Apple TV+

Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X05: The Rift

Encerrando com categoria a primeira temporada do revival de Amazing Stories (Histórias Maravilhosas), The Rift traz uma adaptação da HQ homônima de 2017 escrita pelo americano Don Handfield e pelo britânico Richard Rayner, com arte do piauiense Leno Carvalho, que, por sua vez, parece ser fortemente inspirada no clássico Nimitz – De Volta ao Inferno só que ao contrário. No lugar de um porta-aviões moderno ser transportado para a 2ª Guerra Mundial em razão de um fenômeno misterioso, é um piloto americano lutando por sobre Rangun que cai em Ohio. Ou seja, a temporada acaba como começou com The Cellar, abordando o eterno e sempre bem-vindo artifício sci-fi da viagem no tempo, ainda que de maneiras bem diferentes.

Sem perder muito tempo, o episódio começa com Mary Ann (Kerry Bishé) e Elijah (Duncan Joiner), respectivamente madrasta e enteado, em viagem de mudança quando o mencionado avião passa raspando por sobre suas cabeças e cai em um riacho. O piloto, o tenente Theodore Cole (Austin Stowell), é salvo por Mary Ann e logo levado pelas autoridades para o hospital mais próximo, enquanto um agência governamental secreta chega ao local do acidente para tomar controle de tudo e reverter os efeitos da “fenda” do título. A partir daí, o óbvio passa a acontecer, com Elijah conectando-se com o piloto e os dois, em fuga, tentando entender exatamente o que aconteceu e como evitar o pior.

Mais uma vez, Amazing Stories não tenta surpreender com linhas narrativas originais ou mesmo com a execução original de linhas narrativas batidas. Ao contrário, a série esmera-se em trabalhar os clichês e até os arquétipos narrativos sem maiores invencionices, entregando, normalmente, capítulos honestos, bem feitos e que tem o entretenimento como foco principal. The Rift não é diferente, mas, talvez indo um pouco além do que os demais episódios foram, o roteiro escrito pela dupla responsável pela HQ sabe criar relações enternecedoras entre Mary Ann e Elijah e entre Elijah e Theodore que usam as coincidências inerentes ao gênero e à história como parte da engrenagem para justificar certas conveniências, o que acaba funcionando muito bem.

Além disso, há uma boa e imediata conexão entre Bishé, Joiner e Stowell, com os três atores estabelecendo química em qualquer dupla que formem, algo que não só deve ser creditado ao elenco, como também ao trabalho de direção de Mark Mylod, com extensa carreira em séries como Entourage, Game of Thrones, Shameless e Succession. Mesmo na correria e tendo ainda que lidar com a equipe de “Homens de Preto” que chega ao local, o cineasta tem excelente controle de câmera, mantendo uma estrutura fácil de acompanhar e aplicando filtros em momentos precisos, como quando Theodore lembra de sua casa antes de partir para a guerra ou segurando boas tomadas com fotografia noturna sem muito esforço como a da pista de pouso mais ao final.

A correria que o roteiro impõe à direção é, sem dúvida, o ponto mais fraco do episódio, que mereceria uma minutagem um pouco mais alongada ou, até mesmo, arrisco dizer, a divisão em duas partes para que um pouco mais desse universo construído velozmente pudesse ser abordado com mais vagar. Por outro lado, é sempre um sinal positivo quando queremos ver mais de determinada cena e é exatamente isso que acontece muitas vezes, como no reencontro de Theodore com sua esposa ou na conexão à beira do rio dele com Elijah.

The Rift vem para fechar com chave de ouro a mini-temporada inaugural de Amazing Stories, entregando substancialmente mais da mesma atmosfera agradável e descompromissada de Sessão da Tarde que marcou a série oitentista original e que volta com força total pela Apple TV+. Só resta, agora, torcer pela renovação da série em formato de antologia para que ganhemos mais histórias maravilhosas spielberguianas para aquecer nossos corações.

Amazing Stories – 1X05: The Rift (EUA, 03 de abril de 2020)
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Don Handfield, Richard Rayner
Elenco: Edward Burns, Kerry Bishé, Austin Stowell, Duncan Joiner, Juliana Canfield, Aly Ward Azevedo, Jay DeVon Johnson, Desmond Phillips, Andrew Benator, Bernardo Cubria, Michael Chandler
Duração: 48 min.

Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X04: Signs of Life

Signs of Life, o quarto e penúltimo episódio da curtíssima primeira temporada do revival de Amazing Stories (Histórias Maravilhosas) mantém seu mistério central por tanto tempo que não posso sequer arriscar mencionar sobre o que ele é sem soltar spoilers, algo que não pretendo fazer. Portanto, já peço desculpas adiantado pelo malabarismo na crítica para me desviar dessa questão, mas já deixo uma coisa clara: assim como nos demais episódios, o tema é um clichê clássico que simplesmente não podia faltar em uma série como essa.

Na história, Sara (Michelle Wilson) acorda misteriosamente de um coma de seis anos e passa a ter que reconectar-se com sua filha Alia (Sasha Lane). No entanto, apesar de mostrar-se bem fisicamente e lembrar-se de tudo, Sara não consegue estabelecer contato com Alia, mantendo-se distante e alheia à filha, ao mesmo tempo que demonstra ter, digamos, habilidades especiais, como do nada falar espanhol fluentemente ou ter uma capacidade auditiva fora do comum. Além disso, não demora e Wayne (Josh Holloway), que parece ser um amigo de longa data, reentra em sua vida de forma a acrescentar mais uma série de pontos de interrogação na cada vez mais desconfiada Alia.

O trunfo do episódio é fazer o espectador quase que literalmente ser Alia por um boa parte da minutagem, ou seja, deixando-nos à margem de qualquer tipo de explicação e levando-nos naturalmente a todo tipo de especulação e teorias enquanto o mistério só fica vai ficando mais profundo, como um episódio de Arquivo X. Essa ignorância sobre o que exatamente está acontecendo e que corajosamente permanece por algo como 40 a 45 minutos dos 53 do episódio acaba muito facilmente prendendo a atenção nem que seja por pura curiosidade, com o roteiro propositalmente jogando pistas falsas o tempo todo para alimentar as dúvidas.

No entanto, o texto de Leah Fong acaba perdendo o fôlego tanto ao focar no drama pessoal de Alia, dividida entre dois mundos, quanto na resolução do mistério. Sim, tudo é resolvido, mas, apesar da duração levemente avantajada do episódio, há uma correria muito grande nos minutos finais que provavelmente não satisfarão aqueles que, como eu, esperava um pouquinho mais de conexão narrativa. É como uma ideia muito boa que tem todo um capítulo escrito ao seu redor, mas que quem teve a ideia não sabe exatamente o que ela é em seus detalhes.

Mas o lado simpático que vem marcando todos os episódios da temporada está presente aqui também, com um enfoque especial na importância da família e no próprio conceito de família, com alguns momentos bonitos entre mãe e filha que colorem com eficiência o manto de mistério que encobre a história. Michelle Wilson e Sasha Lane mostram-se eficientes em seus papeis de mãe e filha separadas pelo tempo, com a primeira sequer lembrando direito desse seu passado com a segunda, o que a leva a atitudes frias inicialmente. Josh Holloway, por seu turno, é o canastrão carismático de sempre que tem boa presença em tela e, mesmo sendo subaproveitado, consegue fazer seu personagem funcionar.

