Mark Paniccia

Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi (Marvel Comics)

Espaço: D’Qar (base da Resistência), D’Qar (órbita), Ahch-to, Cantonica (Canto Bight), Crait, Frota Imperial, Frota da Resistência
Tempo: 34 d.B.Y.

Todos os longas-metragens da franquia Star Wars já ganharam adaptações em quadrinhos. Isso é tradição desde 1977, quando a Marvel Comics inaugurou a extremamente bem sucedida publicação mensal com uma bela versão em quadrinhos de Uma Nova Esperança em seis edições que foi seguida de dezenas de outros números que oficialmente começaram o tão querido Universo Estendido. No entanto, com o tempo e com o sucesso da Trilogia Original, essas adaptações tornaram-se cada vez mais escravas de suas respectivas versões cinematográficas, sem espaço para que os autores inserissem seu toques pessoais.

Com isso, as transposições dos filmes para os quadrinhos perderam muito de sua força original durante a Era Dark Horse Comics, com o mesmo valendo para a volta da franquia para a Marvel. Mesmo assim, em linhas gerais, os trabalhos de adaptação nessa galáxia muito, muito distante são acima da média, demonstrando um cuidado bem maior do que outras adaptações modernas de obras cinematográficas. O Despertar da Força ganhou uma minissérie correta por Chuck Wendig e Rogue One uma adaptação bem acima da média por Jody Houser. Depois do lançamento do polêmico e divisivo Os Últimos Jedi, foi a vez de Gary Whitta, que já roteirizara alguns episódios de Star Wars Rebels, tentar sua versão.

O resultado é mais um trabalho que não arrisca desvios do material fonte, permanecendo substancialmente confinado ao que é possível verificarmos no filme, sem tentar ir além ou aproveitar a oportunidade para mergulhar com mais profundidade na mente dos personagens que aborda. Claro que isso não é culpa de Whitta, já que tenho certeza que todo adaptador dos filmes segue um manual ditado pela produção do filme, sem poder desviar-se sem autorização prévia. Mas isso nem de longe é mortal para a narrativa, mas ela, claro, passa a depender mais fortemente da qualidade da obra original em si. Como sou um dos que fortemente defende Os Últimos Jedi, mesmo reconhecendo a existência de alguns problemas de ordem técnica (fiz comentários em forma de crônica, aqui), tenho para mim que a transposição para os quadrinhos funcionou bem, ficando, em termos qualitativos, entre as HQs O Despertar da Força e Rogue One só para fins de comparação.

A narrativa é fluida e Whitta consegue resumir bem os diálogos e eventos do roteiro de Rian Johnson nas seis edições que compõem a minissérie, consistentemente mantendo a voz dos personagens conforme o diretor e roteirista imaginou. Há alguns poucos diálogos e frases que vão além do filme, mas que nada realmente acrescentam à narrativa. Além disso, um dos problemas de Os Últimos Jedi – a montagem falha que torna a temporalidade dos eventos em Ach-to e na órbita de Crait, com a aventura em Canto Bight no meio – é suavizado na minissérie, permitindo transições menos bruscas e menos solavancos nas ações paralelas.

O que desaponta um pouco é a arte de Michael Walsh (Josh Hixson apenas trabalhou com Walsh na última edição) já que seu estilo normalmente mais “rabiscado” e que funciona bem em outras HQs que li, aqui parece corrido, quase um rascunho que foi aproveitado como obra final por falta de tempo para caprichar mais aqui e ali. As feições são muito duras, pouco emotivos e ele perde oportunidade para trabalhar imagens maiores e mais detalhadas de alguns dos momentos mais épicos. Nas sequências de pura ação, por outro lado, ele consegue manejar bem a movimentação dos personagens, algo que pode ser visto especialmente na luta de Rey e Kylo contra a guarda de Snoke depois que o Supremo Líder é morto. As cores de Mike Spicer, por sua vez, são bem escolhidas e aplicadas, mantendo a exata paleta do filme, mas emprestando um toque mais pessoal do artista.

