Caity Lotz

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X05: Mortal Khanbat

Mortal Khanbat legends of tomorrow plano crítico

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Antes de começar, vamos deixar aqui uma nota de admiração para toda a graça persa de Shayan Sobhian nesse episódio, vamos? Vamos! A propósito, bem que um dos fugitivos do Inferno poderia ser Ciro II ou Dario I (que de bondade não tinha nada), só para a gente ver o menino B. com figurinos do Império Aquemênida…

Agora vamos à crítica, e creio que é lícito começar por um elefante branco que já tinha me incomodado muitíssimo quando aconteceu com Charlie e agora volta a me incomodar porque acontece com Mick. Eu até acho interessante que as Lendas tenham algum tipo de independência em relação ao grupo e não é de hoje que a gente vê os roteiros desenvolvendo um plot ou certo aspecto de um personagem à margem do escopo principal dos episódios, certo? Ora, o próprio Mick protagonizou um desses arcos, quando ele começou sua carreia como “escritora”.

O que acontece aqui em Mortal Khanbat, porém, é uma total aceitação do “mal humor” do moiçolo, que ficou na Waverider bebendo, sofrendo pela namorada. Me pareceu uma desculpa forçada para afastar o personagem (afastamentos só são bons quando bem integrados/justificados), da mesma forma que foi irresponsável na saída de Charlie, no começo da temporada, e tudo “ficando por isso mesmo”. Vejam, se fosse em um momento onde não tivesse nada para fazer e os roteiros estivessem usando o tempo apenas para desenvolver relações interpessoais ou histórias secundárias, tudo bem. Só que o pessoal está caçando almas vindas do Inferno! Toda ajuda é necessária! Aí o desfalque de um membro por um certo capricho emocional ou de fuga é aceito sem mais nem menos. Quero só acreditar que é porque Sara estava fora.

E só porque eu falei mal da Charlie preciso pagar a própria língua nesse mesmo episódio, porque vê-la de volta com essa revelação de sua verdadeira identidade foi algo bem legal. Normalmente histórias que aparecem para complementar um personagem trazem um certo perigo, já que muitas vezes não se encaixam bem. Contudo, faz sentido imaginar que ela é uma Moira (Destino), mais especificamente a Cloto, que na mitologia grega era responsável por segurar o fuso e tecer o fio da vida. Eu gosto disso. Claro que seria preferível que ela não tivesse sido só apresentada como uma “criatura mágica” no ano anterior, mas como uma criatura que tinha algo a mais, algo que as Lendas ainda não conseguiam identificar. De qualquer forma, não é uma revisão de identidade que contraria nada. Só não é completamente orgânica com a jornada de Charlie até aqui.

Ainda assim, o dilema de fuga, o joguinho dela com Behrad + a participação na luta contra Genghis Khan foram bons pontos. No bloco de Constantine, mais uma baita atenção dada para o personagem e sua missão na temporada, que termina se unindo com quem Charlie realmente é. Eis aí mais um ponto para o roteiro dessa semana: conseguir relacionar plots diferentes dentro de um mesmo objetivo, não deixando que a série se expanda demais e depois fique mais difícil fechar tudo. Além disso, mais uma semana com uma resolução diferente para a alma saída do Inferno, o que é sempre algo para se elogiar — entretanto… era Genghis Khan, certo? Um final um pouco menos patético para o tipo de pessoa que ele foi seria mais condizente.

O episódio como um todo teve uma cadência grande de movimento interno, o que me deixou bem impressionado, pois esta foi a estreia de Caity Lotz na direção, logo em um capítulo com uma variação de grande de lugares, movimentação de personagens e trabalho com atmosferas bem diferentes. Gostei especificamente da atenção maior que ela deu para o drama de Constantine contracenando com Gary, Ray e Astra. Parece que sabemos o tipo de abordagem que nossa marinheira de primeira viagem se sente mais à vontade, não é mesmo? Que seja o primeiro de muitos episódios com ela atrás da câmeras!

Legends of Tomorrow – 5X05: Mortal Khanbat (EUA, 25 de fevereiro de 2020)
Direção: Caity Lotz
Roteiro: Grainne Godfree, Mark Bruner
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe Jes Macallan, Courtney Ford, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Terry Chen, Robin Atkin Downes, Madeline Hirvonen, Devyn Dalton, Colin Foo, Chris Robson, Nicholas Harrison, David Soo, Megan Hui, Raymond Wey-Ming Ho, Leo Chiang, Darryl Quon, Natalie Logan, Paul Cheng
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X04: A Head of Her Time

plano crítico Legends of Tomorrow – 5X04 A Head of Her Time

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

O que não faz um pequeno festival de cabeças decepadas para animar uma série, não é mesmo? Depois de temer um pouco pelo que poderia aparecer em Legends of Tomorrow, eu me deparo feliz com A Head of Her Time, um capítulo que estabelece muitíssimo bem todos os personagens e sofre apenas de desajeitada sequência no núcleo de Constantine (e que tem a ver com a montagem e o conteúdo dramático de parte delas, não com os personagens em si).

