Tom Cavanagh

Crítica | The Flash – 6X15: The Exorcism of Nash Wells

  •  SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Embora não desenvolva os ganchos preparados pelo episódio anterior no sentido específico que eu mais esperava (leia-se: com Barry Allen tomando as rédeas da situação pós-morte da Força de Aceleração), The Exorcism of Nash Wells consegue manter a boa qualidade dessa sequência de episódios e exemplificar do que a série é capaz, desde que a produção se esforce minimamente para desenvolver seus potenciais.

O que é legal é que esse episódio mostra aquilo que eu sempre defendo em relação a essas séries da CW: não é nem preciso dispensar o foco dramalhão-motivacional que pauta as produções do canal (voltadas a um público adolescente, imagino — faz tanto tempo que nem sei mais dessas coisas) para tornar a coisa mais palatável para um público mais amplo incluindo, é claro, o nerdão que no fundo preferiria estar assistindo a um bom episódio de desenho ou lendo um gibi do personagem. O capítulo traz, afinal de contas, uma enxurrada de cenas focadas na rememoração de sofrimentos passados e filosofadas profundas dos personagens sobre seu estado emocional. Mas, pelo menos para mim, a coisa funciona por dois motivos: 1. as cenas emergem de maneira orgânica e tem ressonância temática com o foco do episódio (a perda que Nash (Tom Cavanagh) sofreu no passado) e 2. elas não entram no roteiro em detrimento do desenvolvimento das outras subtramas.

Por falar nelas, quantas! Só não digo que a série chega a ter coisa demais acontecendo ao mesmo tempo porque o ritmo do episódio consegue sustentar cada um dos núcleos muito bem, sendo que cada um deles explora terrenos já conhecidos para o público que se mantém firme e forte no seriado até hoje. Fazendo um bom uso tanto da personagem de Cecile (Danielle Nicolet) quanto de várias tecnobugigangas já estabelecidas no passado da série, o resgate psíquico de Nash consegue ter tempo para explorar dramaticamente o seu passado que, embora não tenha me surpreendido, conseguiu me ganhar pela execução bem acabada das reações emocionais dos personagens. As sequências do passado de Nash, além de fazerem crescer o personagem, mostram um pouco do que é perdido em parte com o fim do multiverso — a total liberdade de explorar cenários totalmente distantes da usual Central City.

Na frente de casa, a subtrama envolvendo a Mestra dos Espelhos e sua disputa com o clã de meta-assassinos com poderes de luz (a descrição faz parecer mais maneiro do que de fato é!) trouxe excelentes sequências de ação, com destaque para os efeitos visuais dos poderes de Sunshine (Natalie Sharp). A dinâmica do Team Flash central — Barry, Cisco (Carlos Valdes) e Caitlin (Danielle Panabaker), claro! — consegue sustentar muito bem ambas as histórias da semana, e o Velocista Escarlate consegue bancar duas resoluções heroicas muito bacanas em tempo recorde. Sério, acho que já tivemos sequências de dez episódios que não tiveram um momento sequer para Barry quanto ele teve nos vinte minutos finais desse capítulo.

E isso foi uma virada e tanto, já que no comecinho do episódio eu comecei a perder fé de que continuariam com a boa fase para Barry. Não curti muito a primeira cena de discussão sobre a criação de uma nova Força de Aceleração: aquele é o Barry que pra mim já deu, com um chororô do tipo “Mas a gente precisa fazer isso, gente, não interessa que vocês não saibam, vocês não sabem o que eu to passando! E eu vou usar drogas de aceleração sim, por que, alguma coisa de mal da veio disso?”. Me poupe, vá, seu Allen!

Por sorte, essa sombra do passado não deu mais as caras ao longo do episódio, e a atuação heróica dele nas duas frentes compensou a escorregada mostrando um pouco do Barry ideal: reagindo rápido com soluções inusitadas e, de preferência, sem falar com a voz embargada de choro. Ironicamente, tivemos até uma boa dose de choro no confronto com Thawne — mas, veja bem, choro mesmo, justificado e sustentado de forma orgânica pelo roteiro (e, na medida do possível, pela atuação), e não o chororô daquele momento inicial. Mais do que espantar a assombração acelerativa-negativa de Eobard Thawne, o capítulo consegue dar mais um passo no verdadeiro exorcismo que a série necessita: da caracterização torta que o personagem principal teve que sofrer ao longo dos anos.

The Exorcism of Nash Wells trouxe boas doses de ação, comédia (Cecile se preparando para o exorcismo / nocauteando Wells com um tabuleiro de Ouija!) e — claro — altas doses de personagem. Embora essa mistura tenha dado as caras de forma constante em toda a história da série até hoje, a fase atual tem conseguido fazer a mistura funcionar de forma mais empolgante e intensa, servindo aos personagens e ao enredo com desenvolvimentos orgânicos cujo payoff acontece no tempo de exibição mesmo. Uma história onde o Team Flash derrota Thawne mais uma vez é mil vezes mais interessante do que “teaser nº 16 do retorno do vilão no final de temporada”, e felizmente é o que tivemos aqui.

