Legends of Tomorrow

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X02: Miss Me, Kiss Me, Love Me

plano crítico legends of tomorrow Miss Me, Kiss Me, Love Me (2020)

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Dando um bom pulo de qualidade e diversão de Meet the Legends para cá, LoT parece ter encontrado um bom caminho na perigosa premissa de reaproveitar a dinâmica de “caça aos vilões” que marcou a 4ª Temporada. Miss Me, Kiss Me, Love Me (título que brinca com a famosa canção Poison, do Bell Biv DeVoe) é um indicativo verdadeiro de que essa temática pode funcionar, agora que trabalha com uma alma condenada numa atmosfera bem diferente daquela em que apareceu Raputin e, ainda assim, logrou um baita resultado final.

Existem referências nos diálogos a Chinatown (1974), Tubarão (1975) e Os Simpsons, enquanto a trama se passa em Los Angeles, no ano de 1947, e no futuro. O clima de máfia em cores flerta com o noir, mas segue a escola cômica (no texto e na fotografia) de O Escorpião de Jade, o que me deixou preocupado no início, porque a quebra dramática no começo do episódio não flui bem, o que poderia colocar tudo a perder, já que a maior parte do tempo seria nesse cenário da “Era de Ouro”. É então que o texto de Ray Utarnachitt revela a sua verdadeira intenção e abraça a comédia sem abandonar o perigo da vez ou ignorar os esforços das Lendas para dar cabo de mais um infame liberado por Astra.

A estratégia utilizada pelo autor é perfeita: a parte cômica serve como costura do enredo, assim, vemos uma boa dose de cenas hilárias dentro e fora da nave, com destaque para Ava achando que cantava maravilhosamente bem e para o aniversário do pai de Behrad (o meu bloco favorito do capítulo). É através dessas pequenas distrações que a grande problemática do episódio se passa. Depois de estabelecida a proposta, todo o capítulo flui deliciosamente bem, de modo que é até possível perdoar a má desenvolvida colocação de Ray na Polícia, linha que só funciona no final, mas que mesmo assim não é algo assustadoramente ruim, apenas mal introduzido.

Nós já tivemos situações familiares cômicas e complexas quando visitamos a família de Nate algumas vezes na Temporada passada, então esse tipo de trabalho na série já é conhecido, e a melhor coisa em relação a ele é que funciona bem: os visitantes têm algo a esconder e a família, sem saber, coloca-os em situações delicadas (e por isso, cômicas), exatamente o que temos em toda a sequência com Nate e B tentando esconder quem de fato são… e o que fazem.

Eu achei que iria odiar a volta de Zari (novamente reciclagem de outro elemento da série, feito antes com Charlie), mas eu curti muito esse retorno dela. A personagem agora é um influenciadora digital daquelas bem patéticas, e que desconfia do trabalho do irmão e do estranho “professor” que ele levou para casa. Era já o tempo de algo dar errado, como de fato deu. Mas deu errado para melhor, claro. Nessa linha, só temos boas coisas para esperar dessa temporada. Louvado Seja!

Legends of Tomorrow – 5X02: Miss Me, Kiss Me, Love Me (EUA, 20 de maio de 2019)
Direção: David Geddes
Roteiro: Ray Utarnachitt
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Haley Strode, Jonathan Sadowski, David Diaan
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X01: Meet the Legends

legends-of tomorrow Meet the Legends 5x01-1

Depois do episódio Especial “00” de Legends of TomorrowCrisis on Infinite Earths – Parte Cinco, a série retorna à sua programação normal com Meet the Legends, o início oficial (e perigoso) da 5ª Temporada do show. E eu disse “perigoso” porque o roteiro desse episódio tinha que trabalhar em duas vertentes: a primeira, lidando com o retorno de Sara e Ray e Mick do crossover e a segunda, lidando com algo ainda mais complicado e ingrato, que é a introdução já avançada do simpaticíssimo Behrad Tomaz (Shayan Sobhian) na equipe.

A estrutura utilizada pelos roteiristas Grainne Godfree e James Eagan foi, em uma só palavra, matadora. Depois do decepcionante Hey, World!, eu confesso que estava com medo, algo que há muito eu não tinha em relação à série. Mas a reentrada do show no ar veio de maneira direta, brincando com a exposição de maneira inteligente, engraçada e com uma boa dose de loucura, aquilo que a gente realmente esperaria de LoT. Como muita coisa mudou ou se colocou no meio da linha do tempo dos personagens nos últimos tempos, a volta do programa tinha por obrigação tratar desses assuntos em tela, e seria um porre ver 40 minutos de exposição engraçadinha a respeito da Crise, de Oliver ou mesmo de B., que enquanto não tem um crush na série, posso disponibilizar um espaço para ele aqui no meu coração, ao lado do furacão Avalance.

