Características do Realismo

Barroco

Barroco

O Barroco é um estilo que dominou a arquitetura, a pintura, a literatura e a música na Europa do século XVII.

Por isso, toda a cultura desse período, incluindo costumes, valores e relações sociais, é chamada de “barroca”.

Essa época surgiu no final do Renascimento e manifestava-se através de grande ostentação e extravagância entre os grupos beneficiados pelas riquezas da colonização

Contexto Histórico: Resumo

O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, causou grandes reformas no Catolicismo, em resposta à Reforma Protestante de Martinho Lutero. Assim, a autoridade da Igreja de Roma foi vigorosamente reafirmada, depois de perder muitos fiéis.

A Companhia de Jesus, reconhecida pelo papa em 1540, passa a dominar quase que inteiramente o ensino. Ela exerceu um papel importante na difusão do pensamento católico aprovado no Concílio de Trento.

A Inquisição que se estabeleceu na Espanha a partir de 1480 e em Portugal a partir de 1536, ameaçava a liberdade de pensamento. O clima era de austeridade e repressão.

Foi nesse contexto que se desenvolveu o movimento artístico chamado Barroco, numa arte eclesiástica que desejava propagar a fé católica.

Em nenhuma época se produziu um número tão grande de igrejas e capelas, estátuas de santos e monumentos sepulcrais.

Em quase todas as partes, a Igreja se associava ao Estado. Assim, a arquitetura barroca, antes só religiosa, surge também na construção de palácios, com o objetivo de causar admiração e poder.

Características do Barroco

As principais características que marcaram o período barroco foram:

  • Arte rebuscada e exagerada;
  • Valorização do detalhe;
  • Dualismo e contradições;
  • Obscuridade, complexidade e sensualismo;
  • Barroco literário: cultismo e conceptismo.

O Barroco na Europa

Itália

A Itália foi o considerada o berço do Renascimento e da arte barroca onde diversos artistas se destacaram.

Caravaggio (1571-1610)

Caracterizado pela rudez de suas obras, Caravaggio pintou temas religiosos onde explorava o contraste entre luz e sombras. Destacam-se: “A Captura de Cristo”, “Flagelação de Cristo”, “A Morte da Virgem”, “A Ceia de Emaús”, “Davi com a cabeça de Golias”, “Flagelação de Cristo”.

A Ceia de Emaús
A Ceia de Emaús (1601), de Caravaggio

Bernini (1598-1680)

Bernini foi um escultor e arquiteto italiano. Suas obras encontram-se em Roma e no Vaticano, entre elas: a “Praça de São Pedro”, “Catedral de São Pedro”, “O Êxtase de Santa Teresa”, “Busto de Paulo V” e “Castelo de Santo Ângelo”.

O êxtase de santa Teresa
O Êxtase de Santa Teresa (1647-1652), de Bernini

Borromini (1599-1667)

Francesco Borromini foi arquiteto e escultor italiano. Entre suas obras destacam-se: a “Catedral de São Pedro”, “Sant’Agnese in Agone”, “Palazzo Spada”, “Palazzo Barberini”, “Sant’Ivo alla Sapienza” e a “Igreja de San Carlo alle Quattro Fontane”.

Sant'Ivo alla Sapienza
Sant’ivo alla Sapienza (1642-1660), de Borromini

Andrea Pozzo (1642-1709)

Pozzo foi arquiteto, pintor e decorador italiano. Entre suas obras estão: “Glorificação de Santo Inácio”, “Anjo da Guarda”, “A Apoteose de Hércules”, o teto do “Salão Nobre do Palácio Liechtenstein”, em Viena, e a “Falsa Cúpula de São Francisco Xavier”.

falsa cúpula de São Francisco de Xavier
Falsa Cúpula de São Francisco de Xavier (1676), de Andrea Pozzo

Espanha

A Espanha foi o centro dos poetas barrocos, dos quais se destacaram: Quevedo, Gôngora, Cervantes, Lope de Vega, Calderón, Tirso de Molina, Gracián e Mateo Alemán.

Eles que fizeram a melhor literatura do século XVII, assimilada pelo resto da Europa a partir da segunda metade do século XVII.

Portugal

Em Portugal o Barroco vai de 1508 a 1756. Padre Antônio Vieira é o principal autor do Barroco literário em Portugal, mas passou a maior parte de sua vida no Brasil.

Sua Principal obra “Os Sermões“, constituem um mundo rico e contraditório. Revelam sua inteligência voltada para as coisas sacras e, simultaneamente, para a vida social portuguesa e brasileira.

Vieira foi uma espécie de cronista da história imediata. Assim, ele elaborava os sermões dentro da técnica medieval, deslindando as metáforas da linguagem bíblica.

Além de Vieira, merecem destaque: o padre Manuel Bernardes, D. Francisco Manuel de Melo, Francisco Rodrigues Lobo, soror Mariana Alcoforado e Antônio José da Silva.

Leia também:

O Barroco no Brasil

O Barroco no Brasil foi introduzido por intermédio dos jesuítas, no fim do século XVI. Só partir do século XVII, generaliza-se nos grandes centros de produção açucareira, especialmente na Bahia, através das igrejas.

Passada a fase do Barroco baiano, suntuoso e pesado, o estilo atingiu no século XVIII a província de Minas Gerais. Foi ali que Aleijadinho (1738-1814) elaborou uma arte profundamente nacional.

Paixão de Cristo Aleijadinho
Cena da Paixão de Cristo no Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas (MG). Essa obra foi produzida por Aleijadinho entre 1796 e 1799

Nessa época, não havia no Brasil condições para o desenvolvimento de uma atividade literária propriamente dita. O que se viu foi alguns escritores se espelhando nas fontes estrangeiras, geralmente nos portugueses e espanhóis.

Principais Autores Barrocos do Brasil

Os principais escritores brasileiros desse período foram:

  • Bento Teixeira (1561-1618)
  • Gregório de Matos (1633-1696)
  • Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711)
  • Frei Vicente de Salvador (1564-1636)
  • Frei Manuel da Santa Maria de Itaparica (1704-1768)

Leia mais sobre o Barroco:

Macunaíma

Macunaíma

Macunaíma é um dos romances modernistas mais importantes da literatura brasileira, escrito pelo poeta brasileiro Mário de Andrade (1893-1945), publicada em 1928.

O título da obra, refere-se ao personagem principal, um índio, que nesse caso, representa o povo brasileiro, como notamos na primeira frase da obra:

No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma”.

Além disso, Macunaíma, que possui um caráter épico, é considerado uma rapsódia que, segundo os gregos, representava fragmentos de cantos épicos, ou seja, uma obra literária que absorve todas as tradições orais e folclóricas de um povo, como a Ilíada ou a Odisseia de Homero.

O termo “rapsódia” do grego “rhapsodía”, significa “recitação de poema”, e do latim “rhapsodia”, representa o canto ou livro de poemas. Importante destacar que segundo o próprio autor da obra, Mario de Andrade: “Este livro afinal não passa duma antologia do folclore brasileiro”.

Resumo da Obra

Macunaíma é considerado um anti-herói (herói sem nenhum caráter) sendo sua característica mais marcante, a preguiça. Nasceu numa tribo amazônica, às margens do mítico rio Uraricoera, e viveu sua infância fazendo travessuras, falando palavrões, flertando com as mulheres, e assumindo diversas faces, tal qual o momento em que se transforma num homem branco, loiro e de olhos azuis, ao mergulhar num poço encantado.

