Len Wein

Crítica | O Incrível Hulk #179: Volta o Elo Perdido

Incredible_Hulk_Vol_1_179 plano critico volta o elo perdido o incrível hulk

Esta edição da Incrível Hulk Vol.1 traz de volta um antigo inimigo, já referenciado no título e que conheceu o Hulk nas edições #105 e 106 dessa mesma revista. Nos bastidores, não um retorno, mais uma estreia. A partir daqui, Len Wein comandaria os roteiros da série mensal até o número 222, um período de quatro anos com muitas histórias e uma nova cara para as sagas do Golias Verde.

No presente enredo, temos essencialmente uma continuação para a edição anterior, curiosamente chamada de Triunfo na Terra-Dois, uma história com Adam Warlock, cujas consequências se veem aqui: o Recorder 211 (Analyzer) coloca o Hulk em um foguete e direciona o Monstro para a sua Terra original, tendo aí o gancho que dará início a mais uma história, com a já conhecida realidade de troca de corpos + não adequação e surpresas de transformação que o Hulk originalmente apresenta, ganhando, nas mãos de Wein, uma toada mais sentimental  — e no presente caso, familiar.

O bom dessa edição — e é interessante notar que este é um dos temas recorrentes na obra de Len Wein — é que vemos um tratamento diferente dado aos monstros, bem como uma problematização da própria condição, vindo basicamente de uma premissa de relacionamentos fraternos, por incrível que pareça. Primeiro, o Elo Perdido (Lincoln) é integrado à família Brickford, o que já mostra um caráter de máxima humanidade desses indivíduos, colocando em casa alguém com uma estranha (para dizer o mínimo) aparência e completamente perdido. O texto brinca um pouco com o nome do lugar e com a apresentação da família central. Imaginamos brevemente se o povo de Lucifer Falls não está ligado a algum tipo de ação maligna, um culto ou seita… mas não. O texto permanece focando na humanidade e, dela, passa para a esperada e explosiva relação entre os brutamontes.

plano critico retorna o elo perdido hulk vol.1 len wein quadrinhos

O miolo da história, na base do Exército e em torno do General Thaddeus “Thunderbolt” Ross, somado às questões militares, estão aqui apenas para contextualizar o entorno e criar âncoras para o retorno de Bruce Banner ao seu meio social, por assim dizer. Todavia, esse lado não apresenta nada de interessante para a saga, muito pelo contrário, é uma das partes chatas da revista que a gente não vê a hora que passe rápido, para voltarmos ao lugar que realmente interessa aqui.

Infelizmente, a finalização adota uma certa facilidade ao mostrar o “histórico futuro” do envenenamento por radiação causado por Lincoln, contudo não é exatamente uma decisão ruim do roteirista. Ela apenas é rápida demais e aparece em um contexto de cosias muito mais trabalhadas, por isso que destoa e causa estranheza (negativa), minimizando um pouco a qualidade da trama. Mas a estreia de Len Wein à frente da Incrível Hulk se mantém muito acima da média, com um trabalho de “encontro de gigantes” que não prioriza a força e sim os sentimentos. Um baita começo.

Incredible Hulk Vol.1 #179 (EUA, setembro de 1974)
No Brasil:
O Incrível Hulk #21 (RGE, 1980)
Roteiro: Len Wein
Arte: Herb Trimpe
Arte-final: Jack Abel
Cores: Glynis Wein
Letras: John Costanza
Capa: Herb Trimpe
Editoria: Roy Thomas
24 páginas

Crítica | Monstro do Pântano: E os Mansos Herdarão…

plano critico mosntro do pantano o homem que não iria morrer

Este bloco de histórias (edições #14 a 19 de Swamp Thing Vol.2) traz o encerramento da jornada de Martin Pasko à frente do Monstro do Pântano, abrindo uma série de possibilidades para o que viria ser a fase seguinte, guiada por Alan Moore e inicialmente mais integrada ao terror.

O arco na verdade divide-se em duas partes com tramas distintas. A primeira, composta pelas edições #14 e 15, conta a história de Nathaniel Broder, um gênio da eletrônica especializado em tecnologia de silício que, por acidente, acaba transformando seu corpo em uma massa de cristal vivo, também transformando em cristal tudo aquilo que toca. A trama é na verdade escrita pelo roteirista convidado Dan Mishkin, tendo também dois aristas convidados para ilustrar as edições, Bo Hampton (arte) e Scott Hampton (arte-final). No todo, não se trata de uma história ruim. A ideia se assemelha àquelas conhecidas aventuras de cientistas malucos que sofrem um acidente e acabam colocando para fora tudo o que de ruim havia neles, agora com o poder em mãos. Sempre o poder. O verdadeiro medidor do caráter humano.

O estranho é que nesta aventura há uma pausa na sequência dos eventos vistos em Prelúdio Para o Holocausto, apenas com o Pantanoso em cena e com Liz Tremayne, Dennis Barclay e Helmut Kripptman colocados temporariamente de lado. Não é uma continuação incoerente, mas acaba sendo estranha pela abrupta mudança de ares e temas. No desenvolvimento da história, o roteiro coloca do Vingador Fantasma como guia e por mais que o personagem seja interessante e tenha alguns bons momentos falando em enigmas e sugerindo ações para quem está perdido, sua participação parece deslocada aqui, funcionando de verdade somente no início e no final do arco.

plano critico monstro do pantano o homem que não iria morrer

As coisas mudam de verdade a partir da edição #16, mas não necessariamente porque Pasko volta aos roteiros (é maldade, eu sei, mas não deixa de ser verdade). A grande alteração que temos aí é o estabelecimento da imbatível dupla Steve Bissette na arte e John Totleben na finalização. Eles já haviam trabalhado juntos no título, no arco anterior, mas não guiando uma aventura inteira como aqui. E é a justamente a dupla que dá uma alavancada na qualidade geral da obra e não à toa que tenham sido mantidos no título para a fase seguinte.

Nessa segunda história temos basicamente o retorno de Anton Arcane, o grande inimigo do Monstro do Pântano. No frigir dos ovos, Pasko faz aqui uma faxina na casa. Ele reúne os principais personagens em um único espaço, dá a possibilidade de expansão dos planos de Sunderland (algo que Moore saberia aproveitar com perfeição já no início de A Saga) e cria elementos de puro horror que reaproxima o protagonista de sua gênese, desde a House of Secrets #92, mesclando linhas românticas, o conflito entre o humano e o monstro + o clima macabro que estaria no centro das atenções dos primeiros arcos de Moore no título.

Em alguns momentos o roteiro corre para explicar certas relações entre personagens, insere um número grande de elipses e ainda nos traz a vergonhosa edição #18, que basicamente reimprime quase toda a Swamp Thing #10, rememorando o último encontro do Musguento com Arcane e os Un-Men. Mesmo assim, o arco termina de maneira coerente. Os personagens principais são colocados em seus caminhos, o Monstro está em busca de algo — uma busca que o levaria e encontrar muito mais do que ele jamais imaginara — e o cenário, ao mesmo que finaliza uma fase do personagem, dá os primeiros acenos para a fase seguinte.

Swamp Thing Vol.2 #14 a 19: The Man Who Would Not Die (EUA, junho a dezembro de 1983)
Roteiro: Dan Mishkin, Martin Pasko
Arte: Bo Hampton, Steve Bissette
Arte-final: Scott Hampton, John Totleben
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza, Ben Oda
Capas: Tom Yeates, Steve Bissette
Editoria: Len Wein
144 páginas