The Flash – 6×15: The Exorcism of Nash Wells — EUA, 17 de março de 2020
Direção: Eric Dean Seaton
Roteiro: Lauren Barnett, Sterling Gates
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Danielle Nicolet, Efrat Dor, Victoria Park, Kayla Compton, Patrick Sabongui, Natalie Sharp
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X14: Death of the Speed Force

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Depois de criar um núcleo interessante em torno de Iris (Candice Patton) e nos presentear com um bom episódio de Gorila Grodd, o mais novo feito da equipe produtiva de The Flash envolve ninguém menos que Kid Flash (Keiynan Lonsdale). O que poderia parecer mais uma “volta dos que não foram (que ninguém pediu que voltassem)” teve o benefício tanto de acontecer em meio à boa fase atual do programa, quanto da redenção que o personagem recebeu durante sua passagem por Legends of Tomorrow. Ainda assim, Wally pode ser considerado uma “ponta solta” do passado da série que dificilmente justificaria uma revistação interessante o bastante, né? Né…?

Bom, considerem-me positivamente surprendido! Se no passado a versão televisiva desse gigante dos quadrinhos deixou (bastante) a desejar, e ainda que sua ausência em momentos-chave recentes dificilmente possa ser justificada de forma convicente, eis que chamaram o cara de volta para dar um pontapé em um arco realmente interessante! Por si só, a cena inicial do resgate aéreo já me vendeu a ideia de que, afinal de contas, não tem nada de mais em trazer de volta um ou outro velocista extra. Felizmente, mais do que nos presentear com boas sequências de ação velocista, o capítulo também aponta para uma direção que há tempos eu desejo ver ser tomada para o Velocista Escarlate nessa série.

Antes de falar disso, vale marcar: fiquei cabreiro, de início, com a perspectiva de estarmos diante de um dramalhão envolvendo a emancipação do Wally, em sua nova fase bicho-grilo, em relação à sua posição como eterno “Kid” Flash. Naquela cena em que ele começa a moldar flores de lótus com relampaguinhos e metralhar reflexões profundas e não requisitadas tal qual um aposentado em grupo de WhatsApp, temi que a coisa toda fosse se tornar mais um jogo de ciumeira bobo entre os meio-irmãos/cunhados velocistas.

Felizmente, a rixa pessoal entre os dois acaba sendo explorada de um jeito bem mais interessante do que o padrãozão passado da série, contrastando não apenas suas personalidades, mas duas maneiras diferentes de se pensar na Força de Aceleração e, com isso, preparando o que tem potencial de ser um desenvolvimento decisivo para a estagnada versão “grantgustiniana” de Barry Allen. Se eu achava que a partida de Wally em uma jornada de auto-conhecimento espiritual não passava de mais uma das desculpinhas mequetrefes de sempre (alguém lembra do Julian?), o gancho acaba sendo bem aproveitado ao mostrar a busca ativa de Wally por contato e respostas em relação à Força de Aceleração. Com isso, temos o pano de fundo para encarar uma característica até então pouco explorada de Barry: sua postura passiva/reativa frente aos fenômenos “velocísticos” que o circundam.

Claro que, mediante uma ou outra Crise anunciada, o Team Flash se desdobrou e adotou posturas ativas frente às suas ameaças. Porém, de maneira geral, além da postura reativa generalizada da equipe(lembra da eterna “perseguição” ao Pensador?), o fato é que o próprio Barry acabou sempre deixado de lado em termos da criação de soluções e tecnologias para expandir sua atuação como Flash. Com as explicações pseudo-científicas ficando sempre a cargo de Cisco (Carlos Valdes) e Caitlin (Danielle Panabaker) após a partida do tutorzão querido Wells, tivemos muito pouco espaço para explorar o lado cientista do próprio Barry — seu veio mais criativo e proativo que é uma das marcas do personagem nos quadrinhos. Barry é um cientista forense — só que Cisco e Caitlin são melhores como cientistas e Dibny é melhor como detetive do que ele. O que sobra para o cara fazer fora dos momentos de ação, senão ficar eternamente marinando suas questões motivacionais mais profundas?