Macunaíma morava com sua mãe e seus dois irmãos, Maanape e Jiguê porém, com a morte da mãe, ele e os irmãos vão em busca de aventuras. Nessas andanças Macunaíma conhece seu amor, Ci, a mãe do mato, com quem teve um filho, porém ambos morreram, sendo que Ci vira uma estrela.

Ela é a responsável pela peregrinação de Macunaíma, visto que lhe deu uma pedra, denominada “Muiraquitã”, que servia como um amuleto. Assim, após Piaimã, o gigante, roubar a muiraquitã de Macunaíma, ele e seus irmãos partem para São Paulo em busca de seu amuleto. Muitas peripécias acontecem até que, no final, Macunaíma mata Piaimã, toma de volta a pedra e vira a constelação ursa maior.

Personagens

  • Macunaíma: protagonista da obra, “o herói sem nenhum caráter”.
  • Maanape: irmão de Macunaíma.
  • Jiguê: irmão de Macunaíma.
  • Sofará: mulher de Jiguê.
  • Iriqui: nova mulher de Jiguê.
  • Ci: o amor de Macunaíma, quem lhe deu a “muiraquitã”.
  • Capei: cobra que Macunaíma enfrenta
  • Piaimã: é o gigante que roubou a muiraquitã de Macunaíma.
  • Ceiuci: mulher do gigante que tentou devorar Macunaíma.
  • Vei: “deusa sol”, mulher que representa o sol

Características da Obra

  • Obra atemporal, ou seja, não segue uma ordem cronológica
  • Críticas ao Romantismo
  • Gênero Cômico
  • Influência das vanguardas europeias: surrealismo, dadaísmo, futurismo, expressionismo (narrativa mítica, ações ilógicas, oníricas)
  • Indianismo moderno (tema do índio)
  • Valorização da linguagem coloquial (crítica à linguagem culta)
  • Valorização das raízes e da diversidade cultural brasileira

Estrutura da Obra

A obra Macunaíma é predominantemente escrita na terceira pessoa, contudo, é muito frequente o uso da primeira pessoa, marcada pela fala das personagens (discurso direto). Em relação ao tempo, note que trata-se de uma “narrativa ziguezagueante”, donde o passado, o presente e o futuro se mesclam e a linearidade não existe. Quanto ao espaço da narrativa, Macunaíma passa por muitos lugares, algumas cidades brasileiras de diferentes estados e países da América do Sul. A obra está dividida em 17 capítulos e 1 epílogo, a saber:

  • Capítulo I: Macunaíma
  • Capítulo II: Maioridade
  • Capítulo III: Ci, Mãe do Mato
  • Capitulo IV: Boiúna Luna
  • Capítulo V: Piaimã
  • Capítulo VI: A francesa e o gigante
  • Capítulo VII: Macumba
  • Capítulo VIII: Vei, a Sol
  • Capítulo IX: Carta pras Icamiabas
  • Capítulo X: Pauí-pódole
  • Capítulo XI: A velha Ceiuci
  • Capítulo XII: Tequeteque, chupinzão e a injustiça dos homens
  • Capítulo XIII: A piolhenta de Jiguê
  • Capítulo XIV: Muiraquitã
  • Capítulo XV: A pacuera de Oibê
  • Capítulo XVI: Uraricoera
  • Capítulo XVII: Ursa maior
  • Epílogo

Curiosidade

  • Baseado na obra de Mario de Andrade, o filme Macunaíma (1969) é uma comédia, escrita e dirigida pelo cineasta brasileiro Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988).

Fagundes Varela

Fagundes Varela

Fagundes Varela foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira da segunda geração do romantismo e Patrono da cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Biografia

Luís Nicolau Fagundes Varella nasceu na cidade de São João Marcos, atual município de Rio Claro (RJ), no dia 17 de agosto de 1841, donde viveu grande parte de sua infância.

Seu progenitores pertenciam à famílias fluminenses abastadas e seu pai, Emiliano Fagundes Varela era juiz e por isso, Fagundes residiu em vários lugares, primeiro em Goiás e depois em cidades do estado do Rio de Janeiro (Angra dos Reis e Petrópolis) onde completou seus estudos.

Em 1852, entra para o curso de Direito no Largo São Francisco, em São Paulo, mas abandona certo de que sua grande paixão é a literatura.

Assim, em 1861, publica sua primeira obra poética intitulada “Noturnas”. Casou-se duas vezes, primeiro aos vinte anos com Alice Guilhermina Luande, artista circense, que lhe dá um filho que morre com apenas 3 meses de idade.

Com a morte de seu filho e mais tarde de sua esposa (1966), Fagundes casa-se com sua prima, Maria Belisária de Brito Lambert, com quem teve três filhos, porém um deles morreu prematuramente.

Dedicou-se à literatura, a qual nota-se refletido suas tristezas, angustias na vida. Com isso, entrega-se a boemia e falece em Niterói, dia 18 de fevereiro de 1875, com 34 anos, vítima de apoplexia (acidente vascular cerebral-AVC).

Obras

Um dos poetas pertencentes à segunda geração romântica, chamada de “Mal-do-século” ou “Ultrarromântica”, a poesia de Fagundes Varela, além de abordar temas sociais e políticos, enfoca sobretudo, nos temas como a solidão, a melancolia, a angústia, a desilusão e o desengano. Algumas de suas obras:

  • Noturnas (1861)
  • Cântico do Calvário (1863)
  • Pendão Auri-verde (1863)
  • Vozes da América (1864)
  • Cantos e Fantasias (1865)
  • Cantos Meridionais (1869)
  • Cantos do Ermo e da Cidade (1869)
  • Anchieta ou Evangelho na Selva (1875)
  • Cantos Religiosos (1878)
  • Diário de Lázaro (1880)

Cântico do Calvário

Na sua obra poética, destaca-se a poesia intitulada “Cântico do Calvário” visto que foi inspirada na morte prematura do filho de seu primeiro casamento, em dezembro de 1863:

Eras na vida a pomba predileta

Que sobre um mar de angústias conduzia

O ramo da esperança. Eras a estrela

Que entre as névoas do inverno cintilava

Apontando o caminho ao pegureiro.

Eras a messe de um dourado estio.

Eras o idílio de um amor sublime.

Eras a glória, a inspiração, a pátria,

O porvir de teu pai! – Ah! no entanto,

Pomba, – varou-te a flecha do destino!

Astro, – engoliu-te o temporal do norte!

Teto, – caíste!- Crença, já não vives!

Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,

Legado acerbo da ventura extinta,

Dúbios archotes que a tremer clareiam

A lousa fria de um sonhar que é morto!

Curiosidade

  • No estado do Rio Grande do Sul, há uma cidade chamada Fagundes Varela em homenagem ao poeta.

Gêneros Literários

Gêneros Literários

Os gêneros literários são categorias dos textos literários, classificados de acordo com a forma e o conteúdo.

Dessa maneira, englobam o conjunto de características formais e temáticas das manifestações literárias. Do latim, o termo “gênero” (“genus” e “eris”) significa origem e nascimento.

