DC Comics

Crítica | Monstro do Pântano: Sobrevivência do Mais Apto

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No final dos anos 1980, a revista do Monstro do Pântano seguia uma interessante linha narrativa, derivada da saga Invasão!. À época, o roteirista à frente do Pantanoso era Rick Veitch, que vinha guiando de maneira pelo menos interessante uma segunda grande jornada do Monstro pelo Verde (a primeira havia sido criada por Alan Moore), jornada que agora estava fazendo o Avatar regredir cada vez mais no tempo toda vez que impelia sua essência pelo Verde e então renascia em outro lugar. Sob a pena de Veitch, o personagem visitou, nessa ordem, Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Mundo dos Sonhos – tempo indeterminado, 1872; dezembro de 1799 a janeiro de 1800 e século 6 de nossa Era. O próximo renascimento do personagem seria nos últimos momentos de Cristo, antes de sua prisão e durante a crucificação. Porém, a chefia da DC Comics proibiu a publicação desse roteiro (mais detalhes em Irmãos em Armas) e insatisfeito com a censura, o autor se demitiu.

Quem assumiu as rédeas da revista após a crise foi Doug Wheeler, que deu sequência — e finalizou — a linha de viagens do Monstro do Pântano. Nomeado de Sobrevivência do Mais Apto (título traduzido da edição #88: Survival of the Fittest), este arco dá continuidade de forma até que inicialmente interessante para a ideia de regressão plantada (hehehe) pelo autor anterior. Nessa parte do caminho, Wheeler faz o Musguento encontrar-se com guerreiros Cro-Magnon, chegar ao ano 40.ooo a.C. e voltar mais ainda, até a Gonduana e a Laurásia, em 500 milhões a.C.. Até o momento, tanto o contato do Pantanoso com um dos ramos passados da nossa espécie quanto as cenas na criação do Parlamento das Árvores (vemos aqui os três pais fundadores, três Elementais que surgiram na seguinte ordem: Yggdrasil, Tuuru e Eyam) são momentos muito bons do arco. Mas a narrativa geral, infelizmente, parece não andar de jeito nenhum.

A primeira coisa que me incomoda aqui é a óbvia repetição dos eventos anteriormente formulados por Alan Moore quando preparou o leitor para a chegada de uma ameaça terrível para a humanidade e o planeta, algo muito similar ao que vimos em O Assassinato dos Corvos. Mas se fosse apenas a semelhança, tudo bem. Em títulos muito longos e reformulados (cada autor, uma Era e cara Era, um olhar para a história inteira do personagem, dinâmica igualmente percebida em Homem Animal) não haveria problema. Contudo, nestas edições, não temos mais nada de interessante fora os pequenos momentos entre o protagonista e seus ancestrais. Do outro lado da abordagem temos a primeira aparição de Tefé Holland, que coincide perfeitamente com o retorno do Monstro do Pântano (seu pai espiritual), resultado de uma chateante e nada criativa “expulsão” dele desde a origem do Parlamento das Árvores até a atualidade.    

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A origem do Parlamento das Árvores: os Pais Fundadores.

Eu gosto bastante da arte do arco, mas não consigo deixar de comparar como essa nova fase se coloca diferente em abordagem visual. Até a aplicação de cores de Tatjana Wood tomou um novo caminho, com uma paleta mais fria, com poucas alterações. Já os desenhos assumiram um caminho não muito distante do que tínhamos no título (Tom Yeates, Pat Broderick e Alfredo Alcala fazem mesmo um bom trabalho), mas são menores os momentos de belas representações do Verde e até mesmo do Monstro. Apesar da qualidade, também é um aspecto aquém daquilo que tínhamos na Swamp Thing anteriormente.

Esta aventura também traz uma maior representação do povo cajun, o que é curioso, mas não faz parte dos meus momentos favoritos da narrativa. Para completar o círculo de retorno do Pantanoso, temos um flerte de Doug Wheeler com o Cristianismo (seria uma forma de ele colocar algo em simpatia a Rick Veitch?) fazendo com que três indivíduos em contato com o Verde fossem até Houma e levassem um presente para a bebê Tefé (o Homem Florônico, o astrônomo Mamadou Ngom e o Xamã Najgarjuk), fazendo as vezes de Reis Magos. E no fim, vem a pior edição do arco, La Terre Qui Disparait, uma narrativa confusa, desnecessária e que apresenta uma óbvia ligação com algo também utilizado por Moore antes e que provavelmente terá uma relação com “O Perigo” previsto: um novo ataque ao Verde e ao planeta por forças gigantescas.

Mesmo com algumas boas ideias, Doug Wheeler não conseguiu manter uma sequência coesa ao longo de todo o arco. Pode eté ser porque ele teve que resolver uma linha dramática que não foi criada por ele, o que é compreensível, mas o impacto negativo fica no leitor. Vamos ver como ele se sai nas próximas edições.

Swamp Thing #88 a 92: Survival of the Fittest —  EUA, setembro de 1989 a fevereiro de 1990
Roteiro: Doug Wheeler
Arte: Tom Yeates, Pat Broderick
Arte-final: Tom Yeates, Alfredo Alcala
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza
Capas: John Totleben
Editoria: Karen Berger, Art Young
124 páginas

Crítica | Liga da Justiça da América #42 a 50 (1966)

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Este compilado de críticas traz abordagens para as edições #42 a 50 da revista Justice League of America Vol.1, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1966. Você também pode conferir as críticas para as edições dos anos anteriores da equipe, como indicado na lista abaixo.

  • O Bravo e o Audaz #28 a 30 + LJA #1 (1960), LJA #2 a 8 (1961), LJA #9 a 16 (1962), LJA #17 a 24 (1963), LJA #25 a 32 (1964) e LJA #33 a 41 (1965).

NOTA: Os títulos traduzidos das edições são os mesmos utilizados pela Ebal, na revista Os Justiceiros, que a partir da edição #5 (janeiro de 1968) passou a publicar as aventuras desta fase da Liga, em forma descontinuada, como se pode perceber. Também são utilizados os títulos da revista Crise Nas Múltiplas Terras n°1 (Panini, 2008).

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LJA #42: Metamorfo Diz… Não!

Metamorpho Says — NO! — (Fevereiro de 1966)

Mais um GADO DEMAIS para a nossa coleção de “personagens gado da DC”, da qual nem o coelhinho da Família Marvel escapa… Oh, céus. Pois bem, aqui temos o Metamorpho (Rex Mason) que está indo a um encontro marcado com sua amada Sapphire Stagg e que, no meio do caminho, recebe o convite de alistamento da Liga da Justiça. E claro que a primeira desculpa que o homem elemental dá é a de que ele “não iria porque tinha um encontro marcado com o seu broto”. Durmam com essa.

