Selma Alaoui

Crítica | A Sister (Une Soeur)

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Em seu terceiro curta, a diretora e atriz francesa Delphine Girard tenta abordar uma tensa situação de violência e sequestro usando, apenas, uma ligação telefônica entre a vítima e uma operadora da polícia encoberta como uma ligação da vítima para sua “irmã” para falar de sua filha, já que o criminoso está ao seu lado no carro. É sem dúvida uma premissa interessante — embora não exatamente original –, mas que Girard executa como um pedaço de uma história.

Não é que não haja um começo (ou quase), meio e fim no curta, ou que Girard não saiba criar tensão na conversa entre Alie (Selma Alaoui), a vítima, e a operadora (Veerle Baetens), mas esse deveria ser o artifício que impulsiona a narrativa e não toda a narrativa. No entanto, aqui, uma coisa se confunde com a outra e, mais do que isso, a premissa se torna tudo o que a diretora tem a apresentar. 

É sem dúvida interessante como a fotografia escurecida e desfocada no lado de Alie evita mostrar rostos ou mesmo a estrada em detalhes, mantendo o espectador razoavelmente desorientado, emulando, com isso, os sentimentos da vítima. E é também interessante como, na outra ponta, a da operadora, as imagens são claras e seu rosto tenso, mas frio, é sempre mantido em foco e tomando quase toda a lente. O problema é que A Sister fica parecendo um experimento, um fragmento de uma ideia bacana que não ganha nenhum desenvolvimento para além da estrutura narrativa em si.

E, muito em razão disso, por mais que o espectador consiga conectar-se com a situação de tensão e, em razão dela, também com a vítima e a operadora, Girard não consegue ir além e tornar as personagens interessantes por elas mesmas. Não há sequer um semblante de arco narrativo, aliás, pois a técnica audiovisual da diretora é um fim em si mesma. 

A Sister é um filme de “treinamento” para Girard, como um TCC, mal comparando. E o resultado é que ela passou raspando.

A Sister (Une Soeur) — Bélgica, 2018
Direção: Delphine Girard
Roteiro: Delphine Girard
Elenco: Veerle Baetens, Selma Alaoui, Guillaume Duhesme
Duração: 16 min.