Biografias

Machado de Assis

Machado de Assis

Machado de Assis (1839-1908) é um dos maiores representantes da literatura brasileira.

O grande escritor foi o responsável por inaugurar o Realismo, que teve como marco inicial a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, publicada em 1881.

Machado deixou um conjunto vasto de obras. Foi contista, cronista, jornalista, poeta e teatrólogo, além do que é o fundador da cadeira n.º 23 da Academia Brasileira de Letras.

Biografia de Machado de Assis

Retrato de rosto de Machado de Assis

Machado de Assis, cujo nome completo é Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu no morro do Livramento, Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 1839.

Filho de pais humildes, seu pai, Francisco José de Assis, era pintor de paredes e sua mãe, a açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis, era lavadeira. Machado ficou órfão de mãe muito cedo e, por isso foi criado com sua madrasta.

Em 1851 seu pai também morreu. Sem recursos para estudar, era autodidata, e com apenas 14 anos publicou o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.“, no Periódico dos Pobres, de 3 de outubro de 1854. Em 1855 seu poema “Ela” é publicado na revista Marmota Fluminenses.

Fascinado por livraria e tipografia, em 1856 tornou-se aprendiz de tipógrafo na tipografia Nacional. Dois anos depois, em 1858, já era revisor no Correio Mercantil e, em 1860, redator do Diário do Rio de Janeiro, cargo que aceitou a convite de Quintino Bocaiuva.

Machado escrevia para a revista O Espelho, a Semana Ilustrada e o Jornal das Famílias. O primeiro livro que publicou foi a tradução de Queda que as mulheres têm para os tolos. Em 1864, com 25 anos, publicou o seu primeiro livro de poesias, Crisálidas.

Foi censor teatral, em 1862, e em 1867, foi promovido a ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.

Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, senhora portuguesa que lhe ajudou na revisão dos livros e com quem esteve casado durante 35 anos.

Em 1872, publicou Ressurreição, o seu primeiro romance. Em 1873, torna-se primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.

Continuou escrevendo em jornais e revistas. Seus escritos eram publicados em folhetins, de seguida tornando-se livros. Foi o que aconteceu com uma de suas obras-primas, Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em livro 1881.

Entre 1881 e 1897, publicou crônicas na Gazeta de Notícias.

Com outros intelectuais, fundou, em 1896, a Academia Brasileira de Letras, tendo sido presidente no ano seguinte.

Carolina foi a mulher ideal para Machado de Assis. Esgotado pelo intenso trabalho de escritor e funcionário público, Machado sofria de epilepsia e a esposa ajudou-lhe não só nas revisões como cuidando dele.

Sempre doente e para aumentar seu sofrimento, em outubro de 1904, morre sua mulher, auxiliar e companheira. Em sua homenagem, Machado escreve o poema “A Carolina“.

Em 1908, licenciado das funções públicas, mesmo debilitado, escreveu seu último romance “Memorial de Aires”.

Participou do projeto de criação da Academia Brasileira de Letras, sendo eleito seu presidente em 28 de janeiro de 1897, cargo ocupado por mais de dez anos.

No dia 29 de setembro de 1908, Machado de Assis faleceu na casa 18 da rua Cosme Velho, no Rio de Janeiro, vítima de câncer.

Principais Obras de Machado de Assis

Machado foi um ávido escritor, produziu diversas obras, dentre romances, peças de teatro, poesias, sonetos, contos, crônicas, críticas e traduções:

Obras e Anos de publicação
Peças de teatro Desencanto (1861)
Queda que as mulheres têm pelos Tolos (1861)
Quase Ministro (1864)
Os Deuses de Casaca (1866)
Tu, Só Tu, Puro Amor (1881)
Poesias Crisálidas (1864)
Falenas (1870)
Americanas (1875)
Poesias Completas (1901)
Contos Contos Fluminenses (1870)
Histórias da Meia-Noite (1873)
Papéis Avulsos (1882)
O Alienista (1882)
Histórias sem Data (1884)
Páginas Recolhidas (1889)
Várias Histórias (1896)
Relíquias da Casa Velha (1906)
Romances Ressurreição (1872)
A Mão e a Luva (1874)
Helena (1876)
Iaiá Garcia (1878)
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Quincas Borba (1891)
Dom Casmurro (1899)
Esaú e Jacó (1904)
Memorial de Aires (1908)

Memorial de Aires foi a última obra de Machado de Assis. Publicada no ano da sua morte, trata-se de um romance psicológico autobiográfico, que apresenta características do realismo.

A obra de Machado de Assis teve muitas adaptações para cinema, tv, teatro, ópera, música, dança, literatura e histórias em quadrinhos (HQ).

Livros de Machado de Assis que você não pode deixar de ler

1. Memórias Póstumas de Brás Cubas

Cena do filme Memórias Póstumas de Brás Cubas
Cena do filme “Memórias Póstumas de Brás Cubas

Obra que inaugura o Realismo no Brasil, é dividida em 160 capítulos. Com ironia, Brás Cubas, o “defunto-autor”, narra a sua vida depois de morto.

O livro é de 1881 e virou filme em 2001, tendo sido considerado o melhor filme no Festival de Gramado.

Saiba mais sobre essa obra emblemática:

2. O Alienista

Capa de'O Alienista' adaptado para literatura de Cordel
Capa de “O Alienista” adaptado para literatura de Cordel

Obra publicada em 1882, é dividida em 13 capítulos. O Alienista conta a história de Simão Bacamarte, um médico que interna na sua clínica psiquiátrica a maior parte da população da cidade.

Também com a presença da ironia, virou filme em 1970.

3. Quincas Borba

Capa de'Quincas Borba'
Capa da obra “Quincas Borba

Obra publicada entre 1886 e 1891, é composta de 201 capítulos curtos e narra a história de Rubião, discípulo do filósofo Quincas Borba.

Em 1987, a obra tornou-se em mais um longo-metragem.

4. Dom Casmurro

Dom Casmurro adaptado para HQ
Adaptação de “Dom Casmurro” para HQ

Obra publicada em 1899, é apresentada em 148 capítulos. Nela, o leitor conhece a história de amor, cheia de ciúmes, de Bento e Capitu.

Características da Obra de Machado de Assis

Há características marcantes nos trabalhos deste grande romancista. Dentre elas, destacamos o fato de muitas vezes o leitor ser convidado a refletir sobre a obra, o que revela a sua complexidade psicológica.

No geral, os personagens são burgueses. Quanto às personagens femininas, são fortes e dominadoras, além de adúlteras e sedutoras. O adultério é um tema comum na criação de Machado.

A criação machadiana apresenta humor e intertextualidade com outras obras.

Estudiosos da literatura afirmam que a obra de Machado pode ser classificada em dois momentos. O primeiro, influenciado por José de Alencar, apresenta características mais românticas, o outro, sob influência de Xavier de Maistre, características mais realistas.

  • Obras da fase romântica: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874) e Iaiá Garcia (1878).
  • Obras da fase realista: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Dom Casmurro (1899) e Quincas Borba (1891).