Como o uso da metalinguagem não é algo novo na série, coube ao diretor Kevin Mock colocar na tela de maneira criativa o status atual do show, fazendo-o de forma bem rápida e não-contínua com os traumas de Sara e de modo muito competente com Behrad. Minha antipatia para com o personagem no Finale da 4ª Temporada deu um enorme giro de recepção, fazendo com que eu visse com bons olhos tudo relacionado ao personagem aqui, algo que não posso dizer de Mona, Gary e da sumida incoerente de Charlie, por exemplo. Se tivesse que escolher, claro que eu prefiro essa sumida do que ver a personagem jogada sem fazer nada ou apenas povoando as cenas, mas convenhamos: nem tanto ao Céu, nem tanto à Terra, não é mesmo?

Voltando a Behrad, o texto conseguiu incluir o personagem de forma objetiva, orgânica e sem abusar de elementos expositivos: a metalinguagem bastou para recolocar todo mundo num mesmo espaço, afastar Constantine temporariamente e introduzir a temática da temporada, já aludida no ano anterior — uma nova caçada a vilões, dessa vez, a corpos reencarnados cujas almas estavam no inferno. Vocês que acompanham minhas críticas há tempos sabem que eu desgosto imensamente dessa reciclagem de tema, mas estou pronto para pagar a língua. Se usarem-no bem, então que seja este e vamos que vamos!

O legal da dinâmica metalinguística é que a entrada de Rasputin como a primeira alma reencarnada do Inferno caiu como uma luva, sendo o objeto de filmagem de uma equipe de documentaristas. O princípio para a ação dessa equipe é válido, mas bem fraco e claramente os showrunners não deixam a série orbitar outros problemas, jogando com as mesmas coisas para tentar mudar elementos apenas na superestrutura, o que é uma constante nas séries de heróis da CW, então a gente já sabe… De qualquer forma, o recurso é bem utilizado e Kevin Mock não perde a oportunidade de nos colocar também a perspectiva e não apenas a ideia de um doc sobre as Lendas, um bom toque estético que cimenta o gênero abordado.

Pelo visto Mona realmente vai sair da equipe, certo? Se for e voltar apenas como Rebecca Silver, eu acho isso excelente. Já em relação Gary, rogo que os showrunners tenham orientado os roteiristas dessa temporada a darem ao personagem o brilho que ele tinha no começo, sendo engraçado e entrando e saindo de cena nas horas certas. Cortar as bobagens e os exageros dele é vital para não torná-lo odioso. E em relação a Zari… ela vai voltar mesmo? Assim fica complicado, bem complicado. Mas vamos ver que caminho de fato vão tomar daqui para frente. E lá vamos nós de novo. Preparados?

Legends of Tomorrow – 5X01: Meet the Legends (EUA, 21 de janeiro de 2020)
Direção: Kevin Mock
Roteiro: Grainne Godfree, James Eagan
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Ramona Young, Adam Tsekhman, Sisa Grey, Shayan Sobhian, Michael Eklund, Adam Beauchesne, Callum Seagram Airlie, Paul Batten, Ryan Elm, Luisa Jojic, Clare Filipow, Gregory Tunner
Duração: 42 min.

Crítica | Legends of Tomorrow – 5X00: Crisis on Infinite Earths, Parte Cinco

Crossover como um todo
(não é uma média):

Episódio:

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais partes do crossover e, aqui, das temporadas anteriores da série.

Consigo com certa facilidade comprar o conceito de que há quase uma década, quando o Arrowverse foi concebido, seus showrunners tiveram a visão de que um dia chegariam a adaptar Crise nas Infinitas Terras. Os sinais estão todos lá, desde a aparentemente aleatória nomeação de uma das personagens de Lyla Michaels, a Precursora da maxissérie oitentista em quadrinhos, até a estranha escolha de salpicar os heróis por várias Terras diferentes. Claro que tudo dependeria do sucesso das séries, mas isso foi alcançado muito rapidamente e todas as bases necessárias para a formação da Crise passaram a existir mais fortemente, especialmente depois de Elseworlds, em 2018.

O que eu não consigo comprar é mesmo a execução da coisa toda. Com tantos anos de preparação e tanto espaço para trabalhar uma narrativa dessa magnitude, era de se esperar algo coeso, lógico e divertido para além dos meros fan services que, claro, existem – e deveriam existir mesmo – aos borbotões, mas que não deveriam ser a mola mestra de tudo. De toda maneira, há que se parabenizar os showrunners por efetivamente conseguirem capturar a essência da HQ que deu base ao crossover e colocar tudo na telinha, mesmo que de forma cambaleante. O multiverso que foi originalmente criado recebeu uma enorme sacudida que altera o status quo de todas as séries, digamos, originais da CW: Arrow (que acaba agora, mas ao que tudo indica será substituída por uma que tem a filha do protagonista como a nova Arqueira Verde), The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrrow, Black Lightning, Batwoman e, em breve, Superman & Lois, agora, ocorrem em uma mesma terra, a Terra Prime. Por outro lado, as demais séries da DC fora estritamente da CW, ou seja, a excelente Patrulha do Destino, a fraca Titãs, a finada Monstro do Pântano (e se isso significar a potencial volta da série, tanto melhor!) e as vindouras Stargirl e Lanterna Verde ficam cada uma em sua própria Terra, mesmo que a lógica interna para a criação desse outro multiverso não fique nem um pouco clara para além de uma escolha editorial desconectada com os eventos da Crise.