Não sei se estão ensaiando a saída da Sara Lance, mas foi realmente interessante ver Ava no comando, passando pelos conhecidos testes de autoridade que normalmente novos capitães passam. A abordagem para isso, no roteiro de Morgan Faust, tem uma excelente ramificação, sendo uma das melhores coisas do episódio porque faz com que todos pareçam naturais em seus diálogos e núcleos, principal três personagens que vinham pastando em roteiros anteriores e que me espantaram o quanto foram bem inseridos na história aqui: Gary, Zari e Charlie.

Vocês já sabem o quanto eu sempre falei bem dos figurinos dessa série, mesmo quando era um lixo, lá em 2016. O que eu mais gosto nesse caso não é apenas a boa representação histórica do guarda roupa das Ledas (e cada semana temos um período ou situação diferente, fazendo do show um dos mais criativos e intensos em termos de renovação de figurinos), mas como a equipe tem a sensibilidade de dar peças de época que fazem sentido para cada personagem ou para o tipo de entrelinha que o roteiro está tentando sugerir (veja como o figurino de Ava aqui é representativo de sua visão deslocada — e vista por ela mesma como inferior — frente à equipe: ela, o posto mais alto na hierarquia da nave, é a que está vestida como camponesa, a mais humilde dentre os que visitam Versalhes).

O bloco inteiro da França foi diversão do começo ao fim. Há algumas referências visuais emprestadas de Maria Antonieta que funcionaram perfeitamente bem aqui e, melhor ainda, mais uma alma fora do Inferno que teve uma caçada e um fim diferente, me fazendo mais uma vez pagar a língua diante da criatividade dos roteiristas em reavivar um tema já batido na série, mas de modo inovador. Isso é que é reciclar com classe!

No outro ponto do episódio temos o drama de Constantine, que agora ganhou fôlego de verdade e parece seguir uma linha independente da trama principal. Isso, via de regra, é um convite a complicações de roteiro (já tivemos isso com Vixen no passado, lembram-se?) mas se os episódios futuros seguirem a boa qualidade que essa camada foi tratada aqui, não temos nada a temer. Tanto as cenas no Inferno quanto a jornada para John falar a verdade foram bem moduladas no desenvolvimento e no final, tropeçando um pouco apenas no início. A temporada continua divertida e em constante melhora. Tudo o que eu mais queria!

Legends of Tomorrow – 5X04: A Head of Her Time (EUA, 18 de fevereiro de 2020)
Direção: Avi Youabian
Roteiro: Morgan Faust
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Maisie Richardson-Sellers, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Alice Hunter, Sarah Strange, Thea Highwarden, Kasimir Leskard, Ryan Bell, Knox Hamilton, Bombyx Du Murier, Shayn Walker, Ali Seifi, Johnny Wu
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X03: Slay Anything

Crítica _ Legends of Tomorrow – 5X03_ Slay Anything plano crítico

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Rolou uma certa invejinha de AHS: 1984, não rolou? Rolou sim, Dona Legends of Tomorrow! Mas aquela inveja verde, boa, que nos trouxe mais um episódio divertido, interessante e que não apenas trabalhou com (muitas!) referências para o gênero, mas soube aplicá-las em favor do enredo. Porque hoje chegamos a um ponto em que roteiristas estão enfiando referências e easter eggs de tudo quanto é proveniência nos episódios e nos filmes, mas… sem quê nem porquê. Aí ficamos com aquela obra que pisca para um monte de coisa consagrada, mas deixa de lado a qualidade da própria história que deveria dar suporte a essas piscadelas. Para nossa sorte, isso não acontece em Slay Anything.

O episódio é uma continuação direta de Miss Me, Kiss Me, Love Me e nos mostra como a equipe lidou com Zari após a sua hilária chegada no fim do capítulo anterior. Diferente daquela ocasião, onde tudo em relação à personagem pareceu orgânico, tivemos alguns momentos meio fora de tom aqui, especialmente quando a vimos sozinha no “quarto-prisão” da Waverider. Essa percepção, porém, desaparece quando a personagem está acompanhada, o que traz um certo receio para o que teremos nos episódios seguintes envolvendo Zari. Espero fortemente que ele não se torne uma Charlie da vida.