A minissérie Os Últimos Jedi consegue cumprir bem sua função de colocar em quadrinhos todos os eventos do longa-metragem mesmo que Gary Whitta tenha que ter ficado preso ao que vimos nas telonas. Não é uma adaptação que maravilhará o leitor, mas é eficiente o suficiente para justificar sua leitura por aqueles que apreciam HQs baseadas em filmes.

Star Wars: O Despertar da Força (EUA, 2018)
Contendo:
 Star Wars: The Last Jedi #1 a #6
Roteiro: Gary Whitta (com base em roteiro de Rian Johnson)
Arte: Michael Walsh, Josh Hixson (#6)
Cores: Mike Spicer
Letras: Travis Lanham
Editoria: Heather Antos, Tom Groneman, Emily Newcomen, Jordan D. White, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio a setembro de 2018
Páginas: 148

Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars (Marvel Comics)

Espaço: Corellia, Frota Imperial (espaço profundo), Mimban, Vandor, Kessel, órbita e espaço ao redor de Kessel, Savareen, Numidian Prime
Tempo: 13-10 a.B.Y.

No processo de leitura das adaptações literária e em quadrinhos de Han Solo: Uma História Star Wars, vi-me apreciando mais a história de origem do personagem que, originalmente, com o anúncio do filme, tive pouco interesse em conhecer, o que pode ter influenciado minha apreciação da obra dirigida por Ron Howard. Não é o que o longa tenha magicamente se transformado em algo excelente, mas consegui gostar mais da aventura descompromissada que ele definitivamente é.

A adaptação em quadrinhos, que, no Universo Star Wars, sempre ganhou tratamento vip pela Marvel Comics (que deveria estender esse tapete vermelho para suas tenebrosas adaptações/prelúdios em quadrinhos do Universo Cinematográfico Marvel), recebeu uma abordagem ainda mais especial, com uma minissérie não das tradicionais seis edições, mas sim sete e todas elas com capas alternativas. Considerando que o filme desapontou nas bilheterias, foi uma surpresa o investimento aqui e um investimento que, devo dizer logo de início, gera dividendos na história.

Para começar, há bem mais espaço para que todas as situações do filme sejam trabalhadas com vagar e com acréscimos de outras sequências que não estão no longa ou que aparecem por lá de maneira diferente. Robbie Thompson não chega sequer a usar o material extra da adaptação literária, mas, mesmo assim, entrega uma minissérie que não só respeita o material fonte, como acrescenta a ele e, melhor ainda, consegue viver independente dele, como uma aventura espacial protagonizada por um personagem particularmente muito convencido e cheio de si aprendendo todas as lições possíveis ao longo dos três anos em que a história se passa, considerando a elipse existente entre sua fuga de Corellia e seu encontro com Beckett e sua gangue em Mimban (curiosamente, esse é o primeiro planeta do universo literário expandido de Star Wars, tendo aparecido no clássico Splinter of the Mind’s Eye, de 1978).

Cada personagem de apoio também ganha um bom espaço relativo para conectar-se com a história macro, incluindo Val e Rio Durant, com os destaques, claro, ficando com Tobias Beckett – o modelo que inspira o futuro Han Solo -, Chewbacca e Qi’ra. Até mesmo os vilões Enfys Nest e Dryden Vos, de seus respectivos jeitos próprios, claro, ganham uma abordagem que vão além de seus respectivos arquétipos. O roteirista esforça-se de maneira bem sucedida para circundar o fato de Chewie falar em grunhidos – ou, tecnicamente, Shyriiwook – algo que Gerry Duggan também conseguira fazer na minissérie solo do personagem. Sem basear-se na bengala da tradução de Han Solo por todo o tempo ou pela tradução automática entre colchetes, Thompson consegue passar a necessária mensagem só com as inflexões possíveis das onomatopeias ilegíveis que ele utiliza, algo que o trabalho de letreiramento de Joe Caramagna captura e amplifica à perfeição.

