim, apenas mal introduzido.

Nós já tivemos situações familiares cômicas e complexas quando visitamos a família de Nate algumas vezes na Temporada passada, então esse tipo de trabalho na série já é conhecido, e a melhor coisa em relação a ele é que funciona bem: os visitantes têm algo a esconder e a família, sem saber, coloca-os em situações delicadas (e por isso, cômicas), exatamente o que temos em toda a sequência com Nate e B tentando esconder quem de fato são… e o que fazem.

Eu achei que iria odiar a volta de Zari (novamente reciclagem de outro elemento da série, feito antes com Charlie), mas eu curti muito esse retorno dela. A personagem agora é um influenciadora digital daquelas bem patéticas, e que desconfia do trabalho do irmão e do estranho “professor” que ele levou para casa. Era já o tempo de algo dar errado, como de fato deu. Mas deu errado para melhor, claro. Nessa linha, só temos boas coisas para esperar dessa temporada. Louvado Seja!

Legends of Tomorrow – 5X02: Miss Me, Kiss Me, Love Me (EUA, 20 de maio de 2019)
Direção: David Geddes
Roteiro: Ray Utarnachitt
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Haley Strode, Jonathan Sadowski, David Diaan
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X01: Meet the Legends

legends-of tomorrow Meet the Legends 5x01-1

Depois do episódio Especial “00” de Legends of TomorrowCrisis on Infinite Earths – Parte Cinco, a série retorna à sua programação normal com Meet the Legends, o início oficial (e perigoso) da 5ª Temporada do show. E eu disse “perigoso” porque o roteiro desse episódio tinha que trabalhar em duas vertentes: a primeira, lidando com o retorno de Sara e Ray e Mick do crossover e a segunda, lidando com algo ainda mais complicado e ingrato, que é a introdução já avançada do simpaticíssimo Behrad Tomaz (Shayan Sobhian) na equipe.

A estrutura utilizada pelos roteiristas Grainne Godfree e James Eagan foi, em uma só palavra, matadora. Depois do decepcionante Hey, World!, eu confesso que estava com medo, algo que há muito eu não tinha em relação à série. Mas a reentrada do show no ar veio de maneira direta, brincando com a exposição de maneira inteligente, engraçada e com uma boa dose de loucura, aquilo que a gente realmente esperaria de LoT. Como muita coisa mudou ou se colocou no meio da linha do tempo dos personagens nos últimos tempos, a volta do programa tinha por obrigação tratar desses assuntos em tela, e seria um porre ver 40 minutos de exposição engraçadinha a respeito da Crise, de Oliver ou mesmo de B., que enquanto não tem um crush na série, posso disponibilizar um espaço para ele aqui no meu coração, ao lado do furacão Avalance.

Como o uso da metalinguagem não é algo novo na série, coube ao diretor Kevin Mock colocar na tela de maneira criativa o status atual do show, fazendo-o de forma bem rápida e não-contínua com os traumas de Sara e de modo muito competente com Behrad. Minha antipatia para com o personagem no Finale da 4ª Temporada deu um enorme giro de recepção, fazendo com que eu visse com bons olhos tudo relacionado ao personagem aqui, algo que não posso dizer de Mona, Gary e da sumida incoerente de Charlie, por exemplo. Se tivesse que escolher, claro que eu prefiro essa sumida do que ver a personagem jogada sem fazer nada ou apenas povoando as cenas, mas convenhamos: nem tanto ao Céu, nem tanto à Terra, não é mesmo?

Voltando a Behrad, o texto conseguiu incluir o personagem de forma objetiva, orgânica e sem abusar de elementos expositivos: a metalinguagem bastou para recolocar todo mundo num mesmo espaço, afastar Constantine temporariamente e introduzir a temática da temporada, já aludida no ano anterior — uma nova caçada a vilões, dessa vez, a corpos reencarnados cujas almas estavam no inferno. Vocês que acompanham minhas críticas há tempos sabem que eu desgosto imensamente dessa reciclagem de tema, mas estou pronto para pagar a língua. Se usarem-no bem, então que seja este e vamos que vamos!

O legal da dinâmica metalinguística é que a entrada de Rasputin como a primeira alma reencarnada do Inferno caiu como uma luva, sendo o objeto de filmagem de uma equipe de documentaristas. O princípio para a ação dessa equipe é válido, mas bem fraco e claramente os showrunners não deixam a série orbitar outros problemas, jogando com as mesmas coisas para tentar mudar elementos apenas na superestrutura, o que é uma constante nas séries de heróis da CW, então a gente já sabe… De qualquer forma, o recurso é bem utilizado e Kevin Mock não perde a oportunidade de nos colocar também a perspectiva e não apenas a ideia de um doc sobre as Lendas, um bom toque estético que cimenta o gênero abordado.

Pelo visto Mona realmente vai sair da equipe, certo? Se for e voltar apenas como Rebecca Silver, eu acho isso excelente. Já em relação Gary, rogo que os showrunners tenham orientado os roteiristas dessa temporada a darem ao personagem o brilho que ele tinha no começo, sendo engraçado e entrando e saindo de cena nas horas certas. Cortar as bobagens e os exageros dele é vital para não torná-lo odioso. E em relação a Zari… ela vai voltar mesmo? Assim fica complicado, bem complicado. Mas vamos ver que caminho de fato vão tomar daqui para frente. E lá vamos nós de novo. Preparados?

Legends of Tomorrow – 5X01: Meet the Legends (EUA, 21 de janeiro de 2020)
Direção: Kevin Mock
Roteiro: Grainne Godfree, James Eagan
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Ramona Young, Adam Tsekhman, Sisa Grey, Shayan Sobhian, Michael Eklund, Adam Beauchesne, Callum Seagram Airlie, Paul Batten, Ryan Elm, Luisa Jojic, Clare Filipow, Gregory Tunner
Duração: 42 min.