Saiba mais sobre a escola realista:

Frases de Machado de Assis

  • Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”
  • Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
  • Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução.”
  • Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”
  • Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.”
  • Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.”
  • O capital existe, se forma e sobrevive a custa da sociedade que trabalha e nem sempre é recompensada pelos lucros que gera.”
  • O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede. Conheço um que já devorou três gerações da minha família.”
  • Das qualidades necessárias ao jogo de xadrez, duas essenciais: vista pronta e paciência beneditina, qualidades preciosas na vida que também é um xadrez, com seus problemas e partidas, umas ganhas, outras perdidas, outras nulas.”
  • O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços.”
  • Pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces…
  • Há coisas que melhor se dizem calando. As feridas do coração, como as do corpo, deixam cicatrizes. Nossos corpos são nossos jardins, cujos jardineiros são nossas vontades.”
  • Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.”

Gonçalves Dias

Gonçalves Dias

Gonçalves Dias foi um dos maiores poetas da primeira geração romântica do Brasil. Foi patrono da cadeira 15 na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Lembrado como poeta indianista, ele escreveu sobre temas relacionados à figura do índio. Além de poeta, ele foi jornalista, advogado e etnólogo.

Biografia

Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823 na cidade de Caxias, Maranhão.

Ingressou na Universidade de Coimbra em 1840, formando-se em Direito. Em 1845, retorna ao Brasil e publica a obra “Primeiros Contos“. É nomeado Professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Ali, na época capital do Brasil, ele trabalhou como jornalista e crítico literário nos jornais: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia.

Também foi um dos fundadores da Revista Guanabara, importante veículo de divulgação dos ideais românticos. Em 1851 publica o livro “Últimos Cantos“.

Nessa época conhece Ana Amélia, mas por ser mestiço, a família dela não permitiu o casamento. Assim, casa-se com Olímpia da Costa, com quem não era feliz.

Em 1854 parte para a Europa e encontra sua Ana Amélia, já então casada. Desse encontro nasce o poema “ Ainda uma vez-adeus!”.

Em 1864, depois de uma temporada na Europa para tratamento de saúde, embarca de volta a sua terra natal, ainda debilitado.

No dia 3 de novembro de 1864 o navio em que estava naufraga. O poeta falece próximo ao município de Guimarães, Maranhão, aos 41 anos de idade.

Principais Obras e Características

Obras Indianistas

O indianismo marcou a primeira fase do romantismo no Brasil. Com isso, diversos escritores focaram na figura do índio idealizado.

Além desses temas, as obras desse primeiro momento também apresentavam um caráter muito nacionalista e patriótico. Por isso, essa fase ficou conhecida pelo binômio “indianismo-nacionalismo”.

Da obra indianista de Gonçalves Dias destacam-se:

  • Canção do Tamoio
  • I-Juca-Pirama
  • Leito de folhas verdes
  • Canto do Piaga

Obras Lírico-amorosas

Nessa fase Gonçalves Dias exaltou o amor, a tristeza, a saudade e a melancolia. De sua obra poética merecem destaque:

  • Se se morre de amor
  • Ainda uma vez-adeus!
  • Seus olhos
  • Canção do exílio
  • Sextilhas de Frei Antão

Os principais livros de Gonçalves Dias são:

  • Primeiros Cantos
  • Segundos Cantos
  • Últimos Cantos
  • Cantos

Leia também sobre o Romance Indianista.

Canção do Exílio

Sem dúvida, a Canção do Exílio é um dos poemas mais emblemáticos do escritor. Publicado em 1857, nesse poema Gonçalves Dias expressou a solidão e a saudade que sentia da sua terra quando esteve em Portugal.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Poemas

Confira abaixo também alguns trechos dos melhores poemas de Gonçalves Dias:

Canção do Tamoio

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

I-Juca-Pirama

Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.

Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci:
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.

Canto do Piaga

Ó Guerreiros da Taba sagrada,
Ó Guerreiros da Tribo Tupi,
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.

Esta noite — era a lua já morta —
Anhangá me vedava sonhar;
Eis na horrível caverna, que habito,
Rouca voz começou-me a chamar.

Abro os olhos, inquieto, medroso,
Manitôs! que prodígios que vi!
Arde o pau de resina fumosa,
Não fui eu, não fui eu, que o acendi!

Eis rebenta a meus pés um fantasma,
Um fantasma d’imensa extensão;
Liso crânio repousa a meu lado,
Feia cobra se enrosca no chão.

Ainda uma vez – Adeus

Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

Se se morre de Amor

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

(…)

Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!

Leia mais sobre o movimento romântico no Brasil:

Junqueira Freire

Junqueira Freire

Junqueira Freire, patrono da cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras, fez parte da segunda geração dos poetas românticos.

Biografia

Junqueira Freire

Luís José Junqueira Freire nasceu em Salvador no dia 31 de dezembro de 1832. Levado pelo forte desejo de se dedicar a vida religiosa, ingressa no Mosteiro de São Bento, em 1850, com apenas 18 anos e em 1852 já lecionava.

Em 1853 abandona o mosteiro e recolhe-se em casa onde escreve sua autobiografia “Inspirações do Claustro” (1855).

Com séria doença cardíaca, que lhe debilitava, morreu cedo, como muitos poetas de sua geração. Doente, não se recupera e morre no dia 24 de junho de 1855, com apenas 22 anos.

Principais Obras

  • Desespero na solidão
  • O remorso do inocente
  • Teus olhos
  • O arranco da morte
  • Martírio
  • Tratado de eloquência nacional
  • Ambrósio
  • Louco
  • Morte

Junqueira Freire e o Romantismo

Junqueira Freire fez parte da segunda geração romântica. Essa fase é denominada de Ultrarromântica ou Geração do Mal do Século.

Isso porque nesse momento (1853 a 1869), os poetas se debruçam em temas como o amor não correspondido, a morte, o pessimismo, a dor e o tédio.

Além dele, destacam-se nessa fase os poetas: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Pedro Calasans.

As principais características dessa fase, que também ficou conhecida por “Geração Byroniana”, (em referência ao poeta Lord Byron) são:

  • Pessimismo
  • Melancolia
  • Subjetivismo
  • Egocentrismo
  • Saudosismo
  • Sentimentalismo

Poemas

Alguns versos de Junqueira expressam o grande conflito existencial que lhe atormentava. O curto período que ficou no Mosteiro, lhe inspirou escrever sobre temas religiosos. Confira abaixo dois poemas do escritor.

Soneto

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável
A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome não preciso;
Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso.

Temor

Ao gozo, ao gozo, amiga. O chão que pisas
A cada instante te oferece a cova.
Pisemos devagar. Olhe que a terra
Não sinta o nosso peso.

Deitemo-nos aqui. Abre-me os braços.
Escondamo-nos um no seio do outro.
Não há de assim nos avistar a morte,
Ou morreremos juntos.

Não fales muito. Uma palavra basta
Murmurada, em segredo, ao pé do ouvido.
Nada, nada de voz, – nem um suspiro,
em um arfar mais forte.