Mesmo não encerrando com elegância a história, Signs of Life cumpre a missão de intrigar o espectador, deixando-o suficientemente engajado com o que está acontecendo para envolver-se na história. Assim como todos os episódios que vieram antes dele, o objetivo – alcançado plenamente – é oferecer um pouco de diversão descompromissada envolta em uma produção infanto-juvenil com a chancela spielberguiana de qualidade.

Amazing Stories – 1X04: Signs of Life (EUA, 27 de março de 2020)
Direção: Michael Dinner
Roteiro: Leah Fong
Elenco: Michelle Wilson, Sasha Lane, Josh Holloway, Linda Park, Jacob Latimore, Barret Swatek, Lesa Wilson, Tyler Graham, Rose Bianco, Fallyn Brown, Moses Das
Duração: 53 min.

Crítica | The Banker (2020)

The Banker, a primeira grande aposta cinematográfica do AppleTV+, era para ter sido lançado ainda em 2019, mas um escândalo relacionado com um de seus produtores – que desde então teve seu nome removido dos créditos – estourou próximo da estreia e o filme acabou adiado para o primeiro trimestre de 2020, perdendo muito do esforço de marketing para sua divulgação. Mesmo assim, a produção, baseada em fatos reais, merece ser conferida não só pela história em si, que é ao mesmo tempo razoavelmente desconhecida, mas sem dúvida muito interessante e, em vários aspectos, aterradora, como também pela qualidade da obra em si.

Não é que The Banker pretenda alçar voos muito altos, pois não pretende. Ao contrário, sua estrutura é simples, daquele tipo que já vimos dezenas de vezes antes em filmes que lidam com a ascensão e queda de visionários que, com suas ações, ajudaram a mudar o status quo de algo. Aqui, a história aborda a vida de Bernard Garrett (Anthony Mackie), um afro-americano que, em plenos anos 60, tem a ousadia de entrar no mercado imobiliário “destinado para brancos” de Los Angeles e, depois, em parceria com o milionário Joe Morris (Samuel L. Jackson), ingressa no sistema bancário e em sua cidade natal para piorar tudo. Para conseguir seus objetivos, a dupla amealha a ajuda de Matt Steiner (Nicholas Hoult), um jovem branco, para ser “a cara” dos negócios, tornando possível a abertura de portas de, de outra forma, permaneceriam fechadas.

É a trinca principal, portanto, que se torna a verdadeira chave para o filme funcionar ou não. Na verdade, o espectador precisa primeiro “comprar” a atuação de Anthony Mackie como um almofadinha genial e ambicioso que dá o pontapé inicial para um plano ousado de dominação do mercado imobiliário angeleno. Talvez mais conhecido do público geral por seu papel de Falcão no Universo Cinematográfico Marvel, o ator tem na carteira um número grande de papeis que vai além do parceiro do Capitão América e, apesar de nunca ter realmente mostrado grande latitude dramática, ele raramente faz feio. Aqui, ele tem, muito provavelmente, seu melhor papel até agora, construindo um personagem tão sisudo e certinho que ele ganha traços cômicos, mas sem ser engraçado no sentido mais comum da palavra. É um belo de um contraponto para a personalidade (sempre) expansiva de Jackson como Morris, com o estabelecimento de uma química “contraposta”, por assim dizer, muito gostosa de ver na tela. Nicholas Hoult, por seu turno, fica em um simpático meio termo como um homem simples e matematicamente ignorante, mas que, talvez muito rapidamente demais mesmo considerando o treinamento por que passa, torna-se um empreendedor de considerável tino comercial.

Colorindo a quase onipresença dos três atores em tela, há, ainda, a participação aqui e ali de Nia Long como Eunice Garrett, amorosa esposa de Bernard. Apesar de seu papel relativamente tímido em termos de tempo diante das câmeras, a personagem é bem utilizada pelo roteiro que a transforma em uma espécie de calmaria diante do furacão de acontecimentos que povoam a narrativa, além de servir de “grilo falante” para Bernard e, por vezes, como um bom safanão verbal em Joe.

A questão racial é, sem trocadilho, preto no branco, sem rodeios. Começa com a forma superior como o pequeno Bernard, como engraxate, é tratado na sequência de abertura da fita, e permanece constante ao longo de toda sua duração, transitando de comentários discretos e “inocentes” (as aspas são importantes!) de algumas pessoas até atitudes asquerosas e violentas, além do panorama geral dos EUA nos anos 60 que era inacreditável mesmo em estados mais liberais como a Califórnia. Bernard é pragmático, porém, entendendo perfeitamente como funcionam essas engrenagens viciadas do jogo, e faz o seu melhor para jogar o sistema contra ele mesmo em um plano ao mesmo tempo de fundo altruísta, mas, como Joe logo detecta, com um fundo perfeitamente compressível e mais do que justificado de ressentimento e raiva.

A reconstrução de época é outro charme da obra, especialmente no que toca os figurinos do afiadíssimo elenco. Bernard é todo certinho, com todos os vincos de sua calça bem passados, enquanto Joe é espalhafatoso como sua personalidade, deixando Matt como o “cara comum” que oscila entre o totalmente esculhambado e o refinado quando essencial. O cuidado com as tomadas em locação em prédios e casas da década de 60 e que até hoje estão de pé, o uso de automóveis e a decoração de interiores também merecem destaque. No entanto, é engraçado como, assim como a estrutura narrativa padrão da obra, todo o design de produção é correto, polido, mas não de cair o queixo. Por vezes passa até uma sensação de assepsia, com tudo muito arrumado e limpo demais, como espaços que não parecem “vividos”.

Tenho para mim que essa característica de The Banker sem dúvida foi pensada para tornar o filme o mais universal possível, agradando a gregos e troianos. Ao mesmo tempo, porém, isso detrai um pouco do resultado geral, assim como o roteiro que muito mais arranha a superfície dos problemas do que efetivamente arregaça as mangas e põe o dedo nas diversas feridas. É como um panorama geral muito bem feito, mas que não se esforça para se debruçar mais pausadamente sobre a temática principal, preocupando-se muito mais com a sagacidade de seus protagonistas do que com o ambiente segregador em que estavam inseridos.

No entanto, The Banker consegue chamar atenção por sua história, que é de abrir os olhos, e também por seu muito bem escolhido elenco que dá um show do começo ao fim, além da reconstrução de época. Não é um filme ambicioso e nem uma produção particularmente ousada ou inovadora, mas ela sem dúvida tem importante função de relembrar fatos esquecidos, gera discussões e, no final das contas, é entretenimento garantido.

The Banker (EUA, 20 de março de 2020)
Direção: George Nolfi
Roteiro: Niceole R. Levy, David Lewis Smith, Stan Younger
Elenco: Anthony Mackie, Samuel L. Jackson, Nicholas Hoult, Nia Long, James DuMont, Colm Meaney, Michael Harney, Jessie T. Usher, Taylor Black, Gregory Alan Williams, Paul Ben-Victor, Rhoda Griffis, Crystal Coney, Chris Gann
Duração: 120 min.

Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X03: Dynoman and the Volt!!

O revival de Amazing Stories – ou Histórias Maravilhosas, como ficou conhecida por aqui – tem exatamente a mesma missão de sua predecessora: trazer histórias de fantasia simples e descompromissadas para um público que não quer mais do que uma dose semanal de algo na linha da boa e velha Sessão da Tarde. E, se lembrarmos de The Cellar e The Heat, os dois primeiros episódios da antologia, esse objetivo tem sido alcançado.

Dynoman and the Volt!! apenas reitera o bom caminho que a série vem seguindo, desta vez usando o clichê de uma história de super-heróis para abordar o clichê de uma história sobre envelhecimento e conexão entre gerações. E, quando uso o termo clichê, não o faço em seu sentido negativo que muitos conectam a ele. Clichê é, ao contrário, apenas um artifício narrativo muito repetido e o que determina se ele será bom ou não é o roteiro como um todo e não seu mero emprego. E, mesmo que as pretensões do episódio não sejam lá estratosféricas, os clichês que vemos em utilização ampla funcionam bem e resultam em uma simpatia de história que, como as demais, deixará o espectador com um sorriso no rosto ao seu final.

Nela, o rabugento e grosseirão Joe Harris (o saudoso Robert Forster em seu penúltimo papel), um homem de terceira idade que sofrera um acidente, muda-se para a casa de seu filho Michael (Kyle Bornheimer) e acaba estabelecendo contato mais estreito com seu neto mais novo Dylan (Tyler Crumley), fã de quadrinhos e que adora criar suas próprias fantasias para sair atrás de gostosuras no Halloween. Os laços entre avô e neto são estabelecidos ao redor de um anel de brinquedo do super-herói Dynoman que chega misteriosamente pelo correio para Joe 60 anos depois de ele o ter encomendado. Obviamente, o anel dá poderes ao ancião e a história parte daí para trabalhar três gerações da família Harris em um conto de aquecer corações.

O roteiro de Peter Ackerman é simples talvez até demais, já que telegrafa cada movimento futuro, além de explicar o que vemos por meio de diálogos que somente existem para serem redundantes. Com isso, a direção de Susanna Fogel não consegue fugir muito do básico e, como não há muita história para realmente ser desenvolvida, acaba valendo-se de elipses que por vezes mostram-se atabalhoadas e perdidas, quebrando um pouco a lógica narrativa. Isso é particularmente sensível na ação do clímax que não faz exatamente muito sentido e parece extremamente corrida, ainda que “bonitinha”.

O que realmente funciona no episódio é a sempre agradável presença de Forster e a imediata conexão do ator com o jovem Crumley, de maneira que os dois acabam formando uma dupla improvável, mas que funciona do começo ao fim. Mais do que isso, o episódio consegue evitar ser muito meloso, mas sem deixar de entregar belos momentos de ternura capitaneados pelos dois e, por vezes, também contando com o Harris “do meio” também bem interpretado pelo simpático Bornheimer.

Na seara dos efeitos especiais, apesar de uso muito esparso de CGI e alguns efeitos práticos, eles são bem empregados e não detraem do resultado final, lembrando que eles não têm um fim e sim mesmo e, portanto, não pesam na narrativa. O objetivo é fazer os efeitos ficarem em segundo, talvez até terceiro plano, só aparecendo quando realmente essenciais para justificar a premissa do episódio.

Dynoman and the Volt!! é um adorável conto de conflito de gerações que tem o pano de fundo “da moda” dos super-heróis, mas que realmente cativa pela marcante presença de Robert Forster em tela. Com mais um acerto, Amazing Stories vem se firmando com um porto seguro para escapismo televisivo de qualidade, o que pode parecer uma contradição em termos, mas que, lá no fundo, não é não.

Amazing Stories – 1X03: Dynoman and the Volt!! (EUA, 20 de março de 2020)
Direção: Susanna Fogel
Roteiro: Peter Ackerman
Elenco: Robert Forster, Tyler Crumley, Kyle Bornheimer, Alison Bell, Toby Nichols, Morgan Gao
Duração: 47 min.

Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X01: The Cellar

No mesmo ano que Além da Imaginação (The Twilight Zone) ganhava seu primeiro revival, Steven Spielberg e sua produtora Amblin lançavam Histórias Maravilhosas (Amazing Stories), antologia de histórias fantásticas que, diferente da sensacional criação de Rod Serling, carregava uma gostosa pegada infanto-juvenil leve e descompromissada. De sua própria maneira, os 45 episódios das duas temporadas da série marcaram sua época e, agora, em 2020, ela ganha seu primeiro revival, coincidentemente no ano seguinte do terceiro revival de sua musa inspiradora.

Produzida novamente por Spielberg juntamente com Edward Kitsis, Adam Horowitz, Darryl Frank e Justin Falvey, a nova série, a julgar por seu episódio inaugural The Cellar, parece querer manter aquele olhar mais simpático e inocente que marcou a original, com histórias leves e divertidas que não parecem querer alçar voos muito altos. O capítulo inicial joga seguro em sua temática, a viagem no tempo, artifício narrativo que costuma gerar bons dividendos sem a necessidade de um enorme esforço criativo.

Mais ou menos na linha do romântico Em Algum Lugar do Passado, The Cellar  aborda uma história de amor em que os enamorados estão separados no tempo, no caso exatamente 100 anos. Sam Taylor (Dylan O’Brien) é um carpinteiro que ajuda seu irmão mais velho Jake (Micah Stock) na reforma de casas. Durante uma tempestade em um de seus trabalhos, Sam é misteriosamente transportado para 1919 quando conhece Evelyn (Victoria Pedretti) jovem prestes a casar-se contra sua vontade para salvar a mãe da falência. Desnecessário continuar descrevendo o que acontece, não é mesmo?

O jogo seguro de se usar viagem no tempo como atrativo continua fortemente na forma como tudo é executado. Pela janela vai qualquer ângulo narrativo mais nuançado, o que torna a história uma sucessão de clichês clássicos que são generosamente utilizados o tempo todo em meio a conveniências como a adaptação imediata de Sam e de Evelyn à situação, com todos os comentários sociais – o papel da mulher na sociedade mais proeminentemente, claro – flutuando ao redor, mas nunca, em momento algum, ganhando mais do que algumas pinceladas bem óbvias, sem que o roteiro se esforce em ultrapassar a barreira do básico.

Mas, sem dúvida alguma, apesar da simplicidade, a história é simpática, com a conexão entre os jovens apaixonados funcionando bem no pouco tempo de tela que tem. No entanto, o destaque fica mesmo com Dylan O’Brien que, mesmo seguindo uma linha reta pouco inspirada, consegue tornar seu Sam um personagem quase que imediatamente relacionável. Pedretti é apenas burocrática, com Stock mostrando potencial no pouco que aparece.

A reconstrução de época é econômica, mas a equipe de design de produção sabe tocar nas teclas exatas para conjurar 1919 de maneira correta, valendo especial destaque para a boate clandestina embaixo da farmácia em plena Proibição. Mas convenhamos que esse é o mínimo que podemos esperar de uma produção que leva o nome da Amblin e a distribuição da Apple.

