Joe Rosen

Crítica | A Mulher-Hulk Vive! (Savage She-Hulk #1, 1980)

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A Mulher-Hulk (She-Hulk/Jennifer Susan Walters) está la lista de “criações tardias” de Stan Lee, que ao lado de John Buscema (nos desenhos), trouxe a personagem à luz na revista Savage She-Hulk Vol.1, que chegou às bancas com data de capa de fevereiro de 1980. A heroína já nasceu em sua própria revista — algo não muito comum de acontecer, especialmente com personagens femininas — porque a Marvel Comics tinha medo de que a série A Mulher Biônica (The Bionic Woman) acabasse utilizando, mais cedo ou mais tarde, um conceito que pudesse ser informalmente resumido como “uma versão feminina do Hulk“. Se a editora tivesse uma personagem que DE FATO fosse essa versão, acabariam os seus problemas com detenção de direitos nesta seara.

Assim nasceu a personagem Jennifer Walters, uma advogada criminal que vive em Los Angeles, Califórnia. Nessa história, ela recebe uma inesperada visita do primo Bruce Banner, atormentado pela perseguição policial e por manter o segredo de quem ele realmente é, algo colocado pra fora em uma rápida e narrativamente conveniente confissão para a prima, uma parte do roteiro que mesmo ocupando apenas uma página, quebra o ritmo e não faz exatamente bem à introdução de quem realmente importa aqui.

O roteiro de Stan Lee não foge ao estilo simples, com sustentação de um segredo dramático ou um choque de transforação/uso de poderes para uma sequência de ação futura, normalmente intercalada por outras de cenário mais calmo ou por reflexões sobre o indivíduo em cena, como ocorre nesta aventura. Na primeira parte, após estabelecer os problemas de Banner, o roteiro nos mostra um forte laço entre o Verdão (apelidado de “Doc”) e a prima, que está defendendo um caso que põe sob holofotes o bandido Nick Trask. Trata-se de uma história de máfia como linha coadjuvante, com um bom desenrolar de acontecimentos (salvo poucos obstáculos) até a sequência do tiroteio. A questão é que as conveniências começam a aparecer aos borbotões e então fica bem difícil lidar com elas.

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Por mais que o leitor pense: “ele não vai fazer isso! Ele não pode!“, Bruce realmente realiza a transfusão de seu sangue para a prima, que estava com muita perda e, dentro de uma justificativa que vai convencer alguns e outros não, não chegaria a tempo no hospital. Está dada a motivação para que Jennifer se transforme na Mulher-Hulk, realmente muito selvagem em sua primeira transformação — embora inteligente, o que não acontecia com o primo, no começo –, quando os bandidos vão até o hospital terminar o trabalho. Como disse, é uma trama, de certa forma, detetivesca, mas cortada por blocos de dramas pessoais que simplesmente fogem àquilo que uma história assim necessita, especialmente no reticente e insatisfatório final. É preciso ter bastante curiosidade para ver o que a Mulher-Hulk vai fazer em seguida. Talvez a perspectiva de que não será Stan Lee e sim David Kraft quem escreverá os roteiros, talvez, ajude em algo. O fato é que surgia aqui uma personagem que ainda protagonizaria muitas histórias boas no futuro. Isso já é um conforto.

Savage She-Hulk #1: The She-Hulk Lives (EUA, fevereiro de 1980)
No Brasil: RGE (1982), Salvat (2016), Salvat (2018)
Roteiro: Stan Lee
Arte: John Buscema
Arte-final: Chic Stone
Letras: Joe Rosen
Capa: John Buscema, Irv Watanabe
Editoria: Tom DeFalco
24 páginas

Crítica | O Que Aconteceria Se… o Mestre do Kung Fu Fosse um Fora-da-lei?

Doug Moench escrevendo sobre Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu… vocês já sabem o selo que a gente precisa colocar numa história como esta, não é mesmo? Qualidade! O autor tem no currículo uma longa história com o personagem (coisa de pelo menos 100 roteiros para a Master of Kung Fu, série principal do lutador) e não foi à toa que Roy Thomas, à época editor da What If…, chamou o autor para escrever essa versão alternativa do personagem, que se passa na China e no Reino Unido da Terra-79816.