O foco central do episódio, porém, foi um bom mergulho no slasher, referenciando obras como Halloween: A Noite do Terror (1978), Sexta-Feira 13 (1980), A Hora do Pesadelo (1984) e claro, fazendo a recriação da famosa cena de Carrie, a Estranha (1976), referência que já se tornou tão clássica quanto o próprio filme. Todo o elemento de terror aqui funciona muitíssimo bem e constitui a melhor coisa do episódio. O drama materno (um tanto edípico) alcança um nível curioso de “revisão” do gênero, mas dentro de uma perspectiva coerente para com o show, mesclando o sci-fi, a viagem no tempo e esse tipo de assassinato em série com a presença e missão das Lendas + todo o plot da temporada, que é a vinda das almas do inferno novamente para a Terra. E aqui isso aparece do modo menos óbvio possível, o que me fez gostar ainda mais dessa parte do enredo.

Meu problema está no bloco de Charlie, que acaba arrastando Constantine também. Ele está bem em cena, porque começa na Waverider e tem um caminho lógico para seguir; já a fujona simplesmente acontece de estar na casa do mago, como quem não quer nada. O show está bem divertido, mas eu não consigo segurar o medo que assoma no horizonte toda vez que penso em Zari influenciadora digital, em Charlie e em Gary, que definitivamente perdeu a graça. É aquele ponto de uma série que tem tudo para dar certo na temporada corrente, mas também traz as sementes do que pode dar errado. Tomara que consigam segurar bem as pontas aqui. Não podemos perder a nossa dose de humor super-heroico da semana!

Legends of Tomorrow – 5X03: Slay Anything (EUA, 20 de maio de 2019)
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Matthew Maala, Tyron B. Carter
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Maisie Richardson-Sellers, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Beth Riesgraf, Seth Meriwether, Lisa Marie DiGiacinto, Pascal Lamothe-Kipnes, Garrett Quirk, Veronika London, Jasmine Vega, Samuel Braun
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X02: Miss Me, Kiss Me, Love Me

plano crítico legends of tomorrow Miss Me, Kiss Me, Love Me (2020)

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Dando um bom pulo de qualidade e diversão de Meet the Legends para cá, LoT parece ter encontrado um bom caminho na perigosa premissa de reaproveitar a dinâmica de “caça aos vilões” que marcou a 4ª Temporada. Miss Me, Kiss Me, Love Me (título que brinca com a famosa canção Poison, do Bell Biv DeVoe) é um indicativo verdadeiro de que essa temática pode funcionar, agora que trabalha com uma alma condenada numa atmosfera bem diferente daquela em que apareceu Raputin e, ainda assim, logrou um baita resultado final.

Existem referências nos diálogos a Chinatown (1974), Tubarão (1975) e Os Simpsons, enquanto a trama se passa em Los Angeles, no ano de 1947, e no futuro. O clima de máfia em cores flerta com o noir, mas segue a escola cômica (no texto e na fotografia) de O Escorpião de Jade, o que me deixou preocupado no início, porque a quebra dramática no começo do episódio não flui bem, o que poderia colocar tudo a perder, já que a maior parte do tempo seria nesse cenário da “Era de Ouro”. É então que o texto de Ray Utarnachitt revela a sua verdadeira intenção e abraça a comédia sem abandonar o perigo da vez ou ignorar os esforços das Lendas para dar cabo de mais um infame liberado por Astra.

A estratégia utilizada pelo autor é perfeita: a parte cômica serve como costura do enredo, assim, vemos uma boa dose de cenas hilárias dentro e fora da nave, com destaque para Ava achando que cantava maravilhosamente bem e para o aniversário do pai de Behrad (o meu bloco favorito do capítulo). É através dessas pequenas distrações que a grande problemática do episódio se passa. Depois de estabelecida a proposta, todo o capítulo flui deliciosamente bem, de modo que é até possível perdoar a má desenvolvida colocação de Ray na Polícia, linha que só funciona no final, mas que mesmo assim não é algo assustadoramente ruim, apenas mal introduzido.

Nós já tivemos situações familiares cômicas e complexas quando visitamos a família de Nate algumas vezes na Temporada passada, então esse tipo de trabalho na série já é conhecido, e a melhor coisa em relação a ele é que funciona bem: os visitantes têm algo a esconder e a família, sem saber, coloca-os em situações delicadas (e por isso, cômicas), exatamente o que temos em toda a sequência com Nate e B tentando esconder quem de fato são… e o que fazem.

Eu achei que iria odiar a volta de Zari (novamente reciclagem de outro elemento da série, feito antes com Charlie), mas eu curti muito esse retorno dela. A personagem agora é um influenciadora digital daquelas bem patéticas, e que desconfia do trabalho do irmão e do estranho “professor” que ele levou para casa. Era já o tempo de algo dar errado, como de fato deu. Mas deu errado para melhor, claro. Nessa linha, só temos boas coisas para esperar dessa temporada. Louvado Seja!