Mas o que é Literatura?

A literatura é a arte das palavras, aquela que por meio das figuras de linguagens exprime sensações, emoções, desejos.

Assim, ela engloba diversos textos sendo os gêneros literários classificados em: Lírico, Épico (Narrativo) e Dramático.

Por sua vez, os gêneros textuais são classificados em: Narrativo, Descritivo, Dissertativo, Expositivo e Injuntivo.

Classificação dos Gêneros Literários

A classificação dos gêneros literários foi proposta, na antiguidade clássica, pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), as quais foram divididas em:

  • Gênero Lírico: “palavra cantada”.
  • Gênero Épico: “palavra narrada”.
  • Gênero Dramático: “palavra representada”.

Gênero Lírico

O Gênero lírico apresenta textos em versos por meio de uma linguagem poética, de caráter sentimental com predominância da subjetividade do eu-lírico (primeira pessoa).

Do latim, o nome lírico, surgiu de “lira”, instrumento utilizado para acompanhar as poesias cantadas. Importante notar que o “eu-lírico” é distinto do autor, ou seja, o eu-lírico pode ser masculino ou feminino, independente de sua autoria. Alguns exemplos de textos líricos são:

Gênero Épico

O gênero épico representa a mais antiga das manifestações literárias e abarca as narrativas histórico-literárias de grandes acontecimentos, com presença de temas terrenos, mitológicos e lendários.

Note que o termo “épico” vem da palavra “epopeia”, que do grego (“épos”) simboliza a narrativa em versos de fatos grandiosos centrados na figura de um herói ou de um povo.

Os elementos essenciais das narrativas épicas são: narrador (quem narra a história), enredo (sucessão dos acontecimentos), personagens (principais e secundárias), tempo (época dos fatos) e espaço (local dos episódios).

Atualmente, os estudiosos referem-se a esse gênero como “narrativo” em detrimento do termo “épico”. Alguns exemplos de textos épicos são:

Gênero Dramático

O gênero dramático envolve a literatura teatral em prosa ou em verso, aquela para ser apresentada e encenada. Do grego, a palavra “drama” significa “ação”.

Por esse motivo, o diálogo é um recurso muito utilizado, de forma que a tríade essencial dos textos literários dramáticos são: o autor, o texto e o público. Assim, algumas modalidades dos textos dramáticos são:

  • Tragédia
  • Comédia
  • Tragicomédia
  • Farsa
  • Elegia

Saiba mais sobre a origem e as categorias desse gênero:

Odisseia

Odisseia

Odisseia é um poema épico escrito pelo poeta grego da Antiguidade, Homero. O poema, criado provavelmente entre os séculos IX e VII a.C., narra aventuras do herói Ulisses, em sua volta para Ítaca, após a Guerra de Troia.

O nome “Odisseia” vem de “Odysseus”, herói grego, rei de Ítaca, que os latinos chamam de Ulisses.

Estrutura da Obra

A Odisseia é formada por 24 contos ou rapsódias, divididas em três partes, embora não haja separação explícita.

Primeira parte

A primeira parte é chamada “Telemaquia”, por tratar de “Telêmaco“, filho de Ulisses e Penélope.

Compreende os cantos I e IV, nos quais Ulisses só é citado por sua ausência, pois deixara Ítaca, rumo à Troia, para a guerra. Mas, tendo terminado após dez anos, Ulisses não voltava.

Telêmaco quer ir buscá-lo. Para isso, tem antes que lutar contra os pretendentes à mão de sua mãe e ao trono. Consegue escapar com a ajuda da deusa Atena.

Segunda parte

Na segunda parte, que abrange os contos V a XIII, relata as aventuras de Ulisses. Ele mesmo as enumera falando a Alcinoo, rei dos Faéceos: deixando Troia, vagou sem destino pelo mar, sem as rotas de retorno à Ítaca. Fantásticos acontecimentos desviaram sua trajetória.

Retardou sua volta por mais sete anos, quando Calipso, deusa apaixonada, o reteve na ilha Ogígia. Libertado desse doce cárcere, por intervenção de Atena, navega próximo à ilha dos Feáceos, quando naufragou e foi obrigado a nadar até a ilha de Esquéria.

Terceira parte

A terceira parte tem como tema a vingança de Ulisses. De volta à Ítaca, após vinte anos, disfarça-se de mendigo e mistura-se em meio ao povo.

Aos poucos se inteira das traições cometidas em sua ausência. Gradativamente se deixa identificar, primeiro por seu filho e depois por Penélope.

Ao lado de Telêmaco luta contra os usurpadores, os extermina e reassume o reino de Ítaca.

Ulisses

Ulisses, figura central do poema, se defronta com peripécias sobre-humanas. Circe, a deusa feiticeira que transforma os companheiros de Ulisses em porcos, o ciclope Polifemo, o mostro marinho e Caríbdis, o precipício.

Apesar de usar meios humanos, vence todos os obstáculos, embora os deuses contribuíssem para sua integridade física. É um homem que utiliza dons dos homens, como inteligência e coragem.

Telêmaco

Telêmaco é ainda criança quando Ulisses parte para Troia, cresce à medida que a ação se desenrola.

O exemplo da mãe, os conselhos de Atena, as experiências de viagens, a figura de heróis famosos, concorrem para seu amadurecimento. Aos 16 anos parte em busca do pai, cuja ausência se alonga e ameaça o reino.

Penélope

Penélope, a fiel esposa de Ulisses, esperou vinte longos anos, resistindo às investidas dos que pretendiam conquista-la.

Exigiam dela uma escolha, e para posterga-la Penélope declarou que elegeria um dos pretendentes quando terminasse de tecer a mortalha de Laertes, pai de Ulisses. De dia tecia, de noite desfazia, interminavelmente.

Atena

Atena, deusa da sabedoria, da razão e da guerra, assiste Ulisses e Telêmaco em todas as aventuras em que ambos se empenham.

O auxílio prestado, entretanto, é o do espírito. Combinando a força física e o valor pessoal dos heróis é que produz os efeitos. No decorrer da obra, a deusa assume as mais diversas formas, desde a de homem até a de pássaro.

Homero

Homero, a quem se atribui a epopeia, pouco se sabe de sua vida e do ambiente em que teria vivido, por volta dos séculos IX e VIII a.C., o chamado período homérico.

Inúmeras lendas narram a vida de Homero. Segundo uma delas, esteve na ilha de Ítaca, onde reuniu dados para escrever a vida de Odisseu, o aventureiro rei da ilha. A falta de dados levou a se duvidar da própria existência de Homero.

As obras, “Odisseia” e também “Ilíada” foram conservadas graças à tradição oral. No século VII a.C., rapsodos de toda a Grécia recitavam trechos da Odisseia e da “A Ilíada”, que ficaram conhecidas por “homéridas”, pois contavam as histórias criadas por Homero.

Ilíada

Ilíada

Ilíada é um poema épico que foi escrito no século IX a.C., pelo poeta grego Homero. O poema desenvolve-se em torno da Guerra de Troia, que provavelmente se deu no século XIII a.C.

Homero descreve com detalhes o mundo grego da época apesar de não ter sido testemunha dos fatos, pois viveu quatro séculos depois.