Inicialmente temos uma boa revisão dos passos originais de Shang-Chi em nossa realidade, mostrando como ele se soltou das garras do pai (Fu Manchu) e passou a lutar por ideais de justiça. Nesta nova realidade, o Vigia nos mostra uma mudança específica na noite em que o Dr. James Petrie é assassinado, e as coisas se seguirão de maneira bem diferente até o ato final, quando o espírito e a mente bem educados de Shang-Chi resolvem colocar para fora aquilo que guardavam há bastante tempo sobre as atividades de Fu Manchu: críticas, perguntas e negação das ordens infames vilão.

É claro que lidamos também com uma boa dose de absurdo nessa aventura, especialmente na invasão do palácio de Buckingham, com a tentativa de sequestro da Família Real e, claro, a dominação o Reino Unido. Mas essa estranheza não está aqui por si só e nem é a coisa que mais atenção nos chama nessa história. O conceito que o autor traz para esse tipo de invasão tem algo para além da loucura. Tem um princípio anti-imperialista que, em um estágio final, pretende resgatar a glória da China, acabando com o comunismo e instalando um outro tipo de ditadura. Isso fica claro porque Fu Manchu não tem intenção alguma de guiar qualquer outro governo que não seja com ele eternamente à frente, assim, em um recorte político mais específico, seria apenas a passagem de um regime totalitário para outro.

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Um discurso coerente pela vida.

Além dessas interessantes discussões políticas com toques de “cientista louco“, temos uma ótima organização da trama em termos de ritmo. A arte de Rick Hoberg aborda muito bem a interação das lutas e fugas com momentos de reflexão ou cenas mais calmas, garantindo uma leitura o tempo inteiro curiosa pelo que pode acontecer com os personagens. Além disso, os embates são muitíssimo bem pensados e o cenário é colocado de maneira inteligente como parte dos entraves entre mochinhos e bandidos — exceto em alguns quadros da invasão ao Palácio Real, onde reina a bizarrice. Uma coisa que me fez rir muito no decorrer das páginas foi o fato de que a arte e a arte-final (esta a cargo de Bill Wray e Dave Stevens) exibem todos os personagens de modo aplaudível (especialmente Fu Manchu), mas Shang-Chi é majoritariamente representado de forma displicente, muitas vezes parecendo uma pessoa completamente diferente de um quadro para outro.

Quando a grande virada moral da história acontece, o leitor consegue entender perfeitamente os motivos do protagonista e acompanha com gosto as justificativas e a forma como essa nova realidade vem à tona. Sua visão de preservação da vida é muitíssimo coerente, como se pode ver na página que destaco aqui no corpo do texto, uma das coisas mais legais que já encontrei num quadrinho falando sobre esse tema e que, como se sabe, podemos atribuir a assuntos correlatos bastante complexos e que muitas polêmicas geram em nossos dias. Uma fantástica saga de luta e reavaliação moral.

What If? Vol.1 #16: What If Shang-Chi, Master of Kung Fu, Had Remained Loyal to Fu Manchu? (EUA, agosto de 1979)
No Brasil:
 Heróis da TV 2ª Série – n°27 (Editora Abril, 1981)
Roteiro: Doug Moench
Arte: Rick Hoberg
Arte-final: Bill Wray, Dave Stevens
Cores: Roger Slifer
Letras: Joe Rosen
Capa: Rick Hoberg
Editoria: Roy Thomas
30 páginas

Crítica | Star Wars #24 a 30 (Marvel – 1979)

Espaço: Espaço profundo, Yavin IV (superfície), Yavin IV (órbita), Centares, Junction, Orleon, Metalorn
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente posteriores à Batalha de Yavin (0 d.BY)

Retornar ao começo do Universo Expandido de Star Wars é refrescante e fascinante, especialmente considerando a completa falta de material que existia à época sobre a saga além do primeiro filme. E, como se isso não bastasse, diferentemente de abordagens mais modernas, o material dessa era não era sempre dividido em arcos bem definidos de cinco ou seis edições, com histórias ocupando, na grande parte das vezes, no máximo duas edições, mas sempre contando uma história macro maior com edições que conversam umas com as outras.