O roteiro de Gardner Fox até tenta dar uma disfarçada, contornando a situação para um outro tipo de problemática, com Metamorpho dizendo que não aceitaria de verdade o convite da Liga porque não queria ficar daquele jeito para sempre e que, se ele aceitasse, estaria assumindo definitivamente sua condição atual… ou seja, bobagem pura e simples. Nem uma das duas desculpas aqui realmente funciona, e o resultado é um verdadeiro doce do herói para, no final, dizer que “seria apenas um membro eventual” do grupo. Claro, até porque a condição causada por um banho de luzes de um meteoro dentro de uma pirâmide egípcia vai passar logo logo, pode esperar sim, Sr. Metamorpho…

Nessa trama temos a primeira aparição do vilão Inimaginável, um Ser solitário que procura entrar para a Liga e fica bravo quando é rejeitado. Em certa medida, me pareceu até a história de um dos jovens malucos que se candidatavam para entrar na Legião dos Super-Heróis, com a diferença de que, mesmo com o doce do Metamorpho a trama realmente funciona bem, com boas resoluções da arte de Mike Sekowsky na forma de mostrar os ataques do Unimaginable, na diagramação das páginas e no uso visual do Metamorpho em todas as batalhas. Uma introdução não muito introdutória de mais um membro (?) da Liga da Justiça nos anos 60.

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LJA #43: As Cartas do Crime da Gangue de Espadas

The Card Crimes of the Royal Flush Gang! — (Março de 1966)

Tendo inventado um dispositivo chamado Stellaration — máquina que usa o poder astrológico das estrelas para carregar objetos com “poder estelar” e causar efeitos diferentes nas pessoas — Amos Fortune reúne seus velhos amigos de infância e cria a risível, mas inicialmente poderosa Royal Flush Gang. Assumindo o disfarce do Ás, Fortune atribui diferentes tipos de cartas aos seus companheiros e com essas cartas de baralho carregadas da tal energia Stellaration, os membros da Royal Flush Gang são capazes de desencadear inúmeros crimes e derrotar Gavião Negro, Mulher-Gavião, Flash e Mulher-Maravilha sozinhos, isso só na primeira parte da história!

Por se tratar de um personagem que a gente já conhece de outras aventuras, a saber, de A Roda do InfortúnioA Ameaça da Bomba Eléktron, a trama ganha um pouco mais de valor geral na jornada da Liga, mas só pela premissa dessa história já dá para ver que ela não se enquadra no tipo de “Tramas A” do grupo. E só o fato de Snapper ter um papel importante já diz muito sobre a qualidade do roteiro, não é mesmo? (só esperando a edição em que eu vou pagar a língua, mas tudo bem…). A ideia mística de colocar valores emocionais/comportamentais nas cartas é bem legal, mas o texto não vai verdadeiramente por esse lado, em vez disso, tenta misturar o conceito com ciência e aí embola tudo, gerando aquele tipo de revista que a gente pode até gostar de uma parte ou outra, mas no todo, é só uma trama medíocre mesmo.

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LJA #44: A Praga que Atingiu a Liga da Justiça

The Plague That Struck the Justice League! — (Maio de 1966)

A ameaça dessa história já começa de forma interessante, com Batman, Flash, Lanterna Verde e Eléktron em tamanho gigantesco, com uma tal “praga” que pode colocar todos no caminho da morte. Em dado momento eles são contatados por um alienígena chamado Dr. Benderoin, que lhes diz que foram infectados por um vírus que mata em 10 horas e que qualquer pessoa eles tiveram contato também foram infectados. Benderoin diz aos heróis que é devido à sua exposição ao Inimaginável. A Liga até pede ajuda ao Metamorpho (numa cena curta, que começa no nada e termina em lugar nenhum), mas Benderoin insiste que ele não pode curar os outros heróis dessa vez, pois seus átomos exauriram o valor terapêutico quando curaram o próprio Metamorpho.

O plano geral do vilão aqui é o que de melhor essa revista tem. Claro que o leitor está diante de uma linha de eventos que pode ser chatinha no começo, mas à medida que o enredo avança, começamos a ficar mais interessados pelo que acontece, e o texto sabe aproveitar bem dois grupos diferentes de heróis agindo com diferentes intenções sem saber que estão sendo manipulados. Uma das “histórias de subterfúgio” que cresce bastante em valor na parte final. Mas uma coisa precisa ser dita: eu dei a maior gargalhada quando o alien diz que todos os membros da Liga infectados vão causar a morte de quem eles tocaram, e todo mundo se lembra de seu par romântico e o Batman lembra do Robin… É realmente engraçado. O que não é tão engraçado assim é que pela segunda edição seguida, a Mulher-Maravilha é colocada para costurar e literalmente fazer roupa…

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LJA #45: A Grande Luta Contra Shaggy Man

The Super-Struggle Against Shaggy Man! — (Junho de 1966)

O ponto de partida dessa história já é torto, com diversas cartas endereçadas à Liga da Justiça e que foram perdidas após um acidente de avião. Aqui vemos essas missivas serem entregues — estavam numa caixa resistente! — a Snapper, que as leva aos os membros da JLA (Batman, Flash, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Eléktron e Gavião Negro). O tema de duas cartas serve como ponto de partida para o drama da edição, que coloca os heróis investigando (depois de dois anos!) os pedidos de ajuda. Pois é. Eu disse que começava torto… O pior de tudo é a absurda conveniência das duas cartas abertas serem para “emergências” que os envolvidos são homens da ciência e que, ora ora ora, conseguiram lidar, a seu modo, com o problema em questão. Tendo essa situação desde o início, fica difícil se apegar à história a partir daí.

A Liga se divide em dois times (Lanterna e Superman estão em missões fora) e pelo menos nessa dinâmica o roteiro consegue um bom resultado, especialmente com o Flash indo de um lado para o outro e buscando interessantes soluções para o problema dos dois times. Bom… ao menos em teoria. Porque essa resolução termina com o tal Shaggy Man (que nome horrível, meu Deus) lutando contra um bicho que seria parte de uma “segunda Lua da Terra“. Uma pequena confusão que não é impossível de se entender a lógica, mas seria melhor se o problema de fato se resolvesse. E não é o que ocorre aqui. A “solução” que a Liga encontra abre as portas para os vilões saírem de sua prisão na ocorrência de qualquer coisinha um pouco fora do comum, como sempre acontece nesse Universo…

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LJA #46 e 47: Crise entre a Terra-1 e a Terra-2 / Ponte Entre as Duas Terras

Crisis Between Earth-One and Earth-Two / The Bridge Between Earths — (Agosto/Setembro)

Tem histórias em que realmente não dá para entender a cabeça de Gardner Fox. Neste arco que traz o já tradicional encontro anual entre os heróis da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça (ou seja, o crossover entre Terra-1 e Terra-2), temos um começo de história fantástico, cheio de bos acontecimentos — até as bizarrices que o autor coloca são charmosas, fazem parte daquilo que esperamos de uma história da Liga nos anos 60. É estabelecido que uma força estranha está fazendo com que pessoas na Terra-1 e Terra-2 troquem de lugar. Enquanto Dr. Meia-Noite e Canário Negro são transportados para a Terra-1, Batman se vê transportado para a Terra-2. Para piorar a situação, o Espectro é atraído pelo Homem de Anti-Matéria, responsável por um dos grandes perigos da trama, e Solomon Grundy é libertado de sua prisão mística e transportado para a Terra-1… enquanto Arrasa-Quarteirão se liberta da Fundação Alfred e se vê transportado para a Terra-2. É definitivamente muita coisa acontecendo. Mas a história no começo é divertida e vale a pena essa grande quantidade de acontecimentos ao mesmo tempo.