O nome “Ilíada” é derivado de “Ilion”, antigo nome de “Troia”. A primeira denominação é uma homenagem a “Ilos” e a segunda a “Tros“, seu pai, ambos ancestrais lendários do “rei Príamo”.

A Tradição Cantada em Versos

A Ilíada é formada por 24 cantos, onde as proezas dos heróis gregos e troianos são minuciosamente narrados.

Isso só teria sido possível graças à manutenção oral das tradições e costumes, efetuados pelos rapsodos.

Eles eram trovadores que viajavam de cidade em cidade, cantando poemas épicos e histórias de aventuras nas cortes dos reis e nos acampamentos guerreiros.

Homero pode ter sido um soberbo contador de épicos da antiga Grécia. Vários poemas históricos devem ter-se conservado graças à tradição oral.

“A Ilíada” e também a “Odisseia“, obras atribuídas ao poeta, só foram escritas pelo estadista ateniense Pisístrato (605-527 a.C.), que reuniu todos os poemas épicos.

Elas desempenharam um papel primordial na importância da educação grega, já que as qualidades dos heróis épicos passaram a servir como padrão de comportamento.

Mais tarde, em Roma, Homero foi o mais bem acolhido dos poetas gregos.

Na Ilíada, uma façanha cantada em versos, os acontecimentos da Guerra de Troia são descritos por Homero. Sem a preocupação com a verdade histórica, o passado surge entretecido de mitos.

É constante a participação dos deuses olímpicos nos episódios de guerra, e a própria Vênus, ao tentar proteger seu filho Enéas, vê-se ferida no campo de batalha.

Quanto aos heróis, estes são verdadeiros semideuses. É difícil traçar um limite exato entre os fatos reais e as lendas.

A Guerra de Troia

A Ilíada tem por assunto a narrativa dos combates travados diante de Troia, pelos gregos.

Segundo o poeta Homero, a Guerra de Troia foi consequência do rapto de Helena, filha de Píndaro, rei da cidade grega de Esparta.

Helena, esposa de “Menelau”, que tornou-se o novo rei, com a morte de “Píndaro”, foi raptada por “Páris”, príncipe de Troia, filho do “rei Príamo”. Em visita à corte espartana ele apaixona-se perdidamente por Helena.

Uma poderosa esquadra é organizada por “Agamenon”, irmão mais velho de “Menelau”, onde reúne guerreiros, entre eles “Aquiles” e “Ulisses”, figuras centrais do poema.

Invoca a proteção dos deuses, jura conquistar o palácio de Príamo e atravessa o mar Egeu, pois Troia estava na península hoje ocupada pela Turquia.

Após dez anos de luta, com vitórias alternadas, a pedido de Ulisses, simulam retirar-se em seus navios. Deixaram perto das portas de Troia um gigantesco cavalo de madeira.

Os troianos levam para dentro da cidade o estranho presente, sem saber que ele traz oculto no seu interior um grupo de soldados gregos.

Troia é totalmente arrasada e Helena é reconduzida à Esparta. Ainda hoje se fala em “presente de grego”.

Vários estudiosos chegaram a duvidar da existência de Troia, considerando-a uma fantasia de Homero, assim como vários outros lugares por ele descritos.

Até que em 1870, o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann, baseado nos textos de Homero, encontrou as ruínas da cidade perdida.

Homero

Inúmeras lendas narram a vida de Homero. Segundo uma delas, era filho de Meo, e muito cedo ficou órfão de pai e mãe. Ee viveu em extrema pobreza.

Aprendeu história e música e tornou-se mestre na escola que frequentava. Um mercador o teria levado em suas viagens através do Mediterrâneo.

Esteve na ilha de Ítaca, onde reuniu dados para escrever a vida de Odissseu (Ulisses, para os latinos). Em Ítaca teve os primeiros sintomas de uma doença grave nos olhos, que o cegou para o resto da vida.

Homero esteve também em Quios, onde completou seu primeiro grande poema “A Ilíada”. Retornando pelo mar foi até a ilha de Io, onde morreu.

A falta total de dados sobre a vida de Homero levou à crença de que não fosse um personagem real. Só a partir de meados do século XVIII o interesse pela figura do poeta cresceu de tal maneira que surgiu uma “questão homérica”.

Onde teses inteiras foram elaboradas, afirmando ou negando sua existência. Na história grega, toda a fase que antecedeu os séculos X e XI a.C., foi designada como“tempos homérico”, dada a importância de seus poemas “A Ilíada” e “Odisseia”.

Soneto

Soneto

Soneto é uma estrutura literária de forma fixa composta por catorze versos, dos quais dois são quartetos (conjunto de quatro versos) e dois tercetos (conjunto de três versos).

Foi provavelmente criado pelo poeta e humanista italiano Francesco Petrarca (1304-1374).

A palavra soneto (do italiano “sonetto”) significa pequeno som ao referir-se à sonoridade produzida pelos versos.

Tipos de Soneto

O soneto petrarquiano ou regular é o mais experimentado. No entanto, Willian Shakespeare (1564-1616) criou o soneto inglês, composto de 3 quartetos (estrofes de quatro versos) e 1 dístico (estrofe de dois versos).

Há também o soneto monostrófico, o qual apresenta uma única estrofe composta pelos catorze versos. E o soneto estrambótico, aquele que conta com versos ou estrofes adicionais.

Estrutura do Soneto

Os sonetos são geralmente produções literárias de conteúdo lírico formados, nessa ordem, por dois quartetos e dois tercetos.

No interior da estrutura do soneto, faz se necessário observar alguns conceitos básicos:

  • estrofe
  • verso
  • métrica
  • rima

Estrofe e Verso

Importante ressaltar que o verso corresponde a frase ou palavra que compõem cada linha de uma poesia. Enquanto a estrofe é o conjunto de versos de uma das seções do poema.

Assim, de acordo com o número de versos que compõem uma estrofe, elas são classificadas em:

  • 1 verso: Monóstico
  • 2 versos: Dístico
  • 3 versos: Terceto
  • 4 versos: Quarteto ou Quadra
  • 5 versos: Quintilha
  • 6 versos: Sextilha
  • 7 versos: Septilha
  • 8 versos: Oitava
  • 9 versos: Nona
  • 10 versos: Décima
  • Mais de dez versos: estrofe irregular

Saiba mais sobre o tema com a leitura:

Métrica

A métrica é medida do verso a qual corresponde ao número de sílabas poéticas.

No caso do soneto, os versos são geralmente decassílabos, ou seja, compostos de 10 sílabas poéticas, classificados em:

  • Versos Heroicos: sílabas tônicas nas posições 6 e 10.
  • Versos Sáficos: sílabas tônicas se encontram nas posições 4, 8 e 10.