Legends of Tomorrow – 5X02: Miss Me, Kiss Me, Love Me (EUA, 20 de maio de 2019)
Direção: David Geddes
Roteiro: Ray Utarnachitt
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Haley Strode, Jonathan Sadowski, David Diaan
Duração: 42 min.

Crítica | Arrow – 8X10: Fadeout

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

E, depois de oito anos, Arrow, que marcou o pontapé inicial do Arrowverse, hoje populado das mais variadas séries, chega a seu fim. Com uma temporada final reduzida, mas completamente escrava do crossover Crise nas Infinitas Terras e que, no episódio anterior, também serviu de pontapé inicial para o spin-off Green Arrow & the Canaries, Fadeout vem para mais uma vez homenagear Oliver Queen e para preparar o terreno para o que está por vir, agora que o herói morreu e tornou-se o Espectro, figura que, tenho certeza, aparecerá vez ou outra nas séries do canal.

O mote é o enterro de Oliver, que abre oportunidade para afirmar que, em sua segunda morte, que também recriou o multiverso, o herói ressuscitou sua mãe Moira Queen, seu melhor amigo Tommy Merlyn e seu mentor Quentin Lance, além de ter eliminado o crime em Star City. Tentar entender o porquê de ele não ter ressuscitado mais gente, especialmente a Laurel Lance original, mesmo que o episódio tente oferecer explicações mequetrefes, é um exercício em futilidade, até porque a conclusão de que ele foi egoísta ao não ter eliminado o crime no mínimo nas cidades de seus amigos super-heróis, é inafastável, pelo que é melhor nem pensar nisso. Voltando ao enterro, ele é o ponto focal e a razão pela qual boa parte do elenco da série retorna – inclusive o sumido Rory Regan (ou Retalho), a Mia Smoak do futuro e, claro, Felicity -, mas os showrunners da série e que também escreveram o episódio, acharam pouco e tiveram que inserir ação, pois seria impensável fazer algo mais contemplativo ou reflexivo.

Com isso, eles inventam o sequestro (de novo!) de William, filho de Oliver. Sua versão adulta acabara de ser sequestrada em 2040 e, pelo visto, o William garoto ficou com ciúmes e quis o mesmo, em uma construção completamente artificial com uma resolução mais artificial ainda que coloca Mia nos holofotes como a grande herdeira do legado do Arqueiro Verde (uau, que surpresa…). Mas nem tudo é ruim nessa tentativa de se marretar ação no episódio, já que os flashbacks para 2012, em um momento importante na vida de Oliver em que, influenciado por John Diggle, ele deixa de matar bandidos (foi o mesmo momento em que a coragem dos showrunners em fazer algo diferente foi para o ralo). E digo que nem tudo é ruim não por esse momento em seu passado em si, pois ele é tão artificial quanto o sequestro de seu filho no presente e, claro, a conexão entre as duas coisas, mas sim porque a execução das sequências de ação é muito boa, completamente fora da curva em relação ao que vinha sendo apresentado ao longo dessa temporada e também da temporada anterior.

James Banford, que foi o responsável pelo tenebroso Purgatory e pelo fraco Starling City, tem talvez seu melhor trabalho com diretor aqui, especificamente nos dois planos-sequências do Arqueiro, no passado, liquidando capangas de um vilão que trafica humanos. Não só a coreografia é muito boa, como o dinamismo das duas cenas é impressionante, algo que há muito não se via em qualquer série da DC da CW. Claro que não há nem de longe o finesse dos incríveis planos-sequência de Demolidor, por exemplo, mas a pancadaria que vemos aqui é exatamente o tipo de despedida digna que eu esperaria para o super-herói, por mais que ele nunca tenha sido mais do que mediano para mim. Além disso, o foco em John Diggle tanto no passado quanto no presente dignifica o sidekick de Oliver e efetivamente o coloca como o herdeiro do herói, já que, convenhamos, é duro de engolir a tal Mia Smoak como super-heroína.