Fala-me só com o revolver dos olhos.
Tenho-me afeito à inteligência deles.
Deixa-me os lábios teus, rubros de encanto.
Somente pra os meus beijos.

Ao gozo, ao gozo, amiga.
O chão que pisas
A cada instante te oferece a cova.
Pisemos devagar. Olha que a terra
Não sinta o nosso peso.

Complemente sua pesquisa com a leitura:

Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu foi um dos maiores poetas da segunda geração romântica do Brasil. Esse período esteve marcado pelos temas relacionados com o amor, decepções e medo.

Viveu e escreveu pouco, no entanto, mostrou em suas poesias um lirismo ingênuo de adolescente, representado por ele mesmo em seu único livro “As Primaveras”.

Biografia

Casimiro de Abreu

Casimiro José Marques de Abreu, nasceu na Barra de São João, no Estado do Rio de Janeiro, no dia 4 de janeiro de 1839. Com apenas 13 anos, enviado pelo pai, vai para a cidade do Rio de Janeiro, trabalhar no comércio.

Em novembro de 1853 viaja para Portugal, com o intuito de completar a prática comercial e nesse período inicia sua carreira literária. No dia 18 de janeiro de 1856 sua peça Camões e o Jaú é encenada em Lisboa.

Casimiro de Abreu volta ao Brasil em julho de 1857 e continua trabalhando no comércio. Conhece vários intelectuais e faz amizade com Machado de Assis, ambos com 18 anos de idade. Em 1859 publica seu único livro de poemas “As Primaveras”.

No início de 1860, Casimiro de Abreu fica noivo de Joaquina Alvarenga Silva Peixoto. Com vida boêmia, contrai tuberculose.

Vai para Nova Friburgo tentar a cura da doença, mas no dia 18 de outubro de 1860, não resiste e morre, aos 21 anos de idade.

Principais Obras

Casimiro morreu muito jovem e, portanto, publicou somente uma obra de poesias intitulada As Primaveras (1859). De seus poemas destacam-se:

  • Meus oito anos
  • Saudades
  • Minh’alma é triste
  • Amor e Medo
  • Desejo
  • Dores
  • Berço e Túmulo
  • Infância
  • A Valsa
  • Perdão
  • Poesia e Amor
  • Segredos
  • Última Folha

Poemas

Confira abaixo alguns trechos dos melhores poemas de Casimiro de Abreu:

Meus Oito Anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonho, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Minh’alma é triste

Minh’alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o alvor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.

E, como a rôla que perdeu o esposo,
Minh’alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.

E como notas de chorosa endeixa
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.

Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minha’alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.

Dizem que há, gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que o prazer consiste.
— Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei porque — mas a minh’alma é triste!

Canção do exílio

Se eu tenho de morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
Respirando este ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
Os gozos do meu lar!

O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria não tem;
E este mundo não vale um só dos beijos
Tão doces duma mãe!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu do meu Brasil!

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Alexandre Magno, O Grande

Alexandre Magno, O Grande

Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande), nasceu em 356 a.C., na Macedônia, ao norte da Grécia, foi príncipe e rei da Macedônia.

Biografia

Alexandre, filho de Filipe II, rei da Macedônia, que havia conquistado a Grécia, lhe ensinou a arte da guerra.

Quando o rei Filipe II foi assassinado em 336 a.C., Alexandre Magno tornou-se rei dos macedônios e assumiu dois altos postos: chefe da Liga de Corinto (união de várias cidades) e comandante do mais preparado exército da época.

Aluno do filósofo Aristóteles, assimilou valores da cultura grega e logo partiu para a expansão territorial, tomando a Ásia Menor, a Pérsia e chegando até as margens do rio Indo na Índia.

A Grécia estava sob o domínio da Macedônia. As conquistas de Alexandre Magno infiltraram o helenismo por todo o Oriente. Várias cidades receberam o nome de Alexandria e se tornaram centro de difusão da cultura grega no Oriente.

Suas obras chamam atenção pela harmonia, como se pode observar no Partenon, o mais célebre dos templos gregos na Acrópole e o Farol de Alexandria, no Egito, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Império de Alexandre Magno

Alexandre Magno ou Alexandre o Grande, assumiu o império, após a morte do pai mas, não se contentou com a conquista da Grécia, logo partiu para o Oriente.

O Oriente Médio, como passagem obrigatória para as comunicações entre o Ocidente e o Extremo Oriente, sempre foi cobiçado pelos gregos. Estendido por toda essa área privilegiada, o império persa, era entrave nas rotas terrestres dos helenos, que queriam expandir-se.

No ano de 334 a.C., Alexandre atravessou o Helesponto – como era chamada a faixa de mar entre a Grécia europeia e a Grécia asiática, e apossou-se da Ásia Menor.

Em seguida, venceu o exército persa, comandado pelo próprio rei persa, Dario III. Se dirigiu para a Fenícia e tomou o porto de Tiro. Marchou para o Egito, que era dominado também pelos persas. Diante do poder de Alexandre Magno, Dario III propôs um acordo de paz, que foi recusado.

Em 331 a.C. os persas foram vencidos definitivamente. Como imperador, Alexandre avançou para as principais cidades persas – Babilônia, Susa e Persépolis, em busca de seus tesouros.

O império de Alexandre continuou avançando e chegou a Índia, percorreu a região do rio Indo e só não chegou ao rio Ganges, porque teve sua primeira e única derrota: a recusa de seu exército de continuar. Seus guerreiros cansados dos oito anos de luta, se recusaram a segui-lo.

Administração do Império de Alexandre Magno

A administração do vasto império de Alexandre Magno era baseada em três pilares:

  • a harmonia dos diferentes povos conquistados;
  • o enriquecimento recíproco das culturas dominantes e dominadas;
  • a administração humana e produtiva dos bens conquistados.

Fundador da cultura helenística – onde os povos vencidos eram respeitados, criou condições para uma integração dentro do vasto império que conquistou, com isso surgiu a cultura helenística da fusão da cultura helênica (grega) com a cultura oriental.

Na administração, o ouro persa foi absorvido na cunhagem de moedas que circulavam por todo o império. Os caminhos da conquista viraram estradas. Nas diversas Alexandrias que fundou, surgiram centros de cultura e comércio. São remanescentes a Alexandria no Egito e Alexandria na Turquia.

A maioria dos governantes regionais foi mantida a supervisionada. Cada grupo de província tinha um responsável pelas finanças, que prestava contas a Babilônia, onde Harpalo, homem de confiança do imperador, dirigia toda a economia.

Exército de Alexandre Magno

Alexandre Magno teve um exército poderoso – a falange – formação militar típica da Grécia antiga, aperfeiçoado por Filipe II. Era composto por várias fileiras laterais de soldados armados com uma lança de 6 metros (sarissa). Nove mil homens eram distribuídos em seis batalhões. Verdadeira parede de lanças, impenetrável.

A infantaria era composta por soldados da Liga de Corinto e utilizada principalmente para estabelecer as comunicação entre as tropas.