Observe que as sílabas poéticas ou métricas diferem das sílabas gramaticais. A “escansão” é o termo utilizado para indicar a contagem dos sons dos versos. Ela é desenvolvida por três regras básicas:

  1. Quando há duas ou mais vogais átonas ou tônicas no final de uma palavra e do começo de outra, elas se fundem, formando uma só sílaba poética, por exemplo: A-ma-da ar-te (4 sílabas poéticas)
  2. Os ditongos são palavras de uma só sílaba poética, por exemplo: meu, céu, viu.
  3. A contagem das sílabas é feita até a última sílaba tônica do verso, por exemplo: “De- tu-do ao- meu- a-mor- se-rei a-ten-to” (verso decassílabo, donde a última palavra do verso “atento” possui sua sílaba tônica no “ten”, e por isso, a última “to” não é contada)

Assim, além dos versos decassílabos, as formas mais conhecidas são:

  • Redondilha Menor: 5 sílabas métricas
  • Redondilha Maior ou Heptassílabo: 7 sílabas poéticas
  • Eneassílabo: 9 sílabas poéticas
  • Hendecassílabo: 11 sílabas poéticas
  • Dodecassílabo ou Versos Alexandrinos: 12 sílabas poéticas

Rima

A rima é a concordância de sons estabelecida entre as palavras do poema.

No soneto petrarquiano o posicionamento das rimas nos catorze versos, apresentam a composição: abba abba cdc (cde) dcd (cde)

Os quartetos são formados por rimas entrelaçadas ou opostas, de forma que o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro.

Sonetistas Brasileiros

Alguns autores brasileiros que se destacaram na produção de sonetos:

Sonetistas Portugueses

Em Portugal, o soneto foi uma forma literária introduzido pelo escritor Sá de Miranda, no século XVI, quando voltou Itália.

Alguns poetas que se destacaram com a produção de sonetos foram:

Soneto de Fidelidade

Um dos mais emblemáticos exemplos do soneto moderno brasileiro está presente na música popular brasileira (MPB).

Ele foi escrito em 1960 pelo escritor e músico Vinícius de Moraes: Soneto da Fidelidade:

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Conto Fantástico

Conto Fantástico

Os contos fantásticos ou contos de fantasia representam um gênero da literatura fantástica (realismo mágico ou maravilhoso) com origem no século XVII.

Esse estilo vigorou nos países latino-americanos a partir do século XX, como forma de denunciar a realidade opressiva vivido pelos anos de ditadura.

Segundo o filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov:

Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico.”

Características da literatura fantástica

conto fantástico

No gênero fantástico, os textos são pautados numa realidade não lógica. Ou seja, a narrativa se desenrola num mundo irreal ou universo onírico, marcado pelo absurdo, a inverossimilhança e situações e ações extraordinárias.

As principais características dos contos fantásticos são:

  • Narrativa concisa a partir de temas livres fantásticos, os quais aliam o fantástico e o real ou a ficção à realidade, surgindo da oposição dentre dois planos: real e irreal.
  • Presença de alegorias e de personagens que podem ser: monstros, fantasmas, seres invisíveis, mágicos, mitológicos ou folclóricos, dentre outros.
  • Realidade ilógica distante da realidade humana, composta de elementos maravilhosos, inverossímeis, imaginários, extraordinário, bem como a presença de magias e poderes sobrenaturais.
  • Enredo não linear ou ziguezagueante (mescla de presente, passado e futuro) com utilização de recursos como o flashback (voltar ao passado) e o tempo psicológico (tempo das emoções e das recordações vividas pelos personagens).
  • Provocam sensações de “estranhamento” no leitor, por meio da ruptura realidade-ficção.

Principais representantes

No Brasil

Machado de Assis
Machado de Assis, um dos maiores representantes da literatura fantástica brasileira

Os escritores brasileiros que exploraram o gênero fantástico foram:

  • Aluísio de Azevedo, (1857-1913) em sua obra de contos “Demônios” (1895);
  • Machado de Assis (1839-1908) em seu conto intitulado “O espelho”, pertencente à obra “Papéis Avulsos” (1892);
  • Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) em seu livro “Contos de Aprendiz” (1951), texto como “Flor, telefone, moça”;
  • Murilo Rubião (1916-1991) na obra “O ex-mágico” (1947).

No mundo

Júlio Cortázar e Jorge Luís Borges
Júlio Cortázar e Jorge Luís Borges, grandes representantes da literatura fantástica latino-americana

Os autores latino-americanos que se destacaram com a publicação de textos desse gênero foram:

  • os argentinos Jorge Luis Borges (1889-1986) e Júlio Cortázar (1914-1984);
  • o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014);
  • o cubano Alejo Carpentier (1904-1980).

Ademais, no âmbito mundial, destacam-se:

  • o escritor austríaco Franz Kafka (1883-1924), com sua emblemática obra “A metamorfose” (1912);
  • o alemão Ernst Theodor Amadeus Hoffmann (1776-1822) com o conto fantástico “Homem de Areia” (1815).

Exemplo de Conto fantástico

Como exemplo de Conto Fantástico, segue o trecho do texto “Flor, telefone, moça”, de Carlos Drummond de Andrade:

Não, não é conto. Sou apenas um sujeito que escuta algumas vezes, que outras não escuta, e vai passando. Naquele dia escutei, certamente porque era a amiga quem falava. É doce ouvir os amigos, ainda quando não falem, porque amigo tem o dom de se fazer compreender até sem sinais. Até sem olhos.

Falava-se de cemitérios? De telefones? Não me lembro. De qualquer modo, a amiga – bom, agora me recordo que a conversa era sobre flores – ficou subitamente grave, sua voz murchou um pouquinho.

– Sei de um caso de flor que é tão triste!

E sorrindo:

– Mas você não vai acreditar, juro.

Quem sabe? Tudo depende da pessoa que conta, como do jeito de contar. Há dias em que não depende nem disso: estamos possuídos de universal credulidade. E daí, argumento máximo, a amiga asseverou que a história era verdadeira.

– Era uma moça que morava na Rua General Polidoro, começou ela. Perto do Cemitério São João Batista. Você sabe, quem mora por ali, queira ou não queira, tem de tomar conhecimento da morte. Toda hora está passando enterro, e a gente acaba por se interessar. Não é tão empolgante como navios ou casamentos, ou carruagem de rei, mas sempre merece ser olhado. A moça, naturalmente, gostava mais de ver passar enterro do que não ver nada. E se fosse ficar triste diante de tanto corpo desfilando, havia de estar bem arranjada.

Se o enterro era mesmo muito importante, desses de bispo ou de general, a moça costumava ficar no portão do cemitério, para dar uma espiada. Você já notou como coroa impressiona a gente? Demais. E há a curiosidade de ler o que está escrito nelas. Morto que dá pena é aquele que chega desacompanhado de flores – por disposição de família ou falta de recursos, tanto faz. As coroas não prestigiam apenas o defunto, mas até o embalam. Às vezes ela chegava a entrar no cemitério e a acompanhar o préstimo até o lugar do sepultamento. Deve ter sido assim que adquiriu o costume de passear lá por dentro. Meu Deus, com tanto lugar pra passear no Rio! E no caso da moça, quando estivesse mais amolada, bastava tomar um bonde em direção à praia, descer no Mourisco, debruçar-se na amurada. Tinha o mar à sua disposição, a cinco minutos de casa. O mar, as viagens, as ilhas de coral, tudo grátis. Mas por preguiça pela curiosidade dos enterros, sei lá por quê, deu para andar em São João Batista, contemplando túmulo. Coitada! (…).”

O que é Conto?

O gênero conto é o gênero literário da prosa de ficção que possui caraterísticas singulares.

O vocábulo “conto”, do latim “computus”, significa cômputo, conta. De modo geral, os contos são textos mais curtos que o romance e a novela, ou seja, corresponde a uma narrativa concisa, no qual o tempo, o espaço e o número de personagens são reduzidos.