Tudo bem que a confirmação de que John Diggle tornar-se-á o Lanterna Verde da Terra Prime (presumivelmente aparecendo primeiro na série Superman & Lois, já que ele se muda para Metrópolis e já que a série dos Lanternas Verdes se passará em outra Terra) é feita da maneira mais marretada e boba possível, um daqueles fan services escritos em papel higiênico pelo entregador de cafezinho do estagiário do secretário do assistente de roteirista da série, mas o mero fato de o personagem ter um fim nessa linha, colocando-o não como um coadjuvante largado, mas sim como alguém que carrega efetivamente o legado do Arqueiro Verde de alguma forma, é algo que merece aplausos. Mas não muito efusivos, claro, pois meteoro caindo no jardim de sua casa, ele metendo a mão na cratera logo em seguida e tirando uma “caixa de óculos” com provavelmente o anel da Tropa dos Lanternas foi de fazer as retinas sangrarem…

E, com isso, mesmo com todo o chororô que marca a despedida, mesmo com a reformação do casal vai-não-vai Thea Queen e Roy Harper (aquele braço mecânico paraguaio dele foi comprado no camelô, só pode…), mesmo com a ressuscitação de personagens que muito provavelmente deveriam ter permanecidos mortos, mesmo que tenhamos que ter aturado Felicity de novo e mesmo que Star City tenha sido magicamente libertada dos crimes, no final das contas o adeus para Oliver Queen até que conseguiu ficar acima da linha do meramente mediano. Por outro lado, é triste notar que isso é o máximo que a CW consegue fazer para o personagem fundador de seu multiverso.

Arrow – 8X10: Fadeout (EUA, 28 de janeiro de 2020)
Showrunners: Marc Guggenheim, Beth Schwartz
Direção: James Bamford
Roteiro: Marc Guggenheim, Beth Schwartz
Elenco: Stephen Amell, David Ramsey, Katie Cassidy, Katherine McNamara, Colin Donnell, Willa Holland, Susanna Thompson, Paul Blackthorne, Emily Bett Rickards, Colton Haynes, Echo Kellum, Rick Gonzalez, Juliana Harkavy, Sea Shimooka, David Nykl, Katrina Law, Caity Lotz, Joe Dinicol, Jack Moore
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X01: Meet the Legends

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Depois do episódio Especial “00” de Legends of TomorrowCrisis on Infinite Earths – Parte Cinco, a série retorna à sua programação normal com Meet the Legends, o início oficial (e perigoso) da 5ª Temporada do show. E eu disse “perigoso” porque o roteiro desse episódio tinha que trabalhar em duas vertentes: a primeira, lidando com o retorno de Sara e Ray e Mick do crossover e a segunda, lidando com algo ainda mais complicado e ingrato, que é a introdução já avançada do simpaticíssimo Behrad Tomaz (Shayan Sobhian) na equipe.

A estrutura utilizada pelos roteiristas Grainne Godfree e James Eagan foi, em uma só palavra, matadora. Depois do decepcionante Hey, World!, eu confesso que estava com medo, algo que há muito eu não tinha em relação à série. Mas a reentrada do show no ar veio de maneira direta, brincando com a exposição de maneira inteligente, engraçada e com uma boa dose de loucura, aquilo que a gente realmente esperaria de LoT. Como muita coisa mudou ou se colocou no meio da linha do tempo dos personagens nos últimos tempos, a volta do programa tinha por obrigação tratar desses assuntos em tela, e seria um porre ver 40 minutos de exposição engraçadinha a respeito da Crise, de Oliver ou mesmo de B., que enquanto não tem um crush na série, posso disponibilizar um espaço para ele aqui no meu coração, ao lado do furacão Avalance.

Como o uso da metalinguagem não é algo novo na série, coube ao diretor Kevin Mock colocar na tela de maneira criativa o status atual do show, fazendo-o de forma bem rápida e não-contínua com os traumas de Sara e de modo muito competente com Behrad. Minha antipatia para com o personagem no Finale da 4ª Temporada deu um enorme giro de recepção, fazendo com que eu visse com bons olhos tudo relacionado ao personagem aqui, algo que não posso dizer de Mona, Gary e da sumida incoerente de Charlie, por exemplo. Se tivesse que escolher, claro que eu prefiro essa sumida do que ver a personagem jogada sem fazer nada ou apenas povoando as cenas, mas convenhamos: nem tanto ao Céu, nem tanto à Terra, não é mesmo?

Voltando a Behrad, o texto conseguiu incluir o personagem de forma objetiva, orgânica e sem abusar de elementos expositivos: a metalinguagem bastou para recolocar todo mundo num mesmo espaço, afastar Constantine temporariamente e introduzir a temática da temporada, já aludida no ano anterior — uma nova caçada a vilões, dessa vez, a corpos reencarnados cujas almas estavam no inferno. Vocês que acompanham minhas críticas há tempos sabem que eu desgosto imensamente dessa reciclagem de tema, mas estou pronto para pagar a língua. Se usarem-no bem, então que seja este e vamos que vamos!

O legal da dinâmica metalinguística é que a entrada de Rasputin como a primeira alma reencarnada do Inferno caiu como uma luva, sendo o objeto de filmagem de uma equipe de documentaristas. O princípio para a ação dessa equipe é válido, mas bem fraco e claramente os showrunners não deixam a série orbitar outros problemas, jogando com as mesmas coisas para tentar mudar elementos apenas na superestrutura, o que é uma constante nas séries de heróis da CW, então a gente já sabe… De qualquer forma, o recurso é bem utilizado e Kevin Mock não perde a oportunidade de nos colocar também a perspectiva e não apenas a ideia de um doc sobre as Lendas, um bom toque estético que cimenta o gênero abordado.