A subtrama da morte da Força de Aceleração, embora traga na premissa algo que evoque momentos menos brilhantes da série no passado, acaba servindo como ponto de partida para resolver esse problema. Barry e Wally acabam entrando em rota de colisão por conta do erro de Barry, alimentado por sua postura sempre passiva em relação à Força. A piadinha que ele faz ao imitar Yoda é significativa: por mais que tenha vivenciado tudo que vivenciou, Barry ainda recusa encarar de frente seu papel como parte da Força de Aceleração, acomodando-se com as responsabilidades de sempre em Central City que, verdade seja dita, acabam sendo um fardo o suficiente para o cara carregar. Porém ele percebe, no fundo, que há algo de errado, mas usa-se de seu lado racional como defesa contra essa preocupação. Até que o desastre se torna inegável e, então, ele se força a finalmente dar um passo necessário em sua carreira heroica — ao invés de usar da razão para negar o “misticismo” correto de Wally, trata-se de encontrar uma solução para o desastre iminente: criar uma Força de Aceleração para fazer frente à criação sombria do Flash Reverso. Afinal de contas, o Barry que acompanhamos semanalmente muitas vezes está mais para Savitar do que para o cara que construiu Gideon, não é? É muito bom ver o personagem finalmente dar passos decisivos para se tornar o lendário Flash futurista, deixando de lado essa adolescência alongada pela qual tem passado desde a segunda temporada (!) da série.

Numa tacada só, temos uma subtrama super interessante para nosso protagonista que ao mesmo tempo justifica o retorno de seu arqui-inimigo, preparando o cenário para um conflito que tem tudo para evoluir o Flash a um novo nível de relação com seus poderes. Embora eu continue um tanto cético em relação à série abraçar seu lado mais sci-fi, já que o drama pessoal dificilmente deixará de ser o foco principal da coisa, ao menos o roteiro tem mostrado uma preocupação bem realizada em amarrar o passado da série com os eventos atuais. A forma como o episódio equilibra suas subtramas continua a ser muito interessante, evitando as arrastações de sempre e explorando elementos dramáticos interessantes: Iris não podendo se encontrar com Wally na prisão do espelho, o retorno de Wells no corpo de Nash, o “sacode” que Wally leva de Joe — pequenos momentos de personagem que adicionam consistência à narrativa e ao mundo de The Flash, felizmente longe do “esquema Power Rangers” das temporadas passadas.

Combinando bem os elementos que têm dado certo, Death of the Speed Force é mais um bom capítulo na ótima fase atual da série, construindo subtramas de forma orgânica e resgatando potencial esquecido de diversos cantos do universo televisivo. Ah, se a gente pudesse ter uma “Crise das Infinitas Emissoras” que retroativamente transformasse certas temporadas anteriores em algo mais próximo disso!

The Flash – 6×14: Death of the Speed Force — EUA, 10 de março de 2020
Direção: Brent Crowell
Roteiro: Sam Chalsen, Emily Palizzi
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Efrat Dor, Victoria Park, Keiynan Lonsdale, Michelle Harrison, Tess Atkins,  Elizaveta Neretin
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X13: Grodd Friended Me

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Difícil começar qualquer comentário sobre o episódio desta semana de The Flash sem aludir ao cliffhanger duplo que o encerra. Qualquer um dos ganchos deixados poderia tranquilamente servir como encerramento de respeito ao capítulo: tanto a revelação a respeito da ligação entre Eva McCulloch (Efrat Dor) e a versão refletida de Iris (Candice Patton) quanto aquela entre o arquivilão Flash Reverso e os fantasmas dos múltiplos Wells que assombram Nash (Tom Cavanagh) são momentos dramáticos marcantes pelos quais as temporadas anteriores teriam que sacrificar horas de chororô inútil para conquistar às duras penas. No entanto, estão empilhados aqui, um sobre o outro. Será que tem coisa demais acontecendo ao mesmo tempo?

Em outros carnavais, poderia dizer que sim. No entanto, para uma série que sofreu tanto com a insistência em um ritmo monotônico de desenvolvimento de tramas, acho que o estilo mais descentrado da narrativa atual tem servido como um remédio bem-vindo contra o marasmo de sempre. Ao invés de ficarmos nos arrastando por horas no jogo chatíssimo de construção do vilão de temporada da vez, as ameaças tem sido construídas de forma orgânica a partir de narrativas bem dosadas focadas em personagem. E isso é muito bom!

Nessa semana essa nova abordagem passou por uma prova de fogo significativa: fazê-la funcionar com nosso protagonista (que, ironicamente, tem mais dificuldade em protagonizar bons arcos de personagem do que o elenco de apoio) em nada menos que um episódio de Gorila Grodd, que historicamente não entregou as tramas mais shakespearianas de The Flash. E não é que funcionou!?