A arte de Will Sliney é outra demonstração de um capricho fora do comum até mesmo para as adaptações de longas de Star Wars da Marvel, já que o trabalho do artista é lindíssimo, com enorme cuidado nos detalhes de cada personagem e de cada equipamento utilizado na minissérie. Seus traços “pintados” embelezam os movimentos e as expressões dos personagens, funcionando inclusive para Chewie e para os terríveis seres que comandam Han e Chewie em Corellia. Além disso, seu comando da progressão de quadros é muito boa, mesmo que, por vezes, ele acabe estabelecendo elipses que podem confundir quem não estiver prestando atenção. E, apesar de ele não usar com constância, suas páginas duplas – como a da imagem da Millenium Falcon que usei para ilustrar esse artigo – cumprem maravilhosamente bem a função dupla de contar a história e de deslumbrar o leitor.

Mesmo sendo um filme que muita gente desgosta, sua adaptação em quadrinhos é uma das melhores já feitas (e olha que há diversas adaptações por aí – confiram todas elas aqui) e merece ser conferida. Quem sabe o efeito de tornar o longa mais interessante que eu senti não se repete?

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story, EUA – 2017)
Contendo: Solo: A Star Wars Story #1 a 7
Roteiro: Robbie Thompson
Arte: Will Sliney
Cores: Federico Blee (#1, 2, 3, 5 e 7), Andres Mossa (#3, 4 e 6), Stefani Rennee (#3 e 6)
Letras: Joe Caramagna
Capas: Phil Noto
Editoria: Tom Groneman, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: outubro de 2018 a abril de 2019
Páginas: 162

Crítica | Star Wars: Alvo Vader

Espaço: Ficari, Coruscant, Yuw, cinturão de asteroides Fellio, Arvina, Heva, Frota Imperial, Lowik (base rebelde secreta), Ryarten (flashback), Fuacha (flashback), Mytar (flasback), Chorin (flashback), Academia Carida (flashback), Qhulosk (flashback), Mimban (flashback)
Tempo: A Rebelião – entre os eventos de Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca

Valance, o caçador de recompensa ciborgue, apareceu pela primeira bem cedo no Universo Expandido de Star Wars, mais precisamente na edição #16 da primeira HQ mensal da franquia, em meados de 1978, repetindo suas aparições outras diversas vezes. O personagem, ex-Stormtrooper que teve seu corpo destroçado em combate e, depois, reconstruído muita na linha do que aconteceu com Darth Vader, sempre odiou não só o Lorde Sith como também todo e qualquer androide ou robô, fazendo questão de destruí-los sempre que tem oportunidade.

Somente muitos anos depois é que o personagem ganhou seu primeiro nome – Beilert – graças à expansão The Hunt Within: Valance’s Tale, do jogo Star Wars Miniatures, fabricado pela Wizards of the Coast e escrito por Jason Fry. E, como todo bom personagem, ele foi “ressuscitado” no novo cânone de Star Wars pela Marvel Comics, aparecendo como cadete imperial amigo de Han Solo na minissérie Han Solo: Cadete Imperial, escrito por Robbie Thompson como uma espécie de mini-expansão de sua própria adaptação em quadrinhos de Han Solo: Uma História Star Wars. E é o mesmo Thompson que coloca Beilert Valance em destaque na minissérie em seis edições Alvo Vader, em que ele e um grupo de caçadores de recompensa são contratados pela organização criminosa A Mão Escondida para assassinar Darth Vader.

É sempre complicado contar uma história cujo final conhecemos. Afinal, considerando que a aventura se passa antes dos eventos de O Império Contra-Ataca, não há nenhuma chance de Valance e companhia conseguirem matar o Lorde Sith. O que resta, portanto, é a forma como a história é contada, com Thompson aproveitando para dar mais estofo a Valance e também a cada um de seus companheiros: Honnah, uma rastreadora gamorreana, Urrr’k, uma sniper tusken, Chio Fain, um hacker ardenniano e R9-19, um androide que não demora cinco segundos e é eliminado pelo ciborgue. Além disso, o próprio Vader caça A Mão Escondida em razão da relação da organização com a Aliança Rebelde, algo que também é costurado na narrativa e que nos permite ver um lado mais sombrio, por assim dizer, daqueles que conhecemos com sendo do lado do bem.