Do mesmo modo, carregam o modelo tradicional da estrutura narrativa, divididos em: apresentação, complicação, clímax e desfecho.

O que distingue um conto fantástico dos outros, é justamente a presença da magia, a qual ultrapassa, notoriamente, os limites humanos e a lógica.

Entretanto, no conto fantástico, como no modelo tradicional, prevalece a narrativa de curta, composta de um único episódio singular e representativo, centrada num acontecimento com um número limitado de personagens.

Não pare por aqui. Leia outros textos relacionados com esse tema.

Gonçalves de Magalhães

Gonçalves de Magalhães

Gonçalves de Magalhães foi um escritor brasileiro pertencente à primeira geração romântica, fase marcada pelo binômio nacionalismo-indianismo, sendo considerado um dos precursores do romantismo no Brasil.

Patrono da Cadeira n° 9 na Academia Brasileira de Letras (ABL), exerceu também a profissão de jornalista, médico, professor e diplomata.

Para saber mais, acesse o link: Primeira Geração Romântica

Biografia

Domingos José Gonçalves de Magalhães, o Visconde do Araguaia, nasceu no Rio de Janeiro dia 13 de agosto de 1811. Desde cedo desenvolveu o gosto pelas artes, sobretudo, pintura e literatura.

Ingressou no curso de Medicina, no Colégio Médico-Cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia, em 1828, graduando-se em 1832, ano que publicou seu primeiro livro “Poesias”.

Estudou também Filosofia de Monte Alverne, no Seminário Episcopal de São José. Em 1833, resolve aperfeiçoar seus conhecimentos na área médica e viaja para a Europa.

Envolvido no meio literário parisiense, o escritor publicou, em 1836, o Manifesto Romântico intitulado “Discurso sobre a Literatura no Brasil”; e, junto aos escritores brasileiros Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Francisco de Sales Torres Homem (1812-1876) fundaram a Revista Niterói (Nitheroy, revista brasiliense) focada na divulgação de textos nas áreas das ciências, letras e artes, com o intuito de divulgar a cultura brasileira.

Entretanto, foi com sua obra “Suspiros Poéticos e Saudades” (1836) que Gonçalves de Magalhães se destacou, sendo considerada a primeira obra do romantismo no Brasil.

Em 1837, retorna ao Brasil e começa a escrever obras de dramaturgia, inaugurando, também, o teatro romântico no Brasil. No ano seguinte, foi nomeado professor de Filosofia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Além disso, foi secretário do coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, no Maranhão. Permaneceu no cargo de 1837 a 1841. Mais tarde viaja para o Rio Grande do Sul sendo eleito Deputado.

Em 1847, ingressou na profissão de Diplomacia exercendo a função de Ministro de Negócios em diversos países: Paraguai, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Itália, Vaticano, Áustria, Rússia e Espanha.

Nesse mesmo ano casou-se com Ana Amélia, com quem teve dois filhos: Domingos e Luís. Em 1876, recebe o título de Visconde do Araguaia. Falece em Roma, Itália, dia 10 de julho de 1882.

Principais Obras

Suas obras estão repletas de características românticas imbuídas de amplo valor histórico. Alguns temas recorrentes são o nacionalismo, a morte, a infância, Deus, a natureza, dentre outros.

Gonçalves de Magalhães escreveu poesias (indianistas, amorosas e religiosas), teatro, ensaios e textos filosóficos. Sua obra que mais se destacou foi “Suspiros Poéticos e Saudades”, publicada em Paris, em 1836. Outras obras:

  • Poesias (1832)
  • Antônio José ou o Poeta e a Inquisição (1838)
  • Olgiato (1839)
  • Os Mistérios (1857)
  • Urânia (1862)
  • Cânticos Fúnebres (1864)
  • Opúsculos Históricos e Literários (1865)
  • Fatos do Espírito Humano (1865)
  • Confederação dos Tamoios (1856)
  • A Alma e o Cérebro (1876)
  • Comentários e Pensamentos (1880)

Para saber mais, acesse o link: Romantismo no Brasil

Suspiros Poéticos e Saudades

Obra poética antilusitana, posto que o Brasil passava pelo processo de emancipação política, marcada pela Independência do país, proclamada em 1822.

Dessa forma, em sua obra o autor enfoca o patriotismo, nacionalismo, o individualismo e o sentimentalismo, mediadas por temas como a idealização da natureza e da infância, sendo assinalada pelo sentimentos de saudade e nostalgia de seu país de origem.

Poesias

Segue abaixo três poesias da obra de Gonçalves de Magalhães presentes na obra “Suspiros Poéticos e Saudades” (1836):

A Fantasia

Para dourar a existência

Deus nos deu a fantasia;

Quadro vivo, que nos fala,

D’alma profunda harmonia.

Como um suave perfume,

Que com tudo se mistura;

Como o sol que flores cria,

E enche de vida a natura.

Como a lâmpada do templo

Nas trevas sozinha vela,

Mas se volta a luz do dia

Não se apaga, e sempre é bela.

Dos pais, do amigo na ausência,

Ela conserva a lembrança,

Aviva passados gozos,

E em nós desperta a esperança.

Por ela sonho acordado,

Subo ao céu, mil mundos gero;

Por ela às vezes dormindo

Mais feliz me considero.

Por ela, meu caro Lima,

Viverás sempre comigo;

Por ela sempre a teu lado

Estará o teu amigo.

A Tristeza

Triste sou como o salgueiro

Solitário junto ao lago,

Que depois da tempestade

Mostra dos raios o estrago.

De dia e noite sozinho

Causa horror ao caminhante,

Que nem mesmo à sombra sua

Quer pousar um só instante.

Fatal lei da natureza

Secou minha alma e meu rosto;

Profundo abismo é meu peito

De amargura e de desgosto.

À ventura tão sonhada,

Com que outrora me iludia,

Adeus disse, o derradeiro,

Té seu nome me angustia.

Do mundo já nada espero,

Nem sei por que inda vivo!

Só a esperança da morte

Me causa algum lenitivo.

A Flor Suspiros

Eu amo as flores

Que mudamente

Paixões explicam

Que o peito sente.

Amo a saudade,

O amor-perfeito;

Mas o suspiro

Trago no peito.

A forma esbelta

Termina em ponta,

Como uma lança

Que ao céu remonta.

Assim, minha alma,

Suspiros geras,

Que ferir podem

As mesmas feras.

É sempre triste,

Ensanguentado,

Quer seco morra,

Quer brilhe em prado.

Tais meus suspiros…

Mas não prossigas,

Ninguém se move,

Por mais que digas.

Figuras de Pensamento

Figuras de Pensamento

As Figuras de Pensamento fazem parte de um dos grupos das figuras de linguagem, ao lado das figuras de palavras, das figuras de sintaxe e das figuras de som.

Utilizadas para produzir maior expressividade à comunicação, as figuras de pensamento trabalham com a combinação de ideias, pensamentos.

Gradação ou Clímax

Na gradação os termos da frase são fruto de hierarquia (ordem crescente ou decrescente)

Exemplo: As pessoas chegaram à festa, sentaram, comeram e dançaram.