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Ao longo de toda a primeira edição estamos realmente diante de um drama de investigação e porradaria entre heróis e vilões. Mesmo com diversos outros perigos cercando os heróis, a ideia de pessoas indo de uma Terra para outra é bem executada, tanto pela arte quanto pelo roteiro, que nos apresenta bons momentos de passagem dimensional. O problema é que talvez na ânsia de colocar mais e mais coisas relacionadas à ciência, Fox começa a piorar o roteiro, que decai imensamente quando dá atenção demais para os brutamontes (Grundy e Blockbuster).

Depois de um tempo impossibilitado de “ver além dos olhos”, o Senhor Destino acaba sendo avisado de que tem algo errado acontecendo (o alien de antimatéria) e transporta os membros da JLA e da JSA para o espaço entre dois mundos, onde a principal e mais absurda batalha do arco acontece. Tem resoluções nessa sequência que simplesmente não dá para aceitar. E enquanto a gente vê a Canário Negro enrolando seus cabelos (que cresceram assustadoramente) nas pernas do alien — e isso feito como se fosse uma resolução imensamente inteligente, acreditem — Eléktron entra na jogada de fato, recobrando seus poderes e vendo que o dispositivo de varredura cósmica de seu laboratório foi o catalisador que levou o Homem Anti-Matéria a tentar viajar para o Universo da matéria positiva — basicamente a semente de Crise nas Infinitas Terras. Até aqui eu ainda tinha alguma esperança de que as porradas fossem o foco e decisões divertidas fizessem parte do plano dos heróis, mas… não é isso que acontece (mais uma vez).

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Viajando para a fenda cósmica, Eléktron usa de seu conhecimento científico em conjunto com a magia do Espectro para romper a dobra do espaço, desviando o Homem Anti-Matéria de volta ao seu próprio Universo e restaurando a ordem nos dois da Terra. Só que nada disso é feito totalmente sem tropeços. A cada dois quadros com diálogos e narrações bem legais, temos seis com coisas absurdas e inaceitáveis, tornando a história extremamente irritante no final, uma diferença bem grande pra o que percebemos dela no divertido começo. Já no encerramento, o Lanterna Verde transporta Solomon Grundy e Blockbuster para a mesma Terra, onde eles ficam lutando entre si. E então o grupo de heróis chega a tempo de ver os dois pararem de brigar e se tornarem amigos (pois é…), decidindo retornar pacificamente à sua própria Terra e à custódia. A única coisa que a gente precisava aqui era do alien de antimatéria trazendo preocupações, mas como adição tivemos dois vilões que, no cômputo geral, só serviram mesmo para atrapalhar a história.

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Sobre a Edição #48

A edição #48 deste título, com data de capa de outubro de 1966, não foi uma história inédita e sim um compilado de três revistas anteriores da Liga, a saber, The Brave and the Bold #29, Justice League of America #2 e Justice League of America #3. A próxima história inédita da equipe viria na edição #49, intitulada A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo.

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LJA #49: A Ameaça do Verdadeiro ou Falso Bruxo

Threat of the True-Or-False Sorcerer! — (Novembro de 1966)

Quem é vivo sempre aparece, não é não? Lançando um feitiço para tentar se libertar na prisão, Félix Fausto (que a Liga conhece desde Os Dedos Fantásticos de Félix Fausto) consegue algo, mas não exatamente o que queria. Em vez de uma saída para se libertar da prisão, ele cria duas duplicatas de si mesmo. E quando nenhum dos dois pode concordar com quem é o verdadeiro Fausto (nenhum dos dois é!), conjuram um demônio que revela que, se não determinarem qual é o falso mago, quando o falso Fausto desaparecer, sua destruição também destruirá o Universo.

Esse é o tipo de trama que se você comprar a premissa e a apresentação dela, tudo funciona depois, pois o roteiro não fica andando em círculos, colocando justificativas intricadas ou personagens que mais atrapalham do que ajudam a história a crescer, como ocorreu na aventura com a SJA no arco anterior. Além disso, é até engraçado ver como a parceria do vilão com os heróis ocorre e como eles lidam com os problemas que aparecem pelo caminho. A dupla Flash-Superman é a minha favorita na investigação que se segue, tanto no plano de ataque quanto em relação ao tipo de problema que têm para vencer.

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LJA #50: O Senhor do Tempo Ataca o século XX

The Lord of Time Attacks the 20th Century! — (Dezembro de 1966)

Após uma passagem pelo Vietnã, o soldado Eddie Brent está voltando para casa (para Gotham City) como um herói, com um evento de condecoração pública o esperando e tudo. No entanto, quando ele enlouquece e pula do trem, sua atividade suspeita leva Bruce Wayne e Dick Grayson a investigá-lo como Batman e Robin. Seguindo Brent, eles descobrem que ele foi munido com super-armas que facilmente dominam a dupla dinâmica. Começa então uma linha de investigação que traz de volta o Lord of Time, lá de A Hora Final.

Como foi comum nas histórias desse ano, a boa arte de Mike Sekowsky e o bom trabalho de finalização de diversos artistas prendem a nossa atenção na sequência de lutas, no trabalho de movimentação dos heróis e na criação dos lugares visitados. Poucos são os momentos em que temos reais problemas com a arte nessas edições. A questão mesmo é o roteiro, que faz uma trajetória bem chatinha. É até paradoxal termos tantas boas passagens de ação embaladas em uma justificativa ou diálogos que dão vergonha. E aqui o incômodo é mais na relação entre plano do vilão com a reação dos heróis da Liga. A propósito, temos enfim uma participação efetiva do Aquaman no ano! Não é uma história ruim, mas vocês sabem, isso não significa muita coisa em termos de qualidade, não é?

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Justice League of America Vol.1 #42 a 50 (EUA, 1966)
Roteiro: Gardner Fox
Arte: Mike Sekowsky
Arte-final: Bernard Sachs, Frank Giacoia, Joe Giella, Sid Greene
Letras: Joe Letterese, Gaspar Saladino
Capas: Mike Sekowsky, Murphy Anderson, Joe Giella
Editoria: Julius Schwartz
24 a 26 páginas (cada edição)

Crítica | Monstro do Pântano: Irmãos em Armas

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A ideia de Rick Veitch para este arco veio como consequência da obrigação que ele teve em Triângulos Infernais, de escrever uma edição crossover para a saga Invasão!. Para poder fazer seu trabalho sem interrupção, os Dominadores dispersaram o Elemental do Verde pelo fluxo do tempo, abrindo as portas para mais uma rodada de viagem do Monstro do Pântano, mas uma bem diferente daquela espacial que ele havia feito na Era de Alan Moore no título. Agora o Musguento estava viajando por diferentes tempos do planeta Terra, saindo da atualidade dele (anos 1980) e inicialmente ancorando na Segunda Guerra Mundial (mais precisamente em 1945), na edição Brothers in Arms (Part II).