Depois de separar Han Solo e Chewbacca de Luke Skywalker e Leia Organa no final da edição #24, Archie Goodwin dá um intervalo na saga maior e foca o número seguinte em Obi-Wan Kenobi, em uma história contada em forma de flashback por Leia, conforme ela ouvira de seu pai. Esse one-shot, batizado de Deriva Silenciosa, conta como um Kenobi já experiente, em uma viagem em um cruzeiro espacial até Alderaan, salva todo mundo de piratas espaciais usando sutilmente a Força para manobrar a nave e descobrir como eles foram descobertos em zona perigosa. É como um respiro entre as aventuras mais frenéticas dos heróis usuais da linha narrativa principal.

E é a ela que voltamos nas duas edições seguintes – #25 e 26 – que retorna a ação para Yavin-4, a base rebelde que quase foi salva por Luke ao final de Uma Nova Esperança. Na dobradinha O Cerco de Yavin e Missão Condenada, descobrimos que a base vem sofrendo uma série de ataques de tie-fighters que surgem do nada em sucessão, com os rebeldes cada vez mais perdendo homens e naves e sem saber revidar com eficiência. Cabe então a Luke e Leia, que estavam retornando de Centares, descobrir uma complexa trama que envolve o Barão Tagge, que conta com olhos cibernéticos depois que foi cegado por Darth Vader, desejoso de cair nas graças do Império, tentando derrotar os rebeldes de uma vez por todas lançando as naves inimigas a partir de sua nave mineradora e com o uso de uma gigantesca turbina para “fabricar” tempestades que camuflam os ataques. Há um certo exagero criativo, por assim dizer, em toda a progressão narrativa desse micro-arco, assim como pouquíssimo desenvolvimento de Tagge, que mais parece um daqueles vilões genéricos e extravagantes e que se diferencia por usar óculos que poderiam muito bem sair da coleção de Elton John.

A edição seguinte, #27, com o título O Retorno do Caçador, tem melhor sorte ao reintroduzir um dos melhores vilões desse começo de Universo Estendido e que seria reutilizado no novo cânone: Beilert Valnace, o caçador de recompensas cibernético que odeia androides introduzido um pouco antes, em Star Wars #16. Assim como Vader, ele procura o jovem “sem nome” que destruíra a Estrela da Morte, obtendo sucesso não só em descobrir o sobrenome de Luke, como também enfrentá-lo pela primeira vez em Junction, um entreposto muito parecido com Mos Eisley. A história é simples e tem C3P0 como parceiro de Luke, já que os dois procuram peças para reconstruir R2-D2, avariado no mini-arco anterior, algo que atiça a raiva de Valance por robôs em geral, mas que ao mesmo tempo mostra que o que ele sente é injustificado.

Saindo do núcleo Leia-Luke, a edição #28, O que Aconteceu a Jabba, o Hutt?, é peculiar por mais uma vez abordar o criminoso mencionado por Han Solo em Uma Nova Esperança e que, como sabemos hoje em dia, apareceria no filme original. Mas o Jabba dessa história não é aquela coisa nojenta que é relevada em O Retorno de Jedi, mas sim um bípede substancialmente humanoide, com apenas um rosto alienígena, com direito até a uma espécie de bigode, certamente bem menos ameaçador do que se esperaria, exatamente como visto em Star Wars #2. Novamente, o mote é simplicidade, com Han Solo e seu fiel escudeiro Chewbacca presos no planeta Orleon depois que Millenium Falcon é danificada. Lá, eles são cercados por Jabba e seus minions, mas os grandes vilões mesmo são cupins-de-pedra que destroçam todos e tudo que tocam e que infestam o local.