A cavalaria evoluía a partir da velha cavalaria armada macedônia, com várias gerações de lutas. Havia também dois batalhões de arqueiros, lançadores de azagaias – lanças curtas de arremesso, além de grupos especiais para travessia de rios ou transposição de qualquer outro obstáculo.

Morte de Alexandre Magno

Alexandre Magno morreu em 323 a.C. com 33 anos, deixando um dos mais vastos impérios até então. Sem um herdeiro, o império de Alexandre acabou dividido entre seus principais generais.

Muito vasto e heterogêneo este império logo se desagregaria. Nos séculos II e I a.C., aos poucos os reinos helenísticos foram conquistados pelos romanos, que se tornaram sucessores do império criado por Alexandre Magno.

Genghis Khan

Genghis Khan

Genghis Khan foi um guerreiro e político mongol que expandiu seu território da Ásia até a Europa.

A lenda fez do soberano o próprio sinônimo do déspota sanguinário, assassino impiedoso, mas que deve ser lembrado também pela proeza de unificar os mongóis.

Seu nome pode ser gravado tanto como Genghis Khan como Gengis Khan.

Biografia

Imagem de Genghis Khan
Imagem de Genghis Khan

Genghis Khan nasceu na Mongólia, no ano de 1162. Filho de Iasugai, chefe da tribo dos kiyata-borjigin, seu nome verdadeiro era Temujin. Ficou órfão aos treze anos de idade e se viu abandonado pelas tribos que obedeciam a seu pai.

Em 1179, Temujin casa-se com Borte, de quem era noivo desde os nove anos de idade. Por volta de 1189, a tribo dos Merkitas saqueou o acampamento do clã dos Borjigins e tomou a mulher de seu membro ilustre.

O marido ultrajado resolveu se vingar, fez aliança com outra tribo, lançou-se à luta e venceu. Retomou sua esposa, ganhou prestígio e foi nomeado chefe da tribo.

Também mudou de nome, de Temujin para Genghis, que significa em língua mongol, guerreiro perfeito.

Em 1192, Genghis atacou e venceu os tártaros. Ganhou a simpatia da dinastia Chin que reinava na China Setentrional, ou seja, ao sul das terras mongóis e que também era ameaçada pelos tártaros.

Dominadas pouco a pouco todas as tribos mongóis, Genghis decidiu legalizar seu poder. Em 1206 reuniu um grande kurultai – assembleia geral das famílias nobres dessas tribos – que o proclamou chefe supremo, Khan.

Genghis Khan sentia-se como executor de uma missão divina “Um único sol no céu, um único soberano na terra“, costumava dizer sobre si mesmo.

Transformou a força militar dos mongóis num verdadeiro exército nacional. Reuniu os códigos de leis das diferentes tribos numa só constituição, o Jasak. E julgou chegada a hora da expansão.

Conquistas Militares

Eexpansão do Império Mongol sob comando de Genghis Khan
Máxima expansão do Império Mongol sob comando de Genghis Khan

A primeira meta, dizia Genghis Khan, era “cuspir para o Sul”, ou seja, atacar a China. A Grande Muralha barrava-lhes o caminho.

A luta começou em 1211, os mongóis devastando os campos da China, os chineses resistindo dentro das cidades fortificadas.

Os soldados foram divididos em três exércitos, que atacaram em pontos diferentes, quebrando as linhas de defesa dos chineses.

Matando e saqueando, conquistaram o norte da China, depois de dois anos, carregando os tesouros imperiais. Pequim ficou fora da conquista, porém por pouco tempo.

Em 1215, lançou nova expedição contra Pequim, o próprio Imperador chinês fugiu e destruiu a cidade, deixando aí seis generais de confiança.

Em 1218, conquistou o Tajiquistão, e no ano seguinte, a Pérsia. Entre uma vitória e outra Genghis Khan fundou a cidade de Karakorum, que se tornaria capital de suas imensas possessões.

Até então Genghis Khan havia limitado suas ambições à Ásia Oriental. Em 1219 iniciou sua travessia das grandes cadeias montanhosas que isolavam os povos da Ásia Central e Oriental das civilizações da Ásia Ocidental.

Kwarizam (que hoje corresponde ao Irã e Afeganistão) foi tomada de surpresa. Depois seguiu para outros centros muçulmanos como Otrar, Bocara, Samarcanda, Merv, Nichapur e Herat.

Herança

Genghis Khan foi o maior governante do seu tempo e controlou um território onde coexistiam diferentes etnias e religiões. Tornou-se o único senhor de um império que se estendeu da China ao Golfo Pérsico, dos desertos gelados da Sibéria às florestas indianas.

No entanto, durante suas campanhas militares matou milhões de muçulmanos, cristãos e budistas.

Em 1221, Genghis Khan volta à Mongólia. No dia 18 de agosto de 1227, depois de uma batalha no sul da Ásia, Genghis Khan morre aos 66 anos no auge do seu poder. Ainda hoje não se sabe se ele foi ferido durante a guerra, adoeceu ou mesmo foi envenenado por alguma intriga palaciana.

Em local indeterminado, junto às montanhas sagradas dos Borjigin, foi enterrado o Imperador Oceânico.

Seus títulos eram: soberano supremo dos mongóis, Grande Matador, Guerreiro Perfeito, Senhor de Tronos e Coroas, Imperador de Todos os Homens – e claro, Genghis Khan.

A expansão do Império mongol continuou durante o reinado do seu filho, Ögedei. O território permaneceu intacto até a ascensão do seu neto, Kublai Khan, que foi o primeiro imperador não chinês a reinar na China.

Entretanto, as desavenças internas acabaram por dividir e enfraquecer o Império fundado por Genghis Khan.

Curiosidades

Estátua de Genghis Khan
Estátua de Genghis Khan às margens do rio Tuul em Tsonjin Boldog
  • É provável que Genghis Khan tenha tomado poucos banhos na vida. Os mongóis acreditavam que se lavar nos rios iria irritar os dragões com a sujeira. Por isso, não se lavavam e tampouco o faziam com suas roupas.
  • Calcula-se que Genghis Khan seja o pai biológico de 5% da população asiática.
  • Implacável com seus inimigos, Genghis Khan invadiu e prendeu o governador de uma cidade que havia roubado e matado seus emissários. Quando chegou à cidade, mandou que ele fosse morto jogando prata derretida em seus olhos e sua boca. Este método foi recuperado em um dos episódios da série Guerra de Tronos.
  • Gengis Khan ganhou em 2008 uma homenagem à altura dos seus feitos: uma estátua equestre de 40 metros de altura e 250 toneladas de peso feita em aço inoxidável.

Frases

  • Eu sou um castigo de Deus. E se você não cometeu grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu.
  • Se você tem medo não o faça, se você o está fazendo não tenha medo!
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
  • O prazer e a alegria do homem consistem em esmagar o rebelde e conquistar o inimigo, em arrancá-lo pela raiz e tomar dele tudo que ele pertence.

Filmes

  • O Guerreiro Genghis Khan, Sergei Brodov. 2007.
  • Genghis Khan, Andrei Borissov. 2009.
  • Genghis Khan – O Imperador do Medo, Shinichirô Sawai. 2007
  • Genghis Khan, Ken Annakin.1992.
  • Gengis Khan. Henry Levin. 1965.