Em um mundo frenético como o que vivemos, talvez a Amazing Stories dos anos 80 não tenha mais lugar. Mesmo assim, é um refresco notar que a produção tentou manter a sensação old school da série clássica com um episódio inaugural que cumpre a função básica de divertir, mas sem exigir nada do espectador. Talvez fosse o caso de elevar o nível apenas um pouquinho para que esse revival não se perca entre tantas outas ofertas por aí.

Amazing Stories – 1X01: The Cellar (EUA, 06 de março de 2020)
Direção: Chris Long
Roteiro: Jessica Sharzer
Elenco: Dylan O’Brien, Victoria Pedretti, Micah Stock, Daryn Kahn, Sasha Alexander, Cullen Douglas, Michaela Russell, Kimberly W Sandefur, Dean J. West
Duração: 52 min.

Crítica | Servant – 1X07 a 1X10: Haggis / Boba / Jericho / Baloon

Temporada como um todo
(não é uma média)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Como tirei férias durante os episódios 1X07 a 1X09 de Servant, deixei a temporada chegar ao seu final para trazer as críticas do que faltava. Vamos lá!

1X07
Haggis

Rain expandiu a mitologia da série ao apresentar o tio de Leanne e apontar para a existência de uma tia, em Haggis, é a vez do lado de Dorothy ganhar uma adição: Natalie, amiga e kinesióloga da perturbada mãe de Jericho que foi responsável pela terapia com o “bebê boneco realista”. Vivida por Jerrika Hinton, a personagem serve fundamentalmente de veículo para o desenvolvimento da ideia que a morte do bebê, nunca antes explicada, não se deu por causas naturais ou algo mais, digamos, mundano, como uma doença.

A presença de Natalie na casa dos Turners não é construída de maneira orgânica, porém, já que a personagem simplesmente está lá cuidando de Dorothy que, se sentindo segura, a dispensa somente para convidá-la para um jantar, gerando desespero em Sean em razão da criança que foi ressuscitada. Considerando a duração padrão dos episódios da série, há uma aceleração de passo muito grande aqui, completamente desproporcional em relação à cadência narrativa anterior.

Há bons momentos de suspense e um particularmente eficiente jump scare quando Leanne derruba Natalie, mas a velocidade vertiginosa dos acontecimentos e o crescente lado sobrenatural que inclui agora rachaduras no chão do porão e um cachorro ressuscitado não exatamente beneficiam a temporada como um todo. Claro que a claustrofobia da mansão dos Turners é muito bem mantida pela direção de Alexis Ostrander e a fotografia escurecida, além das revelações que nunca são completas e abertas, criam um bom grau de ansiedade que mantém alto o interesse pelo desenrolar dessa macabra história.

1X08
Boba

Boba é praticamente o contrário narrativo de Haggis, o que acaba criando um bom equilíbrio na história. Se, no episódio anterior, há muito acontecendo, aqui não há quase nada, ainda que mais uma vez a dose de suspense seja não só alta, como eficiente, tendo Julian como o principal foco quando ele fica sozinho na casa dos Turners para cuidar de Jericho.

O sobrenatural comanda a cadência, com a descoberta, por Julian, de que o bebê voltou a ser um boneco, algo que ele se recusa a acreditar e acha que faz parte de um plano de Leanne e sua família para extorquir dinheiro de Sean e Dorothy. A rotina de completa incredulidade sobre o que pode estar acontecendo, com a constante busca de explicações racionais, é cansativa, mas, em última análise, crível, bastando que o leitor ponha-se no lugar de Julian – ou Sean – diante de uma situação tão estranha como a volta à vida de Jericho.

E a diretora Lisa Brühlmann usa muito bem essa incredulidade e a inegável aflição que o boneco realista automaticamente causa para construir cenas sufocantes que culminam com a em que Julian ameaça jogar o bebê boneco no vão da escada. No entanto, é problemático notar que a temporada parece fiar-se demais em momentos chocantes para fazer sua história avançar, o que retira muito de sua fluidez, substituindo-o por solavancos repentinos. Não é um problema sério diante do tamanho dos episódios, mas é algo que detrai da experiência por subtrair a naturalidade da progressão narrativa.

1X09
Jericho

M. Night Shyamalan volta à direção de um episódio da temporada depois do inaugural e sua presença é facilmente sentida na qualidade do suspense que ele entrega. Sim, boa parte do mérito vai para o roteiro do showrunner Tony Basgallop, que lida com duas linhas temporais, uma no presente e outra que volta ao passado para finalmente revelar como foi a morte de Jericho.

No lugar de transições óbvias, Shyamalan opta pela extrema sutileza e elegância, focando em Dorothy no presente abalada pelos tormentos psicológicos infligidos por uma vingativa Leanne, agora que sabe o que aconteceu, e uma Dorothy sozinha e exausta que acaba esquecendo Jericho no carro durante uma canícula na cidade, levando-o à morte por hipertermia. O horror em si da situação é suficiente para tornar esse o episódio mais difícil de se assistir da temporada, mas o diretor faz questão de amplificar ainda mais a repugnância da situação ao trabalhar tudo muito lentamente, mas sem perder de vista o inevitável.

A cadência imposta pela direção é absolutamente enervante e devastadora em tudo o que cirurgicamente não mostra (jamais vemos o bebê morrendo – seria fácil demais) e na forma como a morte, a podridão e, no fim, a loucura acaba invadindo a mansão-sobrado em que a história se passa enquanto Sean está fora como juiz de um reality show culinário tipo Master Chef em que ele se mostra particularmente desagradável. A conciliação da desgraça que se abate nos Turners com o que Leanne significa para eles ainda permanece como uma névoa impenetrável só explicável pelo mergulho completo no sobrenatural, mas Shyamalan não está preocupado com isso nesse capítulo, procurando, muito ao contrário, torturar o espectador com seu passo lento e inexorável na pior direção possível e que abre um maravilhoso espaço para a melhor atuação de Lauren Ambrose na temporada.

1X10
Baloon

Gostaria de poder dizer que Servant encerra sua primeira temporada em seu ponto mais alto, mas terei que me contentar em afirmar que, apesar de não ser o melhor episódio, Baloon não reverte para a qualidade mediana dos episódios 1X02, 1X03 e 1X04. Nada como olhar para o lado positivo das coisas, não é mesmo?

O ponto é que, depois do horror visceral de Jericho, somos brindados com um episódio narrativamente tumultuado que se passa durante a festa pós-batizado do bebê dos Turners, o que é, claro, o momento exato para o tio de Leanne voltar trazendo a tira-colo a ainda mais sinistra tia May que, como é revelado mais para o final quando a memória de Dorothy é sacudida, foi líder de um culto religioso fanático. Desnecessário dizer, por certo, que o foco fica quase que inteiramente no lado sobrenatural da história e, justamente por ficar aí e por Servant já ter sido renovada para uma 2ª temporada, é que nada de relevante é realmente revelado.