A participação da Companhia Moleza (Easy Company) e do Sargento Rock torna a história ainda mais intensa e interessante, mesmo que a missão dos militares nesse caso seja algo especial e não uma diretamente ligada ao grande conflito. No texto, eles precisam reaver os itens místicos — a saber: Garra de Aelkhünd [ou Elk Hound em sua primeira aparição nos quadrinhos], Lança do Destino, um crânio da Noite dos Cristais [Kristallnacht], Cetro Obsidiano de César, caixa de joias da Imperatriz Josefina de Beauharnais, uma pele fresca de Yeti e o prepúcio de Napoleão [pois é…] — que estavam nas mãos de um soldado nazista e cujo objetivo era usar a magia desses objetos para tornar possível o Terceiro Reich. E é claro que esse drama nos leva diretamente para Anton Arcane.

A ideia de colocar o Pantanoso viajando no tempo cada vez mais para os primórdios da Terra começa realmente interessante, embora a história não tenha o personagem como centro e isso funcionou como um estranho pêndulo de recepção e julgamento de qualidade da história ao longo de toda a leitura. Se por um lado eu gostei imensamente das edições #82 e 83 (as outras são boas, mas inferiores a estas duas), por outro, me vi lendo sobre eventos que completam os buracos do Universo do protagonista da revista, mas há bem pouco sobre ele nas páginas dessas histórias todas. E sim, quando mais lemos, mais difícil fica o julgamento dessa questão, porque as ligações, os artefatos e os encontros que o autor vai fazendo de forma decrescente são isoladamente muito bons. Já numa visão geral, acabam tendo o problema de nos tirar o Monstro do Pântano de sua própria revista, para falar de coisas em torno dele. Não é ruim, não é incoerente, mas é menos interessante quando paramos para ver a trama por completo.

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Primeira parada do Pantanoso perdido: o corpo de um soldado moribundo na 2ª Guerra.

Brothers in Arms (Part I) se passa durante a Primeira Guerra Mundial (mais precisamente em 1914), onde mais uma vez o Monstro do Pântano se encontra com Arcane, agora bem mais novo e fazendo os seus experimentos pela primeira vez. Aqui temos a origem dos Não-Homens (numa abordagem diferente daquela explorada em American Freak: A Tale of the Un-Men) e praticamente a construção definitiva dos horrores que fariam de Arcane a grande desgraça viva que ele se tornaria. Evidente que o roteiro de Rick Veitch alude a outras infâmias praticadas pelo personagem (estupro da irmã, abuso psicológico e físico do irmão mais novo, assédio moral da mãe, etc.), mas essa edição é aquela que abre definitivamente as portas do Inferno o que de fato marcaria os primeiros passo do diabólico Arcane. Em paralelo, desenvolve-se o pequeno drama de Abby grávida, sendo visitada e consolada por alguns indivíduos (Homem Florônico, Adam Strange, Constantine) para consolá-la por sua “perda”.

A partir de Final Payment, o dilema de Abby se torna o centro das atenções ao lado de dramas bastante isoladas e com participação ainda menor do Pantanoso. E claro, meus maiores problemas com essa jornada do personagem começam a aparecer, pelos motivos citados no começo da crítica. A jornada, no entanto, nos deixa curiosos para saber qual será a próxima parada e a próxima ligação que veremos do personagem, indo da Alemanha em 1945 e avançando por Alemanha e Romênia, 1914; Reino dos Sonhos, tempo indeterminado; Califórnia, 1872; Gotham Town, 1799 e 1800 (virada do ano) até chegar em Camelot, aproximadamente no ano 530. A arte em todas as edições faz um excelente trabalho de contexto do lugar e dos personagens e só tive problemas com a diagramação na edição western intitulada My Name Is Nobody, com direito a aparição de Jonah Hex e tudo. A partir da terceira revista do arco, a passagem entre os momentos do presente e passado ficam bem mais demarcadas e passamos rapidamente de cenários e roupas de época para citação de filmes de Federico Fellini, contas absurdas de hospital e até por uma visitinha do Pantanoso ao Reino dos Sonhos, chegando a bater um papo com Sandman.

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Enfim, o arco de Matt Cable é encerrado.

O ponto menos interessante da trama inteira, para mim, está em Heroes of the Revolution, na passagem do século 18 para o 19. Novamente, as ligações com a Garra de Elk Hound e Gotham são as melhores coisas que temos, com o roteiro focado mais no mito em torno desse objeto mágico (na origem, na verdade) do que no próprio herói protagonista. O arco chega ao fim na curtinha (apenas 17 páginas) Fall of the House of Pendragon, que se passa em Camelot, no início do século 6. Na verdade, essa trama acontece numa elipse da primeira edição do Etrigan de Jack Kirby, que mostra justamente a batalha contra Morgana Le Fay. Por incrível que pareça, o roteiro aqui coloca muito mais ordem no andamento da história toda, inclusive na ligação com Abby no presente, do que nas edições anteriores. E mesmo que não fosse a intenção de Veitch, esta também acabou sendo a sua última revista à frente do Monstro do Pântano. O motivo? A polêmico e jamais publicada edição #88 do título, escrita pelo autor.
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O Monstro do Pântano [Quase] Encontra Jesus Cristo

A rejeição inicial veio do nada, pois entreguei um plot detalhado da história e me disseram pra seguir em frente. Passei algumas semanas por toda a hierarquia da DC e acabei falando diretamente com Jennette Kahn [presidente da DC], mas não consegui convencê-la. As páginas desenhadas pelo Michael Zulli foram vendidas ao Kevin Eastman [criador das Tartarugas Ninja], que as doou ao Comic Art Museum.

Rick Veitch

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Capa de Rick Veitch para a não publicada Swamp Thing #88.

Em diversos momentos de Fall of the House of Pendragon, vemos um enlouquecido Rei Arthur procurar pelo Santo Graal, segundo ele, a única coisa que poderia tirar-lhe as “alucinações e vozes da cabeça”, em suma, vencer aquela guerra que ele acreditava que era pura fantasia. Ali estava claro que a próxima parada do Pantanoso seria no tempo de Jesus e Rick Veitch de fato escreveu o roteiro dessa edição para a DC, uma história que ele chamou de Morning of the Magician.

Um ponto curioso sobre essa história toda é que quando planejou os dois arcos de viagem do Monstro do Pântano, Veitch já havia também planejado a sua saída do título. Ele deveria escrever até a edição #92, onde finalizaria a sua saga e passaria a tocha para Jamie Delano, que deveria alternar algumas edições com Neil Gaiman… mas nada disso aconteceu. Vale dizer que depois de toda a polêmica e pedido de demissão de Rick Veitch, a editora da revista, Karen Berger, tentou negociar com Delano e Gaiman para assumirem o título de imediato, mas ambos recusaram qualquer ligação com a série regular do Pantanoso em solidariedade ao colega.

1º Editorial de Karen Berger explicando a saída de Rick Veitch.