Leia mais:

Presidente Campos Salles

Presidente Campos Salles

Campos Salles (1841-1913) foi o quarto presidente do Brasil República. Fazendeiro paulista, advogado, representante da elite cafeeira do Estado de São Paulo, assumiu o cargo em 1898, época em que a República estava consolidada, mas a situação financeira do país estava abalada.

Os problemas políticos e econômicos herdados dos governos anteriores, haviam conduzido o país a uma inflação galopante, agravada pela dívida externa e pela dívida pública. A situação se agravara com a queda dos preços do café no mercado internacional. Os bancos internacionais passaram a pressionar o Brasil, exigindo pagamentos atrasados.

Presidente Campos SallesCampos Sales foi o quarto presidente do Brasil

O presidente nomeado Campos Salles, ainda não havia tomado posse quando, em viagem à Europa, negociou com os banqueiros internacionais um acordo denominado funding loan, que se resumia nos seguintes pontos:

  1. O Brasil receberia um grande empréstimo de dez milhões de libras, pagáveis em dez anos, para consolidar a dívida;
  2. Seria estabelecido maior prazo para o pagamento da dívida externa brasileira;
  3. O governo brasileiro entregava, como garantia, as rendas das alfândegas de diversos portos, da Central do Brasil e do serviço de água do Rio de Janeiro.

A política anti-inflacionária posta em prática pelo ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, caracterizou-se pela retirada de circulação e queima de grande quantidade de moeda, o corte drástico das despesas do governo, com o cancelamento de obras públicas e dispensa de funcionários.

Ao mesmo tempo foram criados novos impostos e aumentados os já existentes. A política adotada saneou as finanças brasileiras, mas afetou a indústria e o comércio e dificultou a vida das camadas pobres e da classe média urbana do país.

Para saber mais: Brasil República.

A Política dos Governadores

O governo Campos Salles estabeleceu as bases de um grande acordo político, pelo qual oligarquias dos diversos Estados, liderados por São Paulo e Minas Gerais, permaneceriam no poder durante longos anos. O país não contava com partidos nacionais.

A Constituição favorecia a descentralização, permitindo aos Estados cobrar grande número de impostos, e fazer empréstimos no exterior. Durante a presidência de Campos Sales tais tendências acentuaram-se, pois o poder presidencial deu total apoio às oligarquias estaduais, sendo por elas apoiado

Seriam admitidos no poder legislativo federal apenas os deputados que representassem a situação em seus respectivos Estados. Após as eleições, a Comissão Verificadora de Poderes, só diplomava deputados com apoio das oligarquias de cada Estado.

Em Pernambuco dominavam os Rosa e Silva, no Ceará os Acioly, no Amazonas os Nery, em Mato Grosso os Murtinho. Elementos de oposição não conseguiam ser eleitos, tinham seus mandatos cassados. Como o número de deputados era proporcional ao número de habitantes, os estados mais populosos tinham maior número de representantes no Congresso Nacional, como era o caso de São Paulo e de Minas gerais. A supremacia política desses dois estados, que se convencionou chamar de Política do Café com Leite, só se definiu em suas linhas completas, a partir da Política dos Governadores.

Para saber mais: Oligarquia e Política do Café com Leite.

Coronelismo

O coronel, caracterizado pelo prestígio e poder de mandato, era o chefe político local e regional, geralmente um latifundiário, cujo poder era proporcional ao número de votos por ele controlado (voto de cabresto) para assegurar nas urnas a vitória de seus candidatos, com base nas oligarquias estaduais com quem mantinha relações muito estreitas.

O coronelismo é um sistema político governista, na medida em que depende dos governadores dos estados (Oligarquias) para execução das melhorias municipais. A força dos coronéis foi fundamental para explicar as fraudes no processo eleitoral. O voto não era secreto, votava-se de acordo com a vontade dos poderosos locais. As chances de oposição eram mínimas, se não contasse com o apoio de governo federal ou estadual.

Campos Salles permaneceu na presidência até 1902, quando Rodrigues Alves, ex-governador do Estado de São Paulo e antigo conselheiro do Império, foi eleito na disputa contra seu opositor Quintino Bocaiuva. Rodrigues Alves foi indicado pelo próprio Campos Sales e apoiado pelos Partidos Republicanos de São Paulo e de Minas Gerais.

Para saber mais:

Rutherford

Rutherford

Rutherford (1871-1937) foi um físico neozelandês. Em 1899, pesquisando o urânio descobriu a radiação alfa e a radiação beta. Estabeleceu as bases da teoria da radioatividade. Revolucionou a teoria atômica ao desenvolver o modelo denominado de sistema planetário, e que em linhas gerais vale até hoje.

Vida e Obra

RutherfordO jovem Ernest Rutherford.

Rutherford nasceu em Nelson, Nova Zelândia, no dia 30 de agosto de 1871. Estudou em sua cidade natal. Frequentou a Universidade de Wellington, onde em 1893 se graduou em matemática e física. Ganhou por concurso, uma bolsa de estudos para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Em Cambridge trabalhou no Laboratório Cavendish, sob a orientação de J. J. Thomson, o físico que descobriu os elétrons, onde fez pesquisas sobre o movimento de partículas atômicas ou moléculas eletricamente carregadas: os íons.

Mostrou interesse pelas radiações emitidas pelo elemento rádio, que tinha sido recém descoberto por Marie e Pierre Curie. Em 1937 foi agraciado com o título de Lord.

Leia a biografia de Marie Curie.

Descobertas de Rutherford

Em 1899, pesquisando o urânio, na Universidade Mcgill de Montreal, no Canadá, constatou que um tipo de radiação emitida por esse elemento era facilmente bloqueado por uma folha fina de metal. Deu-lhe o nome de raios alfa, embora ainda desconhecesse sua natureza.

Outra forma de radiação mais penetrante e bloqueada com espessuras bem maiores de matéria, foi batizada como raios beta. Tais descobertas foram importantes para o futuro trabalho de Rutherford com seu colega Frederick Soddy. Ambos estabeleceram as bases da teoria da radioatividade.

Experiências com Partículas Alfa

Em 1907, Rutherford foi trabalhar em Manchester, Inglaterra, época em que descobriu que os raios alfa consistiam em um fluxo de átomos de hélio carregados positivamente, ou seja, sem os elétrons.

Essa descoberta foi feita recolhendo o gás resultante da passagem de partículas radioativas através das paredes de uma câmara de vácuo. Foi demonstrado que o gás era hélio. Essa descoberta lhe valeu o Prêmio Nobel de Química em 1908.

Em 1910, Rutherford e seu assistente Geiger colocaram uma folha de ouro bastante fina interceptando um feixe de partículas alfa com energia suficiente para penetrar através da folha, que era proveniente da desintegração espontânea de elementos radioativos naturais.

Observou-se que algumas partículas ficavam totalmente bloqueadas, outras não eram afetadas, mas a maioria ultrapassava a folha sofrendo desvios.