Pelo visto Mona realmente vai sair da equipe, certo? Se for e voltar apenas como Rebecca Silver, eu acho isso excelente. Já em relação Gary, rogo que os showrunners tenham orientado os roteiristas dessa temporada a darem ao personagem o brilho que ele tinha no começo, sendo engraçado e entrando e saindo de cena nas horas certas. Cortar as bobagens e os exageros dele é vital para não torná-lo odioso. E em relação a Zari… ela vai voltar mesmo? Assim fica complicado, bem complicado. Mas vamos ver que caminho de fato vão tomar daqui para frente. E lá vamos nós de novo. Preparados?

Legends of Tomorrow – 5X01: Meet the Legends (EUA, 21 de janeiro de 2020)
Direção: Kevin Mock
Roteiro: Grainne Godfree, James Eagan
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Ramona Young, Adam Tsekhman, Sisa Grey, Shayan Sobhian, Michael Eklund, Adam Beauchesne, Callum Seagram Airlie, Paul Batten, Ryan Elm, Luisa Jojic, Clare Filipow, Gregory Tunner
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X00: Crisis on Infinite Earths, Parte Cinco

Crossover como um todo
(não é uma média):

Episódio:

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais partes do crossover e, aqui, das temporadas anteriores da série.

Consigo com certa facilidade comprar o conceito de que há quase uma década, quando o Arrowverse foi concebido, seus showrunners tiveram a visão de que um dia chegariam a adaptar Crise nas Infinitas Terras. Os sinais estão todos lá, desde a aparentemente aleatória nomeação de uma das personagens de Lyla Michaels, a Precursora da maxissérie oitentista em quadrinhos, até a estranha escolha de salpicar os heróis por várias Terras diferentes. Claro que tudo dependeria do sucesso das séries, mas isso foi alcançado muito rapidamente e todas as bases necessárias para a formação da Crise passaram a existir mais fortemente, especialmente depois de Elseworlds, em 2018.

O que eu não consigo comprar é mesmo a execução da coisa toda. Com tantos anos de preparação e tanto espaço para trabalhar uma narrativa dessa magnitude, era de se esperar algo coeso, lógico e divertido para além dos meros fan services que, claro, existem – e deveriam existir mesmo – aos borbotões, mas que não deveriam ser a mola mestra de tudo. De toda maneira, há que se parabenizar os showrunners por efetivamente conseguirem capturar a essência da HQ que deu base ao crossover e colocar tudo na telinha, mesmo que de forma cambaleante. O multiverso que foi originalmente criado recebeu uma enorme sacudida que altera o status quo de todas as séries, digamos, originais da CW: Arrow (que acaba agora, mas ao que tudo indica será substituída por uma que tem a filha do protagonista como a nova Arqueira Verde), The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrrow, Black Lightning, Batwoman e, em breve, Superman & Lois, agora, ocorrem em uma mesma terra, a Terra Prime. Por outro lado, as demais séries da DC fora estritamente da CW, ou seja, a excelente Patrulha do Destino, a fraca Titãs, a finada Monstro do Pântano (e se isso significar a potencial volta da série, tanto melhor!) e as vindouras Stargirl e Lanterna Verde ficam cada uma em sua própria Terra, mesmo que a lógica interna para a criação desse outro multiverso não fique nem um pouco clara para além de uma escolha editorial desconectada com os eventos da Crise.

Além disso, a criação de uma “Liga da Justiça” baseada nos Superamigos – com direito a Salão da Justiça e Gleek fujão – foi um toque nostálgico genial e tecnicamente muito útil, pois potencialmente permitirá uma conexão maior entre as séries da CW sem a necessidade específica de mega-crossovers. Esse é o tipo de fan service orgânico, que realmente funciona como homenagem justa a Oliver Queen, o “fundador” do Arrowverse, e como um novo ponto de partida para uma miríade de possibilidades narrativas. Claro que tenho desconfianças enormes sobre o efetivo aproveitamento do conceito pela produtora, mas eu prefiro imaginar um horizonte positivo mesmo tendo que conceber a existência de uma série inteira protagonizada por Katherine McNamara…