Gostei particularmente do ponto de partida da subtrama, com Barry (Grant Gustin) procurando uma maneira de se informar sobre todas as mudanças efetuadas pela Crise. Afinal de contas, além de um velocista heroico que peleja para dar conta tanto dos supervilões quanto de seus contratempos emocionais, Barry é um cientista! Esse aspecto é raramente explorado pelos roteiros, dada a concentração recorde de QI por metro quadrado do S.T.A.R. Labs, mas temos aqui um exemplo de como esses traços facilitam embasar histórias de forma mais orgânica do que o velho “A grande ameaça profetizada está chegando, e as emoções da equipe se encontram à flor da pele!”. É a mesma coisa que ocorreu com Iris: bastou centralizar a personagem em sua veia jornalística investigativa que voilá, premissas interessantes começaram a aparecer!

Tenho a impressão de que trazer o Gorila Grodd é sempre uma desculpinha para esbanjar um CG maroto em sequências de porradaria nonsense (objetivo sempre respeitável, na minha opinião). Assim sendo, situar o retorno do gorilão em um espaço mental foi uma excelente saída para realizar uma premissa absolutamente tosca — o Gorila Velocista — de forma convicente e divertida. Não apenas a luta final é uma galhofa divertidíssima e quadrinhesca, como todo o caminho até lá é repleto de coisas legais — os diálogos bem escritos com Grodd assumindo as formas familiares de outros personagens, por exemplo, foram outro twist bacana para a ideia, fazendo o tipo de coisa que sempre cai bem em televisão, que é explorar outras facetas do elenco recorrente sem muito compromisso com o enredo em si.

Já a subtrama da insegurança do recém-chegado Chester (Brandon McKnight) já representa um pouco mais do “arroz com feijão” dos arcos de personagem da série. Mesmo assim, funciona melhor que o habitual, com um tempo de tela bem comedido e diálogos bem escritos pontuando o posicionamento do personagem. Na verdade, a única bola fora nessa frente para mim foi a própria atuação do Gustin, que soou um tanto blasé demais em relação ao cara, mesmo após o sucesso na operação telepática…

Por sua vez, as outras histórias paralelas envolvendo as desventuras de Allegra (Kayla Compton) com seu stalker interdimensional Nash e as aventuras espelhadas de Iris com a tresloucada McCulloch continuaram a garantir um bom compasso para a trama geral da temporada, apostando em elementos interessantes e sem cair no vício de reduzir tudo a um grande teaser do que está por vir.

Durante a Crise, temi que o papel de Nash na história fosse ser encerrado por ali mesmo, e felizmente não parece ser esse o caso. Cavanagh é um dos corações da série e, felizmente, ao que tudo indica teremos não apenas seu retorno como Thawne como também uma exploração interessante sobre os efeitos da Crise sobre o Conselho dos Wells. Tenho curtido bastante a construção desse mistério, e espero que possamos ter um bom protagonismo para o cara mesmo mediante um possível retorno de Harry Wells (você também torce por isso, vai, pode assumir!).

E quanto à McCulloch, minha esperança é a de que a vilã continue a ser bem construída como o que vimos até agora. Poderes diferentes e imprevisíveis e motivações que não envolvem viagens no tempo ou a obtenção de MacGuffins de matéria negra a serem coletados até o finale são tudo o que eu espero de um vilão de temporada da série no presente momento, e se formos seguir o modelo do que foi feito com Ramsey na primeira metade da temporada, acho que dá pra permanecer otimista.

Entrei temendo outro show de horrores e saí empolgado com duas subtramas muito boas e, de quebra, enriquecido com a memória de um supergorila velocista usando o poder da amizade para se fundir com Barry Allen e derrotar seus maiores medos em busca da liberdade. Ou seja, Grodd Friended Me foi outra boa surpresa de uma temporada divertida em bem dosada em quase todos os aspectos. Difícil não ficar empolgado assim!

Peraí, semana que vem é o retorno de quem? Ah, não…

The Flash – 6×13: Grodd Friended Me — EUA, 25 de fevereiro de 2020
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Kristen Kim, Joshua V. Gilbert
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Efrat Dor, Andy Mientus, Victoria Park, Kayla Compton, Brandon McKnight, David Sobolov, Keith David
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X12: A Girl Named Sue

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

The Flash segue consistente em sua fase renovada, provando novamente a precisão das mudanças que o time de produção atual tem feito em relação ao modelo da série, especialmente desgastado ao longo das temporadas anteriores. Nosso episódio da vez, A Girl Named Sue, mostra que a nova ordem na casa é capaz até mesmo de entregar a apresentação de uma subtrama há muito tempo anunciada de forma justa, envolvente e — sempre bom — surpreendente!

O leitor que acompanha nossa cobertura da série já deve saber que Ralph Dibny (Hartley Sawyer) é um dos meus personagens favoritos de todo o extenso elenco da série, a versão da CW surpreendentemente tendo conseguido fazer jus ao Homem Elástico dos quadrinhos, mesmo levando em conta as ocasionais derrapadas. Assim, não tem como não admitir que a introdução de Sue Dearbon (Natalie Dreyfuss) não trazia uma carga de expectativa e de justificada apreensão da minha parte, em especial com a recente jogada para escanteio que o personagem de Ralph recebeu ultimamente.