No fim de todo o processo concluiu que a matéria da folha metálica, assim como qualquer matéria, é bastante rarefeita, ou seja, constituída quase inteiramente de espaços vazios, sendo o diâmetro dez mil vezes menor que o do átomo inteiro. Tal é o modelo de átomo nucleado, proposto por Rutherford e aceito até hoje.

Modelo Atômico de Rutherford

Rutherford inspirou toda a moderna teoria atômica, ao afirmar que o átomo era nucleado e sua parte positiva se concentrava num volume extremamente pequeno, que seria o próprio núcleo.

Os elétrons seriam extranucleares. O Modelo Atômico de Rutherford corresponde ao sistema planetário em miniatura, no qual os elétrons – micro-satélites – se movem em órbitas circulares ou elípticas ao redor do micro-sol nuclear.

Karl Marx

Karl Marx

Karl Marx (1818-1883) foi um filósofo, economista liberal, revolucionário alemão e um dos fundadores do socialismo científico. A obra de Marx influenciou a Sociologia, a Economia, a História e a até a Pedagogia.

Biografia

Karl Marx

Retrato de Karl Marx

Karl Marx nasceu em 05 de maio de 1818 na cidade Treviris, na Alemanha, no meio de uma família acomodada.

Ingressou primeiro na Universidade de Bonn e mais tarde, transferiu para a de Berlim com o intuiro de estudar Direito. Abandonaria o curso para se dedicar ao estudo da Filosofia na mesma instituição.

Ali, sofreria a influência dos Jovens Hegelianos que criticavam especialmente a religião e o Estado.

Em 1842, trabalhando no jornal “Gazeta Renana” conhece Friedrich Engels, com o qual escreveria e editaria inúmeros livros. Mais tarde, a gazeta é fechada e Marx vai para Paris.

Também se casa com a filha de um barão, Jenny Von Westaphalien, com quem teria sete filhos e dos quais somente três chegariam à vida adulta.

Igualmente teve um filho com a militante socialista e empregada, Helena Demuth. A paternidade da criança seria assumida por Engels.

Os anos seguintes não seriam fáceis, pois Marx liderou publicações que criticavam duramente o governo alemão. Ele foi expulso da França e da Bélgica a pedido do governo alemão.

Graças a uma arrecadação de fundos feita pelos seus admiradores e amigos, Marx parte para Londres onde continua suas investigações.

Karl Marx adoece de uma inflamação na garganta que o impede de falar e alimentar-se normalmente. Em consequência de uma bronquite e problemas respiratórios, faleceu em Londres, no dia 14 de março de 1883.

Obras e Teorias

Com a colaboração do intelectual, também alemão, Friedrich Engels, Marx publicou o Manifesto Comunista.

Isso ocorreu às vésperas da Revolução de 1848 na França, a chamada Primavera dos Povos,

Nele, Marx critica o capitalismo, expõe a história do movimento operário e termina com o apelo pela união dos operários no mundo todo.

Em 1867, ele publica sua obra mais importante, O Capital, onde sintetiza suas críticas à economia capitalista.

Esta coleção causaria nas décadas seguintes uma revolução na maneira de pensar a economia, a sociologia e demais ciências sociais e humanas.

Leia mais em Materialismo Histórico

Crítica ao Capitalismo

Para Marx, as condições econômicas e a luta de classes são agentes transformadores da sociedade.

A classe dominante nunca deseja que a situação mude, pois se encontra em uma situação muito confortável. Já os desfavorecidos têm que lutar pelos seus direitos e esta luta é que moveria a História, segundo Marx.

Marx pensava que o triunfo do proletariado faria surgir uma sociedade sem classes. Isto seria alcançado pela união da classe trabalhadora organizada em torno de um partido revolucionário.

Também defende a “mais valia” quando explica que o lucro do patrão é obtido a partir da exploração da mão de obra do trabalhador.

Socialismo Científico

Ao elaborar uma teoria sobre as desigualdades sociais e propor uma forma para superá-las, Marx criou o que se denominou: “socialismo científico“.

Contra a ordem capitalista e a sociedade burguesa, Marx considerava inevitável a ação política do operariado, a revolução socialista, que faria surgir uma nova sociedade.

De início, seria instalado o controle do Estado pela ditadura do proletariado e a socialização dos meios de produção, eliminando a propriedade privada.

Na etapa seguinte, a meta seria o comunismo, que representaria o fim de todas as desigualdades sociais e econômicas, incluindo a dissolução do próprio Estado.

Em 1864, a fim de conjugar esforços, funda-se a “Associação Internacional dos Trabalhadores”, em Londres, que ficou conhecida posteriormente como a Primeira Internacional.

A entidade expandiu-se por toda a Europa, cresceu muito e acabou dividida, depois de um longo processo de dissidências internas. Em 1876, ele foi oficialmente dissolvida.

Saiba mais:

O Marxismo

Marx e Engels

Gravura retratando Engels e Marx discutindo suas teorias

As reações dos operários aos efeitos da Revolução Industrial fez surgir críticos que propunham reformulações sociais. Eles sugeriam a criação de um mundo mais justo e foram chamados de teóricos socialistas.

Entre os vários pensadores, o mais célebre teórico socialista foi o alemão Karl Marx, com passagem pela França e pela Inglaterra. Marx testemunhou as transformações sociais decorrentes da industrialização.

Leia mais em Marxismo.

Influência do Marxismo

As teorias de Karl Marx influenciaram a Revolução Russa de 1917, além de teóricos e políticos, entre eles:

Cada um deles entendia a teoria marxista e a buscava adaptá-lo à sua realidade específica. Assim, temos o “marxismo-lenismo”, o “socialismo moreno”, etc.

Vários foram os governos que se proclamaram socialistas como a URSS, Cuba, Coreia do Norte, entre muitos outros.

Frases de Marx

  • “Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo”.
  • “A produção econômica e a organização social que dela resulta, necessariamente para cada época da história, constituem a base da história política e intelectual dessa época”.
  • “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes”.
  • “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”.
  • “Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites”.

Contexto Histórico: Resumo

Grandes transformações econômicas, políticas e sociais ocorreram na Europa no fim do século XVIII e início do século XIX.

Todas essas mudanças foram acompanhadas por teorias e doutrinas que buscavam condenar ou reformar a ordem capitalista burguesa.

Estruturaram-se então as teorias socialistas, vinculadas a um novo ramo da ciência, a economia política.

A Inglaterra era onde mais se verificava esta mudança. O país adquiria uma nova configuração social com a industrialização e o êxodo rural que forneceu a mão de obra das fábricas nas cidades.

Não existia nenhuma legislação trabalhista, as jornadas de trabalho nas fábricas, instaladas em locais insalubres, eram na maioria superiores a 14 horas. A miséria aumentava nas cidades.

Além das condições sub-humanas de trabalho, os operários enfrentavam enormes dificuldades em época de guerra. Neste período, a fome se disseminava pelo continente europeu, em consequência dos elevados preço dos gêneros alimentícios.

