Bo-lin Chen

Crítica | Visões 2: A Vingança dos Fantasmas

Há realizadores que se acomodam depois do sucesso estabelecido. Takashi Shimizu, depois do boom de O Grito, praticamente não fez outra coisa a não ser produzir retornos de Kayako e Toshio para as telas dos cinemas. Tal repetição exaustiva também ecoou em outras franquias, sendo Sadako outro retorno insistente, em versões 3D, desnecessárias, bem como os espíritos tailandeses dos Pang Brothers, dupla formada por Oxide Pang Chun e Danny Pang. No desenvolvimento de Visões 2 – A Vingança dos Fantasmas, eles receberem apoio de Mark Wu na direção, juntamente com a mesma equipe técnica do filme anterior, isto é, os planos e movimentos da direção de fotografia, os efeitos visuais e sonoros, a trilha musical, dentre outros traços que recriam o elo entre o mundo sobrenatural e o mundo dos vivos , foram todos realizados pelo mesmo grupo de pessoas engajadas, que acreditam na história que contam, mas que desta vez, não conseguiram os resultados suficientes.

O tópico delineado em Visões 2 – A Vingança dos Fantasmas é a maldição que acomete um grupo de pessoas que começa a ver fantasmas mesmo contra a vontade. Ver espíritos, afinal, é um dom? É assustador e a pessoa talvez não esteja preparada para tanto, disposta a ser assustada cotidianamente, mas é o que acontece com um grupo de jovens que decide passar as férias na Tailândia e encontra um livro de lendas locais. Ao ler o material chamado Dez Maneiras de Ver Um Fantasmas, eles começam a colocar em prática algumas coisas, por meio de brincadeiras ao estilo “o jogo do compasso” ou “do copo”, sem saber que tais investidas podem atrair fantasmas nem sempre dispostos a brincar.

Depois de realizada a primeira vez, os espíritos não param de se fazer presentes, cada vez mais espevitados. O desfecho, como já podemos imaginar, é trágico para muitos deles, com algumas pitadas à mais de humor em seu desenvolvimento. O filme que na verdade deveria se chamar The Eye 3, mas que foi chamado de The Eye 10, em relação aos fantasmas e a quantidade de peripécias realizadas por essas presenças sobrenaturais, aqui no Brasil, ganhou um título que dá continuidade ao que foi realizado em Visões, como se ambos fossem parte de uma franquia independente, mas que na verdade são filmes com histórias independentes, mas todos do mesmo universo do responsável por fornecer material de base para O Olho do Mal, refilmagem estadunidense do primeiro da série.

Mesmo diante da independência, há a preocupação dos realizadores em citar os filmes anteriores, com breves momentos de metalinguagem, com observações sobre um caso de transplante de córnea e outro sobre uma grávida suicida. Com bastante eficiência para as cenas em espaços apertados, tais como elevadores e corredores, ótimos ambientes para a direção de fotografia assinar com criatividade, Visões 2 – A Vingança dos Fantasmas produziu uma quantidade menor de efeitos visuais, focada na construção de uma atmosfera mais dramática e com o suspense como guia da linha narrativa. O resultado acaba desaguando no tédio, mas ainda assim é uma produção razoável. O grande problema é enfrenta-la, pois na ocasião de seu lançamento, os filmes de terror orientais e suas refilmagens atravessavam uma obscura fase de saturação. Não por ser orientais, mas por contar, toda vez, a mesma história.

Visões 2 – A Vingança dos Fantasmas (Gin gwai 10) — Hong-Kong, 2005
Direção: Oxide Pang Chun, Danny Pang
Roteiro: Oxide Pang Chun, Danny Pang
Elenco: Bo-lin Chen, Yan Kam Ching, Ng Wing Chuen, Leung Cjun Fai, Yu Gu, Tanyapan Jansiw, Chan Yui Kei, Bongkoj Khongmalai, Isabella Leong
Duração: 90 min.

Crítica | Silk – O Primeiro Espírito Capturado

Sabe aquele filme que tinha tudo para ser incrível, mas perde-se em meio à sua própria ambição? Pois bem, o tailandês Silk – O Primeiro Espírito Capturado cabe perfeitamente nesta descrição questionadora. Lançado em 2006 e conhecido por ser uma das produções mais caras realizadas em Taiwan, o filme apresenta uma premissa intrigante, passeia por ideias viáveis, mas depois acumula tantos blocos temáticos que tentar compreendê-lo é uma missão não apenas difícil, mas tediosa. Escrito e dirigido por Chao-Bin Su, ao longo de seus torturantes 108 inacabáveis minutos, o terror sobrenatural assusta, mas não é por conta de sua premissa tenebrosa. O que faz medo mesmo é a maneira como a história se desenvolve, cheia de excessos que nos dispersam do foco dramático central, isto é, a captura de um espírito por um grupo de cientistas, tema desperdiçado por conta dos vacilos do diretor que assina seu próprio filme.