Bem antes de chegar a esse ponto, Veitch havia entregue uma versão detalhada da história para Karen Berger e Dick Giordano, que deixaram claro a possível necessidade de mudar coisas do roteiro, mas aprovaram a ideia, algo que Veitch já esperava e que aceitou. Quando a arte de Michael Zulli ficou pronta e a capa do próprio Veitch chegou à chefia da DC, a edição foi de pronto cancelada, sem a possibilidade de mudança alguma. A regra era clara: mesmo sendo apenas chamado de “Nazareno” no texto, a figura de Jesus (ou similar a ele) não poderia interagir com o Monstro do Pântano.

Tendo já parcialmente preparado as edições seguintes (que dependiam desse encontro) e após uma pré-aprovação de seu roteiro, o autor sentiu que era insustentável sua presença na editora, então se demitiu. A revista do Monstro do Pântano ficou dois meses sem publicação, então em setembro de 1989, a edição #88 chegou às bancas, com o título Survival of the Fittest, e com roteio de Doug Wheeler, arte de Tom Yeates e capa de John Totleben. Começava uma nova fase para o Musguento.

2º Editorial explicando a saída de Rick Veitch.

Monstro do Pântano: Irmãos de Armas (Swamp Thing #82 a 87: Brothers in Arms) —  EUA, janeiro a junho de 1989
Roteiro: Rick Veitch
Arte: Rick Veitch, Tom Mandrake, Tom Yeates
Arte-final: Alfredo Alcala, Tom Yeates
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza
Capas: John Totleben, Rick Veitch, Tom Yeates, Steve Bissette
Editoria: Karen Berger, Art Young
144 páginas

Crítica | Mulher-Maravilha, Batman e Superman: Trindade

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Muita gente morre de amores por esta minissérie escrita e desenhada por Matt Wagner em 2003, mostrando os primeiros encontros de Batman, Mulher-Maravilha e Superman na DC da Era Moderna; mas para mim, a saga não tem assim tantas gloriosas passagens não, apesar de ser divertida de se ler — que me desculpem os que a amam muito.

É claro que não dá para ignorar essa premissa que traz algo que sempre chama a atenção de qualquer um que gosta de quadrinhos: personagens importantes vistos num ponto inicial de suas carreiras ou, nesse caso, no ponto inicial da convivência entre eles mesmos. Este, na verdade, é um trampolim capaz de vender qualquer plot para leitores de quadrinhos e que promete um bom divertimento durante a leitura, o que de fato acontece aqui. Cronologicamente estamos após Ano Um (para o Morcego), Deuses e Mortais (para a Amazona) e Homem de Aço (para… o Homem de Aço), de modo que o roteiro não precisa, por coerência, alçar voos absurdos, apenas focar no relacionamento entre os protagonistas e colocá-los para enfrentar juntos, pela primeira vez, um grande inimigo. E eis aí o meu problema com essa Trindade.

Não, não me refiro ao encontro dos medalhões, isso é fantástico (como fantástico também é o cameo do Aquaman). Estou falando do tal inimigo. E vejam, mesmo que eu tenha pequenos problemas com a forma como Matt Wagner reforçou as picuinhas entre Bruce e Diana,  o que não desce de verdade nessa história é o fato de precisar dos três para vencer Ra’s Al Ghul, que consegue descongelar Bizarro e colocá-lo na jogada também. E com isso não quero subestimar o vilão. Mas é que o tempo inteiro a aventura me soa como algo mais ligado ao Batman, depois mais ligado ao Superman e daí tem a Mulher-Maravilha. Apesar da ação direta e importante dela na trama, não há de fato uma boa conexão com esse elemento vilanesco. Nem Ártemis ou a Ilha Paraíso (que é apenas uma consequência do plano e que aparece só na terceira edição) funcionam como ponte, de modo que a Amazona sobra em alguns momentos. Daí vocês já tiram a minha visão geral da obra. Apesar de gostar do todo, sempre tenho um pé atrás porque não gosto do vilão envolvido e nem do plano que une a Trindade em sua primeira luta.

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Já sobre a arte, devo dizer que gosto do trabalho de Matt Wagner e principalmente das cores de Dave Stewart para toda a aventura. O estilo do artista combina bastante com esse olhar para o passado, o que nos ajuda a comprar melhor o que está sendo narrado. E existem momentos muito bons aqui, especialmente os do Superman — tanto agindo em cenas de exercício de força, quanto de babá para Diana e Bruce não se pegarem (e não de um jeito legal). Dos três, inclusive, o que o roteiro melhor captura a essência de início de carreira é o Superman, seguido pelo Batman. Já a visão de Wagner para a MM não me agradou muito, com exceção de alguns poucos quadros e das cenas em Themyscira.

Trindade é uma história gostosa de se ler e uma forma interessante de se olhar para a relação dos três grandes da DC Comics num encontro onde ainda não sabiam muito bem o que esperar um do outro. Traz à memória um tempo diferente da editora e dos próprios personagens. Mas não é uma aventura perfeita. Se você ainda não leu, que fique preparado, então.

Batman/Superman/Wonder Woman: Trinity (EUA, agosto a outubro de 2003)
No Brasil:
Panini (2004), Eaglemoss (2016)
Roteiro: Matt Wagner
Arte: Matt Wagner
Cores: Dave Stewart
Letras: Sean Konot
Capas: Matt Wagner, Dave Stewart
Editoria: Bob Schreck, Michael Wright
228 páginas (encadernado Eaglemoss)

Crítica | Monstro do Pântano: Triângulos Infernais

Triângulos Infernais foi originalmente publicado aqui no Brasil pela Panini (2016), num encadernado chamado Regênese Vol.3. As revistas que de fato formam esse arco são as #77 a 81 da Monstro do Pântano Vol.2, e como adendo, tivemos no mesmo encadernado a inclusão do Anual #3 da mesma revista, uma história chamada Primos Distantes. Minha presente crítica e avaliação acima falam apenas das edições correntes do arco. O anual incluso é bem… peculiar, para não dizer bizarro (no sentido negativo), trazendo um roteiro vergonhoso de Rick Veitch, chamando toda a atenção para Grodd e diversos gorilas/aliados que são atraídos pelo primata mentalmente poderoso para destruir a cidade de Solovar. Não me pergunte o que uma história como essas está fazendo num Anual da revista do Monstro do Pântano, em vez da revista do Homem Animal. Isoladamente há alguns bons momentos e as cores de Adrienne Roy são lindas nessa edição, mas de resto, ela nada traz de realmente importante ou coerente para o Pantanoso.

Já o verdadeiro arco começa com a revista que lhe dá título, e nela existe uma DR entre o Monstro do Pântano e Abby, dias após o rito de concepção com a presença de Constantine. Sei que alguns leitores não curtem esse aspecto do enredo, mas vamos lá pessoal, já se passaram 77 edições dessa relação, é hora de se acostumar com o tipo de laço que o Elemental criou com Abby. É verdade que muitas vezes (nesse arco mesmo!) isso acaba saindo dos trilhos, tornando-se um melodrama proto-romântico besta, mas não é sempre não. E considerando que agora conseguiram implantar o Broto no útero de Abby, faz ainda mais sentido o teatrinho de casal que eles encenam. Quando bem trabalhado, como nesse roteiro de Jamie Delano, é algo interessante. E a briga aqui é legal porque afasta os pombinhos e coloca a Sra. Pântano dando um rolê com Constantine, numa noitada amigável e muito respeitosa por parte do personagem. Daí surge o link para a edição seguinte, Semeadura ao Vento (To Sow One’s Seed in the Wind) uma loucura sem limites escrita por Steve Bissette.