Há uma confirmação – em tese – de que realmente Leanne tem poderes para reviver pessoas e animais e que ela é particularmente importante para o tal culto, mas isso não é exatamente uma surpresa, não é mesmo? Há momentos tensos com o tio George e Sean no porão e Leanne, Tia May e Dorothy no quarto de Jericho, mas tudo não passa da típica enrolação que um episódio final que precisa manter segredo sobre o mistério central acaba sendo obrigado a fazer. Na verdade, pensando em retrospecto, Baloon até poderia funcionar como um completamente críptico encerramento da série como um todo, com a perspectiva de uma outra temporada sendo até uma potencial pedra no sapato que exigirá um bom plano de médio prazo de Basgallop. Tomara que ele o tenha!

Servant – 1X07 a 1X10: Haggis / Boba / Jericho / Baloon (EUA – 27 de dezembro de 2019, 03, 10 e 17 de janeiro de 2020)
Criação e showrunner: Tony Basgallop
Direção: Alexis Ostrander, Lisa Brühlmann, M. Night Shyamalan, John Dahl
Roteiro: Tony Basgallop
Elenco: Toby Kebbell, Lauren Ambrose, Nell Tiger Free, Rupert Grint, M. Night Shyamalan, Phillip James Brannon, Tony Revolori, Jerrika Hinton, Boris McGiver
Duração: 30 min. por episódio

Crítica | The Morning Show – 1ª Temporada

A ficção costuma ser um eficientíssimo veículo para fazer com que a realidade alcance um público muito maior que a própria realidade jornalística é capaz de tocar. Nessa toada é que The Morning Show, série criada por Jay Carson com base em jornalismo investigativo de Brian Stelter, vem, surpreendentemente, preencher um espaço que merecia mesmo atenção sobretudo do público masculino: o movimento #metoo.

Mas antes que os roladores de olhos de plantão façam o usual e desdenhem da questão como “mimimi”, algo que “não acontece” ou que “vitimiza o homem” (tadinho do homem…) ou até mesmo que “sempre foi assim e não tem nada de errado com isso” (minha vez de rolar os olhos…), deem uma chance a The Morning Show, uma série que parece começar usando o #metoo apenas como catapulta narrativa para uma discussão sobre a estrutura corporativa de conglomerados de jornalismo e entretenimento, o que por si só é um assunto interessantíssimo, mas que consegue lidar com as duas questões de maneira equilibrada, adulta e excitante, por vezes beirando a estrutura de série de ação. Mas é importante perseverar, pois, como parece ser marca de todas as séries de lançamento do Apple TV+, o início de TMS é errático, patinando entre assuntos e demorando a firmar-se de verdade, algo que aconteceu, para mim, apenas a partir do quarto episódio.

O título da série é também o do programa jornalístico ficcional matutino mais assistido nos EUA e apresentado por Alex Levy (Jennifer Anniston) e Mitch Kessler (Steve Carell) há uma década. No entanto, uma denúncia de assédio contra Mitch leva à sua demissão imediata pela UBA, produtora do programa, desencadeando frenéticas reformulações do TMS, a começar por uma Alex fragilizada tendo que tomar as rédeas para enfatizar que ainda é relevante, passando pela revoltada repórter de rua Bradley Jackson (Reese Witherspoon) sendo tragada para esse furacão por Cory Ellison (Billy Crudup), executivo da divisão de entretenimento da UBA que acabou de assumir a de telejornalismo e chegando ao ansioso e inseguro Charlie “Chip” Black (Mark Duplass), produtor executivo do programa. Gravitando ao redor deles, há uma verdadeira constelação de personagens que são afetados ou afetam a situação cada vez mais calamitosa e sem saída que os roteiros da série vão costurando magistralmente.

Como disse, porém, há algumas escorregadas narrativas no início que colocam muito foco em Alex e sua jogada de mestre para consolidar seu poder na ausência de Mitch, assim como o relativo escanteamento do #metoo com a reinserção (tecnicamente inserção, já que ele começa a temporada “de fora”) do próprio Mitch. Mas, ultrapassada a trinca inicial de episódios, que são fundamentais para a temporada, não se enganem, mas que arriscam ao não destravar o potencial pleno da série, a história ganha complexidade e relevância, além de desenvolver maravilhosamente bem diversos personagens para além de Alex e Bradley, valendo especial destaque para o brilhante “jogador de xadrez corporativo” Cory e o extremamente nervoso Chip, com Crudup e Duplass realmente marcando presença com suas atuações bem diferentes, mas ambas de se tirar o chapéu. 

Claro que muito da força dramática da série vem de Reese Witherspoon e Jennifer Anniston, a primeira uma atriz que particularmente não gosto, mas que não posso deixar de elogiar pela estirada de trabalhos excelentes nos últimos anos, e a segunda uma atriz que nunca vi galgar o primeiro escalão, mas que, aqui, ela ameaça chegar lá. Alex e Bradley têm personalidades opostas – uma acomodada, outra combativa – que se complementam antiteticamente desde que as primeiras farpas voam entre elas, ambas com presenças em tela que competem pelo olhar do espectador.

Mas o verdadeiro valor da série é saber trabalhar os bastidores de um telejornal com a seriedade de The Newsroom casada com a urgência de unReal resultando em um mix próprio que abre todo o espaço possível para o tema do #metoo a ponto de, mesmo quando a temporada é didática, ela o é no momento certo e dentro de um contexto preciso. Esse é o caso, por exemplo, do oitavo episódio, o único trabalhado como flashback e o único a nos permitir um vislumbre do TMS com Mitch ainda lá dividindo – na verdade absorvendo – os holofotes com Alex. 

Trata-se de um momento poderoso que mais diretamente nos deixa (e por “nos”, leia-se especificamente nós, homens) entrever a mecânica insidiosa e quase imperceptível do jogo de poder e do sexo e o estrago que ele pode causar a alguém. Há coragem no texto em manter a narrativa bem no fio da navalha para que o espectador tire suas próprias e, espero, inevitáveis conclusões sobre o assunto, ainda que a temporada não arrisque em deixar dúvidas sobre o que quer dizer. É um tapa na cara muito bem dado e um alerta.

The Morning Show ficcionaliza uma realidade dolorosa, convertendo-a em televisão do mais alto gabarito que não deixa pedra sobre pedra ao ponto de ser até difícil visualizar como a série continuará na próxima temporada (e, só para ficar claro, isso é um elogio!). Não é fácil trabalhar um assunto do momento sem cair na armadilha do maniqueísmo ou do didatismo extremo, mas Jay Carson, mesmo derrapando no começo, recupera sem demora o equilíbrio e presenteia a Apple TV+ com sua melhor série inaugural.

The Morning Show – 1ª Temporada (EUA – 1º de novembro a 20 de dezembro de 2020)
Criação: Jay Carson (baseado em obra de Brian Stelter)
Direção: Mimi Leder, David Frankel, Lynn Shelton, Tucker Gates, Roxann Dawson, Michelle MacLaren,  Kevin Bray
Roteiro: Kerry Ehrin, Jay Carson, Erica Lipez, Adam Milch, Torrey Speer, Kristen Layden, Jeff Augustin, JC Lee, Ali Vingiano
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Gugu Mbatha-Raw, Néstor Carbonell, Karen Pittman, Bel Powley, Desean Terry, Jack Davenport, Steve Carell, Tom Irwin
Duração: 550 min. aprox. (10 episódios no total)

Crítica | For All Mankind – 1X09: Bent Bird

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

O maior problema de Bent Bird não está localizado no episódio, mas sim na temporada como um todo, mais especificamente na forma como a personagem Molly Cobb, a primeira mulher a pisar na Lua, foi trabalhada a partir do final de Into the Abyss. Ela simplesmente desapareceu nos três episódios seguintes, somente ganhando uma breve menção em Rupture, o capítulo anterior, claramente com o objetivo de reintroduzi-la artificialmente aqui. Ronald D. Moore, já disse antes, não tem conseguido equilibrar bem a manutenção dos personagens em tela, usando-os apenas quando conveniente, o que retira muito da organicidade da história que conta.