Encontro Negro, história da edição #29, coloca ninguém menos do que Darth Vader contra Beilert Valance – ciborgue contra ciborgue! – em uma luta para achar Tyler Lucian, um soldado rebelde que deserdara antes da Batalha de Yavin e que, agora, enfrenta o peso da culpa por sua covardia. Seu valor para Vader é que ele sabe o nome de Luke Skywalker. Trata-se de uma história surpreendentemente emocionante e até pesada sob o ponto de vista dramático, com uma bela pancadaria entre os vilões e um final que dificilmente seria repetido em uma HQ moderna voltada para o público infantil. É Archie Goodwin mostrando maestria na condução de uma história auto-contida.

Finalmente, encerrando 1979, a edição #30, Uma Princesa Sozinha!, conta uma missão de Leia ao planeta-fábrica do Império Metalorn, em que a população vive ignorante da existência da Rebelião. O Barão Tagge é novamente o vilão principal, mas a beleza dessa outra narrativa auto-contida é a missão da princesa, que é basicamente plantar a semente do descontentamento pelo jugo vilanesco do Império e não obter planos ou sequestrar pessoas como seria de se esperar. Mais uma história que surpreende por sua originalidade, mesmo que exagere no texto expositivo.

A arte de Carmine Infantino, muito provavelmente, causará estranhamento para o público moderno de Star Wars pela forma “livre” com que ele recria os adorados personagens. Chewbacca particularmente ganha um revisionismo enorme na forma como seu rosto é trabalhado e os demais personagens ganham feições levemente orientalizadas. Mas o mestre Infantino, exatamente por não ficar escravo às feições originais e por ter absoluta liberdade para trabalhar naves e novos personagens – lembrem-se: o Universo Estendido estava ainda em sua tenra infância aqui – entrega um trabalho intenso e belíssimo, com completo controle da fluência narrativa.

Mesmo considerando que todo esse passado remoto da franquia Star Wars foi “apagado” do cânone depois que a Disney comprou a Lucasfilm, em uma decisão polêmica, mas que eu considero acertada para fins comerciais e organizacionais, é interessante lembrar como esse universo já era rico em seu começo e como muita coisa que lemos aqui influenciou obras posteriores. A Força realmente estava com Archie Goodwin!

Star Wars #24 a 30 (Idem, EUA)
Roteiro: Mary Jo Duffy, Archie Goodwin
Arte: Carmine Infantino
Arte final: Bob Wiacek, Gene Day
Letras: Rick Parker, John Costanza, Joe Rosen
Cores: Petra Goldberg, Glynis Wein
Consultoria editorial: Jim Shooter
Editoria: Archie Goodwin
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de publicação original: junho a dezembro de 1979
Editoras (no Brasil): Editora DeAgostini
Data de publicação no Brasil: julho e agosto de 2014 (encardenados Comics Star Wars Clássicos #3 e #4)
Páginas: 18 (por edição)

Crítica | Star Wars #31 a 38 (Marvel – 1980)

Espaço: Tatooine, Junction
Tempo: A Rebelião – Eventos a Batalha de Yavin e O Império Contra-Ataca

Depois de três anos bem sucedidos na expansão do Universo Star Wars em quadrinhos, a Marvel Comics aproximava-se de um momento importante, o lançamento de O Império Contra-Ataca nos cinemas em meados de 1980. No lugar de parar suas mensais da franquia e criar edições dedicadas ao vindouro grande evento, a editora simplesmente continuou normalmente a publicar suas histórias ao longo do ano, brilhantemente costurando os eventos de Império dentro das edições #39 a 44, algo que seria impensável nos dias de hoje. Com isso, os leitores da época não sofreram qualquer solução de continuidade e puderam muito facilmente continuar acompanhando as publicações mês a mês normalmente. A crítica abaixo, portanto, aborda as edições #31 a 38 de Star Wars, que são todos os números do ano de 1980 que antecederam a adaptação de Império.

Diferente das edições anteriores, normalmente compostas de arcos curtos e diversos one-shots, os números 31 a 37 contam uma história única dividida envolvendo a família Tagge que é dividida em duas partes bem definidas, mas completamente conectadas. Apenas a edição #38 é solta, mas chegarei nela no devido tempo.