Eu não sei o que me impressiona mais aqui, se o fato de termos um cara que trabalhou com Martin Pasko e com Alan Moore à frente do Pantanoso escrevendo um troço desses ou a real ausência de propósito dessa edição. O curioso (e ainda mais bizarro) é que não é uma revista ruim. Tom Mandrake e Alfredo Alcala mandam muito bem na arte e a história tem a “cara das loucuras do pântano”, mas… para quê? Quando Moore resolvia chutar o balde e fazer uma coisa bem maluca, tinha um propósito ou, quando não, era uma incrível aventura autocontida que se sustentava perfeitamente pela alta qualidade. Bem… não é o caso aqui. A história só consegue não ser ruim, mas não acho um real motivo para ela existir. Será que o Pantanoso estava fazendo um exame de rotina (um pré-Natal-Elemental) para ver se o bebê estava bem? Mas precisava de tudo isso? De toda forma, a arte me garantiu estrondosas gargalhadas ao ver o Monstro refeito com forma de mulher, numa reação empática de sua natureza após sair do útero de Abby. Hummm… pensando bem, a proposta é bem bonita não é não?

plano crítico os avatares do verde sequestrado monstro do pantano

Vênus do Charco, São Columba, Fantasma Oculto nos Juncos e Demônio do Palude.

Já a edição seguinte, Esperando Deus (Waiting For God (Oh!)) com Rick Veitch de volta aos roteiros e à arte, não me interessou muito. Por mais que eu goste da ideia de elementos do passado serem retomados — como o ataque e morte do Monstro em Gotham, no arco De Terra a Terra, um ano antes — fiquei novamente pensando sobre o real propósito disso. O Pantanoso do nada resolver ir se vingar dos homens que o alvejaram e querer matar Lex Luthor é uma ação retardatária e estúpida. A trama vale mesmo pelos embates entre o protagonista e o Superman, além de mostrar o primeiro sequestro de um Ancião desprendido do Parlamento das Árvores, a Vênus do Charco, preparando-nos para as duas edições finais do volume, estas sim realmente muito boas: O Mais Longo dos Dias (The Longest Day) e Enlutada (Widowsweed), uma excelente forma de se fazer um crossover sem atrapalhar a história central e utilizando dessa necessidade editorial para tentar coisas novas.

À época, a DC Comics estava publicando a saga Invasão!, e a maneira como Veitch traz isso para as mensais do Pantanoso é admirável. Basicamente surge uma boa desculpa para tirar o Monstro do planeta Terra e ‘matá-lo’ mais uma vez, sendo que a preparação para isso é muito boa, mostrando quatro lendários Elementais transportados para planetas que os confunde e, pelo que entendi, neutraliza — tudo isso antes da chegada efetiva dos Dominadores, com o ataque ao Monstro acontecendo por último. Em Enlutada, vemos o fechamento de um ciclo aberto muitos anos antes, na maravilhosa O Visitante do Espaço. Infelizmente a presença de Guy “Lixo” Gardner na história estraga qualquer humor e beleza possível — principalmente depois do que ele faz –, mas há sentido para tudo isso dentro da história, completando de maneira muito triste o ciclo aberto no passado, além de fechar o arco com uma promessa e a dúvida sobre onde (e como) estaria o Monstro do Pântano agora.

Swamp Thing Vol.2 #77 a 81 + Annual #3: Infernal Triangles + Distant Cousins (EUA, outubro a dezembro de 1988 / Anual 1987)
No Brasil:
 Monstro do Pântano: Regênese n°3 (Panini, 2016)
Roteiro: Jamie Delano, Steve Bissette, Rick Veitch (mensais); Rick Veitch (anual)
Arte: Tom Mandrake, Rick Veitch (mensais); Rick Veitch, Shawn McManus, Jim Fern, Stan Woch (anual)
Arte-final: Alfredo Alcala, Rick Veitch (mensais); Tom Yeates (anual)
Cores: Tatjana Wood (mensais); Adrienne Roy (anual)
Letras: John Costanza (mensais); Augustin Mas (anual)
Capas: Dave McKean, Rick Veitch, Tom Yeates, John Totleben (mensais); Brian Bolland (anual)
Editoria: Karen Berger, Art Young
180 páginas

Crítica | Monstro do Pântano: E os Mansos Herdarão…

plano critico mosntro do pantano o homem que não iria morrer

Este bloco de histórias (edições #14 a 19 de Swamp Thing Vol.2) traz o encerramento da jornada de Martin Pasko à frente do Monstro do Pântano, abrindo uma série de possibilidades para o que viria ser a fase seguinte, guiada por Alan Moore e inicialmente mais integrada ao terror.

O arco na verdade divide-se em duas partes com tramas distintas. A primeira, composta pelas edições #14 e 15, conta a história de Nathaniel Broder, um gênio da eletrônica especializado em tecnologia de silício que, por acidente, acaba transformando seu corpo em uma massa de cristal vivo, também transformando em cristal tudo aquilo que toca. A trama é na verdade escrita pelo roteirista convidado Dan Mishkin, tendo também dois aristas convidados para ilustrar as edições, Bo Hampton (arte) e Scott Hampton (arte-final). No todo, não se trata de uma história ruim. A ideia se assemelha àquelas conhecidas aventuras de cientistas malucos que sofrem um acidente e acabam colocando para fora tudo o que de ruim havia neles, agora com o poder em mãos. Sempre o poder. O verdadeiro medidor do caráter humano.

O estranho é que nesta aventura há uma pausa na sequência dos eventos vistos em Prelúdio Para o Holocausto, apenas com o Pantanoso em cena e com Liz Tremayne, Dennis Barclay e Helmut Kripptman colocados temporariamente de lado. Não é uma continuação incoerente, mas acaba sendo estranha pela abrupta mudança de ares e temas. No desenvolvimento da história, o roteiro coloca do Vingador Fantasma como guia e por mais que o personagem seja interessante e tenha alguns bons momentos falando em enigmas e sugerindo ações para quem está perdido, sua participação parece deslocada aqui, funcionando de verdade somente no início e no final do arco.

plano critico monstro do pantano o homem que não iria morrer

As coisas mudam de verdade a partir da edição #16, mas não necessariamente porque Pasko volta aos roteiros (é maldade, eu sei, mas não deixa de ser verdade). A grande alteração que temos aí é o estabelecimento da imbatível dupla Steve Bissette na arte e John Totleben na finalização. Eles já haviam trabalhado juntos no título, no arco anterior, mas não guiando uma aventura inteira como aqui. E é a justamente a dupla que dá uma alavancada na qualidade geral da obra e não à toa que tenham sido mantidos no título para a fase seguinte.