Felizmente, o episódio não desperdiça a ocasião e prova que a estratégia de colocar o núcleo no banco de reservas é sempre válida quando significa explorar de forma legitimamente interessante as narrativas potenciais dos personagens, quando sua vez chegar. Muito mais vale um episódio bom desses do que meia dúzia de aparições reduzindo o Homem Elástico a alívio cômico e/ou contraponto em uma nova DR no Team Flash, não é?

Em termos de roteiro, não consigo pensar em forma mais eficiente de introduzir Sue do que a que tivemos aqui. Ao mesmo tempo em que se presta homenagem às origens da personagem e da relação com Dibny nos quadrinhos originais, temos também uma série de ajustes que a colocam em boa sintonia com essa versão do personagem, resultando em uma química interessante e instantânea. Enquanto, assim como no original, temos o Homem Elástico perseguindo a moça em um comportamento levemente stalker, no twist final  descobrimos que a persecutoriedade não apenas era recíproca e, pior ainda, resultou em uma traição fria e calculista! Esse encaminhamento tornou a personagem instantaneamente mais interessante, introduzindo conflito na subtrama romântica de uma forma que cai perfeitamente bem com o personagem. A dinâmica de Lupin III e Fujiko Mine cai perfeitamente bem para a dupla, e espero que possa ser trabalhada com o ritmo que merece. Não temos pressa em ver o casal “feliz para sempre”, eu quero ver é drama e desgraça (desculpa, Ralph)!

Fora isso, a dinâmica pessoal da dupla também funciona muito bem desde o inicio, valendo-se de diálogos bem escritos, boa atuação e a benção de algo que costumeiramente falta para a série: sutileza. Não é difícil imaginar (e ainda pode muito bem acontecer) uma versão desse episódio recheada de diálogos toscos em que Ralph explica ao espectador o paralelo e as semelhanças entre ele e Sue, roubando a coisa toda de qualquer organicidade. Mesmo o momento breve em que Cecile (Danielle Nicolet) dá as caras para fazer um pouco dessas honras, a coisa funciona bem pois serve de base para um momento comédico bem atuado que entrega o mesmo ponto (a compatibilidade e identificação de Ralph e Sue, mesmo que já suspeitemos dela nesse momento) sem precisar soletrar para nós de forma maçante.

A aventura lupinesca do (ainda não) casal — não bastassem as máscaras, temos até o macacão de couro a la Fujiko da Sue! — acaba em um combate muito bacana contra Ultraviolet (Alexa Barajas), onde ambos conseguem brilhar e, no final das contas, segue até uma pontinha para nosso Velocista Escarlate salvar o dia na hora H. Gostei de absolutamente tudo nessa subtrama, que de quebra conseguiu se encaixar perfeitamente com o restante do arco maior da temporada, que tem conseguido deixar de lado a afobação e o teasing característicos em favor de uma narrativa que, no melhor dos sentidos, parece uma excelente série em quadrinhos se desenvolvendo.

Não dá um belo fôlego renovado acompanhar as ocorrências metahumanas em Central City sem fazer com que tudo gire em torno de alguma ameaça futura pré-determinada com ligações profundas com o passado/futuro de Barry, a Força de Aceleração e os ensinamentos que seus pais deixaram para ele? Com um elenco tão extenso e forte de personagens, é uma injustiça que a série faça menos do que isso, e felizmente estamos tendo um ótimo aproveitamento de personagens que antes acabavam totalmente esmagados pela ladainha narrativa de sempre.

A subtrama de Iris (Candice Patton) e sua duplicata espelhada (podemos combinar de chamar ela de Siri?) continua forte, aproveitando o espaço de tempo alocado para o plot-B para algo muito mais interessante do que o habitual. Construindo uma potencial nova versão do Mestre dos Espelhos, a náufraga especular Eva McCulloch (Efrat Dor), esse núcleo evoca muito bem a aparição anterior do vilão, tomando o tempo para mostrar o truque anterior de se resfriar o espelho não funcionando aqui — provavelmente devido aos poderes que McCulloch adquiriu sem saber. Mais uma vez: não dá pra imaginar a mesma coisa sendo tratada na base do esculacho, com Cisco apenas comentando algo como: “Putz, não dá para congelar o espelho dessa vez porque as leituras de matéria escura ultrapassaram o eixo negativo!”? O quão mais interessante é trazer a continuidade passada de forma orgânica e tomar o tempo para mostrar nossos personagens tentando se virar com o que sabem, ao invés de rechear o caminho do “ponto A” ao “ponto B” da história com um tratado de diálogo expositivo?