Mas o grande objetivo do roteirista é mesmo destacar Valance como o grande estrategista invencível e durão que não economiza na loucura de seus planos para se aproximar de Vader e eliminá-lo. É, portanto, diversão descompromissada de alta octanagem para reposicionar o caçador de recompensas como mais um importante personagem do novo cânone e, ao mesmo tempo, servir de teaser para a já anunciada mensal Star Wars: Caçadores de Recompensa, que terá o ciborgue como líder e começará em março de 2019. Portanto, nesse aspecto o texto de Thompson é bem-sucedido, já que ele não se preocupa muito em complicar, mas sim, apenas, explodir e atirar.

Quando o autor arrisca-se a ir um pouco além, porém, ele se complica e entrega um resultado errático. A impressão que temos é que Valance odeia Vader, mas nenhuma razão muito específica é dada mesmo quando seu passado remoto é abordado. E o mesmo vale para a suposta origem da organização criminosa que ele caça, que recebe uma contextualização no mínimo muito estranha com a minissérie já bem avançada. Não é, de forma alguma, porém, algo mortal para a compreensão da linha bem simplista da narrativa, mas sem dúvida incomoda o leitor mais atento, até porque não eram elementos realmente necessários para o bom desenvolvimento de Valance.

No lado da arte, Alvo Vader é uma mixórdia. São nada menos do que seis desenhistas e uma penca de outros coloristas se revezando nas seis edições, cada um com seu estilo próprio, que acaba retirando qualquer traço de unicidade visual. Não são artes individualmente ruins, longe disso, com destaque para o trabalho de Marc Laming na primeira edição e para Georges Duarte na última, mas essa proliferação de artistas em uma minissérie tão curta depõe contra o resultado final e dá a impressão que tudo foi feito de qualquer jeito só para encerrar logo a história.

Como uma forma de introduzir Beilert Valance de uma vez por todas no novo Universo Estendido de Star Wars, Alvo Vader cumpre sua função e diverte de maneira rasa. Tomara que a mensal que terá o personagem em destaque, porém, tenha mais a oferecer do que apenas isso.

Star Wars: Alvo Vader (Star Wars: Target Vader, EUA – 2019)
Contendo: Star Wars: Target Vader #1 a 6
Roteiro: Robbie Thompson
Arte: Marc Laming (#1), Chris Bolson (#1 e 5), Stefano Landini (#2 a 4 e 6), Roberto Di Salvo (#5 e 6), Marco Failla (#5), Georges Duarte (#6)
Cores: Neeraj Menon (#1 a 4 e 6), Jordan Boyd (#1), Andres Mossa (#1), Federico Blee (#1 e 4), Erick Arciniega (#1), Giada Marchisio (#4), Rachelle Rosenberg (#5 e 6)
Letras: Clayton Cowles (#1 a 3), Joe Caramagna (#4 a 6)
Capas: Nic Klein
Editoria: Tom Groneman, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 03 de julho a 11 de dezembro de 2019
Páginas: 141

Crítica | Star Wars: Allegiance (Jornada para Star Wars: A Ascensão Skywalker)

O “selo” Jornada para Star Wars da Marvel Comics funciona como prelúdios em forma de minisséries para os filmes principais da franquia lançados pela Lucasfilm depois de sua aquisição pela Disney. O Despertar da Força ganhou uma história repleta de enigmas batizada de Império Despedaçado, Os Últimos Jedi foi agraciado com uma história focada na subaproveitada Capitã Phasma e, agora, A Ascensão Skywalker recebe um prelúdio que coloca a General Leia e o piloto Poe Dameron em missões separadas para tentar reconstruir a Resistência.