Com a introdução do Barão Tagge no arco anterior sobre o cerco a Yavin IV, o vilão de visão cibernética cortesia do sabre de luz de Darth Vader volta para uma vingança dupla contra o Lorde Sith e Luke Skywalker que frustrara seus planos.  Com ajuda de Silas, seu irmão cientista, e de Ulric, seu irmão comandante de um cruzador imperial, o barão (cujo primeiro nome é Orman) faz um experimento em Tatooine com o objetivo de criar uma arma capaz de colocá-lo em boa luz perante o Imperador ao mesmo tempo que espera que Luke apareça por ali por ser sua terra natal.

O leitor precisa aceitar o estilo de vilão de James Bond que Orman inegavelmente é, com tudo o que decorre daí: armas mirabolantes (no caso uma que congela tudo) e planos mais ainda que dependem de uma boa quantidade de coincidências e conveniências. Se aceitar, a história funcionará. Caso contrário, tudo não passará de um exercício em exageros e bravatas. Feita a ressalva, claro que Luke acaba em Tatooine e, coincidentemente, ainda esbarra em Han Solo e Chewbacca na boa e velha cantina de Mos Eisley, com o grupo não demorando e acabando no meio do deserto, sendo ajudados por Jawas. E, também sem demora, eles testemunham a arma de Tagge em pleno funcionamento e enfrentam o vilão no planeta.

Há espaço, também, para Luke reconectar-se com Fixer e Camie, seus amigos de juventude junto com Biggs, que foram cortados de Uma Nova Esperança, mas cujos trechos filmados podem ser encontrados por aí. É, nessa primeira parte, uma aventura simples, mas fluída e simpática, além de sempre dinâmica ao revisitar o primeiro planeta da saga. Na segunda parte do arco, Luke é atraído para uma complexa armadilha armada pela bela Domina Tagge e por ninguém menos do que Darth Vader no planeta Monastery. Novamente, o jogo de vingança é o que movimenta a trama, além de finalmente Vader descobrir a identidade do rebelde responsável pela destruição de Estrela da Morte. 

Há muitas idas e vindas e traições duplas, além de surpresas, mas Archie Goodwin consegue costurar uma narrativa que nunca perde o fôlego e prende a atenção do leitor constantemente. Além disso, ele conseguem colocar Luke e Vader em confronto, mas sem ferir a lógica do filme que estrearia naquele ano, ainda que não haja exatamente um gancho narrativo completo que leve até Império. Toda essa história lidando com a família Tagge foi desenhado por Carmine Infantino, com seu estilo muito característico e quase “deformado” para os Stormtroopers, Vader e com rostos humanos “de boneca”. É uma arte que exige costume e gosto adquirido, mas que funciona muito bem a partir do momento em que o leitor se acostuma. 

A edição #38, como já disse, conta uma história fechada e sem conexão com o que veio antes e o que viria depois. Trata-se de um filler que foi fruto de um problema de planejamento editorial, já que a edição anterior já mencionava que a seguinte seria o começo de Império. Aqui, Luke e Leia enfrentam uma nave voo-mecânica depois que sua fuga de um cruzador imperial. A história de Goodwin é quase lisérgica, bebendo de sci-fi “viajante” que, confesso, não funciona muito bem no contexto de Star Wars. Mesmo assim, a leitura é boa e fácil, por vezes até emocionante. 

Preparando o leitor para o melhor filme da saga sem realmente adiantar nada ou dar sequer pistas do que aconteceria – até porque duvido que a Lucasfilm tenha informado algo para a Marvel Comics — as edições de 1980 da clássica publicação de Star Wars que ainda teria vida longa e próspera são um deleite. A Força realmente estava com Archie Goodwin!

Star Wars #31 a 38 (Idem, EUA)
Roteiro: Archie Goodwin
Arte: Carmine Infantino, Michael Golden
Arte final: Bob Wiacek, Gene Day, Terry Austin
Letras: Jim Novak, John Costanza, Joe Rosen
Cores: Carl Gafford, Petra Goldberg, Nelson Yomtov, Michael Golden
Consultoria editorial: Jim Shooter
Editoria: Archie Goodwin, Danny Fingeroth
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de publicação original: janeiro a agosto de 1980
Páginas: 18 (por edição)