Nessa segunda história temos basicamente o retorno de Anton Arcane, o grande inimigo do Monstro do Pântano. No frigir dos ovos, Pasko faz aqui uma faxina na casa. Ele reúne os principais personagens em um único espaço, dá a possibilidade de expansão dos planos de Sunderland (algo que Moore saberia aproveitar com perfeição já no início de A Saga) e cria elementos de puro horror que reaproxima o protagonista de sua gênese, desde a House of Secrets #92, mesclando linhas românticas, o conflito entre o humano e o monstro + o clima macabro que estaria no centro das atenções dos primeiros arcos de Moore no título.

Em alguns momentos o roteiro corre para explicar certas relações entre personagens, insere um número grande de elipses e ainda nos traz a vergonhosa edição #18, que basicamente reimprime quase toda a Swamp Thing #10, rememorando o último encontro do Musguento com Arcane e os Un-Men. Mesmo assim, o arco termina de maneira coerente. Os personagens principais são colocados em seus caminhos, o Monstro está em busca de algo — uma busca que o levaria e encontrar muito mais do que ele jamais imaginara — e o cenário, ao mesmo que finaliza uma fase do personagem, dá os primeiros acenos para a fase seguinte.

Swamp Thing Vol.2 #14 a 19: The Man Who Would Not Die (EUA, junho a dezembro de 1983)
Roteiro: Dan Mishkin, Martin Pasko
Arte: Bo Hampton, Steve Bissette
Arte-final: Scott Hampton, John Totleben
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza, Ben Oda
Capas: Tom Yeates, Steve Bissette
Editoria: Len Wein
144 páginas

Crítica | Cavaleiro das Trevas: The Golden Child

Nesse seu final de carreira, Frank Miller resolveu apostar quase todas as suas fichas em continuações e spin-offs de Batman – O Cavaleiro das Trevas, sem dúvidas uma das mais importantes obras dos quadrinhos mainstream modernos. Depois da normalmente mal-vista continuação de 2001/02, foram necessários mais 13 anos para o autor empolgar-se novamente, trazendo A Raça Superior entre 2015 e 2017, com direito ao one-shot prelúdio A Última Cruzada em 2016, para ajudar a “compensar” pelo atraso na terceira minissérie do Batman mais velho. Em 2019, seu Millerverso de Batman ganhou também um spin-off contando sobre o Ano Um do Superman, já sob o selo DC Black Label, e, no apagar das luzes do ano, eis que chega mais um one-shot, desta vez focados na geração jovem dos icônicos personagens da editora que ele vem abordando há anos.

Apesar do título em inglês conter menção ao Cavaleiro das Trevas, isso só foi feito para indicar aos leitores que a publicação de pouco mais de 50 páginas faz parte desse universo específico criado por Frank Miller, já que nem Batman, nem Superman (ok, esse dá as caras em três pequenos quadros na primeira página) e nem a Mulher-Maravilha aparecem em The Golden Child. A abordagem se dá unicamente a partir dos pontos-de-vista de Carry Kelley, ex-Robin, ex-Batgirl e agora Batwoman e de Lara e Jonathan Kent, filhos super-poderosos de Kal-El e Diana Prince, com Jonathan sendo a “Criança Dourada” do subtítulo original. É importante ter isso em mente e aceitar que os heróis veteranos não aparecem na narrativa apesar do grau de destruição que vemos no one-shot e dos vilões envolvidos, ninguém menos do que o novo Coringa e Darkseid, ambos trabalhando em conluio. Se isso não for aceito como premissa, é possível que o leitor só se desaponte já a partir da página 14, quando a efetiva pancadaria começa.

Ultrapassada essa questão, Frank Miller continua sua pegada razoavelmente pouco inspirada que infelizmente marca essa fase de sua brilhante carreira. No lugar de contar uma história fluida, que estabeleça causas e consequências de maneira lógica e minimamente encadeada, ele cria “momentos” razoavelmente soltos que se conectam sob uma premissa genérica de “vilões sendo vilões”. Para constatar esse fato, basta notar como ele começa discutindo questão central de A Raça Superior: como Lara e Jonathan são diferentes dos humanos e como eles nos enxergam como seres fracos que vivem “se quebrando” e se curando em um círculo vicioso de poucas virtudes. Superman sempre teve essa dicotomia entre divindade e humanidade muito bem discutida em suas histórias mais célebres e Miller tem mérito ao voltar a ela aqui tendo seus filhos como pivôs, especialmente em um mundo em que a juventude tende a ser mais imediatista e a tirar conclusões com base em manchetes de notícias.

Mas Miller não sabe explorar a questão realmente a fundo e logo abre espaço para Carrie mostra que é a verdadeira herdeira do Batman hiper-violento desse futuro semi-distópico, com táticas de guerra para destroçar um grupo comandando pelo Coringa para dispersar uma passeata anti-Trump, que quer se reeleger como prefeito de Gotham. E, com isso, entra o lado político da HQ que ganha até mesmo uma paródia de Jair Bolsonaro já que o artista é Rafael Grampá, retornando aos quadrinhos depois de vários anos e estabelecendo a primeira parceria com Miller.

Esse subtexto político parece solto e desestruturado, mais como uma birra contra os dois presidentes do que como um comentário que tenha estrutura dentro da narrativa. Mas a verdade é que, na medida em que a história se desenvolve, com Darkseid enlouquecido enfrentando os jovens Kents e com o quadrinho final que tem uma boa fala de Kelley, tudo acaba podendo ser visto como uma alegoria política contra a opressão de pessoas que tendem a tomar o poder e a esquecer o povo (Trump e Bolsonaro são usados como exemplos “da moda”, mas o mundo – e também o Brasil – é cheio de outros nos dois espectros políticos) e o poder que protestos organizados têm. Miller é normalmente xingado como fascista por muitos, pelo que será interessante ver como esses muitos reagirão a seu texto aqui.

Seja como for, estruturalmente, a HQ é uma montanha-russa de comentários diversos que acaba se tornando episódica, por vezes só focando em Kelley e, por outras, só nos Kents. Além disso, tudo bem que é perfeitamente possível imaginar um supervilão interessando na manipulação de eleições, mas logo Darkseid? Será que ele não está muito acima disso para preocupar-se com algo tão micro assim? E a resposta está na própria HQ, com o vilão revelando um plano muito maior que efetivamente não combina com a reeleição de um prefeito de uma cidade americana (não estamos nem falando do país!).

Com isso, a história vive de espasmos narrativos, com algumas belas sequências de ação e a revelação de um conjunto de poderes para a tal Criança Dourada que consegue torná-la ainda mais poderosa do que os já super-poderosos Superman e Lara Kent. Se já é difícil escrever o Superman em razão de seu overpower, Jonathan Kent será um desafio ainda maior em eventual continuação. Gostaria muito que Miller tivesse focado em um assunto apenas e o desenvolvido de maneira compassada e não jogado tudo de qualquer jeito nessa edição única.

