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Critica | Novos Mutantes (2019) #1: O Sextante

  • Há spoilers. Leiam, cá, as críticas de House of X e Powers X, prelúdios dessa novidade tempo dos mutantes.

Criados por Chris Claremont e Bob McLeod em 1982, é um tanto estranho continuar chamando os Novos Mutantes de Novos Mutantes. E isso é mormente complicado quando a formação fundamental do grupo continua quase a mesma: Lupina, Mancha Solar, Miragem, Karma e Míssil (ainda que esse ainda não apareça). Sei que é uma bobagem insignificante reclamar disso, mas, considerando a evolução dos mutantes da Marvel Comics ao longo de todas essa décadas, teria sido também proveniente a modificação do nome do grupo.

Seja uma vez que for, a primeira coisa que labareda atenção em Novos Mutantes #1, escrita por Ed Brisson com Jonathan Hickman é a belíssima arte pintada do brasílio Rod Reis que, contrastando com o também magnífico trabalho de Joshua Cassara em X-Force #1, publicada na mesma semana, apresenta uma Krakoa paradisíaca capaz de aquecer o espírito de quem quer que leia a HQ e que já estabelece o tom mais ligeiro de amizade de longa data entre os jovens da equipe mutante, cá também composta por Magia, Zero, outros dois Novos Mutantes tradicionais, além de Câmara (confesso que nunca gostei da forma uma vez que os poderes dele se manifestam) e Mondo. Os personagens são todos recriados com um pé firme na tradição de cada um deles, o que empresta intimidade imediata, com os panos de fundo tanto na ilhéu viva quanto depois, na nave de Pirata e equipe sendo, sozinhos, razões suficientes para se respeitar o título e que remete o leitor ao estilo de Bill Sienkiewicz que trabalhou nos Novos Mutantes nos anos 80.

O gatilho narrativo usado pela dupla de roteiristas é muito simples, até puro: o libido dos jovens em rever seu colega Sam Guthrie, o Míssil. Uma vez que ele está em espaço Shi’ar com sua família, os Novos Mutantes usam o portal vegetal para pegarem carona com Pirata e, a partir daí, vemos a interação deles com os piratas espaciais que estão a caminho da estação espacial Condescendência. Para expressar a verdade, muito pouco em termos de ação acontece na edição, um tanto que imediatamente me lembrou de X-Men #1, de Hickman, o principal título da Aurora de X (Dawn of X). Lá, uma vez que cá, o importante é a interação entre os personagens, o restabelecimento da conexão entre eles em um primeiro passo para o que pode ser pelo menos um primeiro círculo que se passa no espaço, com os mutantes abandonados sem pestanejar por um Pirata talvez indiferente e distante demais para o meu paladar.

Essa primeira edição, portanto, parece demais com um {aperitivo}, uma vez que uma indicação do que está por vir, o que poderá – mas não deveria – alongar os que esperavam mais ação. Por fim, além da arte, o texto de Brisson e Hickman é muito muito trabalhado, com uma qualidade até poética, mormente no início em Krakoa, que consegue tomar muito a voz dos personagens nesse novo e inédito envolvente comunal, começando pela ressuscitação de Lupina até a chegada deles em seu novo lar, com uma divertida discussão em torno de moca, com uma Magia particularmente possessiva. Com isso, os autores conseguem também trazer um pouco da complicada história desses mutantes e deixar muito clara a conexão que eles carregam em razão de tudo que passaram sem se olvidar de também pincelar um pouco do status quo atual, com informações de que hoje estamos na sexta geração de mutantes e que os portais de Krakoa aparentemente se comunicam.

Em termos de primeiras edições dessa novidade tempo, Novos Mutantes #1 foi a mais ligeiro e simpática delas, uma vez que uma reunião de bons e velhos amigos que há muito não se viam, mas que têm muito em geral. Quando a história acaba, apesar de pouco ter realizado, o que fica é a sensação exata de que essa é a mesma velha equipe dos “Novos” Mutantes que conhecemos e apreciamos e que o horizonte de aventuras que eles prometem parece ser o primeiro passo para a expansão da Aurora de X para o espaço profundo.

  • Obs: Voltarei a Novos Mutantes quando o primeiro círculo for finalizado.

Novos Mutantes #1: O Sextante  (New Mutants #1: The Sextant, EUA – 2019)
Roteiro: Ed Brisson, Jonathan Hickman
Arte: Rod Reis
Letras: Travis Lanham
Design: Tom Muller
Editoria: Annalise Bissa, Jordan D. White, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 06 de novembro de 2019
Páginas: 38

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