A Girl Named Sue é tudo que eu espero de um bom episódio de The Flash: elenco bem explorado de personagens, diálogo afiado, momentos cômicos, sequências de ação, suspense, ausência de plots repetidos de forma canalha e dramalhões desnecessários. Sei que temos que tomar cuidado ao animar com essa série, mas estou cada vez mais caindo nesse novo truque da CW! Sério mesmo, o que poderia acontecer de errado, agora?

Peraí, semana que vem vai ter o quê!? Ah não…

The Flash – 6×12: A Girl Named Sue — EUA, 18 de fevereiro de 2020
Direção: Chris Peppe
Roteiro: Thomas Pound, Lauren Certo
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Hartley Sawyer, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Danielle Nicolet, Efrat Dor, Natalie Dreyfuss, Alexa Barajas
Duração: 43 min.

Crítica | The Flash – 6X11: Love is a Battlefield

The Flash Love Is A Battlefield

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

O episódio desta semana de The Flash continua a corajosa (e nada invejável) missão, iniciada pelo capítulo anterior, de consertar Iris (Candice Patton). Antes um dos centros dramáticos mais importantes da produção, a personagem foi sendo arrastada por um lamaçal de narrativas desinteressantes, clichês preguiçosos e forçações de barra que acabaram a tornando, para muitos, um verdadeiro fardo para a série. O que surpreende é que o negócio funciona muito bem! O espanto não é devido a uma falta de fé na produção, “haterismo” barato ou algo do tipo: é que não é a primeira vez que tentam fazer isso e, normalmente, a emenda saiu pior que o soneto…

Love is a Battlefield abraça a ideia de reexaminar a personagem de tal forma que consegue abordar uma auto-crítica desses fatores sem apelar para a comédia. Uma coisa é a série brincando consigo mesma a respeito da dependência preocupante do Team Flash em relação aos discursos motivacionais. É divertidinho, é engraçado, mas ao final das risadas nada muda e continuamos atropelados pelos mesmos vícios narrativos de sempre. A opção aqui é mais arriscada, já que aborda a situação por uma veia dramática: a crise do relacionamento entre Barry (Grant Gustin) e Iris reflete, de certa forma, a própria “crise” entre o público e a personagem, não? Com o recém encontrado protagonismo da personagem, as dúvidas encaradas por Barry têm muito em comum com aquilo que podemos perguntar sobre a Sra. West-Allen. Quando foi que tudo mudou? Desde quando as coisa estão assim? Qual é, afinal de contas, o melhor papel dela na dinâmica do Team Flash?

Dada a inclinação da série para elementos românticos, não é de se surpreender que o Valentine’s Day sirva de pano de fundo para um episódio focado na vida cotidiana dos personagens e suas relações interpessoais. A oportunidade não é desperdiçada, pareando a crise pessoal de Barry com a DR supervilanesca entre Amunet Black (Katee Sackhoff) e Goldface (Damion Poitier), que traz um bem-vindo contraponto comédico ao dramalhão do núcleo principal. No campo de batalha do casal Flash, achei especialmente bacana a forma como Iris questiona os papéis que assumiu ao longo da série, contrastando com o seu recém-encontrado protagonismo à frente do “Team Citizen”.

Uma execução menos cuidadosa seria capaz de tornar a coisa toda mais um dos choramingos maçantes que ela estrelou ao longo desses seis anos. Felizmente, a construção da evolução da personagem tem tomado seu tempo para se dar da forma mais orgânica possível, resultando em algo totalmente diferente do que se costuma ver na série. São duas coisas muito diferentes:

  1. “Olha gente, não sei muito bem o que eu vim fazer aqui, mas não estou gostando de nada disso e, no fundo, eu sou o Flash tanto quanto meu marido, então vocês por favor me respeitem e vejam como eu sou uma personagem interessante, importante e essencial. Se eu não fosse, não estaria tendo que explicar isso pra vocês assim, mastigadinho, certo? Certo…?”
  2. “Barry, você literalmente viajou para a China para investigar uma manchinha de lama na máscara que ganhou de herança do Arqueiro, enquanto um grupo de assassinos perseguia a galera do meu jornal. Não tô falando que você não deveria ter ido, mas sim te mostrando que eu também mereço algum crédito e sei me cuidar melhor do que você pensa!”

Nem precisa dizer qual dos dois é mais interessante narrativamente, né? No primeiro caso, é o velho “falar ao invés de mostrar”, tentar convencer o público de que a personagem tem profundidade e conflito sendo que nada do que está sendo aludido na fala foi mostrado de forma convincente anteriormente na série. No segundo caso, um conflito orgânico entre dois pontos de vista plenamente justificáveis, discutindo eventos que nós acompanhamos acontecer na semana passada. Essa nova direção mostra que é possível, afinal de contas, nos fazer nos importar com a vida pessoal de nosso casal titular!