Abordando especificamente o episódio que encerra o crossover e que é um capítulo “especial” de Legends of Tomorrow, tecnicamente um prelúdio da vindoura 5ª temporada (daí minha numeração extraoficial 5X00) da série, devo dizer que ele não desaponta como o anterior, mas também não consegue alcançar o nível das Partes Dois (sem dúvida a melhor) e Três (apenas legalzinha). O roteiro, que mantém a pegada cômica que caracteriza LoT, não perde tempo em apresentar a Terra Prime, deixando claro logo de início a fusão de universos resultado do segundo sacrifício de Oliver Queen. São sequências didáticas, com direito a uma ponta de Marv Wolfman, co-roteirista da Parte Quatro e, mais importante do que isso, pai da Crise dos quadrinhos e o Caçador de Marte passeando pelas telas para transferir suas memórias para todos aqueles que não lutaram na pedreira do começo do tempo. Cumprida essa tarefa, que passa pelo enfrentamento de dois vilões mequetrefes, o prato principal é servido: o Anti-Monitor, para surpresa de absolutamente ninguém (e, justiça seja feita, muito na linha dos quadrinhos), está vivinho da silva e com seus dementadores raquíticos a tira-colo. Segue pancadaria genérica cheia de raios (e tiros e chutes!), o agigantamento do vilão na linha dos tokusatsu (e com a mesma qualidade técnica…) e pronto, o bandidão é enviado para o Microverso em uma daquelas soluções tiradas da cartola e executada em 10 segundos.

Vocês sabem o que escreverei agora, então perdoem-me a repetição: desperdício de uma boa ideia. Esse epílogo é completamente redundante no aspecto da ameaça mor e poderia ter ficado apenas na apresentação do novo status quo. O reaparecimento do Anti-Monitor é tão mal executado e abordado como se ele fosse mais um vilão da semana que era preferível que o momento “luzinhas estroboscópicas” do embate entre ele e Oliver-Espectro no episódio anterior tivesse significado o fim efetivo da criatura. Teria mais peso assim, mesmo considerando que a luta anterior não teve peso algum. Mas não. Preferiram finalmente reunir os heróis no que até poderia ser uma luta divertida somente para o vilão ser derrotado com um arremesso de um gadget aleatório pela Supergirl.

Só para o leitor ter uma ideia, as sequências de introdução da Terra Prime casadas com as de apresentação das outra Terras e as da  fundação da “Liga da Justiça” poderiam, sozinhas, resultar em um episódio do nível da Parte Dois. Mas, como uma luta era necessária na cabeça dos showrunners, o resultado final é tragado para baixo e apequenado por cacoetes narrativos que simplesmente não precisavam existir aqui. Transformar o Anti-Monitor em “mais um vilão” e, ainda por cima, com tomadas absolutamente patéticas como aquela da Supergirl indo “com raiva” para cima do sujeito – sério, um estudante de cinema de primeiro ano faria melhor com 1/10 do orçamento e com uma atriz ainda pior – é revoltante e um sintoma de um problema muito maior que já cansei de sinalizar ao longo de minhas críticas de Arrow: o pouquíssimo apreço pela qualidade técnica nessa séries só porque o público gosta de ver seus heroizinhos fantasiados a qualquer custo. Mas sei que reclamar é como dar murro em ponta de prego… Agora só nos resta aguardar o próximo crossover e torcer em vão para que ele seja melhor.

P.s.: Deixa eu sonhar que a manutenção explícita da Terra-96 com o Superman grisalho de Brandon Routh significa que teremos uma série dele, ok?

P.s. 2: Quero ver os Super Gêmeos (e Gleek) para já!

P.s. 3: Se é para chutar o pau da barraca, o próximo crossover precisa ser O Relógio do Juízo Final

Legends of Tomorrow – 5X00: Crisis on Infinite Earths, Parte Cinco (EUA, 14 de janeiro de 2020)
Direção: Gregory Smith
Roteiro: Keto Shimizu, Ubah Mohamed
Elenco: Grant Gustin, Caity Lotz, Melissa Benoist, David Harewood, Jon Cryer, Osric Chau, LaMonica Garrett, Tom Cavanagh, Brandon Routh, Cress Williams, Tyler Hoechlin, Dominic Purcell
Duração: 42 min.

Crítica | Arrow – 8X08: Crisis on Infinite Earths, Parte Quatro

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Depois de um desnecessário hiato em seu ambicioso crossover, a CW volta para Crise nas Infinitas Terras com um episódio que por diversas vezes arrisca ser um pouquinho mais do que apenas medíocre, mas jamais consegue realizar seu verdadeiro potencial. Sim, tenho plena consciência que, para muitos fãs, basta o chamado fan service a todo custo e não há nada de intrinsecamente errado nisso se algum senso crítico for mantido, aquele alarme que, pelo menos bem lá no fundo, avise-o de que está vendo algo pálido como o Espectro.