Diferente dos prelúdios em quadrinhos dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel que, normalmente, parecem histórias feitas às pressas e de qualquer jeito só para cumprir tabela, os de Star Wars trazem elementos interessantes que, mesmo que não acrescentem informações essenciais para a compreensão dos filmes que antecedem (e nem poderiam, não é mesmo?), funcionam bem dentro do conceito de Universo Expandido, algo que a própria Marvel Comics fez com muito sucesso ainda em 1977. Allegiance não é uma história com grandes pretensões e não tem sequer o objetivo de fazer uma ponte muito clara entre filmes, sendo muito mais apenas uma aventura simpática que parte da quase eliminação da Resistência que vimos em O Último Jedi e coloca os heróis em histórias paralelas que, apesar de nunca sequer tangenciarem, caminham na mesma direção.

Quando a minissérie em quatro edições começa, a Primeira Ordem é apresentada como uma força que não tem a menor dó em eliminar todos os planetas que tiveram alguma conexão com a Resistência. Por seu turno, o pequeno grupo rebelde liderado por Leia Organa precisa de mais armas e mais naves para começar a reerguer-se e contra-atacar. Poe Dameron, Finn e BB-8 estão em uma missão na lua de Avedot para recuperar armas da Nova República e Leia, Rey, Rose, C-3P0 e Chewbacca partem para Mon Cala, lar dos Mon Calamari e dos Quarren, para convencer seu monarca a ceder-lhes as naves que eles tão desesperadamente precisam.

De um lado, Poe e Finn têm que enfrentar os caçadores de recompensa originalmente introduzidos no Universo Star Wars na minissérie Galaxy’s Edge, tie-in da nova “terra” dedicada à criação de George Lucas nos parques americanos da Disney. Trata-se de uma história pouco inspirada, básica mesmo, que não traz nem surpresas e nem um pingo sequer de tensão. Claro que jamais esperaria que os heróis sequer sofressem arranhões na história, mas falta senso de urgência e algo que tenha no mínimo relevância narrativa maior do que só preencher páginas. Por outro lado, a história de Leia lutando contra a oposição dos Quarren isolacionistas ao seu pedido encontra ressonância maior dentro desse universo, já que coloca um planeta inteiro na berlinda, planeta esse, claro, lar do inesquecível Almirante Ackbar, falecido em Os Últimos Jedi, mas que deixou um filho, Aftab, que respeita Leia e o legado do pai. Não só a narrativa é substancialmente mais interessante nessa trama carregada de política e salpicada por bons momentos de ação, como ela reposiciona os Mon Calamari mais uma vez como um dos mais importantes povos militarísticos do lado do bem na saga, algo visto originalmente em O Retorno de Jedi, depois (ou antes, dependendo do ponto de vista) em Rogue One e, finalmente, em Os Últimos Jedi, com possível repetição em A Ascensão Skywalker se o mínimo da HQ for utilizado no filme.

Apesar do desequilíbrio na qualidade das histórias paralelas, a leitura é fluida e prazerosa já que o roteiro de Ethan Sacks consegue capturar bem as vozes dos personagens em um texto simples, mas bem amarrado. E, completando a sensação de unicidade, a arte de Luke Ross trabalha bem os visuais dos mais conhecidos personagens sem ficar completamente escravo às suas versões live-action, além de dar vida pujante e diversificada aos planetas que povoam a narrativa, mesmo que ele, no final das contas, não se arrisque muito e mantenha uma cadência básica, quase burocrática.

Star Wars: Allegiance não mudará a vida de ninguém e, em termos comparativos, é a mais fraca minissérie do selo Jornada para Star Wars, ainda que não seja uma obra daquelas desavergonhadamente dentro da categoria caça-níquel. Mesmo assim, os fãs da franquia terão o que apreciar nas aventuras dos personagens como um tira-gosto do que está por vir.

Star Wars: Allegiance (Idem, EUA – 2019)
Contendo: Star Wars: Allegiance #1 a 4
Roteiro: Ethan Sacks
Arte: Luke Ross
Cores: Lee Loughridge
Letras: Clayton Cowles
Capas: Marco Checchetto
Editoria: Tom Groneman, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 09 a 30 de outubro de 2019
Páginas: 103