Deixando de lado a perspectiva externa do crítico chato para falar dos pormenores da história em si, a trama entre Amunet e Goldface, embora esteja longe de ser algo memorável, acerta bem na tonalidade comédica e com uma exploração juvenil do tema dos relacionamentos sem cair nos clichês de sempre. Apesar de gostar de Amunet, não era uma das personagens que eu tinha em mente para voltar tão cedo, enquanto Goldface estrelou um dos piores episódios da série, na minha opinião. Ou seja, que eu tenha me divertido com a dupla é um sinal de que foram elencados muito bem! Gostei bastante da subtrama envolvendo a flor especial, que deu um recheio metafórico bem bacana para o conflito entre os dois. A decisão de coroar tudo com uma cena ultra-galhofa funcionou bem, coroando com uma lição de moral jovial um filler leve, divertido e que, ainda assim, não deixa de servir bem à narrativa maior da temporada.

Parece que estou esquecendo de alguma coisa… Ah é! Um detalhezinho crucial nessa história toda, o qual pode acabar revelando ser essa apenas mais uma das tentativas frustradas de reabilitar a graça da Sra. West-Allen: o tempo todo estávamos lidando com a “Iris Espelhada” e não com a verdadeira! Embora essa revelação coloque em risco a legitimidade de todo o desenvolvimento de personagem feito aqui, a revelação do final não deixou de ser uma bela surpresa. Colocando sob perspectiva as ações dela ao longo de todo o episódio, o plot twist funciona justamente pela construção alongada e bem feita entre o episódio anterior e esse. É uma jogada simples de roteiro, mas que funciona bem justamente por isso. Veremos o que os próximos capítulos nos reservam!

Mas se tivermos que escolher entre a Iris antiga e essa nova versão, será que podemos ficar com a número 2?

The Flash – 6×11: Love is a Battlefield — EUA, 11 de fevereiro de 2020
Direção: Sudz Sutherland
Roteiro: Kelly Wheeler, Jeff Hersh
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Jesse L. Martin, Kayla Compton, Tom Cavanagh, Katee Sackhoff, Damion Poitier
Duração: 43 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X00: Crisis on Infinite Earths, Parte Cinco

Crossover como um todo
(não é uma média):

Episódio:

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais partes do crossover e, aqui, das temporadas anteriores da série.

Consigo com certa facilidade comprar o conceito de que há quase uma década, quando o Arrowverse foi concebido, seus showrunners tiveram a visão de que um dia chegariam a adaptar Crise nas Infinitas Terras. Os sinais estão todos lá, desde a aparentemente aleatória nomeação de uma das personagens de Lyla Michaels, a Precursora da maxissérie oitentista em quadrinhos, até a estranha escolha de salpicar os heróis por várias Terras diferentes. Claro que tudo dependeria do sucesso das séries, mas isso foi alcançado muito rapidamente e todas as bases necessárias para a formação da Crise passaram a existir mais fortemente, especialmente depois de Elseworlds, em 2018.

O que eu não consigo comprar é mesmo a execução da coisa toda. Com tantos anos de preparação e tanto espaço para trabalhar uma narrativa dessa magnitude, era de se esperar algo coeso, lógico e divertido para além dos meros fan services que, claro, existem – e deveriam existir mesmo – aos borbotões, mas que não deveriam ser a mola mestra de tudo. De toda maneira, há que se parabenizar os showrunners por efetivamente conseguirem capturar a essência da HQ que deu base ao crossover e colocar tudo na telinha, mesmo que de forma cambaleante. O multiverso que foi originalmente criado recebeu uma enorme sacudida que altera o status quo de todas as séries, digamos, originais da CW: Arrow (que acaba agora, mas ao que tudo indica será substituída por uma que tem a filha do protagonista como a nova Arqueira Verde), The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrrow, Black Lightning, Batwoman e, em breve, Superman & Lois, agora, ocorrem em uma mesma terra, a Terra Prime. Por outro lado, as demais séries da DC fora estritamente da CW, ou seja, a excelente Patrulha do Destino, a fraca Titãs, a finada Monstro do Pântano (e se isso significar a potencial volta da série, tanto melhor!) e as vindouras Stargirl e Lanterna Verde ficam cada uma em sua própria Terra, mesmo que a lógica interna para a criação desse outro multiverso não fique nem um pouco clara para além de uma escolha editorial desconectada com os eventos da Crise.