Além disso, a criação de uma “Liga da Justiça” baseada nos Superamigos – com direito a Salão da Justiça e Gleek fujão – foi um toque nostálgico genial e tecnicamente muito útil, pois potencialmente permitirá uma conexão maior entre as séries da CW sem a necessidade específica de mega-crossovers. Esse é o tipo de fan service orgânico, que realmente funciona como homenagem justa a Oliver Queen, o “fundador” do Arrowverse, e como um novo ponto de partida para uma miríade de possibilidades narrativas. Claro que tenho desconfianças enormes sobre o efetivo aproveitamento do conceito pela produtora, mas eu prefiro imaginar um horizonte positivo mesmo tendo que conceber a existência de uma série inteira protagonizada por Katherine McNamara…

Abordando especificamente o episódio que encerra o crossover e que é um capítulo “especial” de Legends of Tomorrow, tecnicamente um prelúdio da vindoura 5ª temporada (daí minha numeração extraoficial 5X00) da série, devo dizer que ele não desaponta como o anterior, mas também não consegue alcançar o nível das Partes Dois (sem dúvida a melhor) e Três (apenas legalzinha). O roteiro, que mantém a pegada cômica que caracteriza LoT, não perde tempo em apresentar a Terra Prime, deixando claro logo de início a fusão de universos resultado do segundo sacrifício de Oliver Queen. São sequências didáticas, com direito a uma ponta de Marv Wolfman, co-roteirista da Parte Quatro e, mais importante do que isso, pai da Crise dos quadrinhos e o Caçador de Marte passeando pelas telas para transferir suas memórias para todos aqueles que não lutaram na pedreira do começo do tempo. Cumprida essa tarefa, que passa pelo enfrentamento de dois vilões mequetrefes, o prato principal é servido: o Anti-Monitor, para surpresa de absolutamente ninguém (e, justiça seja feita, muito na linha dos quadrinhos), está vivinho da silva e com seus dementadores raquíticos a tira-colo. Segue pancadaria genérica cheia de raios (e tiros e chutes!), o agigantamento do vilão na linha dos tokusatsu (e com a mesma qualidade técnica…) e pronto, o bandidão é enviado para o Microverso em uma daquelas soluções tiradas da cartola e executada em 10 segundos.

Vocês sabem o que escreverei agora, então perdoem-me a repetição: desperdício de uma boa ideia. Esse epílogo é completamente redundante no aspecto da ameaça mor e poderia ter ficado apenas na apresentação do novo status quo. O reaparecimento do Anti-Monitor é tão mal executado e abordado como se ele fosse mais um vilão da semana que era preferível que o momento “luzinhas estroboscópicas” do embate entre ele e Oliver-Espectro no episódio anterior tivesse significado o fim efetivo da criatura. Teria mais peso assim, mesmo considerando que a luta anterior não teve peso algum. Mas não. Preferiram finalmente reunir os heróis no que até poderia ser uma luta divertida somente para o vilão ser derrotado com um arremesso de um gadget aleatório pela Supergirl.

Só para o leitor ter uma ideia, as sequências de introdução da Terra Prime casadas com as de apresentação das outra Terras e as da  fundação da “Liga da Justiça” poderiam, sozinhas, resultar em um episódio do nível da Parte Dois. Mas, como uma luta era necessária na cabeça dos showrunners, o resultado final é tragado para baixo e apequenado por cacoetes narrativos que simplesmente não precisavam existir aqui. Transformar o Anti-Monitor em “mais um vilão” e, ainda por cima, com tomadas absolutamente patéticas como aquela da Supergirl indo “com raiva” para cima do sujeito – sério, um estudante de cinema de primeiro ano faria melhor com 1/10 do orçamento e com uma atriz ainda pior – é revoltante e um sintoma de um problema muito maior que já cansei de sinalizar ao longo de minhas críticas de Arrow: o pouquíssimo apreço pela qualidade técnica nessa séries só porque o público gosta de ver seus heroizinhos fantasiados a qualquer custo. Mas sei que reclamar é como dar murro em ponta de prego… Agora só nos resta aguardar o próximo crossover e torcer em vão para que ele seja melhor.

P.s.: Deixa eu sonhar que a manutenção explícita da Terra-96 com o Superman grisalho de Brandon Routh significa que teremos uma série dele, ok?

P.s. 2: Quero ver os Super Gêmeos (e Gleek) para já!

P.s. 3: Se é para chutar o pau da barraca, o próximo crossover precisa ser O Relógio do Juízo Final

Legends of Tomorrow – 5X00: Crisis on Infinite Earths, Parte Cinco (EUA, 14 de janeiro de 2020)
Direção: Gregory Smith
Roteiro: Keto Shimizu, Ubah Mohamed
Elenco: Grant Gustin, Caity Lotz, Melissa Benoist, David Harewood, Jon Cryer, Osric Chau, LaMonica Garrett, Tom Cavanagh, Brandon Routh, Cress Williams, Tyler Hoechlin, Dominic Purcell
Duração: 42 min.