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Crítica | X-Force (2019) #1: Hunting Ground

Imagem: envoltório versão de Adi Granov.

  • Há spoilers. Leiam, cá, as críticas de House of X e Powers X, prelúdios dessa novidade período dos mutantes.

A primeira edição da novidade X-Force, que deriva dos prelúdios House of X e Powers of X do que já pode ser chamado de Era Jonathan Hickman dos mutantes, tem ao mesmo tempo muita e pouca coisa acontecendo, mergulhando o leitor em uma ótima combinação de elementos macro e micro da novidade dinâmica envolvendo a pátria mutante em Krakoa, mas, por vezes, parecendo fragmentada demais. O resultado, porém, é um dos melhores números 1 da “Primeira Vaga” de Aurora de X (Dawn of X), com o texto e a direção de Benjamin Percy prometendo um horizonte interessante para uma equipe híbrida, que foge um pouco (bastante?) das versões da X-Force a que nos acostumamos.

Para início de conversa, esse início de publicação tem menos o objetivo de formar uma equipe (porquê Carrascos #1 e Excalibur #1 mal ou muito fizeram) e mais o de reprofundar na mecânica da resguardo da ilhota, comandada por ninguém menos do que Black Tom Cassidy, mais um ex-vilão que vem viver em simetria com seus inimigos e que ganha incumbência de crédito. Formando uma rede neural com a ilhota viva, aprendemos os detalhes da estrutura biológica de resguardo da ilhota, um pouco que é contrastado por sequências com Wolverine e o Fera caçando e sendo caçados por uma indivíduo selvagem que vive por ali, deixando já evidente que Krakoa não é um paraíso idílico em que os mutantes podem simplesmente armar suas redes e viverem completamente livres de perigos. Uma vez que Wolverine muito muito diz, “se você se sente seguro, você se torna desmazelado”, um pouco que, simples, preludia e anuncia um ataque extrínseco à ilhota por uma força misteriosa e mortífero de infiltração que culpa grandes estragos antes de ser neutralizada (se é que ela é neutralizada ao final).

Também preludiando o ataque, a HQ começa com uma sociedade secreta formada para se opor à pátria mutante que é, por sua vez, infiltrada por Dominó em missão determinada pelo Professor X e monitorada por Sábia, missão essa que aparentemente dá muito incorrecto. Com isso, temos uma visão mais ampla das consequências geopolíticas da instauração da pátria mutante, já que os membros desse grupo – todos mascarados – parecem ser de países diferentes e provavelmente não só daqueles que se recusaram a reconhecer a soberania pleiteada por Xaiver na ONU. No entanto, esses “pedaços” de história – há outro em Sokovia – ficam razoavelmente desconexos nessa primeira edição e por vezes parece que Percy está simplesmente atirando para todos os lados. A paciência, porém, traz recompensas, já que, quando a história acaba, vê-se muito claramente o caminho que ele pretende seguir.

(1) Prenúncio interna e (2) prenúncio externa.

Tudo muito que não é lá um pouco muito original a edição terminar com mais uma morte não morrida de Charles Xavier, mormente tão cedo no projeto de Hickman. Chega a cansar e dar vontade de dar aquela revirada básica de olhos, já que, mais do que nunca, considerando o “Poço de Lázaro” mutante introduzido nas minisséries-prelúdio, mortes de portadores do gene X são coisas do pretérito, não muito mais do que “inconveniências” (sempre foram, na verdade, e não só de mutantes, simples, mas sim de qualquer personagem dos quadrinhos mainstream com exceção do Tio Ben – por enquanto…). Portanto, o cliffhanger da última página chega a ser truão e sem imaginação alguma, ainda que não acabe sendo um problema terrível que estrague a experiência.

Finalmente, muito do que vemos ao longo das páginas magnificamente desenhadas por Joshua Cassara segue a tradição mais violenta das formações anteriores de X-Force. Não há zero particularmente explícito, mas a pancadaria come solta e ela inclui até mesmo o Fera e Jean Grey, que não economizam nas demonstrações de raiva e de pouca preocupação com a vida de seus inimigos, ainda que esse vista permeie os diálogos mormente de Hank McCoy. Quando a edição acaba, porém, não existe ainda a X-Force propriamente dita, um pouco que provavelmente resultará diretamente desse ataque direto à ilhota que demonstra o quão as defesas de Black Tom Cassidy e de Krakoa são furadas e que por si só pode trazer desenvolvimentos narrativos interessantes na ilhota e perante o Parecer Sombrio (Quiet Council), o grupo que ditatorialmente (já que, até onde me consta, não houve eleição) comanda tudo por ali.

Mas Cassara merece mais menções do que somente uma en passant logo no parágrafo anterior. Se a história para alguns possa não ser muito interessante, seu trabalho certamente é e ele, sozinho, é justificativa suficiente para ler essa primeira edição. Seus traços sujos quebram aquela formosura quase antisséptica com que Krakoa vinha sendo exposta, um pouco que combina perfeitamente com as ameaças internas e externas para a sobrevivência da pátria mutante. Outrossim, seus traços dedicados mormente a Wolverine e Fera são belíssimos, a mistura perfeita entre selvageria destruidora e elegância heroica. Sua recriação de Black Tom Cassidy é supimpa para o que podemos esperar de um mutante em comunidade com Krakoa e seu prelúdio com Dominó é enervante e tenso. Ele é  menos eficiente com Jean Grey (o uniforme jovem dela não ajuda em zero, simples) e outros personagens menos afeitos a acessos de raiva porquê Sábia ou o Professor X, mas mesmo assim ele cria um conjunto que empresta uma categoria sombria mesmo aos personagens mais joviais. As cores do veteraníssimo Dean White são a cereja nesse bolo ao não fugir de uma paleta leal à original, mas emudecendo todas elas em um conjunto muito harmônico com o texto de viés pessimista de Percy.

X-Force já chega mostrando a que veio mesmo sem apresentar a equipe em sua formação final ou mesmo em alguma formação. Pode ser que a pegada não seja a mesma das versões anteriores do grupo, mas zero na Era Jonathan Hickman parece ser uma repetição do que veio antes, com exceção das mortes temporárias, pelo visto.

  • Obs: Voltarei a X-Force quando o primeiro roda for finalizado.

X-Force #1: Hunting Ground (EUA – 2019)
Roteiro: Benjamin Percy
Arte: Joshua Cassara
Cores: Dean White
Letras: Joe Caramagna
Design: Tom Muller
Editoria: Lauren Amaro, Chris Robinson, Darren Shan, Jordan D. White, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 06 de novembro de 2019
Páginas: 38

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