Mesmo assim, Bent Bird é um baita episódio que reúne corretamente boas doses de drama, ação e uma chocante reviravolta que quase o transforma em um digno candidato a episódio final de temporada, já que o próximo provavelmente não conseguirá ultrapassá-lo em termos de qualidade, ainda que eu torça para que consiga esse feito para que o primeiro ano de For All Mankind acabe no topo. Dividindo a narrativa em três núcleos, o roteiro de David Weddle e Bradley Thompson (responsáveis pelo outro melhor episódio da temporada, Into the Abyss) continua a abordar a dor de Karen Baldwin pela perda de seu filho, estabelece uma crise na órbita da Terra com a turbina da Apollo 24 se recusando a ligar e, finalmente, coloca Ed Baldwin em uma espécie de “ponto sem volta” em sua trajetória como veterano de guerra e pai que recentemente perdeu o filho, descobrindo o fato não por sua esposa ou amigos, mas sim por intermédio do inimigo.

É particularmente bom ver que a morte de Shane não é algo passageiro apenas para chocar e que reverbera fortemente na estrutura narrativa. Shantel VanSanten continua aproveitando toda a oportunidade possível para mostrar a qualidade de seu trabalho como atriz, convencendo-nos muito facilmente do drama de Karen que leva a personagem a começar a pensar em quem exatamente ela é, passando a entender que talvez ela seja definida por quem está a seu redor – marido, filho e amigos – e não por méritos próprios. Ao procurar o socorro de Wayne, marido de Molly e provavelmente a única pessoa capaz de compreender o que está passando, o roteiro arrisca trabalhar o assunto de maneira expositiva demais, mas a química dos dois personagens (aqueles que ficam!) é gostosa o suficiente, com uma conversa relevante o suficiente para manter o interesse na discussão que têm até o fim.

Em órbita da Terra, a Apollo 24, comandada por Ellen e tendo o veterano Deke e o descendente de chinês Harrison Liu na tripulação, não consegue partir para a Lua em razão do citado problema na turbina, que se recusa a ligar. Uma operação de conserto é montada às pressas, de certa forma adiantando o cronograma da viagem de Tracy como comandante de sua missão, tendo Molly como segunda em comando, mas usando um foguete mais fraco que só permite a chegada até a órbita justamente para que a peça necessária seja substituída. Há pouco tempo para o episódio desenvolver a sequência de ação espacial, já que esse foi o capítulo mais curto até agora, mas o que é mostrado é suficientemente excitante e bem coreografado para nos deixar agarrando o braço da poltrona com toda a força possível. Apesar de Liu ser eliminado sem sequer tornar-se um personagem propriamente dito, o resgate de Molly, literalmente perdida no espaço, me fez lembrar de Gravidade em termos de qualidade técnica e construção de tensão. Algo me dizia que ela dificilmente morreria assim, mas mesmo com isso em mente, a sequência foi tensa e bem trabalhada também em Terra ao enquadrar Margo como uma líder fria e calculista e Gordo como o herói que sempre teve potencial para ter, mas que seus vícios impediam, o que provavelmente o reaproximará de Tracy, que também tem espaço para mostrar seus nervos de aço.

Finalmente, lá na superfície lunar, Ed, torturado pela morte do filho, tenta recompor-se minimamente, somente para dar de cara com um cosmonauta que, na maior cara-de-pau possível, é flagrado utilizando o elevador da base americana para chegar ao fundo da cratera Shackleton. Teria sido esse o objetivo dos russos ao correrem para contar para Ed que Shane estava morto? Um plano maquiavélico para desestabilizar Ed e permitir furto de pesquisa e tecnologia? Esse tipo de paranoia fica esplendidamente plantada não só na mente de Ed, como também do espectador, criando alguns segundos tensos na borda da cratera, mas que logo se mostram anti-climáticos.

No entanto, esse momento é usado como prelúdio para a chegada do cosmonauta à Jamestown, desesperado por ar. Toda a sequência foi magistralmente orquestrada de forma a dar a entender que Ed talvez pudesse chegar à redenção, à algum tipo de expiação de seu sentimento de culpa ao salvar o cosmonauta e, quem sabe, estabelecer algum tipo de laço com ele. Mas esse seria o caminho mais fácil, mais evidente para a série de Moore, e o showrunner elege fazer do título – Pássaro Torcido ou “quebrado” – não só uma alusão direta aos problemas da Apollo 24, como também ao próprio Ed, isolado e cheio de melaconlia, tendo que extravasar sua raiva da pior maneira possível e potencialmente criando um incidente internacional que só esquentará a Guerra Fria.

Mantendo o mistério sobre o fim da Apollo 24, que perde a capacidade de se comunicar; colocando o FBI novamente como instrumento opressor contra aqueles que não se encaixam em um padrão preconceituoso pré-estabelecido e chocando-nos com a frieza assassina de Ed, Bent Bird poderia facilmente ser um season finale explosivo. O fato de haver mais um episódio pode ser um problema, mas espero fortemente que seja uma bênção para essa série que demorou, mas definitivamente achou seu caminho.

For All Mankind – 1X09: Bent Bird (EUA, 13 de dezembro de 2019)
Criação: Ronald D. Moore
Direção: John Dahl
Roteiro: David Weddle, Bradley Thompson
Elenco: Joel Kinnaman, Michael Dorman, Wrenn Schmidt, Sarah Jones, Shantel VanSanten, Jodi Balfour, Chris Agos, Matt Battaglia, Chris Bauer, Jeff Branson, Dan Donohue, Colm Feore, Ryan Kennedy, Eric Ladin, Steven Pritchard, Rebecca Wisocky, Tait Blum, Arturo Del Puerto, Noah Harpster, Krys Marshall, Tracy Mulholland, Dave Power, Mason Thames, Olivia Trujillo, Sonya Walger, Lenny Jacobson, Edwin Hodge, Nate Corddry
Duração: 48 min.

Crítica | Servant – 1X06: Rain

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Você vive em uma casa com uma babá já bastante assustadora, cuja chegada catalisou a ressurreição (ou troca, sei lá) de seu bebê morto e, um belo dia, em viagem a negócios, você recebe uma ligação de sua esposa dizendo que o tio ainda mais assustador da babá, com aparência de mendigo, todo sujo e com roupa puída, apareceu do nada. Se você não sofrer um ataque cardíaco fulminante lá do outro lado da linha, então você, provavelmente, é imortal.