Além disso, a criação de uma “Liga da Justiça” baseada nos Superamigos – com direito a Salão da Justiça e Gleek fujão – foi um toque nostálgico genial e tecnicamente muito útil, pois potencialmente permitirá uma conexão maior entre as séries da CW sem a necessidade específica de mega-crossovers. Esse é o tipo de fan service orgânico, que realmente funciona como homenagem justa a Oliver Queen, o “fundador” do Arrowverse, e como um novo ponto de partida para uma miríade de possibilidades narrativas. Claro que tenho desconfianças enormes sobre o efetivo aproveitamento do conceito pela produtora, mas eu prefiro imaginar um horizonte positivo mesmo tendo que conceber a existência de uma série inteira protagonizada por Katherine McNamara…

Abordando especificamente o episódio que encerra o crossover e que é um capítulo “especial” de Legends of Tomorrow, tecnicamente um prelúdio da vindoura 5ª temporada (daí minha numeração extraoficial 5X00) da série, devo dizer que ele não desaponta como o anterior, mas também não consegue alcançar o nível das Partes Dois (sem dúvida a melhor) e Três (apenas legalzinha). O roteiro, que mantém a pegada cômica que caracteriza LoT, não perde tempo em apresentar a Terra Prime, deixando claro logo de início a fusão de universos resultado do segundo sacrifício de Oliver Queen. São sequências didáticas, com direito a uma ponta de Marv Wolfman, co-roteirista da Parte Quatro e, mais importante do que isso, pai da Crise dos quadrinhos e o Caçador de Marte passeando pelas telas para transferir suas memórias para todos aqueles que não lutaram na pedreira do começo do tempo. Cumprida essa tarefa, que passa pelo enfrentamento de dois vilões mequetrefes, o prato principal é servido: o Anti-Monitor, para surpresa de absolutamente ninguém (e, justiça seja feita, muito na linha dos quadrinhos), está vivinho da silva e com seus dementadores raquíticos a tira-colo. Segue pancadaria genérica cheia de raios (e tiros e chutes!), o agigantamento do vilão na linha dos tokusatsu (e com a mesma qualidade técnica…) e pronto, o bandidão é enviado para o Microverso em uma daquelas soluções tiradas da cartola e executada em 10 segundos.

Vocês sabem o que escreverei agora, então perdoem-me a repetição: desperdício de uma boa ideia. Esse epílogo é completamente redundante no aspecto da ameaça mor e poderia ter ficado apenas na apresentação do novo status quo. O reaparecimento do Anti-Monitor é tão mal executado e abordado como se ele fosse mais um vilão da semana que era preferível que o momento “luzinhas estroboscópicas” do embate entre ele e Oliver-Espectro no episódio anterior tivesse significado o fim efetivo da criatura. Teria mais peso assim, mesmo considerando que a luta anterior não teve peso algum. Mas não. Preferiram finalmente reunir os heróis no que até poderia ser uma luta divertida somente para o vilão ser derrotado com um arremesso de um gadget aleatório pela Supergirl.

Só para o leitor ter uma ideia, as sequências de introdução da Terra Prime casadas com as de apresentação das outra Terras e as da  fundação da “Liga da Justiça” poderiam, sozinhas, resultar em um episódio do nível da Parte Dois. Mas, como uma luta era necessária na cabeça dos showrunners, o resultado final é tragado para baixo e apequenado por cacoetes narrativos que simplesmente não precisavam existir aqui. Transformar o Anti-Monitor em “mais um vilão” e, ainda por cima, com tomadas absolutamente patéticas como aquela da Supergirl indo “com raiva” para cima do sujeito – sério, um estudante de cinema de primeiro ano faria melhor com 1/10 do orçamento e com uma atriz ainda pior – é revoltante e um sintoma de um problema muito maior que já cansei de sinalizar ao longo de minhas críticas de Arrow: o pouquíssimo apreço pela qualidade técnica nessa séries só porque o público gosta de ver seus heroizinhos fantasiados a qualquer custo. Mas sei que reclamar é como dar murro em ponta de prego… Agora só nos resta aguardar o próximo crossover e torcer em vão para que ele seja melhor.

P.s.: Deixa eu sonhar que a manutenção explícita da Terra-96 com o Superman grisalho de Brandon Routh significa que teremos uma série dele, ok?

P.s. 2: Quero ver os Super Gêmeos (e Gleek) para já!

P.s. 3: Se é para chutar o pau da barraca, o próximo crossover precisa ser O Relógio do Juízo Final

Legends of Tomorrow – 5X00: Crisis on Infinite Earths, Parte Cinco (EUA, 14 de janeiro de 2020)
Direção: Gregory Smith
Roteiro: Keto Shimizu, Ubah Mohamed
Elenco: Grant Gustin, Caity Lotz, Melissa Benoist, David Harewood, Jon Cryer, Osric Chau, LaMonica Garrett, Tom Cavanagh, Brandon Routh, Cress Williams, Tyler Hoechlin, Dominic Purcell
Duração: 42 min.