Neste caso, a gradação vai ao encontro com o clímax, ou seja, o encadeamento dos verbos se faz na ordem crescente, e por isso trata-se de uma gradação crescente: chegaram, sentaram, comeram e dançaram.

Por outro lado, se a gradação é decrescente, é denominada de “anticlímax”, por exemplo:

Estava longe, hoje perto, agora aqui.

Prosopopeia ou Personificação

Consiste na atribuição de ações, sentimentos ou qualidades humanas a objetos, seres irracionais ou outras coisas inanimadas, por exemplo:

O vento suspirou essa manhã.

Nesse exemplo, sabemos que o vento é algo inanimado que não suspira, sendo esta uma “qualidade humana”.

Eufemismo

Atenua o sentido das palavras, suavizando as expressões do discurso, por exemplo:

Ele foi para o céu.

Neste exemplo, a expressão utilizada “para a céu”, ameniza o discurso real: ele morreu.

Hipérbole ou Auxese

A hipérbole é uma figura de linguagem baseada no exagero intencional do locutor, isto é, expressa uma ideia de forma exagerada, por exemplo:

Liguei para ele milhões de vezes essa tarde.

Sabemos que a pessoa tinha o intuito de enfatizar que ligou muitas vezes, entretanto, não chegou a 1 milhão, num pequeno espaço de tempo, ou seja, durante uma tarde.

Litote

Assemelha-se ao eufemismo, uma vez que atenua a ideia do enunciado mediante a negação do contrário, sendo portanto, a figura de linguagem que se opõe à hipérbole, por exemplo:

Aquela bolsa não é cara.

Pela expressão destacada, podemos concluir que o locutor enfatizou que a bolsa é barata, ou seja, a negação do contrário: não é cara.

Antítese

Corresponde à aproximação de palavras contrárias, que têm sentidos opostos, por exemplo:

O ódio e a amor andam de mãos dadas.

Neste caso, o termo “ódio” está utilizado ao lado de seu termo “oposto” na frase: amor.

Paradoxo ou Oxímoro

Diferente da antítese, que opõem palavras, o paradoxo corresponde ao uso de ideias contrárias, aparentemente absurdas, por exemplo:

Esse amor me mata e vida.

Neste caso, o mesmo amor traz alegrias (vida) e tristeza (mata) para a pessoa.

Ironia

Produz um efeito contrário com intenção sarcástica, maliciosa e/ou de crítica, uma vez que as palavras são utilizadas em sentido diverso ou oposto, por exemplo:

Ele é um santinho mesmo!

Dependendo do discurso dos falantes fica claro que a palavra “santinho”, foi utilizada em sentido oposto, ou seja, não tem nada de santo, é malcriado.

Apóstrofe

Caracterizam as expressões de chamamento ou apelo, função que se assemelha ao vocativo, por exemplo:

Ó Deus! Ó Céus! Porque não me ligou?

O chamamento utilizado antes, enfatiza a indignação do locutor com a falta do telefonema.

Exercício

Identifique as figuras de pensamento no texto abaixo.

Essa relação deixa muito a desejar; a namorada já chorou rios de lágrimas.
Apaixonada, ela fala, explica, têm paciência, mas só a televisão parece que consegue conversar com ele, que não é mau rapaz, mas poderia ser melhor.
“Você está assistindo televisão desde que chegou! Deve estar muito cansado agora…” — diz ela.
Alguém tem paciência para isso?
Às vezes o ama, às vezes não sabe… Antítese da vida, paradoxo do amor.

chorou rios de lágrimas: Hipérbole
fala, explica, têm paciência: Gradação
a televisão parece que consegue conversar: Prosopopeia
não é mau rapaz: Litote
Deve estar muito cansado agora: Ironia
Alguém tem paciência para isso?: Apóstrofe

Agora que você já sabe tudo sobre Figuras de Pensamento, leia também:

Estilos de Época

Estilos de Época

Na literatura, os Estilos de Época (também chamadas de Escolas Literárias ou Movimentos Literários) representam o conjunto de procedimentos estéticos que caracterizam a produção literária de determinado período histórico.

Estão concentrados a partir de características semelhantes entre as obras dos produtores literários, nesse caso, os escritores.

Em outras palavras, os estilos de época surgem na medida em que os processos artísticos individuais se tornam repetitivos e constantes.

São assinalados por determinada época histórica de acordo com seus valores estéticos e ideológicos, criando assim, uma geração de escritores e consequentemente, de obras literárias que apresentam características semelhantes.

Estilo Individual

O Estilo Individual ou Estilo Pessoal designa o modo particular utilizado por cada escritor na composição de suas obras.

Ou seja, representa o conjunto de características estilísticas ou temáticas (na forma ou no conteúdo da construção poética), o qual fora incluído numa determinada escola literária, de acordo com a época vivida (contexto-histórico) ou até mesmo pelas características que ressaltam em sua obra.

Dessa maneira, podemos pensar no escritor Machado de Assis (1839-1908) que está inserido no movimento romântico e realista, uma vez que suas obras contém características de ambas escolas.

Para saber mais: Estilística

Estilos de Época na Literatura Brasileira e Portuguesa

Antes de mais nada, importante salientar que toda a produção literária foi dividida didaticamente em “Eras ou Épocas”.

Dentro delas, surgem as “Escolas, Movimentos ou Correntes”, as quais representam um período histórico determinado, repleto de escritores e obras, que possuem semelhanças estilísticas e temáticas e compartilham estilos e visão de mundo.

Note que qualquer obra literária apresenta marcas do contexto em que foi produzida, seja na esfera social, política, cultural ou ideológica da época em questão.

Na Literatura de Portugal, as Eras são classificadas em: Medieval, Clássica e Moderna, sendo que dentro de cada uma há um conjunto de movimentos literários.

Destarte, na Era Medieval estão reunidos os movimentos literários do Trovadorismo (1189) e do Humanismo (1418).

Por conseguinte, na Era Clássica encontram-se as escolas: Classicismo (1527), Barroco (1580) e o Arcadismo (1756).

Por fim, na Era Moderna, também denominada de Era Romântica, estão os movimentos: Romantismo (1825), Realismo-Naturalismo (1865), Simbolismo (1890) e Modernismo (1915).

Por sua vez, a Literatura Brasileira é formada por duas Eras: Colonial e Nacional.

Assim, na Era Colonial estão reunidas as escolas literárias do Quinhentismo (1500), Barroco (1601) e Arcadismo (1768).

Já na Era Nacional estão: o Romantismo (1836), Realismo/Naturalismo/Parnasianismo (1881), Simbolismo (1893), Pré-Modernismo (1902) e o Modernismo (1922).

Periodização da Literatura

A Periodização Literária representa o conjunto de eras e escolas literárias, agrupadas sistematicamente de forma a facilitar o estudo dos escritores e da arte literária.

Para tanto, a divisão das escolas literárias de Portugal e Brasil diferem na época em que cada uma começou a se desenvolver, entretanto, abrigam características semelhantes.

O conjunto de movimentos literários portugueses são: Trovadorismo, Humanismo, Classicismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo-Naturalismo, Simbolismo, Modernismo.

O conjunto de movimentos literários brasileiros são: Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-Modernismo e Modernismo.

