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Crítica | American Boy: A Profile of Steven Prince

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Filmado em 13 de janeiro de 1977, na casa do ator George Memmoli, em Los Angeles, American Boy: A Profile of Steven Prince teve apenas uma exibição oficial, à guisa de lançamento, no New York Film Festival, em outubro de 1978. Neste documentário, o diretor Martin Scorsese entrevista o amigo Steven Prince, que conta diversas histórias de sua vida, num fio textual entre a comédia e a tragédia, intenção principal do diretor com esse filme e que desde cedo captura a atenção do espectador.

Fascinado e influenciado pela maneira como grandes performances stand up comedy eram narrativamente concebidas (e historicamente ganhavam um novo momento dos Estados Unidos, naquela década de 1970), Scorsese procurou criar neste ambiente amigável uma forma de capturar relatos que saíssem do convencional das entrevistas e manipular a forma como longos diálogos informais funcionam, especialmente quando se quer dar um caráter ficcional ou um tratamento um tanto mais ensaiado às histórias reais.

Na forma interna, percebemos essa escolha ser explorada em alguns momentos, quando o diretor pede para Steven Prince repetir alguma frase ou informação de uma outra maneira — e isso acontece de modo terno no final do documentário, porque o entrevistado fica emocionado ao falar do pai — e também na inserção do público diante daquilo que está sendo filmado, algo que ocorre desde o início… ou melhor, após a infelizmente muito curta cena do cineasta e o amigo batendo papo enquanto relaxam numa jacuzzi.

A maneira como o documentário é editado nos traz a clara noção de um relato “caseiro” ou “íntimo” sendo construído, um tipo de abordagem que Scorsese gosta bastante de utilizar e que funciona perfeitamente bem nesse caso, embora eu ainda preferisse que o final tivesse um desfecho um pouco mais redondo. No desenvolvimento da obra, vemos o fluxo de histórias divididas em temas, onde fotos e vídeos da infância de Steven Prince são mostrados enquanto ele conta episódios de grande violência ou de desfecho e execução bastante angustiantes, dois deles posteriormente dramatizados por diretores: o episódio da overdose, colocado por Tarantino no roteiro de Pulp Fiction e o episódio do posto de gasolina, colocado por Richard Linklater no roteiro de Acordar Para a Vida (Waking Life).

Seguindo um ótimo ritmo narrativo, com histórias que se tornam cada vez mais sérias ou tragicômicas, American Boy parece uma improvável mistura entre a vida pessoal do personagem Easy Andy, de Taxi Driver, um pouco da vida do ator que o interpretou e uma segura e inteligente forma de guiar um documentário com essas características. Um experimento divertido e interessante de como estabelecer um bom fluxo narrativo sem chatear o espectador.

American Boy: A Profile of Steven Prince (EUA, 1978)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Julia Cameron, Mardik Martin
Elenco: Steven Prince, Martin Scorsese
Duração: 55 min.

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