A arte do brasileiro Grampá pode ser polêmica pelas liberdades anatômicas que ele toma, mas ele foi o primeiro artista a acertar o uniforme de Kelley depois que ela abandonou a persona de Robin. A capa dupla de forro amarelo e a textura “orgânica” do tecido que ela usa funcionam muito bem, assim como todo seu atleticismo exagerado. Lara e Jonathan não apresentam maiores dificuldades ou novidades, por outro lado, com o desenhista mantendo Lara como a vimos antes e Jonathan apenas com um figurino civil. Mas o que realmente chama a atenção é o detalhismo de Grampá e como ele desenha bem as sequências de ação de alta octanagem. O combate final contra Darkseid não é lá muito inspirado, mas isso é mais culpa de Miller não saber muito bem como acabar a história do que da arte em si.

The Golden Child é uma HQ desconjuntada, mas boa, talvez a melhor de Miller dentro de seu Millerverso de Batman desde a graphic novel original (diria que empatado com A Última Cruzada). Não é nem de longe um retorno à sua forma de outrora, mas há, sem dúvida alguma, a semente de uma potencialmente interessante nova forma de lidar com sua muito particular visão sobre o Batman e o Superman.

Cavaleiro das Trevas: The Golden Child (Dark Knight Returns: The Golden Child, EUA – 2019)
Roteiro: Frank Miller
Arte: Rafael Grampá
Cores: Jordie Bellaire
Letras: John Workman, Deron Bennett
Capa: Rafael Grampá, Pedro Cobiaco
Editoria: Mark Doyle, Amedeo Turturro
Editora original: DC Comics (DC Black Label)
Data original de publicação: 11 de dezembro de 2019
Páginas: 52

Crítica | Doomsday Clock #12: Desesperançado do Homem

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  • Há SPOILERS! Leia a crítica de Watchmen aqui. Leia as críticas de Antes de Watchmen aqui. E leia as críticas de todas as edições de Doomsday Clock aqui.
  • A nota acima é para esta última edição e para a série como um todo.

Toda criança vem com a mensagem de que Deus ainda não está desesperançado do homem.

Rabindranath Tagore

Esta 12ª e final edição de Doomsday Clock me trouxe um número bem grande de sentimentos e dificultou bastante a minha análise final da obra, olhando para toda a jornada que Geoff Johns e Gary Frank empreenderam. Inicialmente, a série “só” tinha a intenção de colocar o Universo Watchmen em contato com o Universo DC, formalizando as explicações sobre o fim dos Novos 52 e o início do Renascimento. Não, não era pouca coisa e mesmo assim nós já tínhamos a noção de que as consequências dessa saga respingariam em toda a DC, o que de fato acabou acontecendo… mas não sem uma boa dose de anticlímax.

Numa edição especial, bem maior que o normal (49 páginas), vemos o roteiro retomar a narrativa de onde parou em Um Erro Que Dure Toda a Vida, com os dois azulões se encontrando. A primeira coisa que nós esperamos — ou melhor, que foi prometida para nós, por isso queremos que aconteça… não só por fanboyzismo — é uma verdadeira briga entre os dois personagens, mas ela não acontece. E mesmo que isso seja imensamente frustrante, fica bem claro o por quê o autor resolveu seguir pelo caminho da “resolução no papo“. O foco da minissérie acabou indo para um plano maior do que o previsto e mesmo que a gente não tenha tido de verdade respostas para todas as perguntas aqui, a essência do projeto foi explicada… e uma Nova Era para o Dr. Manhattan se apresenta no final, inclusive dando piscadelas (em termos de possibilidade) para o que Damon Lindelof fez na série da HBO.

Nesse desfecho, em vez de brigas realmente importantes (porque vá lá, existem lutas acontecendo como pano de fundo, mas com um nível de empolgação não muito distante do zero), temos um convergir de ideias e uma exposição final de propósitos, ou seja, Doomsday Clock ganha mais status de “arrumadora de casa” e de “calendário de publicações futuras da DC” do que uma saga com enorme importância em si mesma capaz de, através de ações intricadas, sólidas e com um peso dramático real, mudar a vida de personagens e situações da editora. No fim das contas pode parecer a mesma coisa, mas não é. O que tivemos aqui terminou sendo a introdução de uma teoria com alguns poucos feitos práticos sobre a DC Comics. Isso faz com que a gente se sinta enganado em certa medida, já que não existiu uma real (fixa) ligação entre esta dimensão e a de Watchmen, havendo apenas a possibilidade de o garotinho Clark Osterman conseguir voltar para cá, como fez seu pai adotivo (que se dissipou no nada — morreu — para viver o sonho de uma vida com Janey Slater… pelo menos foi o que eu entendi).

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Dentre os grande eventos criados por Manhattan aqui, temos a explicação final sobre o estabelecimento dos Universos e o motivo deles existirem. Tudo gira em torno de uma visão de esperança, de possibilidade de melhora para a humanidade encarnada pelo Superman, e é justamente por causa dele que temos Terras, Crises e varações diferentes dos mesmos personagens pelo Universo afora. Demorou um pouco, mas foi apenas quando chamado a atenção para um “motivo pelo que lutar“, que um descontente com a humanidade como o Dr. Manhattan direcionou o olhar para outro ponto do horizonte. E desfez tudo o que havia feito “de ruim”… fazendo também outras coisas bem interessantes a seguir, como acabar com as armas nucleares de seu mundo no presente e passar os poderes para o menino Osterman, o “Dr. Manhattan Jr.” antes de desaparecer. Aqui ele planta uma semente de esperança e espera que esse garoto seja o Superman deste Universo sombrio.

Essa nova perspectiva do personagem é muito bonita, consideravelmente brega — ainda mais para uma série que se pretendeu épica — mas ainda assim, bonita. E o roteiro de Geoff Johns consegue passar muitíssimo bem esse sentimento, com painéis (viva a grandiosa arte de Gary Frank e as fantásticas cores de Brad Anderson!) que chegam a nos emocionar. O estabelecimento das Terras como as conhecemos em toda a História da editora, a realidade dos Novos 52 salva na Terra-52, a volta oficial da Sociedade da Justiça, a recolocação da antiga Legião dos Super-Heróis e do antigo Superboy, além de promessas para uma Crise dos Mestres do Tempo e uma Crise Secreta, para a volta dos Velhos Deuses, para o surgimento da Terra 5G e um possível crossover entre Marvel e DC, sendo citados aqui Thor e Hulk (este, como “green behemoth“) são pontos de destaque derivados de tudo o que aconteceu nestas doze edições.

Como disse no começo, foi um bom encerramento, mas eu não consigo deixar de amargar pontadas de anticlímax e até mesmo a sensação de ter sido parcialmente enganado. Mais uma vez, além do original, o plano de Ozymandias acaba sendo envolto em mistérios e quase morre na praia. A conclusão que a gente tira disso tudo é: pelo amor dos Deus, vamos parar de buscar algum sentido ou ordem na linha do tempo ou nos Universos da DC, porque a editora não vai parar de bagunçar e complicar tudo de novo. Esta é a moral da história.

Nos vamos na próxima Crise, onde tudo isso será apagado, esquecido, encapsulado, etc etc etc…

Doomsday Clock #12: Discouraged Man  — EUA, 18 de dezembro de 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Gary Frank
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Amedeo Turturro,  Brian Cunningham
49 páginas