Mais grave ainda era o efeito provocado pelo emprego cada vez maior de máquinas no processo produtivo. Com isso, o trabalho humano ficava sujeito a receber uma remuneração cada vez menor.

O descontentamento só aumentava, à medida que cresciam as razões para os conflitos, prenunciando uma revolução social.

Surgiram as primeiras organizações trabalhistas, as trade unions, que buscavam organizar as lutas das classes operárias, sendo vistas como organizações criminosas pelos industriais.

Leia mais em Revolução Industrial.

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Tiradentes

Tiradentes

Tiradentes, apelido pelo qual era conhecido Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), foi um dos participantes da Inconfidência Mineira.

Durante sua vida teve várias profissões. Se dedicou às práticas farmacêuticas e arrancava dentes (daí o seu apelido) e foi tropeiro, comerciante, minerador, militar.

Biografia

Filho de Domingos da Silva Santos, português e de Maria Antônia da Encarnação Xavier, brasileira, Tiradentes nasceu na Fazenda de Pombal. Esta se encontrava situada entre a Vila de São José e a cidade de São João Del Rei, em Minas Gerais.

A mãe faleceu quanto ele tinha nove anos e o pai, onze. Por isso, foi criado em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG), por seu padrinho.

Tiradentes aderiu ao movimento dos inconfidentes quando era alferes (militar). Por ser considerado um excelente comunicador e orador foi responsável por conquistar adeptos para a causa revolucionária.

Tiradentes
Tiradentes com uniforme de alferes

Na busca por mais adesões, Tiradentes viajou para o Rio de Janeiro. Perseguido pelos soldados, se escondeu na casa de um amigo, mas foi encontrado e preso, tal como outros conspiradores.

Tiradentes, porém, protegeu seus companheiros ao assumir toda a responsabilidade do movimento revolucionário. Embora, alguns tenham sido castigados com o degredo, apenas Tiradentes foi condenado à morte. Isto se explica, porque dentre os conspiradores era o que tinha a patente militar mais baixa.

Atualmente, a figura de Tiradentes como líder do movimento tem sido questionada por muitos historiadores. Ele teria sido apontado como o dirigente máximo da Inconfidência Mineira pelos outros conspiradores que, assim, buscavam eximir-se de suas responsabilidades.

Morte

Tiradentes foi condenado à forca e executado no dia 21 de abril de 1792. Além disso, foi esquartejado na Praça da Lampadosa no Rio de Janeiro e as partes do seu corpo expostas na estrada que conectava o Rio de Janeiro a Minas Gerais.

Seus bens foram confiscados, sua casa queimada e a terra salgada, castigo comum que a Coroa portuguesa destinava aos traidores..

Tiradentes e a Inconfidência Mineira

A Inconfidência Mineira pretendia transformar o Brasil numa República independente de Portugal. Este movimento foi influenciado pelas ideias iluministas que circulavam e a independência dos Estados Unidos acontecida em 1774.

Também conhecido por Conjuração Mineira, a revolta de caráter separatista, era contra o domínio português e os pesados impostos que a Coroa impunha à já decadente exploração de ouro na colônia.

Descontentes, parte dos contratadores que tinha dívidas com a Coroa, se reuniram no movimento dos Inconfidentes para conquistar a Independência da capitania de Minas Gerais. Igualmente, queriam abolir as taxas e os impostos considerados abusivos: o Quinto e a Derrama.

O Quinto significava, para a Coroa Portuguesa, 20% do ouro de todo ouro encontrado no Brasil. Assim, todo o ouro era levado às Casas de Fundição, que pertenciam à Coroa Portuguesa e às Casas de Intendência, com o objetivo de fiscalização e controle.

Já a Derrama era a taxa cobrada sobre cada região aurífera. Se a pessoa não pagasse o imposto, seus bens eram confiscados de modo que os soldados entravam nas casas e retiravam o que fosse necessário, para completar o valor da taxa.

Diante disso, liderado por Tiradentes, o movimento dos Inconfidentes, era composto pela aristocracia mineira entre eles, oradores, poetas e advogados. Esse grupo, traçava planos para tomar o controle da Capitania de Minas Gerais e protestar contra a coroa.

Em 1789, entretanto, o movimento foi descoberto, os participantes presos e Tiradentes foi o único condenado à morte.

Homenagem

Tiradentes
Tiradentes sendo representado com traços semelhantes a Jesus Cristo e com a corda enrolada ao pescoço

A partir da proclamação da República, em 1889, a figura de Tiradentes foi transformada em herói nacional. Deste modo, foi instituído o dia 21 de Abril, dia de sua execução, como Dia de Tiradentes e feriado nacional.

A cidade onde Tiradentes nasceu em Minas Gerais, antes Vila de São José, atualmente se chama Tiradentes. Praças, ruas e avenidas receberam o nome de Tiradentes, no Rio de Janeiro (RJ), em Curitiba (PR) e em Ouro Preto (MG), onde se localiza o Museu da Inconfidência, inaugurado em 1944.

A bandeira idealizada pelo inconfidentes para ser a bandeira do novo país foi oficializada como bandeira de Minas Gerais em 1963.

Durante a Ditadura Militar (1964-1985), Tiradentes era sempre retratado com barbas e cabelos comprido, à semelhança de Jesus Cristo. Curiosamente sempre levava a forca ao pescoço de modo a lembrar o preço que pagou por contestar a ordem vigente.

Curiosidades

  • A história de Tiradentes e da Inconfidência Mineira foi enredo dos filmes como Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade; Tiradentes, o Mártir da Independência (1976), de Geraldo Vietri e Tiradentes (1999), de Oswaldo Caldeira.
  • Também inspirou a telenovela Dez Vidas (1969), de Ivani Ribeiro.
  • Em 9 de dezembro de 1965, no governo do general Humberto Castelo Branco, Tiradentes recebeu oficialmente o título de patrono cívico da nação brasileira.

Quiz de personalidades que fizeram história

Platão

Platão

Platão (428 a.C.-347 a.C.) foi filosofo grego, considerado um dos principais pensadores de sua época.

Discípulo de Sócrates, procurava transmitir uma profunda fé na razão e na verdade, adotando o lema de Sócrates “o sábio é o virtuoso”.

Escreveu diversos diálogos filosóficos, entre eles “A República“, obra dividida em dez volumes.

Biografia de Platão

Estátua de Platão
Escultura do rosto de Platão

Platão nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 428 a.C. De família nobre, estudou leitura, escrita, música, pintura, poesia e ginástica.

Excelente atleta, participou dos Jogos Olímpicos como lutador. Desejava fazer carreira política mas, muito cedo, tornou-se discípulo de Sócrates, com quem aprendeu a discutir os problemas do conhecimento do mundo e das virtudes humanas.

Quando Sócrates morreu, desiludiu-se com a política e dedicou-se à filosofia. Resolveu eternizar os ensinamentos do mestre, que não havia redigido nenhum livros, escreveu vários diálogos onde a figura principal é Sócrates.