Mas, afinal, o que seria do campo da ciência se um espírito fosse, de fato, capturado? Quais as discussões seriam empreendidas? Como explicar a negação ao longo de tantos anos de posicionamento cético no bojo de produção e investigação dos cientistas? Saber como a ciência vai lidar com descoberta deste calibre é um dos pontos que nos prendemos ao dedicarmos o nosso tempo para conferir o filme que se desprende de sua premissa e vai trafegar por uma série de caminhos tortuosos. Quem lidera a missão de captura do tal espírito é Hashimoto (Yosuke Eguchi), cientista diabético com problemas locomotivos. O seu trabalho é desenvolvido para um projeto secreto do governo de Taiwan e envolve a descoberta dessa possibilidade de captura, além da Esponja de Henger, capaz de eliminar o efeito da gravidade.

Como sabemos, para a ciência, o fato de algumas pessoas afirmarem o “ver” e o “ouvir” fantasmas nada tem de relação com o sobrenatural, pois são coisas do nosso cérebro, pois tudo nosso é comandado por conexões cerebrais e depois que morrermos, as células morrem junto e o ser humano acabou! Será? Não é isso que o filme pretende reforçar. Assim, depois desse primeiro momento, sabemos que a narrativa abordará, ao mesmo tempo, o interesse de um grupo pela anti-gravidade, o enclausuramento de um fantasma, a fabricação de armas de fogo de longo alcance para atingir espíritos, a investigação de um policial dedicado a saber o que aconteceu com o tal espírito capturado da trama e também o já constante fio de ódio que conecta os fantasmas aos seus algozes em vida, explicação para o feixe de ressentimentos que os fazem se tornar entidades nada amigáveis.

E o que dizer do macarrão assassino? Calma, leitor, não é bem assim, mas na verdade, um personagem morre por conta de uma entidade que sai de seu prato de comida, tal como Samara saia do televisor. Como lidar com tal bizarrice? Adiante, como de praxe no cinema de terror oriental, outros blocos temáticos dialogam com a proposta principal. Uma delas é a do policial Tung (Chen Chang), homem que tem a leitura labial como uma de suas especialidades, chamado para interpretar o que o espírito tenta verbaliza de maneira rudimentar, antes de escapar e ser perseguido por um agente desacreditado quando observado em sua missão de caça-fantasmas pelas ruas. Um dos seus planos é compreender as circunstâncias por detrás da morte do menino. Junto a isso, ainda acompanhamos as vantagens do uso líquido da esponja de Henger, material que permite aos humanos enxergar espectros quando pulverizada em seu formato líquido.

Em meio à tanta confusão, ainda temos algumas tentativas dos efeitos visuais de Sing-Choong Fo de nos prender ao filme, mas nada funciona. A sensação que temos é a de que o realizador estava diante de sua “última ceia”, ou seja, a única oportunidade em toda a sua vida para a realização de um filme, por isso, inseriu tanta, mas tanta coisa na história que do meio para o final desconfiamos se ainda estamos diante da mesma produção, isto é, o falho Silk – O Primeiro Espírito Capturado, nome pomposo para uma produção bastante abaixo da média, ou se na verdade saímos da sessão e fomos capturados, misteriosamente, para outra. A direção de fotografia de Arthur Wong faz o trabalho que pode para trazer ao filme algumas imagens relevantes, o design de som de Steve Burgess também, sem muita eficiência, tal como a trilha sonora de Peter Kam e o design de produção de Yohei Taneda, todos incapazes de apresentar qualquer coisa memorável diante da história nada empolgante e repleta de tantos excessos que nos conduz ao tédio muito antes de seu desfecho.

Silk – O Primeiro Espírito Capturado (Gui si) — Taiwan, 2006
Direção: Chao-Bin Su
Roteiro: Chao-Bin Su
Elenco: Chen Chang, Yôsuke Eguchi, Kar Yan Lam, Barbie Hsu, Bo-lin Chen, Janine Chun-Ning Chang, Fang Wan, Kuan-Po Chen Chi Chin Ma, Leon Dai, Kevin S. Smith
Duração: 85 min.