Entenda mais sobre o tema lendo os artigos:

Trovadorismo (século XII a XIV)

Destacam-se os cancioneiros e as cantigas (amor, amigo e escárnio), sendo as principais características do Trovadorismo: união de música e poesia, uso da emoção, críticas sociais, ideal cavaleiresco, tradições populares, temas profanos e amorosos.

Para saber mais leia os artigos:

Humanismo (século XV)

Marcado pela transição do teocentrismo para o antropocentrismo, as principais características do Humanismo são: foco no psicológico das personagens (crônicas históricas e teatro) e separação do texto literário e da poesia.

Para saber mais leia os artigos:

Quinhentismo/Classicismo (século XVI)

O classicismo é o nome atribuído às manifestações literárias que ocorreram em Portugal no século XVI, sendo suas principais caraterísticas o antropocentrismo, universalismo, nacionalismo, predomínio da razão e do equilíbrio e rigor formal.

Por sua vez, o Quinhentismo é o nome da primeira manifestação literária ocorrida no Brasil no século XVI, após a chegada dos portugueses.

As principais características do Quinhentismo são: literatura Informativa (crônicas de viagens) baseada em temas sobre a conquista material e espiritual, e a literatura de catequese.

Para saber mais leia os artigos:

Barroco/Seiscentismo (século XVII)

Surgido com a crise renascentista europeia no período da Contrarreforma, o barroco representa a escola literária do conflito do corpo e da alma, baseada na busca dos valores humanísticos donde congrega duas principais características: cultismo (jogo de palavras) e o conceptismo (jogo de ideias).

Para saber mais leia os artigos:

Arcadismo/Setecentismo (século XVIII)

Retorno ao modelo clássico, o arcadismo ao contrário do barroco busca a objetividade, sendo suas principais características: bucolismo (natureza), predomínio da razão, cientificismo, universalismo e materialismo.

Para saber mais leia os artigos:

Romantismo (primeira metade do século XIX)

No período romântico há o rompimento com a tradição clássica (greco-romana), sendo suas principais características: sentimentalismo, nacionalismo, subjetividade, individualidade, egocentrismo, escapismo, idealização da mulher.

Para saber mais leia os artigos:

Realismo (segunda metade século XIX)

Oposto aos ideais românticos, o realismo pretendeu desenvolver um retrato mais fidedigno da realidade, sendo suas principais características: objetivismo, veracidade, contemporaneidade, foco no psicológico das personagens, temáticas social, urbana e cotidiana.

Para saber mais leia os artigos:

Naturalismo (segunda metade século XIX)

Diante de uma linguagem mais próxima do coloquial, o naturalismo recorre a uma visão determinista e mecanicista do homem, de forma que propõem apresentar a realidade com objetividade.

Além disso, outra característica marcante do naturalismo é a presença de personagens patológicas (desequilibradas e doentias com características de morbidez).

Para saber mais leia os artigos:

Parnasianismo (segunda metade século XIX)

A maior preocupação dos poetas parnasianos foi a busca do rigor estético, traduzido na perfeição da forma poética, sendo suas principais características: objetivismo, cientificismo, universalismo, culto à forma poética.

Para saber mais leia os artigos:

Simbolismo (final do século XIX)

Movimento literário oposto ao realismo e naturalismo, o simbolismo utiliza da musicalidade para propor uma arte mais subjetiva, relacionada à imaginação (subconsciente e inconsciente) e ao irracional.

Para saber mais leia os artigos:

Pré-Modernismo e Modernismo (século XX)

Movimento de transição literária entre o simbolismo e o modernismo, o pré-modernismo despontou no Brasil no início do século XX, sendo composto de uma grande variedade estética (gama de características) o qual rompeu com o academicismo, ao propor uma arte mais próxima do cotidiano e da realidade, a partir de uma linguagem coloquial traduzidas nos regionalismo e marginalização de personagens.

Da mesma forma, o Modernismo rompeu com o tradicionalismo, propondo uma libertação estética e formal da arte literária.

Para saber mais leia os artigos:

Pós-Modernismo

Surgido a partir dos anos 50, o movimento pós-modernista vigora até os dias atuais pautado na imprecisão, no hiper-realismo, na individualidade e na busca incessante do prazer (hedonismo).

Para saber mais leia os artigos:

Gênero Épico

Gênero Épico

O Gênero Épico (ou Gênero Narrativo) é um gênero literário considerado como a mais antiga manifestação literária.

Do grego, “epikós” faz referência à narrativa feita em versos que retrata acontecimentos grandiosos (seja fatos históricos reais, lendários ou mitológicos), vinculados à figura de um herói, considerado um semideus, isto é, um ser superior dotado de superpoderes.

Origem do Gênero Épico

O gênero épico surgiu na Antiguidade por volta do século VII a.C., sendo os grandes representantes Homero, poeta grego considerado o fundador da poesia épica, com suas obras “Ilíada” e “Odisseia”; e Virgílio, poeta romano, com sua obra “Eneida”.

Na Idade Média, o grande representante do gênero foi o poeta italiano Dante Alighieri, com sua obra a “Divina Comédia”. Na Idade Moderna, o poeta português Luís de Camões destacou-se com a obra “Os Lusíadas”.

Principais Características

  • Poema longo (narrativa em verso)
  • Texto narrativo
  • Verbos e acontecimentos no passado
  • Mitologia greco-romana
  • Sobrenatural

Gêneros Literários

Além do gênero épico (narrativo), há dois tipos de gêneros literários:

  • Gênero Lírico: formado basicamente por textos em verso, os quais exprimem emoções e sentimentos do eu lírico.
  • Gênero Dramático: geralmente escrito em prosa, remete aos textos teatrais, ou seja, aqueles para serem dramatizados (encenados), tendo o diálogo como um fator marcante.

Exemplos de Textos Épicos

Além da epopeia, outros gêneros épicos merecem destaque, os quais são constituídos por enredo, ação, personagens, narrador, tempo e espaço:

  • Epopeia: extenso poema épico, dividido em proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.
  • Romance: narrativa extensa que apresenta personagens, tempo e espaço definidos, donde as ações ocorrem juntas na trama.
  • Novela: narrativa extensa, porém menor e mais dinâmica que o romance, sendo que a novela é dividida em episódios.
  • Conto: menor que o romance, o conto são pequenas narrativas caracterizadas pela brevidade que relatam acontecimentos cotidianos e, em grande parte, não apresentam características detalhadas dos personagens.
  • Crônica: narrativa que aborda fatos cotidianos e por isso, são considerados textos de curta duração, por exemplo, os textos de jornais.
  • Fábula: narrativas curtas de caráter educativo, escritas em prosa ou verso.

Saiba mais sobre algumas epopeias famosas:

Estrutura das Epopeias

As epopeias designam poemas narrativos heroicos bem extensos, os quais remetem aos feitos históricos ou temas mitológicos. Possuem uma estrutura fixa, tal qual o poema de Camões “Os Lusíadas”, divididas em cinco partes:

  • Proposição (ou exórdio): introdução da obra, onde se apresentam o herói da trama, bem com o assunto que será abordado.
  • Invocação: momento de invocação para que as divindades auxiliem o herói da epopeia.
  • Dedicatória: parte em que é a epopeia é dedicado a alguém.
  • Narração: parte mais longa da epopeia, onde estão relatadas todos os feitos do herói.
  • Epílogo: encerramento da narrativa.