Platão opôs-se à democracia ateniense e abandonou sua terra. Viajou para Megara, onde estudou Geometria, foi ao Egito, onde dedicou-se à Astronomia, em Cyrene (Norte da África) dedicou-se à matemática, em Crotona (Sul da Itália) reuniu-se com os discípulos de Pitágoras.

Esses estudos deram-lhe a formação intelectual necessária para formular suas próprias teorias, aprofundando os ensinamentos de Sócrates e a filosofia grega.

Quando voltou à Atenas, por volta de 387 a.C., fundou sua escola filosófica “Academia”, onde reunia seus discípulos para estudar Filosofia, Ciências, Matemática e Geometria.

Tal foi a influencia de Platão, que sua Academia subsistiu, mesmo após sua morte. Em 529, o imperador romano Justiniano mandou fechar a Academia, mas a doutrina platônica já tinha sido amplamente difundida. O Platonismo designa o conjunto das ideias de Platão.

Obras de Platão

Das obras de Platão, cerca de trinta chegaram até nossos dias. As mais célebres foram escritas sob a forma de diálogo:

  • República (dez volumes)
  • Protágoras
  • Apologia
  • Fedro
  • Timon
  • Banquete

Ele estava empenhado em um grande tratado – “As Leis”, quando morreu, no ano de 347 a.C.

A Sociedade Ideal e a República de Platão

Aplicando sua filosofia, Platão imaginou na “República”, uma sociedade ideal dividida em três classes, levando em conta a capacidade intelectual de cada indivíduo.

A primeira camada, mais presa às necessidades do corpo, seria encarregada da produção e distribuição de gêneros para toda a comunidade: lavradores, artífices e comerciantes.

A segunda classe, mais empreendedora se dedicava à defesa: os soldados. A classe superior, capacitada para servir-se da razão, seria a dos intelectuais, com poder político, assim os reis teriam de ser escolhidos entre os filósofos.

Platão e o Mito da Caverna

Mito da Caverna - Alegoria da Caverna
Representação do Mito da Caverna

Platão escreveu em forma de diálogo, no livro VII da “República”, a história “mito da caverna“, onde relata a vida de alguns homens que desde a infância se encontram aprisionados em uma caverna, com uma pequena abertura por onde penetra a luz.

Os homens passam o tempo olhando para uma parede de fundo. Lá fora, nas costas dos cativos, brilha um fogo aceso sobre uma colina e entre ela e os presos, passam homens carregando pequenas estátuas. As sombras desses passantes são projetadas no fundo da caverna.

As vozes ouvidas são atribuídas às próprias sombras, para eles a única realidade. Quando um dos cativos consegue evadir-se, percebe que tinha vivido num mundo irreal.

Platão usa todas essa imagens para dizer que o mundo que percebemos com nossos sentidos, é um mundo ilusório e confuso, é o mundo das sombras.

Mas esta realidade sensível não é todo o universo. Há um reino mais elevado, espiritual, eterno, onde está o que existe de verdade, é o mundo das ideias, que só a razão pode conhecer, e que apenas os filósofos podem perceber.

Leia:

Thomas Hobbes

Thomas Hobbes

Thomas Hobbes (1588-1679) foi filósofo e teórico político. Autor de obras que abrangem conceitos de política, psicologia, física e matemática. Escreveu Leviatã (1651), um tratado político que lhe valeu algumas perseguições e muitos discípulos.

Thomas Hobbes
Thomas Hobbes por John Michael Wright (sec. XVII)

Biografia de Hobbes

Hobbes nasceu em Westport, Inglaterra. Filho de um vigário inculto, foi educado por um tio. Estudou os clássicos e com quatorze anos traduziu Medeia, escrita por Eurípedes, para versos latinos. Com quinze anos foi para a Universidade de Oxford, onde aprendeu lógica e filosofia, principalmente a do grego Aristóteles.

Entre 1608 e 1610 foi tutor de Lord Hardwich (futuro conde de Devonshire), com quem viajou pela Itália e se fixou na França. Nessa época, começou a estudar as obras de Galileu, Kepler e Euclides.

Na Itália visitou Galileu, que teve influencia decisiva na formação de suas ideias filosóficas. Esse contato o levou a fundir suas preocupações com os problemas sociais e políticos com seu interesse pela geometria e o pensamento dos filósofos mecanicistas.

Se o princípio de que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a dois ângulos retos fosse contrário aos interesses dos proprietários, ter-se-ia tentado anulá-lo, queimando os livros de geometria.

Hobbes voltou à Inglaterra em 1637, onde sustentou violentos debates sobre suas ideias, numa época em que a situação política anunciava uma guerra civil.

Hobbes era favor do poder real e se retirou para a França, em 1640, quando o Arcebispo Laud e o Conde de Strafford, principais auxiliares do rei, foram levados à torre acusados de conspiração.

Seu tempo em Paris foi de intensa atividade intelectual. Refutou Descartes, ensinou matemática ao futuro Carlos II (filho de Carlos I) da Inglaterra, que também se encontrava no exílio.

Leviatã

Leviatã de Thomas Hobbes
Livro Leviatã de Thomas Hobbes

Em 1651, Hobbes lançou Leviatã, onde confirma e amplia seu trabalho sobre política. Como o Leviatã desgostou a Igreja Católica e o Governo Francês, foi pressionado a deixar o país.

Voltou para Londres e se declarou submisso ao ministro inglês Cromwell. Durante os últimos anos de sua vida escreve sua autobiografia e ocupava-se da tradução da Ilíada e da Odisseia em versos latinos.

Em 1679, com 91 anos morre durante uma viagem, acompanhando o Conde Devonshire.

Ideias Políticas de Hobbes

Para Hobbes todo o conhecimento vem dos sentidos, A paixão é mais forte que a vontade. Na moral e na política, essa teoria dá no seguinte: os súditos do Estado são extremamente individualistas e só se reúnem em comunidade porque esse é o melhor meio de sobreviver.

Essa semi-guerra é analisada no Leviatã. Leviatã, no livro de Jó, na Bíblia é o monstro que governa o caos primitivo. Para Hobbes, o Estado é o Grande Leviatã, o deus imortal que se sobrepõe ao indivíduo e o absorve, embora tenha sido criado para servi-lo.

Hobbes foi autor de diversas obras como: De Cive (1642), Leviatã (1651), De Corpore (1655) e De Homine (1658).

Em todas ele fala de um Estado Natural em guerra perpétua, exprimindo bem seu pensamento na frase: “Bellum omnia contra omnes, homo homini lupus” (O homem é lobo do homem).

Hobbes e o Contrato Social

O Contrato Social seria um acordo entre os membros da sociedade, que reconhece a autoridade de um soberano, dono de direitos iluminados. O Estado absolutista seria o único capaz de fazer respeitar o Contrato Social e garantir a ordem e a paz na relação entre os indivíduos.

Para construir uma sociedade é necessário que cada indivíduo abra mão de certos direitos naturais para o governo ou outra autoridade. Com isso, obtém-se as vantagens da ordem social e estabeleça um acordo mútuo de não aniquilação do outro.

Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau são os mais famosos filósofos adeptos do Contrato Social.