Pelo visto, colocar bizarrice em cima de bizarrice é o mote de Servant e devo confessar que, contra todas as probabilidades e mesmo ainda distante de qualquer tipo de resolução ou pelo menos fechamento de arco, a série vem firmando suas bases de horror psicológico se o espectador souber aceitar as reações razoavelmente brandas para tudo que a família Turner se depara, especialmente a avoada Dorothy. É uma escolha narrativa que pode sem dúvida frustrar, mas que funciona dentro daquela estranheza que incomoda que muitos filmes decidem privilegiar no lugar de sustos baratos e monstros de CGI.

A chegada do “tio George” (Boris McGiver muito bem como religioso devoto/mendigo/sujeito de arrepiar a raiz do cabelo) é muito bem trabalhada porque não há filtros morais ou educacionais ou de qualquer outra natureza. Com Sean convenientemente longe (não há coincidências, tenho certeza), ele simplesmente entra no casarão depois que sua “sobrinha” abre as portas para o homem encharcado de figurino e sujeira nas mãos como se ele tivesse acabado de sair de seu túmulo querendo ver o bebê. Para que, não sabemos, mas fiquei com aquela pulga atrás da orelha de que talvez a dupla sinistra não seja má, mas sim, muito ao contrário, como anjos da guarda. Mas especulações não cabem aqui, pois ainda há muito o que acontecer.

A chegada de Dorothy, que recebe o estranho com efusividade – e algo como meio segundo de estranhamento – e, mais ainda, a de Julian esbaforido e desesperado, a pedido do também desesperado Shane, trazem aquela pegada de levez contrastante que só acrescenta à toda a atmosfera para lá de surreal, especialmente durante as refeições com direito a mãos (sujas) dadas e uma reza ininteligível por parte de George. A sensação de inevitabilidade é muito boa, por Alexis Ostrander, na direção, retorna ao estilo que M. Night Shyamalan imprimiu no primeiro episódio.

A claustrofobia é a chave e as câmeras trabalhando close-ups nos rostos e mãos dos personagens, além de alguns plongées e contra-plongées com pouca iluminação fecham o casarão ao redor de todos ali, transferindo essa impressão também para o espectador. Além disso, o roteiro que segue na base do conta-gotas causa ansiedade. Pouco sabemos de Leanne e do tio George e muito menos ainda da tia May que George menciona de forma ameaçadora e isso mesmo depois que a investigação de Julian e Matthew revelou um passado tenebroso para toda essa combinação.

Há um véu narrativo ainda bem espesso que não é levantado de forma alguma. Isso atrai na mesma medida em que afasta e, se Tony Basgallop tem realmente um plano de médio prazo (há pelo menos mais uma temporada já aprovada pela Apple TV+) bem estabelecido para a série, será necessário, pelo menos nessa estirada final de quatro episódios, que ele pare de acumular mistérios e ofereça algumas respostas que, claro, não precisam ser objetivas e muito menos científicas, já que o caminho para o sobrenatural parece ser mesmo inevitável. O que ele não pode é arriscar a verossimilhança que ele tem conseguido manter até agora, mas cobrando o preço de manter todo mundo no escuro e fazendo o espectador glosar grande parte das atitudes de Sean, Dorothy e Julian.

Rain é o primeiro episódio da temporada que realmente mostra promessa e que levantou minha sobrancelha em curiosidade pelo que vem adiante. Sem dúvida um grande mérito para uma série que vinha se baseando, apenas, em atmosfera e bizarrices.

Servant – 1X06: Rain (EUA – 20 de dezembro de 2019)
Criação e showrunner: Tony Basgallop
Direção: Alexis Ostrander
Roteiro: Tony Basgallop
Elenco: Toby Kebbell, Lauren Ambrose, Nell Tiger Free, Rupert Grint, M. Night Shyamalan, Phillip James Brannon, Tony Revolori, Phillip James Brannon, Boris McGiver
Duração: 30 min.

Crítica | For All Mankind – 1X10: A City Upon a Hill

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo é um dos melhores thrillers espaciais realistas do cinema, reunindo tensão de arrancar os cabelos com uma boa dose de humanidade tanto no espaço quanto na Terra. Ronald D. Moore, fico feliz em afirmar, conseguiu fazer seu próprio Apollo 13 agora, bem no finalzinho da 1ª temporada de For All Mankind, com o magnífico A City Upon a Hill. São 76 minutos de um roteiro azeitado de Matt Wolpert e Ben Nedivi e uma direção precisa de John Dahl (melhor ainda do que sua própria direção do já excelente episódio anterior) que tocam as teclas certas entre ação, emoção e crítica social, encerrando a temporada com chave de ouro e, melhor ainda, sem nenhum grande cliffhanger, daqueles que deixam o espectador pendurado no meio de algum momento crítico, mostrando que não é necessário recorrer a esse tipo de artifício barato para se contar uma baita história. E olha que eu tinha certeza, como escrevi na última crítica, que o episódio final não seria capaz de ser melhor que Bent Bird

Com a situação da Apollo 25 já resolvida depois do resgate de Molly, quase toda a atenção do capítulo se vira à Apollo 24 que, como descobrimos logo no início, continua queimando o combustível de sua turbina, acelerando descontrolada na direção do espaço profundo. Ellen está desfalecida e acorda com os gritos desesperados de Deke, pendurado lado de fora da nave, com um rombo em sua roupa espacial e um grave ferimento. Sem comunicação alguma com Houston, os dois começam a tomar medidas para reduzir a velocidade e corrigir o rumo de forma a alcançarem – e ficarem – na órbita lunar, o que consome todo o combustível e os deixa aquém do número exato que precisavam. Ou seja, muito barulho por nada, já que não há mais saída a não ser escolher como morrer.

Por seu turno, em Jamestown, respiramos aliviados ao vermos o cosmonauta russo vivo, mas amarrado na base por um Ed enfurecido e completamente alheio a tudo que ocorreu e está ocorrendo em sua operação de resgate. A perda de seu filho e sua paranoia anti-soviética o deixam cego, apenas pensando no que os “vilões” estão construindo/perfurando lá na base deles. Se existe algum momento menos do que absolutamente perfeito no episódio, este é o desenvolvimento do relacionamento entre os dois astronautas, que segue detalhe por detalhe a cartilha clichê de inimigos que se tornam amigos, com direito até mesmo a um simpaticíssimo cosmonauta soviético que se torna o “bonzinho” na história toda. No entanto, a grande verdade é que a relação entre os dois não só representa visualmente exatamente o que foi a Guerra Fria, fazendo perfeito sentido lógico dentro da história macro sendo contada, como Joel Kinnaman e Mark Ivanir estabelecem perfeita química juntos desde o início mais beligerante até o final “fofinho”, com os dois melhores amigos se despedindo. Portanto, a sequência é mais do que completamente perdoável.

