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Crítica | Titãs – 2X12: Faux-Hawk

Contém spoilers.

Por mais problemática que possa ser, essa segunda temporada enfim se dirige a uma conclusão, em um penúltimo episódio que parece ser relativamente um penúltimo episódio, pelo bem e pelo mal. Nisso, existe uma mudança significativa de perspectivas, enquanto que, anteriormente, essa temporada encaminhava-se a uma direção inexata, meramente passeando de núcleo em núcleo. Os Titãs, agora, encontram-se separados, mas precisam se unir para ajudar cada um dos seus amigos, principalmente Garfield (Ryan Potter) e Conner, capturados pela Cadmus. Esse ponto de partida de reunião caminha, portanto, com os personagens seguindo rotas que denotam uma aproximação a um fim, o que costuma ser imprescindível para encerramentos. Já se esqueceram da primeira temporada, na qual certos personagens e seus arcos foram completamente esquecidos no último episódio, o que retirou completamente a importância de suas narrativas? Rachel (Teagan Croft) e Kory (Anna Diop), no caso, desistem de encontrar Dick Grayson (Brenton Thwaites), para se voltarem a um problema de maior importância, um que, por sua vez, Donna (Conor Leslie) e Dawn (Minka Kelly) já investigam mais afundo. Mesmo assim, não são todos os núcleos os que apontam em comum para um objetivo, apesar de todos possuírem um. Na verdade, Dick Grayson está à parte da trama envolvendo Garfield e Conner – ausente de novo -, mais próximo, entretanto, de uma jornada particular que envolve, entre outras coisas, assumir enfim o manto do Asa Noturna.

Fora a péssima reviravolta relacionada a Kory e Rachel, garota que, contrariando do nada os seus instintos demoníacos, opta por seguir os interesses de sua amiga, o restante da trama direcionada à Cadmus opera bem. Os poucos minutos de Donna Troy e Dawn promovem uma pitada de espirituosidade que nunca é desnecessária. Em termos de ameaça, em outra instância, a Cadmus prova-se uma antagonista instigante. Há interesses genéricos a grandes corporações que visam poder aqui, mas eles são eficientes para engrandecer o senso de perigo vigente, por não margear uma necessidade por conexão dramática – o que o outro vilão, por sua vez, precisa, e nisso a série não é muito boa. É cruel o que acontece ao garoto-animal, por exemplo, controlado mentalmente pelos cientistas a ponto de atacar pessoas sem realmente querer. Nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, a temporada dá algo para Potter explorar como artista. A cena do massacre na cafeteria é digna nesse sentido, por conseguir escancarar os danos causados ao jovem, ao passo que contrapõe-se a um momento do episódio anterior. Lá, Gar matava uma pessoa dentro dos laboratórios, enquanto, dessa vez, ele está nas ruas, assassinando pessoas que não possuem nenhuma conexão com a Cadmus. Uma pena, entretanto, que, apesar de serem potencialmente antagonistas excelentes, os membros da Cadmus tenham surgido tão em cima da hora, em meio a mil e uma outras tramas paralelas, numa temporada que já está prestes a ser encerrada.

Quando esse segundo ano começou, o Exterminador (Esai Morales) era o construído para ser o grande algoz dos Titãs, enquanto, agora, o envolvimento do personagem na narrativa principia uma ruptura com a resolução da Cadmus. Ora, nenhum outro herói, além de Grayson, está interessado em “resgatar” Jericó (Chella Man), se é que seja possível uma proeza dessa. Como esperado, o personagem mora na cabeça de seu pai, porém, de uma maneira que, em oposição a certas expectativas, limita o poder do menino. Logo, subtende-se que Bruce Wayne, no episódio anterior, era realmente o responsável pela reunião das garotas dos Titãs, o que é basicamente um uso ruim do personagem. Assim sendo, o retorno do Jericó é mal aproveitado e decepciona, também em vista de uma cena escrita nesse capítulo de modo equivocado. Nela, o jovem interage com seu pai na cabeça dele, pontuando frustrações que não parecem ser críveis para alguém já preso há cinco anos naquele lugar. Quiçá, um episódio inteiro apenas na cabeça do Wilson fosse o necessário para desenvolver os dramas em questão – contudo, isso seria corajoso demais para uma série como essa, que não arrisca muito. Já as perguntas permanecem, mediante as incongruências apresentadas, como, por exemplo, Jericó tentar rapidamente matar o seu pai para que os Titãs não sofressem – uma questão que surge de repente. No mais, mesmo que tardia e enrolada por uma temporada e meia, agrega à mitologia da série a confecção do novo traje para Dick Grayson.

Por fim, outros dois núcleos completam as tramas narradas no capítulo, visto que essa temporada não está se esquecendo de nenhum personagem – com exceção de Conner, e, para ser sincero, de usufruir mesmo destes personagens. Estruturalmente, para variar, o episódio é uma bagunça, em especial por conta da visita ao passado de Rose Wilson (Chelsea Zang) que surge quando a garota conta-o a Jason Todd (Curran Walters). O ritmo é interrompido por alguns minutos enquanto a história da personagem é narrada, num tom que nunca alavanca, novamente, os potenciais dramáticos em questão. Rose é uma menina querendo tentar entender o monstro que ela é, mas esse sentimento que a garota carrega nunca vinga realmente. Já o arco de Hank (Austin Nichols), por mais que não seja tenebroso os acontecimentos daqui, funcionaria muito mais caso aquela hipótese minha do Jericó estar possuindo os seus amigos se concretizasse. Pois imaginem isso: o jovem ajudando o personagem ao fazer com que ele acreditasse que, num surto, acabou vendendo o seu traje sem querer. Essa segunda temporada, consequentemente, pode até estar acertando em algo que a primeira fracassava, no que tange parecer se encaminhar a uma conclusão com alguma cara de conclusão. No entanto, isso não significa que a série se redimirá pelo mais simples dos equívocos: não conseguir contar uma boa história, haja visto sua insistência em priorizar uma esquizofrenia narrativa que, portanto, esquece de evoluir até os mais promissores dos seus pontos.

Titãs – 02X12: Faux-Hawk – EUA, 22 de novembro de 2019
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Larnell Stovall
Roteiro: Tom Pabst
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Minka Kelly, Conor Leslie, Curran Walters, Chelsea Zang, Natalie Gumede
Duração: 45 min.

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