Porque é bem isso que essa quarta parte da tão alardeada Crise é: uma colagem que tenta dar algum sentido ao anunciado sacrifício de Oliver Queen, levando os heróis à supostamente grandiosa batalha final contra o Anti-Monitor. O problema é que as séries do Arrowverse não sabem muito bem o sentido da palavra drama e os roteiros descambam dolorosamente para um pieguice sem fim em que sentimentos nunca são efetivamente vistos, mas sim explicados e verbalizados não uma, não duas, mas diversas vezes ao longo dos breves 40 e poucos minutos de duração de seus episódios. É como se a câmera parasse diante de um narrador que, olhando para o espectador, diz algo como “agora é o momento de ficar triste pela morte desse personagem” ou “essa é a sequência que revela todo o heroísmo desse outro personagem, portanto, aplauda e abra um sorriso” e assim por diante, como se o espectador não tivesse capacidade de processar o que está acontecendo.

Vejam a transformação de Oliver no Espectro. Ela simplesmente acontece depois que um completamente aleatório Jim Corrigan (Stephen Lobo) faz seu vudu lá em Purgatório, empalidecendo o Arqueiro, alterando sua voz (oba!) e emprestando-lhe um manto. Zero de drama. Zero de lógica interna. Mas, como se isso não bastasse, Oliver-Espectro já nasce pronto e 100% no comando de seus novos poderes, e, como um passe de mágica, resgata os Paragons lá do meio do nada com coisa nenhuma e os coloca em uma busca aleatória que só serve para passear pelos recônditos nostálgicos das variadas séries desse multiverso dentro da Força da Aceleração, o que, ironicamente, desacelera o episódio e o transforma em uma sucessão cansativa de diálogos modorrentos e olhares perdidos especialmente de Barry, Kara e Sara.

Em seguida, vejam a batalha do Espectro contra o Anti-Monitor e dos demais heróis contra os dementadores magricelas que morrem com socos e chutes. Não só o que acontece nos dois embates é completamente aleatório do tipo “raio sai dos olhos do personagem” e “todos se juntam para um olhar mortal depois que alguém pega uma página do livro do Monitor”, como não é possível perceber uma gota sequer de perigo ou de urgência. Claro que eu sei que esse tipo de sensação é complicado de se obter em séries e filmes de super-heróis, pois esse pessoal colorido tende a nunca morrer e, quando morrem, logo voltam à vida, mas um bom roteiro e uma direção minimamente consistente conseguem circunavegar o problema e entregar algo no mínimo excitante.

Mas não. O que vemos é um monte de personagem fantasiado em uma pedreira fazendo coreografias tão inspiradas quanto a segunda morte de Oliver Queen. Eu já disse isso uma vez e repetirei aqui: até mesmo eu, que nunca consegui gostar de Arrow, acho que o protagonista da primeira série de super-heróis da CW merecia um destino mais marcante do que esse. Ah, ok, ele “salvou o multiverso” e “criou a Terra Prime” e isso é mais do que o suficiente para justificar o foguinho lá no final do episódio seguinte (sim, estou me adiantando!), mas meu ponto não é esse e sim o sentimento que temos no momento da morte. Se conseguirmos nos afastar um momento de nosso lado fanboy, notaremos com muita clareza que não há qualquer traço de drama ali e sim, apenas, um péssimo ator se fingindo de morto com base em um roteiro escrito na base de emojis e pontos de exclamação.

Não é que a quarta parte da Crise seja tão imprestável quanto o tenebroso primeiro capítulo, mas ela não consegue nem chegar perto da excelente Parte Dois ou mesmo continuar no elã da razoável Parte Três. A solução dada para Oliver não só parece preguiçosa, como tudo o que acontece para encerrar – para fins do episódio – toda a crise, aí incluído o flashback para Mar Novu fazendo besteira ao tentar viajar para o começo dos tempos, parece simplista e barato, algo jogado de qualquer jeito nas telas sem um encadeamento lógico que sustente a narrativa. É ao mesmo tempo levemente divertido pela própria bobagem da coisa toda e tremendamente frustrante por mostrar em breves sequências, como os bons momentos cômicos com Lex Luthor (e olha que eu não suporto essa versão do vilão de Jon Cryer), tudo o que o crossover poderia ter sido.

P.s. Para que serviu mesmo o personagem de Osric Chau?

Arrow – 8X08: Crisis on Infinite Earths, Parte Quatro (EUA, 14 de janeiro de 2020)
Showrunners: Marc Guggenheim, Beth Schwartz
Direção: Glen Winter
Roteiro: Marv Wolfman, Marc Guggenheim
Elenco: Stephen Amell, Grant Gustin, Caity Lotz, Melissa Benoist, David Harewood, Jon Cryer, Osric Chau, LaMonica Garrett
Duração: 42 min.