Ajuda muito também que, uma vez acordado para a realidade dos fatos, Ed não hesita em decolar para resgatar seus resgatadores, em uma baita sequência de ação em órbita lunar que funciona muito bem também em razão da coragem de Ellen e de todo o contexto fornecido antes que a faz sair do armário para Deke, somente para descobrirmos que Deke nutre profunda homofobia, mesmos que, nos últimos segundos de vida, mesmo não se arrependendo, demonstra ter consciência do que é. É uma inversão de expectativa enorme, já que Deke Slayton, personagem real vivido pelo simpático Chris Bauer, não só é um herói veterano da Corrida Espacial, como, também, o responsável final por colocar mulheres na Lua. O espectador é “ensinado” a esperar dele as melhores reações, mesmo quando é durão e, aqui, uma rasteira nos é dada, demonstrando que mesmo o melhor entre nós esconde segredos sombrios e reações impensadas.

Na Terra, a narrativa relacionada com a homofobia ganha eco com Karen aproximando-se da bartender Pam Horton, que é secretamente apaixonada por Ellen, na busca de alguém para ouvir suas realizações como mulher de um astronauta. O preconceito – de outro tipo – também é materializado pela deportação de Octavio Rosales, pai de Aleida, dos EUA, deixando a menina completamente desamparada. E, por completamente, leia-se no sentido mais amplo, já que nem Margo, incapaz de criar conexões, a ajuda quando a jovem mais precisa.

Considerando que a cena pós-créditos (sim há cena pós-créditos – corram lá para ver!) faz o maior salto temporal da série até agora – algo como sete ou oito anos, para 1983 – será interessante ver quem do elenco será mantido e em que capacidade, que outros personagens serão adicionados e, claro, como Aleida entrará nessa equação. Com nova tecnologia à disposição dos americanos e não exatamente uma base, mas uma colônia lunar, a temporada termina novamente reforçando sua cara de ficção científica realista dentro dessa história alternativa que Ronald D. Moore demorou, mas conseguiu desenvolver maravilhosamente bem.

For All Mankind – 1X10: A City Upon a Hill (EUA, 20 de dezembro de 2019)
Criação: Ronald D. Moore
Direção: John Dahl
Roteiro: Matt Wolpert, Ben Nedivi
Elenco: Joel Kinnaman, Michael Dorman, Wrenn Schmidt, Sarah Jones, Shantel VanSanten, Jodi Balfour, Chris Agos, Matt Battaglia, Chris Bauer, Jeff Branson, Dan Donohue, Colm Feore, Ryan Kennedy, Eric Ladin, Steven Pritchard, Rebecca Wisocky, Tait Blum, Arturo Del Puerto, Noah Harpster, Krys Marshall, Tracy Mulholland, Dave Power, Mason Thames, Olivia Trujillo, Sonya Walger, Lenny Jacobson, Edwin Hodge, Nate Corddry, Meghan Leathers
Duração: 76 min.

Crítica | See – 1X06: Silk

*A imagem acima não corresponde ao episódio, pois não localizei nenhuma com resolução razoável.

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios. 

Depois da “grande” reviravolta ao final de Plastic, que revela que Maghra é, na verdade, uma princesa, uma explicação convincente para o fato de ela não ter evitado o massacre do povo com que viveu grande parte da vida e que seus filhos corressem perigo com apenas um balançar de sinos tornou-se extremamente necessária. Era isso ou a série criada por Steven Knight não se sustentaria de maneira minimamente lógica por muito mais tempo. A pergunta que se faz, então, é: será que Silk veio para salvar a temporada?

A resposta não é nem de longe um sim, infelizmente, mas, por outro lado, também não é um não retumbante. A questão toda é que, no lugar de racionalizar suas inações, Maghra, provocada por Tamacti Jun, apenas oferece explicações que não eram lá realmente necessárias, além de serem basicamente aquela receita de bolo de fubá bem simplesinha, feita com massa semipronta e doses cavalares de desleixo. Aprendemos, com um breve flashback, que, apesar de mais nova que sua irmã Kane, seu pai moribundo desejava que Maghra tomasse o trono, por ver na outra a semente da loucura ou da incapacidade de governar. Logo em seguida, agora sem apoio de flashback, ou seja, marretando um preguiçoso texto expositivo de maneira inclemente, a princesa explica que tentou um golpe, mas que Tamacti Jun, ao manter-se fiel à Kane, acabou frustrando-o, fazendo-a fugir do reino levando Jerlamarel, aparentemente o homem mais irresistível do mundo, a tira-colo.

Em outras palavras, aquilo que eu temia parece concretizar-se: Kane é movida a amor perdido e Maghra, de certa forma, a vingança por não ter conseguido fazer o que queria, levando o homem que enxerga com prêmio de consolação? É sério que See não consegue ver o quão ridículo isso é se continuar dessa forma? E não interpretem meu desgosto como exortação para que haja qualquer subtexto de pegada feminista ou algo do gênero, mas sim, apenas, sob o ponto de vista narrativo. Afinal, quantas vezes já não vimos esse tipo de história antes? Precisamos mesmo de uma série que se passa em um futuro apocalíptico em que a humanidade regrediu e ficou cega, mas continua com o mesmo tipo de reme-reme padrão que qualquer estagiário de roteirista escreveria como dever de casa de seu curso de Cinema?

Pelo menos temos a traição completamente sem sentido de Boots para sacudir um pouco o episódio. Eu disse completamente sem sentido? Ah, me desculpem. É só idiota mesmo. Mas pelo menos isso acabou levando nossos heróis para uma caverna que convenientemente conta com bioluminescência onde convenientemente mora a mãe do rapaz e que convenientemente ajuda os prisioneiros pouco tempo depois – mas tempo o suficiente para que tenhamos que ouvir as lamentações descabidas de Paris – que eles são encarcerados na jaula convenientemente menos vigiada possível. Conveniências à parte, até que a fotografia noturna de tons azulados das sequências cavernosas foi muito bem manejada por Jules O’Loughlin, com a pancadaria envolvendo Baba Voss mais uma vez funcionando eficientemente, mesmo que tenhamos que aceitar aquela escalada um pouco rápida e fácil demais ali no final.

Assim como no episódio anterior, gostei das sequências de Kane na fábrica de seda, pois ela trabalharam de maneira crível a ingenuidade da rainha que está no mundo real pela primeira vez na vida e, ainda por cima, sozinha. Era mais do que óbvio que o interesse da outra escrava não era genuíno, mas essa obviedade, diferente da revelação de Maghra, fez todo sentido narrativo e foi bem utilizada, com consequências potencialmente interessantes para a estirada final da temporada.

Voltando à pergunta do primeiro parágrafo, portanto, o que Silk fez foi desviar a atenção do espectador para outras questões no lugar de enfrentar as incongruência dos roteiros anteriores, algo que, desconfio, jamais acontecerá. Agora só me resta torcer para que as motivações das irmãs tenham mais camadas do que apenas amor adolescente por um homem misterioso transformado em loucura e obsessão e que Baba Voss tenha mais oportunidades para usar instrumentos cortantes, de preferência em plena luz do dia mesmo, com todo o sangue em CGI que temos direito.

See – 1X06: Silk (EUA – 22 de novembro de 2019)
Criação: Steven Knight
Direção: Stephen Surjik
Roteiro: Steven Knight, Jonathan E. Steinberg, Dan Shotz
Elenco: Jason Momoa, Sylvia Hoeks, Alfre Woodard, Hera Hilmar, Christian Camargo, Archie Madekwe, Nesta Cooper, Yadira Guevara-Prip, Mojean Aria
Duração: 54 min.